Cada Burguês sua Bomba Receberá!

No começo da década de 1890, os social-democratas praticamente monopolizavam as organizações dos trabalhadores na Europa, com os anarquistas reclusos e isolados em pequenos grupos com pouquíssima penetração. O isolamento, a ilegalidade e o desespero foram respondidos por alguns anarquistas com a radicalização da idéia de propaganda pela ação. Desde a década anterior, vários jornais anarquistas destacavam a necessidade de dar maior atenção às ciências técnicas e químicas, ensinando aos leitores como fabricar bombas para a revolução. O jornal francês La Lutte publicou, em julho de 1883, um artigo intitulado “Produtos Antiburgueses” onde afirmava:

“Nós colocamos sob os olhos dos nossos amigos os materiais inflamáveis mais conhecidos, os mais fáceis de manipular e de preparar, e, em uma palavra, os mais úteis. É necessário que, para a luta que se aproxima, cada um seja um pouco químico”.

Logo apareceram pequenos grupos de pessoas dispostas a utilizar qualquer meio de luta, incluindo veneno e a bomba, para atingir seus objetivos. Nessa época, uma brochura intitulada Indicador Anarquista pregava:

“Que todos os movimentos que puderem servir de ponto de encontro com uma autoridade qualquer sejam jogados abaixo, sem piedade nem remorsos. Explodam as igrejas, os conventos, as casernas, as prisões, as prefeituras, as chefaturas de polícia… Queimem todas as papeladas administrativas onde quer que elas se encontrem. Ao fogo com os títulos de propriedade, de renda, as ações, as obrigações, as hipotecas, os atos notários, as atas de sociedade. Ao fogo o grande livro da dívida pública; o dos empréstimos comerciais e departamentais, os livros dos bancos, das casas de comércio, os bilhetes de ordem, os cheques, as letras de câmbio. Ao fogo com os papéis do Estado Civil, do recrutamento, da intendência militar, das taxações e impostos diretos e indiretos”.

O Fato de objetivar ferir ou matar membros do governo, políticos burgueses, autoridades eclesiásticas, empresários, policiais, não era visto necessariamente como um ato pessoal, mas sim, ideológico. A eliminação não era dirigida contra as pessoas atacadas, mas contra as instituições que as personalidades simbolicamente representavam. Nos chamados para a luta, apareciam os brados: “Viva a dinamite. Viva a Revolução Social. Viva a anarquia”, além do estribilho cantado desdenhosamente: “Chegará, chegará. Cada burguês sua bomba receberá.”

do livro “Anarquismo & Anticlericalismo” de Eduardo Valladares (ed. Imaginário em parceria com Tesão – A Casa da Soma e Nu-Sol – Núcleo de Sociabilidade Libertária do Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais da PUC-SP).

2 Respostas para “Cada Burguês sua Bomba Receberá!”

  1. anarquismo ontológico!!

    fogo neles!

    saúde!

  2. Muito bom!

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