Arquivo para dezembro, 2010

Shit Soup

Posted in Arte Erótica, Quadrinhos with tags , , on dezembro 20, 2010 by canibuk

Tempinho atrás a Leyla me mostrou essa HQ fantástica do Suehiro Maruo e hoje, na correria aqui sem tempo prá postar nada, resolvi disponibilizar ela.

Último Momento de Amor em Família – HQ

Posted in Fanzines, Nossa Arte, Quadrinhos with tags , , , , on dezembro 19, 2010 by canibuk

Quando eu tava digitalizando as Histórias em Quadrinhos que publiquei no fanzine “Arghhh” nos anos 90, encontrei essa HQ inédita que seria publicada no número 32 que nunca chegou a ser lançado. “Último Momento de Amor em Família” é um texto que escrevi uns anos atrás e Michel Garcia transformou nesta HQ que posto agora:

It’s Toasted!!!

Posted in Ilustração, Posters, Televisão with tags , , , , , on dezembro 18, 2010 by canibuk

Dias atrás o Petter me colou umas imagens de propagandas antigas de vários cigarros e falou da idéia de um post sobre isso, porque todo mundo sabe, mesmo aqueles que não fumam, que aqueles cartazes antigos de cigarros eram extremamente bonitos e convidativos. A sensação que tenho ao olhar essas imagens é a mesma que sinto ao ver aqueles posteres de filmes antigos, coisa original, bem feita e sem  tanta tecnologia como vemos em tudo hoje. Decidi então, fazer um post com as melhores imagens do meu cigarro preferido, Lucky Fucking Strike, embora eu fume marlboro vez em quando, o Lucky é sempre minha primeira opção e parto pro Marlboro só quando não tem outro jeito.

O Lucky Strike foi criado em 1871, é um cigarro forte e dono de uma imagem de rebeldia, adquirada por causa de tantas campanhas de marketing. O Lucky superou o Marlboro por muitos anos, resultado de propagandas intensas no cinema, TV e rádio e de algumas mudanças na embalagem de forma que ela atraísse tanto homens quanto mulheres (no começo as propagandas eram voltadas para o público masculino e a embalagem do cigarro era verde). O Lucky era original e inovador, e com slogans de impacto como “Mostre um cigarro com filtro que conserva o sabor e eu comerei o meu chapéu” ou “Lucky Strike separa os homens dos garotos… mas não das garotas” influenciou muita gente e conseguiu vender sua marca e sua idéia.  Marlboro, que estava ficando pra trás, começou a usar da mesma arma investindo em propagandas e em algumas mudanças que a deixou num estilo mais Lucky e, assim, desde 1972 a Marlboro é a marca de cigarros mais vendida no mundo (o que não o faz melhor. Ponto).

Cada uma tem sua história com seu cigarro preferido e um motivo por preferir o mesmo. Comecei a fumar o Lucky porque já não curtia mais nenhum outro, o Marlboro Red, que era o que eu fumava, tava me deixando enjoada e nenhum outro abaixo disso me atraia, mas toda a originalidade do Lucky me atraiu de cara e era uma época onde ninguem fumava essa belezinha então decidi partir praquele cigarro quase esquecido por ali. Não larguei mais. O gosto é melhor do que todos os que já fumei.  E IT’S TOASTED, cara!!!

OBS.: Não venham com discursos saudáveis ou de lei antifumo aqui. Já sei de tudo isso. O blog é meu e do Petter e falamos aqui do que quisermos falar.


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Algumas propagandas feitas pra TV:


Não Jogue Lesmas no Ventilador Desligado

Posted in Literatura, Nossa Arte with tags , , on dezembro 18, 2010 by canibuk

Penso agora em todos os poços sem fundo espalhados na calçada da sanidade real e percebo o quanto o vento que se dizia livre mentiu para os neurônios das lagostas. Vosso gigante de orelhas achatadas largou a pluma de dezesseis toneladas sobre nossas costas para poder chorar maremotos de alegrias bem sentidas, bem vividas, bem gozadas. Vejam nossos olhos saltando longe ao doce impacto do sol sobre a folha de papel em branco e sinta-se a vontade para gargalhar um pouquinho com lágrimas sabor de mel transbordado de vossos poros rachados. Gigante solitário sem amigos nem lar algum a vista, perdido pelo espaço-tempo dentro das gavetas de um armário qualquer achado nos fins dos tempos, sujo, mofado, rasgado e até vomitado. Orelhas cortadas não ouvem a verborragia cervejante gritada por loucos malucos dementes que vomitam asneiras rotativas para todos os lados. Seios flácidos flechados por setas de trânsito mal pintadas, arranhadas e bizarras quando iluminadas de maneira não profissional nas largas estradas da mente humana sem tratamentos eletrizantes decentes que ousam vestir saiotes de pescadores de Nukuoro, meu atol preferido desde que aprendi a ficar sem escovar os dentes e a comer carambolas desossadas por crianças desnutridas da disneylândia, terra estúpida de inúmeros não-bebedores de cerveja.

Quero que toda essa loucura acabe já, vamos (você e eu) viver sem trabalhar, dois vagabundos eternos não escravizados pelos ponteiros do relógio suiço do G-8, teremos tempo para nos amarmos, brincarmos, conversarmos e até para deixarmos de lado nossos bens materiais. Nada nos será necessário, nenhum ouro, nenhuma prata, nenhum bronze para que a felicidade permaneça estampada em nossos rostos. Teremos encontrado nosso paraíso sobre a Terra, e aí, bem aí mesmo, duas semanas depois, você começará a achar este paraíso fedorento, triste, faminto e se lembrará de teu quartinho quente e me abandonará no lixão social  sport club, e eu, maltrapilho sujo levemente encardido com bolor de mofo nos cabelos e manchas verdes nos dentes, vou olhar para uma vitrine descarnada de veias pulsantes bombantes do sangue denso fervente, sem saber exatamente o que fazer ali no paraíso sem minha Eva, sem sua vagina sagrada que me aquecia nas noites de frio, sem sua boca que bebia de meu ventre e embriagada me deixava lamber as dobras eróticas do cérebro com largas lambidas cheias de saliva com bolinhas de ar no formato de pequenos corações. E vou ficar ali, pelo menos mais umas duas semanas, até me decidir pelo que fazer e quando decidir o que fazer tenho a plena certeza de que estarei fazendo a escolha errada.

escrito por Petter Baiestorf, verão de 2004 ou outra dessas datas festivas cheias de cerveja e batidas de cabeça alegres.

Recuerdos de Oppty

Posted in Fanzines, Quadrinhos with tags , , , on dezembro 17, 2010 by canibuk

“Recuerdos de Oppty”, escrita e desenhada por Henry Jaepelt, foi a primeira HQ que publiquei no fanzine “Arghhh” em 1992. Jaepelt também foi o responsável pela capa do primeiro número do zine.

Meu Pai Queria que eu fosse Projetista Mecânico, mas…

Posted in Literatura with tags , , on dezembro 17, 2010 by canibuk

eu decidi ser escritor.

é fácil.

apenas me sento e tiro a crosta de antigas feridas e espinhas

da minha vida

até que surge algo.

quando o telefone toca eu levanto e abaixo gentilmente o fone.

é tão fácil.

no andar de baixo minha namorada lê sobre Scott e Zelda Fitzgerald.

“nós somos Scott e Zelda”, digo a ela.

e ela fica doida.

recebo cartas terríveis pelo correio.

as pessoas querem vir aqui e me ver.

eles mandam cartas sobre suas vidas e anexam poemas.

meu conselho para todos os jovens escritores é que parem de escrever como eu.

quero dizer, isso não vai ajudar.

os editores vão simplesmente dizer,

“nossa, esse cara escreve igualzinho ao Chinaski,

manda de volta!”

a melhor coisa na escrita é que ela nunca

te deixa mal.

pode deixar outras pessoas mal, mas não você.

tipo, você pode encontrar sua mulher fodendo seu melhor amigo

no sofá às 3 da manhã

e você pode correr para o andar de cima e escrever um poema e

ficar quite com os dois.

eu realmente nunca gostei de Scott ou Zelda pelo que escreveram.

era o que eles pensavam e como viviam livres.

é claro que eles conheciam Hemingway e Hemingway conhecia Miró e

Miró conhecia Picasso e Picasso conhecia Joyce e Joyce

provavelmente conhecia D.H. Lawrence e D.A. conhecia A. Huxley que pensava

que sabia tudo

mas como disse, eu admirava o jeito como Scott e Zelda viviam

livres de todas as regras

e meu pai queria que eu fosse projetista mecânico

mas me agrada mais sentar aqui e escrever

qualquer coisa que eu queira enquanto

olho pela sacada para o porto de San Pedro

é fácil

todas as crostas de feridas e espinhas valeram a pena.

escrito por Charles Bukowski (do livro “Open All Night: New Poems”).

A Butcher’s Shop – parte 2

Posted in Arte Erótica, Quadrinhos with tags , , , on dezembro 16, 2010 by canibuk

A Butcher’s Shop – parte 1

Posted in Arte Erótica, Quadrinhos with tags , , , on dezembro 14, 2010 by canibuk

Dr. Jekyll and Mr. Hyde

Posted in Cinema with tags , , , , on dezembro 13, 2010 by canibuk

“Dr. Jekyll and Mr. Hyde” é um filme de horror mudo de 1920 inspirado no livro “O Estranho Caso do Dr. Jekyll and Mr. Hyde” que foi escrito por Robert Louis Stevenson e publicado pela primeira vez em 1886 (inicialmente o livro era vendido como rascunho por 1 xelim) e foi sucesso imediato. No livro Dr. Jekyll cria um soro que desperta o imoral Mr. Hyde nele. Stevenson discute os distúrbios de dupla pernonalidade e, principalmente, como nenhum homem é totalmente bom, nem totalmente mal. Todos nós somos o Dr. Jekyll e seu alter-êgo Mr. Hyde.

Essa versão de 1920 foi dirigida por John S. Robertson e estrelado por John Barrymore. Como o filme se encontra em domínio público, segue link dele no youtube e boa diversão!!!!

O Sonho e a Revolução

Posted in Anarquismo, Literatura with tags , , , , on dezembro 12, 2010 by canibuk

O sonho não é o contrário da realidade. Ele é um aspecto real da vida humana, assim como a ação; e um e outra, bem longe de excluírem-se, completam-se. Todavia, este aspecto, negligenciado ou voluntariamente relegado ao plano das superstições perigosas pela civilização atual (a das casernas, das igrejas e das delegacias) contém os fermentos de revolta mais violentos por serem os mais profundamente humanos. Compreende-se que a vontade de obscurantismo dos mestres-pensadores seja sempre manifestada por um desprezo total em relação ao sonho. Sua inteligência limitou-se a tolerar (e talvez a favorecer) a difusão das “chaves dos sonhos”, obras desnaturadas, de caráter puramente supersticioso, fantasioso ou idiota. Mas os povos que o odioso bom senso europeu obstina-se em denominar “primitivos” (primitivos porque nunca conhecerão os segredos da bomba atômica, ou simplesmente da hipocrisia diplomática) concedem ao sonho um lugar de primeiro plano.

Freud, desvelando o mecanismo do sonho, interpretando-o, demonstrou que ele constituía o perfeito revelador das tendências e dos desejos mais secretos dos homens. Sabe-se agora que não existe sonho gratuito, que pelo simples fato de sonhar o homem muda seu destino, mesmo que essa mudança permaneça imperceptível. Desperto, o homem aprende do mundo o que sua razão e seus sentindos bem quiserem deixar-lhe aperceber, isto é, uma ínfima parte do que realmente é; em sonho, os objetos, os sentimentos, as relações mais audaciosas tornam-se-lhes lícitas, familiares. Desceu ao coração de si mesmo, ao coração das coisas.

Isto é válido tanto para as coletividades quanto para os indivíduos. Se o sonho é a expressão do desejo, se a explicação de um pode preludiar, numa certa medida, a realização do outro, o maior desejo coletivo é a revolução. G.C. Lichtenberg lamentava que a história fosse feita unicamente da narrativa dos homens espertos. Quando, numa noite, todos os explorados sonharem que é preciso acabar e como acabar com o sistema tirânico que os governa, aí então, talvez, a aurora surgirá em todo o mundo, sobre barricadas.

escrito por Jean Schuster (parte do livro “Surrealismo & Anarquismo” lançado aqui no Brasil pela editora Imaginário).