Bebida dos ganha-dores.

O café escorre pelos caminhos, trazendo junto minhas doses alcoólicas de antes, cartas velhas que nunca mandei, as bitucas de cigarro que carregou dos cantos do meu quarto, certa obsessão, certo desespero, certa solidão, noites sem dormir. Mergulhei lá dentro pra me encontrar com essas coisas e só achei uma privada cheia de sangue que eu mesma segurava sei lá pra quê. Joguei num liquidificador e de lá de dentro saiu um suco de tecidos ensaguentados, escuro, feio, mas seguro. Bebi, viajei e me salvei.

Leyla Buk (poeminha de 2009).

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