O Que Pensam, o que Querem os Surrealistas

Generalidades

É preciso não apenas que cesse a exploração do homem pelo homem, mas que cesse a exploração do homem pelo pretenso “Deus”, de absurda e provocante memória. É preciso que seja inteiramente revisado o problema das relações do homem e da mulher. É preciso que o homem passe, com armas e bagagem, para o lado do homem. Basta de flores sobre os túmulos, basta de instrução cívica entre aulas de ginástica, basta de intolerância, basta de engolir sapos! (André Breton, 1942).

Não poderá haver novo humanismo senão no dia em que a história, reescrita após ter sido acertada entre todos os povos e limitada a uma única versão, consentir tomar por sujeito todo homem, da época mais remota que os documentos permitirem, e perceber, com toda objetividade, seus fatos e gestos passados sem considerações especiais à região que este ou aquele habita e à língua que ele fala. (André Breton, 1945)

Nosso entrincheiramento agressivo contra a sociedade deliqüescente, nossa hostilidade em relação a seus ideais degradantes encontram seu corolário… Em nosso desejo de um grande vento Ateu, purificador e revolucionário. (Jean Schuster, 1950)

Surrealismo ou Realidade

Tudo o que amo, tudo o que penso e sinto inclinam-me a uma filosofia particular da imanência segundo a qual a surrealidade estaria contida na própria realidade e não lhe seria nem superior nem exterior. E reciprocamente, pois, o que contém também seria o conteúdo. (André Breton, 1928)

Os surrealistas, no que os concerne, não cessaram de invocar o livre pensamento integral. Concentrando deliberadamente suas pesquisas em torno de certas estruturas destinadas, de um modo totalmente abstrato, a evocar a ambiência ritual, procuram em nada assumir o absurdo e o ridículo de buscar promover por suas próprias mãos um novo mito. (André Breton, 1947)

Sonho & Revolução

… Desde que a démarche refletida e racional da consciência sobrepujou a démarche apaixonante do inconsciente, quer dizer, desde que o último dos mitos cristalizou-se numa mistificação deliberada, o segredo parece ter se perdido, segredo esse que pirmitia conhecer e agir sem alienar o conhecimento adquirido. O sonho e a revolução são feitos para pactuar, não para se excluir. Sonhar com a Revolução não é renunciar a ela, mas fazê-la duplamente e sem reservas mentais. (Ruptura Inaugural, 1947)

Religião

Em 1931, os surrealistas declaram, por ocasião das primeiras lutas na Espanha: “Tudo o que não é a violência quando se trata de religião. do espantalho Deus, dos parasitas da oração, dos professores da resignação, é assimilável com esses inumeráveis vermes do cristianismo, que devem ser exterminados”. (Benjamin Péret, 1948)

A religião cristã, a mais evoluída e a mais hipócrita de todas as religiões, representa o grande obstáculo espiritual e material à liberação do homem ocidental, pois é o auxiliar indipensável de todas as opressões. Sua destruição é uma questão de vida ou morte. (Benjamin Péret, 1948)

Pátria, Estado

Em 1925, os surrealistas declaram: “Ainda mais que o patriotismo, que é uma histeria como outra qualquer, contudo, mais vazia e mais mortal do que qualquer outra, o que nos repugna é a idéia de Pátria, que é verdadeiramente o conceito mais bestial, menos filosófico que tentam fazer penetrar em nosso espírito”. (a Revolução primeiramente e sempre!)

Em 1935, os surrealistas declaram: “Todo sacrifício de nossa parte à idéia de pátria e aos famosos deveres que dela resultam entrariam de imediato em conflito com as razões iniciais mais certas que conhecemos de termos nos tornado revolucionários… É a inanidade absoluta de tais conceitos que atacamos e, sobre isso, nada nos forçará a nos redimir”. (do tempo em que os surrealistas tinham razão)

Revolta, Revolução

O poeta não deve alimentar em outrem uma ilusória esperança humana ou celeste, nem desarmar os espíritos insuflando-lhes uma confiança sem limite num pai ou num chefe contra quem toda crítica se torna sacrílega. Muito pelo contrário, cabe a ele pronunciar as palavras sempre sacrílegas e as blasfêmias permanentes. (Benjamin Péret, 1945)

A idéia cristã da vaidade absoluta dos esforços do homem não tem inimigo mais irredutível que a poesia, que é a mensagem de esperança e revolta. Mesmo desesperada, essa poesia não aceita, com efeito, o desespero; ultrapassa o sofrimento transformando-o em fonte de revolta. Proclama por isso mesmo sua confiança no verdadeiro poder do homem. (Jean-Louis Bédouin, 1950).

2 Respostas to “O Que Pensam, o que Querem os Surrealistas”

  1. eu adoro o modo de pensar dos surrealistas axo isso fantastico

  2. Gostei, adoro arte surrealista! :3

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