Anarquismo à Moda Antiga

Anarquia soa aos ouvidos da maioria das pessoas como uma catástrofe, e/ou, na melhor das hipóteses, como uma idéia ingênua, uma “saborosa” utopia.

Falar de Anarquia, significa, para muita gente, pregar o film do mundo!!!

E, curiosamente os que temem, combatem ou denigrem. Se lhes perguntar o que é anarquia, não sabem defini-la concretamente. Assim mesmo são contra!!!

Anarquia tem adversários e inimigos, à esquerda, à direita, ao centro e os que ouviram os outros dizer que é irrealizável. Muitos cursaram universidade, são professores eméritos, escritores, historiadores, poetas, advogados, políticos bem-falantes, autoridades altamente credenciadas e premiadas; outrso são simplesmente comerciantes, burgueses, socialistas, bolchevistas, fascistas, artistas formados nas faculdades da oficina, da fábrica, do campo, do mar, e/ou candidatos a governantes, quase todos são “grandes” conhecedores das idéias anarquistas colhidas nos dicionários, nas enciclopédias e nos relatórios policiais.

Seus críticos raramente se dão ao trabalho de ler as obras anarquistas, a sua imprensa. Formam uma imagem negativa da doutrina anarquista antes de a conhecer, de a ter estudado. Procedem de forma inversa dos católicos. A maioria destes acreditam no que diz a bíblia sem a ter lido. Os adversários do anarquismo não acreditam nele porque não o leram. Daí ouvir-se freqüentemente usar o vocábulo Anarquia como sinônimo de desordem, e o de anarquista como um amante da violência, um demolidor da sociedade!

Para os mais generosos, o anarquista é um “visionário, sonhador, utopista”.

Por contar com tantos inimigos – apesar de nunca ter deflagrado nenhuma guerra nem construído campos de concentração e/ou manicômios para discordantes políticos – muitos anarquistas sofreram longos anos de cativeiro e outros foram condenados à morte nos USA (mártires de Chicago, Sacco & Vanzetti, etc.), na Rússia (Fany Baron, Lídia Kortneva e outros), na Espanha (F. Ferrer e centenas de companheiros), no Brasil (Polenice Mattei, Pedro A. Mota, Nicolau Parada, etc.), em Portugal (Arnaldo S. Januário, Mário Castelhano e outros) e no entanto pouca gente se dá ao trabalho de conhecer o anarquista como ser humano, de investigar seu comportamento, suas convicções ideológicas, humanistas, as idéias que defende e divulga em forma de mensagens de emancipação humana, de igualdade social.

A sociedade mercantilista e bélica em que vive oferece-lhe contrastes chocantes: gente demasiado rica e gente cheia de fome morrendo lentamente; Governo e povo fabricando e comprando armas para se defenderem de gente que compra armas; o homem planejando tudo com riqueza de detalhes, dentro da mais acançada tecnologia e é incapaz de construir a sua própria felicidade; admiradores do patrimônio natural que não fazem outra coisa senão destruir cada dia um pedacinho desse bem precioso que nos deu a vida.

Opondo-se à sociedade onde o homem é o maior inimigo do homem, o anarquista apresenta uma alternativa que apavora as camadas mais perniciosas das nações, exatamente as castas detentoras do poder político, militar, econômico-financeiro, social e religioso, responsável pela desigualdade.

Para o anarquista um homem vale um homem, as distâncias porventura existentes na atualidade vêm sendo preparadas há longos anos pelos que desejam poder explorar e usurpar o produto do trabalho alheio, “direito” consolidado pelo Governos e o Estado.

Dentro deste quadro, o anarquismo é uma ideologia temida e respeitada.

Combate os poderosos e defende os oprimidos. Seus inimigos são muitos: os que têm medo de perder privilégios conquistados, os defensores das hierarquias profissionais, intelectuais, sociais, econômicas, os apologistas das ditaduras esquerdizantes e/ou vermelhas e os que por indolência mental não se deram ao trabalho de estudá-lo e aqueles cuja capacidade intelectual não lhes permite entendê-lo.

Levando em conta os conflitos do homem, vamos raciocinar em voz alta, livremente, analisar as suas deformações, ver quem são os responsáveis por essas anomalias, e até onde anarquia e ordem podem conviver juntas sem se excluir e/ou agredir. Até onde o homem é responsável pela violência e a desigualdade em nossos dias.

introdução de Edgar Rodrigues ao seu livro “Anarquismo à Moda Antiga…” (Ed. Achiamé, 38 páginas).

Uma resposta to “Anarquismo à Moda Antiga”

  1. Natália Florencio Says:

    Realmente,sempre que ouço a palavra anarquismo soa como se fosse algo ruim,´que vem de pessoas más,desorderas e isso me deixa seriamente irritada,as pessoas naõ estudam,naõ sabem seu real significado e distorcem a verdade,bem a cara da igreja católica e do mundo capitalista em que vivemos. Me identifiquei muito com os textos.

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