Arquivo para setembro, 2010

Not the Messiah

Posted in Cinema, Música with tags , , , , , , on setembro 30, 2010 by canibuk

Para comemorar os 40 anos do grupo de humor surreal nonsense inglês Monty Python, Eric Idle (que não é parente do cantor Billy Idol, piada que Eric faz para a platéia ao entrar no palco) e John Du Prez escreveram uma paródia em forma de ópera para clássico “Monty Python’s Life of Brian” (“A Vida de Brian”, 1979, direção de Terry Jones), sem esquecer as homenagens para o próprio programa de televisão que o grupo teve na TV inglesa durante quatro temporadas (entre 1969 e 1972), no meio do espetáculo rola a clássica canção do lenhador. Neste “Not the Messiah – He’s a very naughty boy” (2009, direção de Aubrey Powell) quatro tenores de ópera (cantores de ópera de verdade) fazem as personagens principais, William Fergunson é Brian, Shannon Mercer é Judith, Rosalind Plowright é Mandy e Christopher Purves é Reg (é engraçado ver nos extras esses tenores, todos sérios, explicando que estavam descontraídos para este espetáculo que foi algo completamente diferente na carreira deles). Eric Idle faz um quinto tenor na opereta e está muito bem, cada vez que ele abre a boca é gargalhada certa. O melhor de tudo no “Not the Messiah” é a participação especial de outros Pythons: Terry Jones, Michael Palin, Terry Gilliam e Carol Cleveland (aquela loirinha dos programas de TV que sempre fazia papel de meninas bobinhas) dão as caras em participações hilárias. Claro que nem tudo é festa, John Cleese não topou participar do espetáculo comemorativo (Cleese também não aparece na quarta temporada da série da TV porque tinha saído do grupo por achar que o programa já tinha dado o que tinha prá dar) e Graham Chapman se recusou à participar por estar morto, achei mesquinho da parte dele ter recusado participação por tão irrisório detalhe. Humpffff!!!

“Not the Messiah” é indicado aos fãs radicais dos Pythons (nos quais me incluo) e está disponível em DVD no Brasil numa edição com vários extras bacanas. Abaixo vou colar alguns link de vídeos de youtube onde vocês poderão ter uma idéia de o quanto foi luxuosa e majestosa e magnânima e insuperável esse espetáculo.

Trailer de “Not the Messiah”:

Eric Idle zuando com Bob Dylan:

Oh God you are so BIG:

Crucifixion?:

I’m a Lumberjack:

Always Look on the Bright Side of Life:

Velvet, Nico, Lou…

Posted in Música with tags , , , on setembro 30, 2010 by canibuk

Sei de pessoas que não aguentam ouvir certas músicas do Velvet Underground porque eu tenho uma neurose/paranóia/esquizofrenia de ficar repetindo mil vezes um mesmo tudo quando chego em um certo ponto de embriaguez e, tempinhos atrás, numa noite de bebedeira na casa do Erivaldo, fiz isso com umas músicas do Velvet e enchi o saco do Petter e outros amigos.  Bem, o tempo cura (eles, não eu).


O fato é que Velvet Underground é uma das bandas que mais curto. Tenho muita preguiça de ouvir algumas bandas novas que são escancaradamente influenciadas por ela, sei que eu devia abrir mais a cabeça e esse bla bla bla todo, mas, até aqui, não sinto falta de ir atrás das atualidades musicais que por aí surgem.

O Velvet Underground (esse também é quase o nome de um dos filmes que mais gosto na vida, “Velvet Goldmine“, que, a propósito, é inspirado no Bowie, Iggy Pop e no próprio Lou Reed, mas falamos desse filme mais detalhadamente num post futuro), nasceu em 1964 quando Lou Reed insistiu em mostrar umas músicas – aquelas músicas bem Lou Reed, letras que abordam os meus temas preferidos sempre, pra filmes, livros e vida, só pra constar- ao músico John Cale. Lou escreve sobre  morte, prostituição, heroína, vícios, decadência e o que há de mais sombrio em todas as etapas da vida do ser humano. Não preciso falar dos vícios dele . As letras do Lou falam por si só e são um puta chamado ao underground dos undergrounds… uma voltinha pela barra pesada, baby.  Foi a partir dessa parceria que  o Velvet surgiu e encantou o pintor e cineasta Andy Warhol (esse é outro que ainda vai aparecer  muito aqui pelo blog) que empresariou a banda junto com o, também cineasta, Paul Morissey. Depois disso, Andy propôs à banda que Nico fosse vocalista,  eles aceitaram  e disso nasceu o disco “The Velvet Underground And Nico” (aquele que tem o bananão do Andy Warhol estampado na capa). Duplos sentidos à parte, esse disco de 1967 (e o único com a participação de Nico na banda), foi um dos mais importantes da história da música,  influenciou e continua influenciando artistas e diversos estilos musicais. Depois da bela realização, Nico – o nome Nico foi uma invenção de Andy, muda as letras ali e vai achar a palavra Icon. É, um anagrama que deu muito certo. Seu nome verdadeiro é Christa Päffgen. A alemã era modelo, atriz, cantora e compositora e antes do Velvet já tinha gravado um single com o guitarrista dos Rolling Stones, Brian Jones – seguiu carreira solo e teve álbuns produzidos pelo ex-parceiro de banda, Joh Cale. A esquisita, porém linda demais, colecionou amantes, Lou Reed, Iggy Pop, Alain Delon, Jim Morrison, são algumas das paixões confessadas pela própria… Nico foi, por mais de 15 anos, viciada em heroína e morreu em 1988 depois de bater a cabeça numa queda de bicicleta e sofrer um derrame cerebral.

Lou Reed influenciou caras que admiro desde sempre e que morrerei admirando, ouvindo e indicando, caras como David Bowie, por exemplo. E continua por aí, tão decadente quanto os influenciados, fazendo experimentações que nem sempre são bem aceitas e compreendidas, dando cano nos fãs e cobrando muitos dinheiros num show pra cantar apenas uma música experimental que deixa todo mundo se perguntando “what the fuck???” no final.

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A banda é genial, as letras do Lou são inspiradoras e intrigantes, a Nico é magnética e tem uma voz que te deixa suspenso no ar. Oh, like heroin…

Então, como sou uma nice nice girl, vou disponibilizar aqui um link pra quem não conhece o disco “The Velvet Underground And Nico”.  É, esse mesmo do bananão do Warhol!

The Velvet Underground And Nico

-Esse post foi escrito à base de martini (com três azeitonas, sempre!) e ao som de “After Hours”.

Todos os Filhos de Deus têm Problemas

Posted in Literatura with tags on setembro 29, 2010 by canibuk

(poema de Charles Bukowski).

esse cara matou sua

sogra.

picou ela em pedacinhos

a pôs num baú

pôs o baú no seu carro

levou o carro até a ponte

parou o trânsito das 5:15 por quatro minutos

enquanto todos esperavam sentados e o assistiam

ele tirou o baú

ergueu e empurrou sobre a cerca

entrou no carro

mas o motor não pegava

sentou no carro e percebeu que o

baú não afundava, mas sim flutuava

um sujeito com um sorriso gentil e

placas de Nova Jérsei empurrou o carro até o fim da ponte

ele saiu correndo e roubou uma bicicleta e

pedalou até a beira da água

pulou no rio

e nadou até o baú

e empurrou e empurrou e lutou e

tentou fazê-lo afundar

desistiu e nadou de volta até a margem

uma boa nadada de um quilômetro

achou seu carro e entrou e o motor

pegou

dirigiu bem rápido e ganhou uma multa

por excesso de velocidade

o guarda preencheu a multa e checou se

ele tinha algumas outras pendentes

havia

várias

prenderam ele e

o autuaram

eles o autuaram por tentativa de suícidio

excesso de velocidade e pela bicicleta roubada

e finalmente por

assassinato

na próxima vez que você achar que se deu mal

pense nesse pobre idiota.

(extraido de “Lazy in San Pedro”, quarte parte do livro “Open All Night: New Poems”, publicado aqui no Brasil com o título “À toa em San Pedro” pela Spectro editora, pode ser adquirido pelo site: http://www.spectroeditora.com.br/)

Cerveja, Cerveja & Cervejas

Posted in Bebidas with tags , on setembro 29, 2010 by canibuk

Começando o calorão do verão aqui e já percebo que as cervejas começaram a terminar mais rápido na minha geladeira. Nestes últimos dias eu estava escrevendo o roteiro do “O Doce Avanço da Faca” e meu estoque de cerveja foi a zero antes mesmo de terminar a versão final do roteiro. Essa última semana, aliás, foi de trabalhos intensos nos preparativos da produção do novo filme e cervejas estão descendo mais que água. Quando fomos montar um dos cenários do filme ficamos bebericando cerveja o tempo todo.

Não há nada melhor do que um pileque de cerveja. Cerveja que não combina com cereja, mas desce bem que é uma maravilha com amendoim. Amendoim salgadinho, amendoim torradinho, amendoim, amendoim, amendoim com cerveja, cerveja, cerveja sem cereja.

Queria fazer uma homenagem à cerveja aqui no blog mas não me veio nada na cabeça além de homenagear a cerveja na quietude do meu lar, sorvendo de uma (várias) garrafas ali na sacada, deixando que os pensamentos fossem nublando aos poucos, visão embaçando e as idéias fluindo, fluindo, fluindo goela abaixo!!!

Leyla e eu, parceria completa, caipirinha e Cerveja combinam sempe...

... Assim como vinho e cerveja, Leyla e Petter combinação melhor não há!!!

Osugi Sakae: Eros + Massacre

Posted in Cinema, Literatura with tags , , , , , on setembro 29, 2010 by canibuk

Osugi Sakae foi um anarquista radical japonês, filho de um militar linha dura, aprendeu sozinho várias línguas (italiano, Esperanto, Russo, Francês, Inglês e Alemão) enquanto esteve preso e, graças a isso, foi tradutor de vários autores anarquistas ocidentais (principalmente Bakunin e Kropotkin) para o japonês em panfletos políticos que ele editava. Sakae pregava o amor livre, teve 3 mulheres ao mesmo tempo. Em 1923 ele, uma de suas mulheres e um sobrinho de seis anos de idade foram espancados por militares até a morte.

Apesar de ser pouco conhecido aqui no Brasil, foi lançado um livro e um filme inspirados na vida dele.

O livro se chama “Memórias de um Anarquista Japonês” (editora Conrad, 180 páginas) e foi escrito pelo próprio Osugi Sakae. Conta a infância dele, sua relação conturbada com seu pai, sua vida de desobediência na escola, até ser preso e com isso começar a militar no anarquismo e a desenvolver suas teorias de amor livre.

Já o filme se chama “Erosu Purasu Gyakusatsu” (“Eros + Massacre”, 1969, 210 min., Platina Filmes) com direção de Yoshishige Yoshida e é um clássico em preto e branco do cinema político. Com influências de Alain Resnais e Michelangelo Antonioni, Yoshida fez um filme que será melhor compreendido por quem já leu o livro autobiográfico de Sakae. Há cenas belíssimas, os atores fazem um trabalho fantástico e o simbolismo de algumas cenas é perfeito (como na cena envolvendo símbolos católicos, no começo dos anos 10, no Japão, ser católico era uma afronta radical aos costumes da sociedade e Sakae flertou com o catolicismo). O filme é mais centrado na sua relação amorosa com suas três mulheres do que em suas idéias políticas, mas mesmo assim mete o dedo nas feridas da sociedade japonesa (qualquer sociedade com líderes tem corrupção, sofrimento e povo faminto).

Em tempo, a qualidade do DVD lançado aqui no Brasil pela Platina Filmes é aceitável, recomendo uma busca por sites de venda de filmes (ou visitinha numa locadora) para assistir um bom filme político cheio de cenas criativas e uso genial do preto e branco.

http://www.imdb.com/title/tt0064296/

E Assim Caminha a Humanidade…

Posted in Uncategorized with tags , , , , , , , on setembro 28, 2010 by canibuk

Postando aqui uma série de imagens prá ficar olhando e viajando nelas. Eu ia escrever algo sobre cada uma das imagens que selecionei prá este post mas resolvi não escrever nada e deixar que cada um viaje dentro de sua própria cabeça, aproveitando aquela máxima que diz que uma imagem vale mais do que mil palavras.

E ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE: ENTRE ACERTOS & TROPEÇOS!!!

Na Fornalha Plantando Letras Bizarras

Posted in Nossa Arte with tags , on setembro 28, 2010 by canibuk

A fúria!!!… Isso mesmo !!! …

A Fúria !!!

Primata cheirador de cheiros, cheirador de cheirados… Cheire as lágrimas de todas as belas fêmeas que você destruiu a razão, lágrimas que cheiram a corações partidos, cheiro agridoce de paixão e raiva, medo e fúria…

Fúria !!!

Saca a pistola e te atira na bala.

Escuta o silêncio…

Escuta o silêncio…

Esbravejando, escuta o silêncio !!!

Estupra mentes, estupra almas, estupra aqueles que já foram estuprados e que choram em agonia bailando por bares metafísicos, extrapolando na sarjeta y engravida analfabetos com discursos pseudo-intelectuais pró merda no ventilador rotativo… Baratas… Grandes baratas umbelíferas, venham gritar musicais da esplendorosa boca do lixo indiana para fazer sorrir essas malditas fêmeas enganadas, abandonadas, estupradas, deturpadas, acabadas…

Afasta-te !!!

Afasta-te de minha pocilga…

Pocilga onde vomito palavras, onde defeco letras orientais, verborragias ocidentais. Pocilga onde minhas borboletas flutuam entre pedaços do azul ocular desperdido no desachar do insentido das vidas significantes em bem ou mal eras passadas que, provavelmente, nunca chegarão… Afasta-te, não preciso de você e suas teorias sobre o amor

Escuta o barulho…

Escuta o barulho…

Morto, escuta o barulho !!!

Virgem bartolomeu de “B” totalmente minúsculo, veja minha cara que esboça caroços de felicidade adquirida num leilão educativo. Repare nas rugas mas ignore as rusgas ! Beba urina com os professores que correm nus pelo verde dos quadros-negros…  E afasta-te de minha pocilga !!! Pocilga onde floresce buquês de pequenas letras bem normais que me fazem bem.

Ainda ontem parei de gritar…

Isso mesmo, parei de cheirar cheiros,

Cheirados sem um cheirador…

Eu e a bala na parede. O Silêncio Vs. O Barulho !!! O Primata contra o Verborrágico Poeta quase mágico que ao término de um acesso de loucura lhe diz:

“Grite !… Grite muito !!!”  

(poesia de Petter Baiestorf sobre os professores).

Esse poema foi usado no curta-metragem “O Vinicultor faz o Vinho e o Vinho faz o Poeta” (1998, produção, roteiro e direção de Petter Baiestorf).

(foto de Petter Baiestorf, 2006).