Mae West – Mulher com muito tempero!

Nos meus filmes e nos meus livros, fiz o possível para mostrar que uma mulher deve ter os mesmos direitos de um homem. Mas nem pensar em trocar meu vestido e minhas jóias por um terno. Mae West.

Audaciosa, vanguardista, autêntica, são muitos os adjetivos que podemos usar pra definir esta mulher que nos anos 30 já falava sobre sexo sem nenhuma vergonha e fazia uma trabalho original mas mal-visto para a época, chegando até a ser presa por atentado ao pudor.

Mae West nasceu em 1893, em Nova York, filha de pai boxeador e dado às bebidas e de uma imigrante alemã,  aos 5 anos de idade começou a trabalhar no teatro. Quando começou a fazer filmes, aos 40 anos  de idade, Mae  já possuia uma longa experiência no teatro, em escrever suas próprias peças, novelas e comédias, sendo assim, não teve nenhuma dificuldade em, mais tarde, escrever seus próprios filmes.

Em 1926, com  “Sexy“, peça que narra a história de uma prostituta e que ganhou o desprezo dos jornais da época que se recusaram a dar publicidade à obra tão provocante, sua carreira deslanchou. “Sexy” resistiu e foi um sucesso,  até que a censura com aquela cara horrorosa e desocupada bateu à porta e a Sociedade para a Supressão do Vício tirou a peça de cartaz e Mae foi condenada e presa acusada de corromper a juventude. Depois de solta, escreveu outra peça intitulada “Drag” sobre a vida de travestis. A peça foi um sucesso em Nova Jersey, mas foi recusada na Brodway pois a polícia ameaçou prendê-la outa vez caso a peça fosse para Nova York. Nem assim deixou-se abater, era forte, insinuante, e ia em frente mesmo não sendo aceita e sendo mal vista pela sociedade branca por causa da forte influência afro que era gritante em seus trabalhos, adquirada desde à  infância, quando morava no Brooklyn onde teve contato com o blues e virou fã do artista negro Bert Williams, uma de suas grandes inspirações para muitas peças.

Mae West nunca esteve engajada com a causa feminista, mas sempre lutou pelo direito de fazer e dizer o que bem lhe apetecesse, teve vários amantes, e entre tantas frases de efeito e provocativas que tinha, umas delas dizia “Tenha um namorado para um dia de chuva – e outro, caso não chova.”. Mae sempre foi dona de uma posição de resistência, o que, certamente, acabou encorajando, inspirando e influenciando outras mulheres de sua época. Assim, continuou a escrever sobre os temas que mais a agradavam e que, ao mesmo tempo, despertava a ira dos falsos-moralistas que, bem… dispensam explicações, eles existem até hoje.  Prostituição, relacionamentos-interaciais, homosexualismo, eram os temas que predominavam em tudo o que escrevia e que, unidos a sua atitude atrevida, acabaram lhe dando a fama de mulher indecente, libertina e obscena.

Mae foi censurada até o começo dos anos 30, quando recebeu o convite da Paramount para o papel principal no “Night After Night” (Noite Após Noite), onde, ao receber o roteiro, odiou a história e se ofereceu para reescrevê-lo. Assim foi feito. E o filme, com o toque Mae West, cheio de humor sarcástico, foi um sucesso, salvando, inclusive, o estúdio da falência.

Em 1933, faz o “I’m No Angel” (Santa Não Sou), com o Cary Grant. O filme foi um escândalo para a época e quando foi atacada pela atuação considerada exageradamente sensual, quase vulgar, Mae respondeu dizendo sua frase mais famosa “Quando sou boa, sou boa. Mas quando sou má, sou melhor!”. Ainda pelo mesmo ano, entre tantativas de Hollywood em transformá-la numa moça comportada,  Mae adapta pro cinema sua peça “Diamond Lil” (Uma Loira para Três), outro grande sucesso. Logo depois veio o “Belle Of The Nineties” (Uma Dama de Outro Mundo), momento onde a censura no cinema estava intensa, ela tinha se tornado o principal alvo e, com a grande opressão, acabou tendo seus filmes editados. Por 1940 fez o “Flower Belle Lee” (Minha dengosa), filme que não agradou ao publico nem a atriz, que se via obrigada a deixar de lado tudo o que gostava e sabia fazer. Depois desse filme, Mae se afastou do cinema por muitos anos pois não aceitou ter que atender  aos padrões impostos pela censura da época. Continuou por muito tempo fazendo shows na Brodway e, mais tarde, fez mais dois filmes sem grande sucesso, “Myra Breckinridge” (Homem e Mulher até Certo Ponto) em 1970 e o “Sextette” (A Grande Estrela) em1978.

Mae West era única e poucos conhecem o trabalho dessa mulher magnífica e talentosa, que, ao contrário de muitas atrizes clássicas, era mais que uma loira voluptuosa  e desejável, ela era inteligente, rebelde, corajosa e legítima. Uma mulher com muito, muito tempero!

Uma resposta to “Mae West – Mulher com muito tempero!”

  1. […] no “Burlesque Hall of Fame”, na Califórnia, ao lado de outras mulheres incríveis como Mae West e Bettie […]

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