The Flicker de Tony Conrad

Tony Conrad nasceu em 1940 em Concord, New Hampshire, é o homem que fez o média-metragem “The Flicker” (1965), que é um filme feito de quadros de branco puro e de preto puro alternados em padrões ou freqüências diferentes. Quando projetado, “The Flicker” produz um efeito estroboscópico ou “bruxuleante” que pode causar imagens inexistentes e padrões de cor também inexistentes no ato de ver do olho. Ver “The Flicker” provoca em cada 50 mil pessoas um ataque epiléptico. Conrad descobriu os efeitos mais estéticos da luz estroboscópica quando brincava com um projetor cinematográfico que possuía velocidade variável. Descobriu assim que o bruxuleio começa à velocidade de quatro flashes luminosos (fotogramas) por segundo e que qualquer coisa acima de 40 flashes luminosos (fotogramas) por segundo é imperceptível ao olho exceto luz contínua. “The Flicker” constitui-se de 47 padrões diferentes de combinações de fotogramas pretos e brancos. Foram necessários dois dias para filmar as amostras e sete meses para revelá-las. O filme daí resultante começa com um bruxuleio muito intenso de 24 flashes por segundo, causando um efeito pequeno, mas gradativamente reduz a velocidade para uma intensidade vigorosamente “massageante” do olho, de 18 para 4 flashes por segundo. A intensidade de bruxuleio galga até o fim do filme, retornando o olho a um ambiente mais pacífico.

Tony Conrad realizou um segundo filme bruxuleante, em 1966, chamado “The Eye of Count Flickerstein”.

Conrad se deu conta de alguns efeitos da luz estroboscópicanuma aula sobre fisiologia do sistema nervoso em Harvard. Tendo se graduado como Bachelor of Arts em matemática em 1962, na Harvard, foi para New York tocar o “violino que zumbe” no grupo musical de vanguarda de La Monte Young (Conrad foi membro no início do Theatre of Eternal Music, apelidado de The Dream Syndicate, do qual faziam parte, além de Conrad e Young, os músicos John Cale, Angus Maclise e Marian Zazeela). Nesta época também começou a fazer trabalhos de som para cineastas undergrounds, realizou a trilha sonora para o clássico “Flaming Creatures” do genial Jack Smith (que influenciou, ao lado dos curtas de George Kuchar, o jovem John Waters a querer fazer filmes), apresentou Angus Maclise ao cineasta underground Ron Rice (que resultou na trilha sonora do filme “Chumlum” de Rice) e realizou a trilha sonora do inacabado “Normal Love” de Jack Smith.

Conrad & Beverly Grant.

Curiosidade inútil: Tony Conrad é conhecido como sendo indiretamente responsável pelo nome “The Velvet Underground”. Conta a lenda que Lou Reed e John Cale encontraram um livro intitulado “The Velvet Underground”, que havia pertencido ao Conrad, depois que ele se mudou para outro apartamento.

Encontrei uma versão do “The Flicker” com apenas 16 minutos, resolvi postar ela aqui como amostra do filme. O original tem 27 minutos (apesar do IMDB indica-lo com 30 minutos).

Usei o livro “Undergound – Uma Introdução ao Cinema Underground” de Sheldon Renan para consultas técnicas sobre a realização do média “The Flicker”.

5 Respostas to “The Flicker de Tony Conrad”

  1. Fiz uma exibição deste filme aonde começamos com mais de 50 pessoas na sala e no final só tinha eu. Pessoal saindo puto não entendendo qual era a do filme, mesmo com uma explicação prévia que eu dei. As promessas são mais tentadoras do que a efetiva obra, mas de qualquer forma, acho que é uma experiência para se passar.

  2. Também fiz uma exibição do “The Flicker” aqui na minha cidade para pessoas ligadas à filmes experimentais e quase ninguém aguentou vê-lo até o fim. Passei a versão original de 27 minutos.
    Em tempos que as pessoas acham que Tarantino é cinema independente, é de se esperar que as pessoas não consigam compreender/sentir o cinema livre, cinema de vanguarda, cinema underground ou seja lá qual nome for dado à esses filmes!
    O grande mal é as pessoas irem ao cinema querendo ver algo com começo, meio e fim (e do jeito que elas imaginaram).
    Sou um grande apreciador do cinema como um todo, então fico aproveitando tudo!!!
    (Petter Baiestorf).

  3. Muito legal esse espaço, heim mano.
    Me amarrei no seu trampo.
    Parabéns.
    Divulgar esses lances é necesário.
    Fazer a informação circular e espalhar o conhecimento é primordial

  4. Com a tecnologia atual de filmagem, acho que esse filme seria mais eficiente, porque o corte entre branco/preto seria mais abrupto, mais definido.
    Só não entendo o conceito de “filmar” neste caso, porque esse filme, á exceção da abertura, poderia ser montado todo nos cortes da edição, alternando entre um filme velado e um filme revelado sem exposição, pois sabendo que a velocidade é 24 frames por segundo, fica fácil calcular o intervalo dos quadros. Trabalhoso, mas não difícil.
    Só não sei qual foi o processo que ele utilizou de fato, não sei se a variação entre branco/preto surge do processo de filmagem dele ou da tecnologia cinematográfica da época.

  5. […] levou a entrar no programa “Honours Science” da Universidade de Toronto. Inspirado pelo cinema underground de New York, conseguiu realizar seus primeiros curtas. Durante toda década de 1970 seus filmes […]

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