Oficina do Diabo – Forró for All

A banda Oficina do Diabo foi formada na cidade de Cordeirópolis/SP em 1993 pela dupla de amigos Charles Corvo e Lusfer (Luís Fernando), que resolveram unir rock’n’roll ao forró.

Conheci a banda mais ou menos por 1995/1996 e usei 2 músicas deles no meu média-metragem “Chapado” (1997). Lembro que naquela época, em qualquer festinha que a gente fazia na Canibal Filmes, rolava essa demo-tape genial da Oficina do Diabo. Ver o ator Jorge Timm (160 quilos de malandragem) dançar ao som da faixa “Não sei Enrolar”, não tem preço!!!

O melhor de tudo são as letras da Oficina do Diabo, que são poderosas. “A Revolução dos Bichos”, “Oração do Assassino”, “Não sei Enrolar”, “Eu Quero Viver Chapado” e o hino ateu, “Reza Braba”, são extremamente bem construídas (algo que se perdeu na música de hoje em dia).

“Reza Braba” diz:

“Eu acho que não tem deus nem virgem maria

Eu acho que não tem deus nem são joão

Eu acho que não tem deus nem santa luzia

Eu acho que não tem deus nem vida eterna

Eu acho que não tem deus nem nossa senhora

Eu acho que não tem deus nem papai noel

É díficil viver sem um mito

O que é que eu faço se eu não acredito

Minha mãe fica braba comigo

Mas é muito absurdo

E eu não consigo acreditar”

Oficina do Diabo ia lançar um CD de estréia em 1998, mas nunca mais ouvi falar nada deles (nem sei se a banda existe ainda). Segue fragmentos de uma entrevista com Charles Corvo que meu colega Carlos Evaristo realizou e publicou no seu fanzine “Beerbuns” e um resgate da demo aqui.

Nos arranjos vocês fazem uso de samplers, bateria eletrônica etc, além dos instrumentos, digamos, convencionais. Como você definiria então o termo “Forrock”?
Charles Corvo: Quanto aos arranjos, fora a guitarra e o violão, o resto é eletrônico. A falta de feeling do sequencer é meio que um anti-feeling inigualável! Não vejo razão para humanos na cozinha, a não ser em shows. “Forrock” é muito mais um lance de marketing que uma definição do som da banda. “Forrock é provisório… espero em breve me livrar desse rótulo.

Falando agora sobre os vocais, em algumas faixas eles ficam parecidos com os de Raul Seixas. É  proposital?
Charles Corvo: Não é intencional, mas acho a referência a Raul Seixas extrememente elogiosa.

E a inspiração prás letras?

Charles Corvo: Basicamente eu falo o que eu estou pensando ou vivendo no momento. Eu nunca me sento para escrever, as idéias é
que vêm e me dão uma porrada na nuca.

De onde veio a oração do assassino?
Charles Corvo:
“Oração…” é um caso à parte. É uma música que todo mundo acha trash, porra-louca, sádica e coisa e tal, mas é a única que nasceu de um conceito, que foi feita para ilustrar uma idéia clara e objetiva. O lance é o seguinte: a única filosofia de vida que consigo conceber é o Carpe Diem, ou seja, viva o agora intensamente, faça o que tiver vontade. E para uma regra de vida não pode haver exceção! É muito bonito dizer “Pô, o cara é gay, então sai do armário, lute pelo que quer!” ou então “Você quer fazer rock’n’roll? Chuta teu emprego, foge de casa, vai à luta!”. Até aí tudo bem… mas e o cara que tem vontades inconcebíveis para o nosso padrão social? E o freak, o tarado? Será que essas pessoas não têm o mesmo direito de viver intensamente? Por quê podemos e elas não? Com essa idéia na cabeça tentei imaginar um estilo de vida que ninguém, nem de longe, poderia aceitar: o cara gosta de matar criancinhas simplesmente porque gosta e ponto final. Não é um elogio nem uma crítica, é “Henry, Portrait of a Serial Killer” em forma de música. Daí veio a “Oração do Assassino”.

Como anda sua banda? Tem feito shows?

Charles Corvo: Bom, a banda não andou. Fizemos alguns contatos com gravadoras e percebemos a total falta de senso crítico, visão de mercado, sensibilidade e o que mais você quizer acrescentar ao rol de incapacidades de um diretor artístico (tanto em Majors quanto em  independentes). Quase me deixei abalar com essa constatação (agora óbvia, antes não), mas aposto minha língua venenosa no potencial da Oficina do Diabo e resolvi mandá-los à merda. Estou tentando andar com as próprias pernas: Fazer, divulgar e comercializar (em pequena escala) meu próprio trabalho. “Eu fujo mas não desisto…”. Quanto aos shows, paramos por hora.

Poderia deixar uma mensagem para os leitores do Beerbuns ?

Charles Corvo: “A tradição é falta de imaginação”.

8 Respostas to “Oficina do Diabo – Forró for All”

  1. Claudio Arthur Koetz Says:

    Ainda bem que pessoas como Charles existem e continuam tentando,porque uma hora essas merdas de gravadoras vão perceber que existem pessoas que não aguentam mais tanta estupidez e dor de corno…..vão perceber que existe vida inteligente necessitada de ouvir boa musica e principalmente boas letras. E que é possivel fazer boa musica no nosso idioma….e que existem grandes talentos sufocados por essa midia que venera a imbecilidade musical…se não perceber…..mudo pro Afeganistão!!!

  2. Otimo blog, gostei muito da materia, eu moro em Limeira e conheci o Charles por intermedio de um amigo de faculdade Renato Celim.
    O link da demo não esta ativo, gostaria muito de baixar.
    Desde je obrigado.
    Juliano.

  3. uma vez encontrei pela internet uma loja chamada Faunus Discos, em São Paulo, falei por telefone, mas o cara não quis me mandar pelo correio…
    segue o link:
    http://www.faunus.com.br/

  4. não sei por que diabos deu furada a negociação, no proprio site diz que manda por correio, sei lá.

  5. Gosto muito das letras dessa banda

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