Diário do Chaves

Saiu nas bancas o livro “Diário do Chaves” (172 páginas, ed. Ponto de Leitura/Objetiva), escrito pelo Roberto Gómez Bolaños, criador do programa “El Chavo del Ocho” (que aqui no Brasil é conhecido como “A Turma do Chaves” e passa no SBT). Bolaños escreveu um livro infantil ótimo, tanto para crianças quanto para adultos, ilustrado com seus desenhos (não gostei do traço do Bolaños que me parece sério demais para caricaturar personagens tão divertidos, vejam como Seu Madruga, ao lado, ficou ranzinza demais no traço de Bolaños). O “Diário de Chaves”  tem um senso de humor bizarro e que faz refletir bastante, transcrevo uma passagem:

(…)

Antes eu pensava que nunca tivera um pai. Mas depois meus amigos me explicaram que isso não era possível; que quem nasce é porque antes seu pai se deitou com sua mãe. Acontece que não conheci meu pai. Ou seja, mal ele se deitou com minha mãe, foi embora.

Minha mãe sim, eu conheci, mas não muito. Como ela tinha que trabalhar , todos os dias me levava para uma casa que se chamava creche, e ali eu ficava até que ela voltasse prá me pegar. O chato é que a coitada chegava muito cansada de tanto trabalhar, e, quando dizia que vinha pra pegar seu filho, perguntavam: “Qual é?” E ela respondia: “Não sei, um desses.” E entregavam a criança que estivesse mais à mão. E, claro, nem sempre era a mesma criança.

O que significa que o mais certo é que eu não seja eu.

Um dia minha mãe não passou prá me pegar.

E nos outros dias também não.

(…)

Genial o senso de humor de Bolaños que usa o Chaves para fazer a criançada (e também os adultos) refletirem sobre as desigualdades sociais. O “Diário de Chaves” é bem mais irônico que o programa de TV, cheio de denúncias sociais, mas ainda carregado de ingenuidade (afinal, o diário é escrito pelo próprio Chaves) e uma boa dose de ternura. Recomendo!!! (abaixo a capa do livro lançado nas bancas).

2 Respostas para “Diário do Chaves”

  1. outra passagem hilária do livro:

    (…)
    Aí começou a guerra da Revolução. Mas não contra Dom Porfírio, e sim contra todos; porque todos queriam ser presidentes.
    O único que não queria ser presidente era Emiliano Zapata. O que ele queria era que todo mundo fosse camponês.
    O chato é que os ricos fazendeiros preferiam ser ricos fazendeiros a ser camponeses; e como não entravam em acordo, os camponeses começaram a matar os ricos fazendeiros e os ricos fazendeiros começaram a matar os camponeses. E, conclusão, a terra não foi ocupada nem pelos camponeses nem pelos ricos fazendeiros, e sim pelos mortos que tiveram de enterrar; porque nessa época mataram tanta gente que a média era de um para um, ou seja, um morto por pessoa.
    (…)

    Genial!!!!

  2. Somente ontem tive a oportunidade de ler o livro e confesso que fiquei um pouco melancólico.

    Para mim, o Chaves do livro da a impressão que mesmo otimista no fundo ele percebe que não tem esperanças de um futuro e a parte sobre o destino do Jaiminho o carteiro me partiu o coração.

    Recomendo para os adultos a quem ainda falta um pouco de inocência.

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