Criando Ninguém Deve Morrer

Mais ou menos por 2008, quando eu ainda estava escrevendo o roteiro do “Vadias do Sexo Sangrento”, tive a idéia de escrever um western caboclo que se passaria no Oeste Catarinense em uma época não definida. Logo depois do lançamento do “Vadias…” comecei a rabiscar minhas idéias pro western, queria fazer algo bem violento e sujo, mas diferente dos westerns habituais. Esse primeiro roteiro que eu estava desenvolvendo começava com um grupo de cineastas desempregados que tentava fazer um western sério e violento (que seria o “Ninguém Deve Morrer” do título) e o diretor do filme torturava o ator principal para obriga-lo a fazer algumas cenas que sua formação teatral não permitia fazer. Eu estava com o desenvolvimento travado em algumas cenas e fui perdendo o interesse no projeto aos poucos.

Nesta época, já namorando com a Leyla, tivemos uma discussão e, como costumamos fazer até hoje, ficamos nos enviando músicas pelo e-mail e eis que Leyla me enviou uma música da cantora Diana chamada “Por que brigamos” e na hora que ouvi essa música pirei. Era o que faltava para mim escrever o roteiro do “Ninguém Deve Morrer”. Fiz mudanças nas personagens cineastas, arrumei uma mulher pro pistoleiro Ninguém e transformei a história toda num musical gore nonsense com toques surrealistas e chamei elenco e técnicos e fomos filmar. Queria fazer um média-metragem divertido, cheio de metalinguagem e homenagens aos Spaghetti Westerns e à produções da Boca do Lixo e cheia de músicas populares nacionais dos anos 60/70, sem esquecer a música que deu origem ao filme:

Como eu só tinha seis mil reais para filmar tudo em 5 dias, chamei a boa, velha e rápida equipe da Canibal Filmes e, depois de uma pré-produção sem contra-tempos, começamos a filmar alucinadamente. Daniel “Australiano” Yencken foi nosso co-diretor de fotografia (Daniel “Australiano” foi um dos atores mirins no “Mad Max 3”, 1985, e hoje, com 32 anos, reside em Florianópolis/SC). Entre equipe-técnica e atores, o filme acabou tendo a participação de umas quase 30 pessoas. Foi uma loucura ordenar esse bando de bêbados.

Depois que terminamos as filmagens (exatamente um ano atrás, dia 07 de setembro de 2009), junto de um furacão que acabou com a região Oeste de Santa Catarina, fomos prá casa do Gurcius Gewdner montar o filme (Gurcius, além de editor do filme, fez papel do pistoleiro Ninguém). Problemas e mais problemas começaram a surgir. O computador que usamos prá editar os filmes começou a dar merda, depois de cinco dias numa assistência, Carrascu (da banda Shamatari e profundo conhecedor dessas máquinas do futuro) re-organizou todos os programas do computador e finalmente pudemos trabalhar (mas as imagens captadas pela câmera australiana, de maior qualidade, não puderam entrar nesta primeira edição porque o computador, simplesmente, não aceitava os arquivos).

Com o filme finalizado comecei a exibi-lo em algumas mostras e festivais de filmes experimentais (evitando assim inscreve-lo em mostras de filmes de horror porque “Ninguém Deve Morrer” é um musical e não quero ele nessas mostras de horror onde o público, geralmente, é conservador demais para entender qualquer irônia ou liberdades narrativas).

Segue, abaixo, links para ver o primeiro corte do filme no youtube (sempre lembrando que quando o filme for lançado em DVD, com extras, vai ser tirado do youtube).

Queria agradecer neste post pela inspiração que minha musa Leyla Buk me deu naquela madrugada em que me enviou a música que deflagrou a criação deste divertido média-metragem. Obrigado amor!!!

“Ninguém Deve Morrer” no youtube, em três partes:

Cartaz e capa do filme “Ninguém Deve Morrer” foi idealizado pelo Corvo Estúdios.

7 Respostas to “Criando Ninguém Deve Morrer”

  1. belissimo post :))

  2. Declaração de amor é isso! E ainda funciona como uma puta propaganda pro filme! Eu assisti tem uns 3 meses atrás e me diverti pra caralho, como deve ser com bons filmes!

  3. Não imaginava q foi assim o nascimento disso tudo…heee o amor…
    Jah vi,divertidissimo,o Andre ficow ilario,hahaahh,mas queria ele em material fisico…

  4. […] (2008) e “O Doce Avanço da Faca” (2010) e uma comédia musical western cafajeste chamada “Ninguém Deve Morrer” (2009). Gostar disso:GostoSeja o primeiro a gostar disso […]

  5. […] Paixão dos Mortos“, “A Despedida de Susana – Olhos & Bocas“, “Criando Ninguém Deve Morrer” e “Encarnación Del […]

  6. […] Ismael Schonhorst conseguiu criar um universo caótico que lembra em muito os filmes e shows de Gurcius Gewdner, realizando uma bela homenagem ao ícone catarinense que atualmente vive como travesti no Rio de […]

  7. Ontem assisti esse filme, nooooooossa, muito bom, adorei, sem palavras, parabéns a todo mundo dessa obra, gostei muito mesmo!
    Recomendo para todo mundo que puder ver!
    att
    vander

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