Chinaski

parodia a si mesmo, romantiza a si mesmo.

ele está em um pequeno quarto de novo,

sempre em um pequeno quarto, fechando a porta,

trancando o mundo

do lado de fora.

em seus 70 anos ele ainda estará tentando superar

sua infância brutal

e ele nunca teve uma compreensão real

das mulheres.

seus escritos são irregulares

ainda que potentes

e mesmo nos seus melhores há uma sensação

de redundância,

de nada novo.

ele foi imitado por hordas

de escritores

que acham seu estilo simples

atraente.

agora ele tem uma casa, uma

piscina, um spa, um carrão

e uma mulher que lhe dá

vitaminas.

ele é um recluso

e se você se aproxima dele no

hipódromo

há a chance de que você seja

ignorado ou insultado.

seus únicos visitantes parecem ser

estrelas de cinema,

diretores de filmes e

entrevistadores.

após sua morte

talvez um pequeno lugar

lhe será dedicado

na literatura mundial

onde irá mofar sob a

sombra de Céline, Hemingway, Jeffers

e Henry Miller.

que deus descanse sua alcoólatra

alma

agnóstica

e vamos agora para

coisas mais

interessantes.

escrito por Charles Bukowski (publicado aqui no Brasil no livro de poema “À Toa em San Pedro”, Spectro Editora ).

Uma resposta to “Chinaski”

  1. Ler algo do Bukowski me faz ir ali pegar uma dose de Chivas e acender um charuto.

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