Glauberélio Mojiqueiro Cardoso: 2 livros imperdíveis

Imagino que o pessoal que acompanha o blog diariamente seja tudo rato de sebos, então deixando aqui duas dicas de livrinhos que pedem por serem descobertos:

“Glauberélio Heliglauber” de Ivan Cardoso (30 páginas, Ed. Rio Filmes), obrigatório para quem curtiu o curta-metragem “À Meia-Noite com Glauber” (1997), também do Ivampiro. Neste livreto podemos acompanhar o processo criativo do filme. Há diálogos montados entre Glauber e Oiticica, milhares de fotos (inclusive Mojica com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, primo de Ivan Cardoso), frases provocativas (pertence a um tempo que provocar fazia parte da cultura), Zé do Caixão, poesias, ficha-técnica do curta e até frases de Lúcia Rocha, mãe do genial genioso baiano. Um mosaico museificado labiríntico do desprocesso barroco-lúdico dos lapidados parangolés lubrificados com cores berrantes e gritos ébrios de Glauber. Uma explosão de criatividade para fãs e não-fãs de Cardoso-Glauber-Oiticica-Mojica.

“O Pensamento Vivo de Glauber Rocha” com pesquisa, organização e notas de Cristina Fonseca (110 páginas, Ed. Martin Claret). No melhor estilo jornalismo informativo temos uma apresentação sem frescuras do pensamento do genioso Glauber e muitas curiosidades sobre sua pessoa e obra. Há também uma seleção de depoimentos sobre o artista que incluem, entre outros, Maurício do Valle, Paulo Emílio S. Gomes, Caetano Veloso, Paulo Francis. Abaixo algumas frases de Glauber Rocha:

“Estou com o Buñuel quando diz que é contra os festivais, contra Deus, a pátria, a família, os cegos e os insetos.”

“A violência de um faminto não é primitivismo.”

“Sempre fiz questão de me desmitificar inteiramente indo contra todos os paternalistas.”

“Sou inteiramente contra o cinema colocado em termos de esquemas; o cinema, enquanto criação e realização artística, é um problema de inteligência, violência e sensibilidade e nunca de raciocínio, porque cinema não é filosofia nem sociologia. Por isso vou fazer filmes com a cabeça e o coração.”

“A técnica é haute couture, é frescura para burguesia se divertir.”

“A produção intelectual, desde a Grécia até a Revolução Industrial, foi uma produção submetida ao poder até que se transformou em um valor comercial no século XX.”

Esqueça os fãs xaropes do Glauber e conheça a obra dele, Glauber fazia filmaços (não é a toa que seu “Deus e o Diabo na Terra do Sol” tenha influenciado Jodorowsky à fazer seu clássico “El Topo”).

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