O Combate aos Padres

A Expressão anarquista anticlerical:

a) luta contra os padres, para mostrar as contradições de suas vidas com as doutrinas que professam; o sacerdócio como profissão, tendo o interesse material como base;

b) luta contra a influência política da Igreja pela ação direta e pela propaganda extraparlamentar;

c) denúncia do poder econômico da Igreja, da Igreja como empresa, como auxiliar de exploração capitalista, como fator do crumirismo.

Esse é o anticlericalismo dos anarquistas.

A maior influência dos anarquistas se deu nos países latinos, onde a presença do catolicismo era mais forte. O choque entre duas concepções tão antagônicas foi inevitável. O radicalismo dos discursos anticlericais cresceu conforme foi aumentando o tom irado dos padres. Toda ocasião era aproveitada para repudiar o cristianismo e os membros do clero. Bakunin, no artigo O Estado: alienação e natureza, assim como em outras ocasiões, destacou a necessidade de se combater a Igreja Católica:

Todos os Estados onde os povos ainda podem respirar, são, do ponto de vista ideal do Estado, incompletos, como são todas as Igrejas em comparação com a Igreja Católica.

Ante a ameaça do inferno pregada pelos padres a todos aqueles que se desviassem do reto caminho de Cristo, os anarquistas apontavam que entre a vida levada pelas exploradas classes trabalhadoras e o local da penação bíblica a diferença era, talvez, apenas de grau.

A religião era compreendida pelos anarquistas

como um conjunto de preceitos, que estabelece a dependência do pobre ao rico, do trabalhador ao capitalista, do povo ao governo, ao Estado, que santifica a dependência do escravo ao tirano.

O conceito da Igreja nunca foi dos mais altos.

Ora, a Igreja é capitalista, proprietária, açambarcadora: logo, os interesses dela são contrários, opostos e adversos aos interesses dos trabalhadores.

O clero era sempre atacado com ferocidade.

o Clero Católico é uma vasta associação religiosa-política-social, cujos fins se afastam da civilização contemporânea, cujos membros, pela característica de seus modos de vida, afastando-se da realidade constituem uma ameaça constante ao progresso e à civilização, à moral e aos bons costumes.

Ou ainda:

Os clérigos, esses instrumentos cegos dos ricos, esses parasitas que somente servem para embrutecer ao povo, conservando-o no maior obscurantismo, dizem a seus ouvintes: Filhos! Trabalhai, sofrei, respeitai aos nossos patrões, aos poderosos, porque quanto mais sofreis na terra tanto mais gozarás no céu!

Os papas, como chefes máximos da Igreja, eram acusados de serem a cabeça da serpente. A mudança do herdeiro do trono de São Pedro, em 1903, mereceu comentários ácidos na imprensa anarquista, com os redatores ironizando o papa falecido e não vendo a menor possibilidade de mudança com o novo sumo pontífice.

Morreu o Papa Leão XIII. A mentira convencional e a hipocrisia interesseira traçam neste momento encomiásticas necrologias do velho inútil que expirou no Vaticano, em dias da semana que hoje se finda. Durante 25 anos Joaquim Pecci ocupou o sólio pontifício e neste longo reinado nada fez do que mentir àqueles que esperavam ouvir de sua boca a suprema verdade!

O novo papa foi saudado da seguinte forma:

Artigo: Pio X

“Annuntio vobis gaudium

Magnun, habemos papa”

Será Pio X sodomita, ladrão, incestuoso, envenador como Pio VI, ou hipócrita como Pio IX?

Dará ele a palavra de ordem por uma nova noite de São Bartolomeu, como Pio V, ou morrerá depois de alguns meses de pontificado, vítima de veneno, como Pio III?

Quem sabe?

Mas, bom ou mau que seja este novo vigário de Cristo, nada nós devemos esperar dele pelo bem.

O Espírito Santo, o divino malaquias das eleições… não fluminenses, mas apostólicas, não escolheu ao acaso no seio do seu conclave.

Ou ele, Pio X, é um tolo, destinado a ser polichinelo dos RR. PP. da C.D.G., ou é um grandíssimo farsante que mostro-se longamente humilde como Xisto V, e depois, chegando ao fim almejado, manifestou-se aquele que é geralmente um padre.

Mas mesmo que ele fosse um fenômeno, um evento da velha estampa, um cristão austero e convicto… nada aproveitaria a humanidade de tudo isso. O cristianismo é a religião da renúncia, o culto da cobardia.

A Bíblia era considerada

literatura de dominadores, destinada a celebrar os tiranos e suas leis e a ensinar o povo a resignação e a obidiência; a Bíblia expõe o mecanismo da escravidão em termos claros, quase cândidos – à luz da hipocrisia democrática moderna.

Apesar de um tom muitas vezes profético e irado, é inegável que a sátira e o sarcasmo ferino também eram componentes importantes no discurso libertário. A burguesia e seus acólitos não cansavam de repetir que a agitação operária era promovida por militantes estrangeiros, verdadeiros indivíduos anti-sociais que procuravam introduzir no país ideologias violentas e totalmente importadas. O anticlericalismo era acusado de afrontar a mentalidade do povo brasileiro, que possuía sangue católico nas veias e era totalmente avesso a essas excentricidades perigosas e atéias. Os anarquistas, como bons internacionalistas que eram, gozavam da retórica nacional-ufanistas dos seus opositores. Não esqueciam de lembrar que esses distintos cidadãos, que se apresentavam como verdadeiros vestais das tradições patrióticas, eram totalmente submissos ao imperialismo. Ao responderem as objeções de que valores libertários eram estrangeirismos, lembravam de maneira corrosiva que o cristianismo não era nativo da América e que o número de padres estrangeiros aumentava rapidamente no Brasil no início do século XX.

escrito por Eduardo Valladares (trecho do livro “Anarquismo & Anticlericalismo”).

2 Respostas to “O Combate aos Padres”

  1. Denilson Hermes Says:

    e a CNBB hoje está mais pra partido político…

  2. […] faciais. Sexo deve ser feito sem culpa, sexo é saudável. Boa diversão anal meus queridos e não votem em políticos religiosos que nosso congresso não é […]

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