Arquivo para julho, 2011

Ao Enforcado Empodrecido da Praça

Posted in Fanzines, Nossa Arte with tags , , , , , on julho 31, 2011 by canibuk

Postando um textinho que escrevi lá por 1990, época que eu era muito influênciado pelos textos do escritor Isidore Ducasse, o Conde de Lautreámont. Em 2000, Marcel Garcia pegou o texto e transformou nesta HQ que resgato aqui hoje!

Batman Dracula

Posted in Fan Film with tags , , , , , on julho 30, 2011 by canibuk

“Batman Dracula” (1964, 3 min.) de Andy Warhol. Com: Jack Smith, Taylor Mead e grande elenco de adoráveis chapados.

Assista uma parte do filme no link abaixo:

“Batman Dracula” é um Fan Film, filme de fã, produzido nos anos de 1960 pelo artista Andy Warhol sem autorização da DC Comics e conta, no seu elenco, com a colaboração do lendário cineasta underground Jack Smith, o homem que influenciou John Waters à se tornar cineasta, o artista que realizou os clássicos do cinema obscuro “Flaming Creatures” e “Normal Love”.

“Batman Dracula” era considerado um filme perdido, até que alguns anos atrás o documentário “Jack Smith and the Destruction of Atlantis” (2006) provou o contrário. Já seu diretor/produtor, Andy Warhol, é um grande nome da POP ART mundial e cineasta underground responsável por todo tipo de experiência cinematográfica que, creio, dispensa maiores apresentações. Warhol legou ao mundo maravilhas como “Lonesome Cowboys” (com os cowboys mais gays da história do cinema), “Flesh for Frankenstein”, “Andy Warhol’s Dracula”, “Mario Banana”, “Bitch”, e muito outros, a maioria feitos em parceria com o, também genial, cineasta Paul Morrissey.

Para ver mais, siga este link abaixo:

Entrevista com Brian Yuzna e Joe Dante

Posted in Cinema, Entrevista with tags , , , , on julho 29, 2011 by canibuk

No “Arghhh” número 29, lançado em Agosto de 2000, editei uma série de entrevistas que o cineasta e artista plástico Ivan Cardoso realizou com artistas do cinema que eu adorava. Roger Corman e Christopher Lee já tiveram suas entrevistas resgatadas aqui. Hoje posto as duas últimas desta série que publiquei no fanzine, ambas são bem pequenas, mais bate-papo que o Ivan cardoso realizou com o Yuzna e o Dante quando os encontrou num festival de cinema, mas que acho legal disponibilizar na net.

Ivampiro Cardoso bate-papo com Brian Yuzna, produtor de clássicos como “Re-Animator” e diretor do “Return of the Living Dead 3”.

Ivan Cardoso: E o “Dentista 3” sai ou não sai, Brian?

Brian Yuzna: Por enquanto ainda não recebi nenhum recado dos nossos produtores, mas se eles quiserem: Estou pronto! Sou um diretor de cinema e fazer filmes é o meu negócio!

Cardoso: Agora você está morando em Barcelona, Espanha?

Yuzna: Exatamente. Fui contratado por uma das maiores distribuidoras daEspanha para produzir sete filmes nos próximos dois anos. (Nota do Canibuk: Yuzna foi, na época, contratado pela Filmax International, de Julio Fernández, com quem produziu coisas rápidas, em sua maioria filmes ruins, como: “Faust”, “Arachnid”, “Re-Animator: Fase Terminal” e outros mais decepcionantes).

Cardoso: Genial Brian, será que não sobra um para mim…

Yuzna: Eu adoraria Ivan, principalmente agora que assisti “O Escorpião Escarlate” e entendo porque todo mundo aqui só fala em você! Mas você não pode imaginar como os espanhois são burocráticos, atrasados e nacionalistas, tamanho são os problemas que entravam, até hoje, o cinema espanhol. Filmes que na America poderiam ser feitos em um mês, lá, demoram dois e, os custos, o triplo do preço americano. Todo mundo só fala em milhões, até os curtas-metragistas. Depois, eles ainda tem aquele ranso sindicalista de esquerda, como deve existir no seu país!!!

Cardoso: O cinema espanhol atravessa um bom momento?

Yuzna: Não vejo desta forma. Eles conseguiram criar uma série de leis e incentivos fiscais para cultura que possibilitam a co-produção entre países da união europeia e isso é muito bom porque atualmente, se você não esta na America, se você esta fora da industria cinematográfica, o jeito é dividir sua produção por dois ou três países e, principalmente, fazer um bom filme que seja de interesse universal. Embora eu discorde radicalmente disso. Veja bem, nos anos de 1960, Godard, Buñuel, Pasolini, Bergman, Visconti, Antonionni e Fellini dominaram totalmente a cena, sem qualquer tipo de incentivo, conseguindo deixar Hollywood num segundo plano. Naquela época ninguém falava em cinema americano. Eu não acredito num cinema que precise ser protegido para existir. Você pode fazer qualquer tipo de filme, em qualquer tipo de língua, que se o filme for uma novidade todo mundo vai querer ver. É isso que todo mundo está esperando, inclusive Hollywood, que para sobreviver precisa mais do que ninguém das descobertas e invenções feitas fora da indústria cinematográfica americana!

Cardoso: Obrigado pelo seu tempo Brian.

Yuzna: Certo Ivan.

E, para finalizar, um rapidíssimo bate-papo entre Ivan Cardoso e o Joe Dante, pai dos “Gremlins”.

Ivan Cardoso: Porque um diretor consagrado como você, demorou 5 anos para fazer um novo filme?

Joe Dante: Porque os estúdios querem ganhar fortunas com os filmes que fazem, transformando Hollywood num lugar pouco interessante para os diretores. Só me ofereciam produções que, na America, chamamos de “Popcorn Movies”, ou seja, filmes para adolescentes!

Cardoso: Fale-me um pouco de “Pequenos Soldados”, seu último filme.

Dante: “Pequenos Soldados” já havia passado pela mão de uns 12 roteiristas, mas coube a mim realiza-lo. O resultado fala por si só, é a segunda maior bilheteria de minha carreira, perdendo apenas para os “Gremlins”.

Cardoso: Seus filmes sempre possuem citações de outras obras cinematográficas?

Dante: Me encanta recordar o passado do cinema!

Cardoso: Certo Joe!

Entrevista Exclusiva com Christopher Lee

Posted in Cinema, Entrevista with tags , , , , , , , , on julho 28, 2011 by canibuk

O britânico Christopher Frank Carandini Lee, nascido em 27 de maio de 1922, se tornou mundialmente famoso ao interpretar, primeiro, o monstro de Frankenstein no filme “The Curse of Frankenstein” (1957) e, em seguida, o Conde Drácula no filme “Dracula” (também conhecido como “Horror of Dracula”, 1958), ambos produzidos pelos lendários estúdios da Hammer.

Em 2000 publiquei uma rápida entrevista no fanzine “Arghhh” número 29 que o Ivan Cardoso realizou com a lenda viva Christopher Lee, onde o ator explica suas inspirações para criar/interpretar o Conde Drácula.

Ivan Cardoso: Você sente saudades do Conde Drácula?

Christopher Lee: Gostaria muito de voltar a interpretar o papel do Conde Drácula pois este personagem será sempre imortal, embora já o tenha recusado várias vezes. Hoje penso que o público me identifica com o personagem e se recusei foi por medo de passar a minha vida a só fazer esses papéis, como aconteceu ao infeliz Bela Lugosi. No entanto gostaria de voltar a fazer com a condição de que a produção e o argumento me interessem. Posso afirmar que não tenho a intenção de voltar à interpreta-lo apenas para obter publicidade fácil ou para ganhar dinheiro de produtores que não sabem apreciar o poder e o estilo clássico desse grande tema. É um papel que deve ser encarado com respeito e dignidade. O papel do Conde Drácula foi uma das maiores oportunidades da minha vida, um dos mais célebres e fantásticos personagens. Nenhum ator poderá pedir mais!

Cardoso: Drácula é um personagem muito díficil de interpretar?

Lee: A interpretação desse personagem compreende também um problema de ordem sexual: O sangue, símbolo da virilidade e a atração sexual que a ele se liga, esses dois aspectos sempre estiveram estreitamente ligados ao tema do vampirismo. Tentei sugerir isto sem destruir o mito, mas carregando nesta tecla. Aliás, não podemos esquecer que o Conde Drácula era um gentleman, um nobre, e na sua primeira encarnação um grande soldado e condutor de homens. Claro que era impossível, num só filme, mostrar tudo isto, mas é sempre possível, pela interpretação, sugerir fatos do passado sem os mostrar!

Cardoso: Como você compôs o seu Conde Drácula?

Lee: A minha idéia de interpretação do Conde Drácula baseava-se no romance que reli inúmeras vezes. A própria neta de Stocker veio me ver representar, assegurando-me que estava muito bem e que o seu avô teria gostado muito de me ver. Claro que do argumento para o filme existiam diferenças em relação a história original, mas sempre tentei por em evidência a solidão do mal e, particularmente, mostrar que por mais terríveis que fossem as ações do Drácula, elas eram impulsionadas por uma força oculta que não podia controlar. Era o diabo que o possuia, obrigando-o a cometer crimes horríveis, desde tempos imemoriais. No entanto a sua alma subsistia no invólucro carnal, era imortal e não podia ser destruída. Tudo isto é para explicar a grande tristeza com que tentei impregnar a minha interpretação.

Cardoso: Porquê Drácula é o mais popular personagem de terror?

Lee: Ele é muito romântico, muito poético, um grande herói, muito forte, iressistível para as mulheres, poderoso com os homens e imortal! Talvez sejam estas as razões, eu não sei. É o livro mais famoso e lido no mundo inteiro. É o lado negro, satânico e desconhecido, por isso mesmo muito interessante.

Cardoso: Obrigado Conde Lee…

Lee: Gostaria de enviar um abraço à todos meus fãs brasileiros, certo Ivan?

Entrevista exclusiva com Roger Corman

Posted in Cinema, Entrevista with tags , , , on julho 27, 2011 by canibuk

Em Agosto de 2000 publiquei no fanzine “Arghhh” número 29 uma entrevista exclusiva que o Ivan Cardoso fez com o Roger Corman especialmente pro zine que eu editava.

Ivan Cardoso: Mr. Corman…

Roger Corman: Please Ivan, Call me Roger!

Cardoso: É que apesar de nos conhecermos há alguns anos. ainda fico bastante emocionado em encontra-lo pessoalmente. Para mim você é um deus! Um dos diretores que mais gosto e admiro…

Corman: Que bobagem! Você também é um grande filmmaker e os seus filmes falam por si! Lembre-se que quando assistimos “As Sete Vampiras”, no Rio (de Janeiro) em 1994, a minha filha caçula achou a sua planta carnívora muito melhor que a minha de “The Little Shop of Horrors”!!!

Cardoso: Que é isso, Mr. Corman… Quer dizer, Roger!

Corman: E, é verdade! Aliás, antes de mais nada, se me permitem, gostaria de falar sobre o seu último trabalho: Eu acho “O Escorpião Escarlate” muito bem feito. Você, Ivan Cardoso, mistura muito bem horror, sexo e comédia! Os planos, os enquadramentos perfeitos para cada take, os movimentos de câmera, a fotografia e, principalmente, a montagem são excelentes, porque o filme nunca fica chato ou perde o ritmo!

Ivan Cardoso e Roger Corman.

Cardoso: Obrigado Roger. Bem, depois dos “comerciais” acho que podemos começar a entrevista…

Corman: À propósito Ivan, quanto custou “As Sete Vampiras”?

Cardoso: Duzentos mil dólares! Mas não sei quanto custaria hoje! Porquê a econômia brasileira é muito complexa e mesmo o dólar não serve de referência.

Corman: Bom preço! Você também é um ótimo produtor! Mas agora descobri porque sua planta carnívora é melhor que a minha! “The Little Shop of Horrors” foi rodado em apenas dois dias e me custou somente, em dinheiro, 35 mil dólares! É claro que naquele tempo Jack Nicholson não era um ator tão caro!

Cardoso: Você fez o filme todo em dois dias? Foi isso mesmo o que eu entendi?

Corman: Exatamente! Nós fizemos o filme em apenas 48 horas! Mas, isso foi em 1961, há quase quarenta anos atrás e todos nós erámos mais jovens!

Cardoso: E quantos filmes você dirigiu naquele ano?

Corman: Por acaso, em 1961, eu dirigi e produzi apenas dois filmes. Mas em 1957 cheguei a dirigir e produzir nove fitas, foi meu “record”! No início da minha carreira, normalmente, eu fazia cinco ou seis filmes por ano!

Cardoso: Porque você se especializou em fazer produções baratas?

Corman: Em diversas ocasiões, ao longo da minha bem sucedida carreira, me ofereceram super produções milionárias. Mas sempre achei melhor recusa-las porque, em contrapartida, eu teria pouco controle sobre o filme!

Cardoso: Até hoje os diretores americanos não tem autônomia na montagem final de suas obras?

Corman: É claro que não, Ivan. Eles são apenas diretores contratados para executarem uma parte do trabalho. O produto final não lhes pertencem, é dos estúdios e das companhias que o produziram. Por isso sempre preferi continuar sendo um produtor independente!

Cardoso: Quantos filmes você produz por ano?

Corman: Atualmente a minha produtora, a Concorde New Horizons, faz uma média de 10 à 12 longas por ano, dependendo do volume de trabalhos que estivermos fazendo para a televisão. Nós produzimos dentro de uma escala industrial, com muito planejamento.

Cardoso: Quanto custam em média suas produções?

Corman: Custam, em média, hum milhão de dólares. Tem produções mais baratas e outras um pouco mais caras. Ou seja, em média, invisto entre 10 e 12 milhões de dólares do meu próprio bolso para continuarmos produzindo. Por isto discordo desta afirmativa que “só faço filmes baratos”: A minha produção tem este custo, porque este é todo o dinheiro que disponho para produzi-la e não acredito que 12 milhões de dólares sejam tão pouco dinheiro…

Cardoso: Que conselho você daria aos cineastas que estão começando?

Corman: Bastante disposição para trabalhar duro e investir muito tempo na pré-produção, para quando você estiver filmando, só se preocupar com os problemas que não estavam previstos mas que surgem naturalmente na produção de um filme e podem complicar as coisas. Quanto mais tempo você trabalhar na preparação de um filme, menos tempo você gastará para roda-lo, diminuindo os seus custos e aumentando suas possibilidades de lucro!

Cardoso: Então, esta é a sua fórmula do sucesso?

Corman: Pelo menos é o que temos feito nos últimos quase 50 anos com relativo sucesso! Não posso afirmar que todos os meus filmes foram um grande sucesso, mas posso lhe garantir que 95% das nossas produções se pagaram e deram algum lucro.

Cardoso: Roger, como você vê o cinema produzido atualmente?

Corman: Nos últimos anos Hollywood segue a risca a mesma filosofia empressarial que comanda o show business americano. Produzir obras descartáveis, facilmente assimiladas pelo público jovem. Eu penso justamente o contrário: Creio que a principal força do cinema está concentrado num equilíbrio perfeito entre arte e negócio! Por isso mesmo que o cinema se transformou na arte mais poderosa do século XX. Esta tensão, esta fórmula mágica gera uma energia positiva que, de imediato, abre uma porta para os cineastas independentes entrarem no mercado.

Cardoso: E qual seria o “segredo desta porta fechada” para os cineastas brasileiros?

Corman: Em todas as artes é o mesmo segredo: Tem que se conseguir criar algo novo! E, isto está totalmente fora do alcance dos grandes estúdios que, por investirem somas fabulosas em suas super produções, não ousam se arriscar em nada de novo! Esta é a grande oportunidade dos cineastas do seu país que, não tendo uma cinematografia industrial, poderia produzir novidades como “O Escorpião Escarlate”, que deveria ser um modelo à ser seguido e não “perseguido”, por ser uma obra universal. E, a propósito, como vai a nova produção do cinema brasileiro? Quanto custa, em média, atualmente, um filme brasileiro?

Cardoso: Esta é uma pergunta díficil de responder, por que não faço um longa-metragem há quase 10 anos. Além disso, tivemos uma maxi desvalorização que nos trás de volta, novamente, o problema cambial. Mas em média, os novos filmes brasileiros custam de 3 à 4 milhões de doláres.

Corman: Mas isso é uma loucura! Um suicídio comercial, não existe mercado para filmes falados em português, neste planeta, que viabilize produções tão caras, com atores internacionalmente desconhecidos. Os produtores brasileiros não estão ligados na internet? No mundo globalizado filmes falados em idiomas regionais só podem custar no máximo meio milhão de doláres. Atualmente, mais do que nunca, é impossível se pensar numa produção cinematográfica industrial que não seja falada em inglês. É claro que, ao longo da história recente do cinema, várias cinematografias de outros países, em diversas ocasiões, brilharam nas telas mundiais. Mas sempre o principal atrativo comercial destas fitas é seu baixo custo, como podemos observar nas cinematografias emergentes orientais.

Cardoso: São problemas díficeis de equacionar, numa entrevista, mas em linhas gerais, até os anos 90, tínhamos uma produção semi industrial, que chegou a produzir quase 100 títulos por ano! E, durante alguns anos, a Embrafilme (distribuidora de filmes nacionais) foi líder do mercado exibidor! Em 1990 um psicopata assumiu a presidência do Brasil promovendo um autêntico holocausto cultural que extinguiu a frágil “róliudi tupiniquin”. Atualmente, nunca um governo investiu tanto na cultura, mas como não temos mais um mercado interno, o cinema brasileiro é subvencionado pelo estado, através de leis que possibilitam a renuncia fiscal. Sendo um dinheiro público, doado à fundo perdido, muitos dos meus colegas desperdiçam verdadeiras fortunas em obras nati-mortas sem o menor atrativo comercial. Grande parte dos nossos diretores se orgulham-se em serem anti-comerciais. Para você ter uma idéia do nosso atraso, a maioria dos artistas e intelectuais brasileiros ainda são esquerdofrênicos!

Corman: Oh! My God! Não é possível que 10 anos depois da queda do muro de Berlim ainda existam comunistas no Brasil?

Cardoso: E como, Roger! Nunca tivemos um presidente tão bom e um governo tão neo liberal, porém a cultura, infelizmente, continua sob controle stalinista. Muitos cineastas nacionais ainda vêem os cinemas apenas como um veículo moderno para as suas ultrapassadas mensagens políticas, não percebendo que estão diante de um universo mágico muito maior que qualquer ideologia!

Corman: Ivan, me responda uma coisa que eu não consigo entender: Porque os seus colegas vão mixar filmes falados em português nos Estados Unidos? Isto me parece rídiculo, porque a julgar pelos seus dois filmes o Brasil possuí excelentes estúdios de som…

Cardoso: Roger, também não sei! Síndrome de complexo de inferioridade, talvez! Mas não sei… Bem Roger, obrigado pela entrevista!

Corman: Ivan, eu que agradeço! E um abraço aos leitores do “Arghhh” zine!

Censurado “O Doce Avanço da Faca” em Vila Velha

Posted in Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , on julho 26, 2011 by canibuk

Amanhã, dia 27 de julho, às 20 horas, o Cineclube Central organiza a exibição do “Ninguém Deve Morrer” (2009, 30 min.) e show da banda Morto pela Escola no Teatro Municipal de Vila Velha/ES, que fica no endereço Praça Duque de Caxias (centro).

O que mais me deixou chateado foi que mudaram o filme que vai ser exibido na última hora. Até alguns dias atrás seria exibido meu último média-metragem, “O Doce Avanço da Faca” (2010, 35 min.), estrelado pela Gisele Ferran e Coffin Souza, uma crítica bem humorada aos fanáticos religiosos com algumas ceninhas de sexo. Uma verdadeira comédia baiestorfiana. Ontem recebi aviso do organizador da exibição me dizendo que tiveram que mudar o filme porque direção do teatro Municipal de Vila Velha achou “O Doce Avanço da Faca” impróprio. Quando recebi aviso da mudança do título, perguntei ao organizador Ariel Fonseca: “Foi uma censura, né?” e Ariel respondeu “Tipo isso!”, completando em seguida: “A banda também mudou. Era o Merda, mas fechamos como o Morto pela Escola”. Agora será exibido o filme, também meu, “Ninguém deve Morrer”, musical western com poucas críticas, ou seja, inofensivo!!!

Em mês de polêmica com advogados e juízes proibindo a exibição do “A Serbian Film” no Brasil, creio que a direção do teatro Municipal de Vila Velha achou melhor não se arriscar por um zé ninguém como eu, melhor exibir uma comédia com todo mundo vestido do que um filme claramente ateu com pessoas peladas no elenco!E depois dizem que a ditadura é passado!!!

Por enquanto “O Doce Avanço da Faca” só foi exibido de forma completa pelo Cine Clube Ida Becker em Florianópolis/SC (minha terra, meio que provando que “santo” de casa também faz milagre). Na terceira Mostra de Cinema de Bordas, que acontece todo ano em São Paulo no Itaú Cultural, foi exibido com 10 minutos de cortes (um filme de 35 minutos com 10 minutos de cortes é foda). Mas parece que ele vai ser exibido sem cortes na Mostra Espantomania do meu amigo Iam Godoy. Ponto para os paulistas!!!

A justiça brasileira deveria fazer o trabalho deles (que deveria ser prender político corrupto, prender padres pedófilos, prender policial bandido, acabar com advogados e médicos criminosos, etc…) e não ficar perdendo tempo dizendo o que o cidadão adulto pode ou deve assistir. Todas as pessoas que iriam na exibição do “O Doce Avanço da Faca” no Teatro Municipal de Vila Velha amanhã de noite seriam adultas e acredito que eles gostariam de ser livres para escolher o que vão assistir!!! Você pode odiar (ou adorar) “O Doce Avanço da Faca”, desde que tenha a oportunidade de assisti-lo!!!

Ando cada vez com mais vontade de só fazer exibições de meus filmes em botecos sujos, como eu costumava fazer nos anos 90, somente para bebuns desgraçados, putas histéricas e travestis desavisados. Por causa dessas censuras que não inscrevo mais meus filmes em festival nenhum, inscrever prá que? Prá receber depois aviso que filme não vai ser exibido ou, se for exibido, seria bom cortar algumas ceninhas? Prefiro ficar com meus iguais, bebendo, em botecos malditos, em paz comigo mesmo… E quem quiser ver os filmes, menos mal!

Poster do "O Doce Avanço da Faca" pintado pela Leyla Buk.

Sobre todos eles e nenhum de nós

Posted in Literatura, Nossa Arte with tags , , , , , , on julho 25, 2011 by canibuk

Insetos retorcidos pela luz dançaram tangos sobre o balcão. Suas asas de alumínio rasgaram o ar e riscaram os copos dos bebuns sorridentes. Baratas que voaram. Baratas com asas de alumínio, baratas que refletiram a luz distorcida de cores vibrantes ao lado oeste do minuto segundo desgraçado único. Baratas com asas residiam dentro de minha cabeça. Pudim com caramelo elas comiam no dia de todos os Santos Estrumes Sagrados Da Liberação Da Rosquinha Papal. Êxtase brilhante que dilatava minhas pupilas enquanto baratas voavam por ai sem rumo. Fui a morada destes bichinhos. Meu pudim cerebral era o alimento. Baratas com asas nunca precisaram dirigir carroças porque bastava que batessem suas asas de alumínio para que voassem por ai sem rumo. Voaram da Lua para Marte, deslizando entre um e outro asteróide colorido que rastejavam no vácuo espacial especial. Baratas que destruíram carros de alumínio do povo trabalhador que não comiam pudim cerebral todo dia. Meu pudim cerebral era o alimento. Alimento das baratas com asas de alumínio que residiram dentro de minha cabeça. Um ninho havia ficado no lugar do cérebro. Cérebro de Pudim. Pudim de caramelo. Amarelinho igual ao pus. Voaram elas surfando entre as estrelas e jogaram cores em meus olhos antes negros que derreteram virando umas bolas iluminadas pela luz ao lado oeste do minuto segundo desgraçado único…

escrito por Petter Baiestorf.