Arquivo para julho, 2011

Leyla Buk Artwork

Posted in Arte e Cultura, Arte Erótica, Fetiche, Ilustração, Nossa Arte with tags , , , , , , on julho 24, 2011 by canibuk

Quem trabalha com criação sabe que de tempos em tempos acontecem aqueles momentos intensos de inspiração e criatividade onde idéias e  produção não param. Volta e meia tenho estes “ataques” e fico trampando dias seguidos, emendando um trampo no outro  sem parar  e sem pensar em outra coisa, ignorando mãos e costas fodidas e aquelas necessárias horas a mais de sono, apesar de tudo, adoro estes “surtos criativos” e espero sempre que durem o  máximo possível – embora eles acabem passando do mesmo modo que vieram: de repente e sem aviso. Foi num destes momentos que comecei a rabiscar vários desenhos (muitos ainda estão inacabados) e, mais uma vez, a testar técnicas que pra mim eram novidades, incluindo trabalhos com lápis de cor, mais um desafio, já que não sou uma adoradora das cores, pelo contrário, sempre fugi delas, não me atraem. Encarei mesmo assim, fui em busca do novo e curti o resultado. Muitas coisas deram certo, outras nem tanto,  algumas mais estão em andamento e minha idéia é ir postando tudo aqui aos poucos.

Segue alguns:

Zombie Happy Hands

VanityI’m Your Gift

Dark Fetish

Buk’s Valentina

Pleasure

Poisonous

Envy

Eat Me

OBS.: Não usem as imagens sem autorização!

Ô Psit!

Posted in Cinema, Literatura with tags , , , , , , , on julho 23, 2011 by canibuk

O Grupo de humor “Os Trapalhões” dispensa maiores apresentações, já fazem parte da cultura popular brasileira. O que quero indicar neste post-dica rápido (me desculpem pelas postagens feitas na correria nesta semana, mas estamos com pouco tempo disponível para o blog, coisa que pretendemos resolver nos próximos dias), é um livro sobre o cinema d’Os Trapalhões que é bem divertido e informativo.

Estou falando do livro “Ô Psit! – O Cinema Popular dos Trapalhões” (178 páginas, editora Artes & Ofício) escrito pela pesquisadora Fatimarlei Lunardelli. Como este livro já foi lançado em 1996, desconfio que possa estar esgotado e fora de catálogo (achei meu exemplar fuçando num sebo em Porto Alegre/RS). Nesta pesquisa, Lunardelli examina 30 anos de carreira do grupo liderado por Renato Aragão (tio do Rodrigo Aragão, irmão do Rajá de Aragão, mas posso estar mentindo) que, até a época, tinham realizado 38 filmes e vários deles ultrapassaram a casa dos cinco milhões de espectadores. O livro análisa, principalmente, essa preferência do público comum pela comédia. É um trabalho de faculdade editado em forma de livro, mas em momento algum a leitura dele se torna chata.

Que Merda!

Posted in Fanzines, Quadrinhos with tags , , , , on julho 22, 2011 by canibuk

Aproveitando dia de hoje prá resgatar uma HQ do Eduardo Manzano, em parceria com o Rovel, que publiquei originalmente no fanzine “Arghhh” número 14, é bem retardada, do jeitinho que eu gosto!!!!

Riofan 2011

Posted in Cinema with tags , , , , on julho 21, 2011 by canibuk

Em Porto Alegre “A Noite do Chupacabras” (2011) de Rodrigo Aragão teve sua sessão de estréia lotada (muita gente ainda ficou de fora) e o pessoal delirou com as aventuras dos Carvalhos e seus inimigos Silvas às voltas com um sangüinário Chupacabras (que, arrisco dizer aqui, é o primeiro chupacabras da história do cinema convincente). Pessoal do Rio de Janeiro vai poder conferir o filme do Aragão nos dias 22 e 23 de julho (sexta-feira e sábado agora) às 20 horas na Sala 1 da Caixa Cultural, que fica na Av. Almirante Barroso 25, centro da Cidade Maravilhosa. Arranje um tempinho nesta sexta-feira e vá pro cinema ver minha luta contra a criatura (sim, faço o personagem Ivan Carvalho, o herói que mais dá trabalho pro Chupacabras). Acompanhando o filme estarão por lá Rodrigo Aragão (diretor/roteirista e técnico de efeitos), Walderrama dos Santos (que interpreta o fantástico Chupacabras) e o Joel Caetano que faz o verdadeiro vilão do filme! IMPERDÍVEL!!!

Eu, Baiestorf, o herói que luta contra o Chupacabras.

Aliás, hoje (dia 21), vai rolar, às 14 horas, curtas do Joel Caetano (“Gato” e “Estranha”, já resenhado aqui no blog) e às 18 horas rola exibição do hilário “Entrei em Pânico ao Saber o que vocês fizeram na Sexta-Feira 13 do Verão Passado 2” (2011) do Felipe Guerra.

Segue link com a programação completa:

http://www.riofan.com.br/programacao.html

Único ponto negativo do Festival é que a Caixa Federal Econômica, patrocinadora do evento, proibiu a exibição do filme “Srpski Film” (“A Serbian Film”, 2010) de Srdjan Spasojevic. Lamentável isso, como forma de protesto vou fechar minha conta pessoal na Caixa Econômica porque não pretendo continuar dando dinheiro para censores!!!

Boa diversão!!!

Veja os trailers:

Mortos e Feridos: Um Acidente?

Posted in Anarquismo, Anti-Carros on julho 20, 2011 by canibuk

Um professor levantou a seguinte indagação:

Imagine que um grupo de cientistas pede um encontro com as lideranças políticas do país para discutir a introdução de uma nova invenção. Os cientistas explicam que os benefícios da tecnologia são incontestáveis, e que a invenção aumentará a eficiência e tornará a vida de todos mais fácil. O único lado negativo, eles alertam, é que para ela funcionar, 40 mil pessoas inocentes terão que morrer a cada ano. Os políticos decidiriam adotar ou não a nova invenção?

Os alunos estavam prestes a dizer que uma tal proposição seria completamente rejeitada de imediato, quando o professor despreocupadamente observou: “Nós já a temos: o automóvel”. Ele nos fez refletir sobre a quantidade de morte e de sofrimento que nossa sociedade tolera como resultado do nosso compromentimento em manter o sistema tecnológico – um sistema no qual todos nós nascemos e não temos escolha além de tentar nos adaptar a ele.

Foi Henrique Santos Dumont (irmão do “Pai da Aviação”) o proprietário do primeiro carro que chegou ao Brasil. O veículo aportou em Santos em 1893. Oficialmente, o primeiro acidente de carro no Brasil ocorreu em 1897 na estrada velha da Tijuca, Rio de Janeiro. Era Olavo Bilac que se chocava contra uma árvore com o automóvel de José do Patrocínio.

De lá prá cá o Brasil conseguiu alcançar e manter a marca de campeão mundial de “acidentes de trânsito”. Os personagens da história do consumo e dos “acidentes” de automóveis não são mais, apenas, os ilustres personagens dos livros de história escolares. As estatísticas tomaram o lugar dos ilustres. Porém, é suspeita a importância de estatísticas como fator de mobilização social, uma vez que, se dependesse delas, já não poderia existir um sistema econômico que impede que milhões de pessoas se alimentem adequadamente e que, para sua perpetuação e reprodução, esgota a possibilidade de vida no planeta. Alguma verdade existe no famoso pensamento de Stalin: a morte de uma pessoa é uma tragédia, a morte de um milhão é uma estatística. A frieza da matemática não desperta as paixões que são os combustíveis das revoluções. Mas quem sabe elas possam ter o seu papel.

A cada 13 minutos ocorre uma morte por “acidente” de trânsito no Brasil. A cada 7 minutos ocorre um atropelamento. Além das 46 mil mortes anuais por “acidentes” de trânsito, 300 mil pessoas ficam feridas, 60% com lesões permanentes. Destes mortos, 44% foram vítimas de atropelamentos e 41% estão na faixa etária entre 15 e 34 anos. Cerca de 60% dos leitos de traumatologia dos hospitais brasileiros são ocupados por “acidentados” no trânsito. Mais de 700 mil pessoas morreram em “acidentes” de trânsito de 1960 a 2000 no Brasil. Já não é novidade que temos no Brasil em média uma “guerra do Vietnã” de mortos pelo trânsito por ano. Além disso, o nível de monóxido de carbono nas grandes cidades já está acima do tolerado pelo ser humano.

Numa sociedade que naturaliza suas instituições e valores, que não os questiona mesmo que eles vitimem os próprios indivíduos que compõem essa sociedade, tais estatísticas dificilmente levam a uma prática de negação ou mudança. É interessante notar a escassa existência de movimentos e pensadores que questionem e se contraponham ao carro no Brasil.

Com números tão altos e uma generalização tal, a palavra “acidente” parece simplesmente encobrir o efeito não visado e não desejado de uma determinada lógica. Caso se possa falar com razão de “acidentes de carro” ou “acidentes de trânsito”, uma vez que não havia intenção de matar ou ferir quando alguém se postou atrás do volante de um carro, poderíamos falar também com a mesma razão de “acidentes de fluxo econômico”, “acidentes de lucro” ou “acidentes de nutrição” para nos reportarmos à miséria material, à subnutrição e às mortes conseqüentes do sistema econômico capitalista, generalizadas no Brasil e no mundo. Os capitalistas, através de sua atividade econômica, e o capitalismo, como sistema econômico, nunca tiveram intenção de matar de fome quem quer que seja. A miséria material é um efeito não desejado e não visado, porém inevitável, da lógica econômica capitalista.

texto de Ned Ludd, do livro “Apocalipse Motorizado – A Tirania do Automóvel em um Planeta Poluído” (Editora Conrad).

Os dados apresentados neste texto são de 2000, hoje em dia o caos está maior ainda.

A Quinta Dimensão do Sexo

Posted in Cinema with tags , , , , on julho 19, 2011 by canibuk

“A Quinta Dimensão do Sexo” (1984/91 minutos) de José Mojica Marins, com: Márcio Prado, João Francisco, Zilda Mayo, Débora Muniz, Mario Lima e José Mojica Marins.

Dois universitários metidos a ciêntistas começam a pesquisar uma droga contra impotência sexual, já que ambos são um fracasso na cama com as mulheres. No meio das experiências eles descobrem uma espécie de viagra ultra-potente (Mojica previu o viagra) e transam com todas as vagabundas (e até algumas meninas de família) que encontram e se tornam tarados por sexo animalesco, até que pinta um clima durante uma transa à três e os dois descobrem que são gays.

As situações vividas pelas personagens são inacreditáveis, a probreza cênica, amadorismo dos atores, má vontade na direção do Mojica, trilha sonora equivocada, tudo colaborou para a criação de um clássico do anti-erotismo made in Boca do Lixo dos anos 80. Mojica se supera a cada fotograma em número de cenas absurdas/ridículas onde nada combina com nada e o improvisso corre solto. Reparem na macabra seqüência onde os dois boiolas impotentes preparam um omelete e, na edição, essa cena é alternada com uma garota que foge deles apavorada de… NADA!!! Ou nos diálogos surreais onde os gays dizem frases retiradas de livros de filósofos clássicos. Melhor impossível!!! E em meio a metralhadora de deboche do Mojica o filme é levado à um trágico final idêntico ao fim de “Thelma & Louise” (Mr. Ridley Scott copiando Mojica, provavelmente não, mas prefiro espalhar por aí que sim).

Curiosidade: Em 1998 escrevi/produzi/dirigi o longa “Gore Gore Gays” livremente inspirado neste “A Quinta Dimensão do Sexo”, misturando ao universo de HG Lewis de filmes como “Gore Gore Girls”. Meu filme não foi um sucesso mas continua com sua exibição proibida em tudo que é lugar.

Segue um pedacinho do filme que achei no youtube:

Uma Pequena Mancha de Insensível Amarelo

Posted in Literatura with tags , , on julho 18, 2011 by canibuk

você não pode me dizer que é a melhor época para a poesia,

você não pode me dizer que Marciano não conseguiria pegar

Louis, você não pode me dizer que Hitler era um louco, você

não pode me dizer que os cães latem apenas à noite;

você não pode me dizer que a chama não machuca a mariposa,

você não pode me dizer que aquelas pessoas ali na esquina

paradas e piscando os olhos são

humanas; você não pode me dizer que amor é mais que a

vida, você não pode se esticar no mesmo colchão que eu

e dizer, “eu te amo”

porque –

estamos sem cigarros e sem amor e minhas

pilhas estão acabando e meus ossos doem

e Lorca está morto e

Neruda está morto e Cristo com seus olhos de avelã

foi fisgado como um peixe

por homenzinhos de unhas sujas.

estamos sem vinho e amor e sorte. e você não pode

me dizer coisa alguma. então por que você não se levanta e dá algumas

pancadas na alavanca da descarga? ou isso vai ficar correndo assim

para sempre.

escrito por Charles Bukowski.