Desejo de Matar

“Desejo de Matar” (“Death Wish”, 1974, 93 min.) de Michael Winner, baseado no livro homônimo de Brian Garfield. Com: Charles Bronson, Vincent Gardenia, Hope Lange e Jeff Goldblum.

Paul Kersey (Charles Bronson em papel originalmente oferecido ao Steve McQueen) é um arquiteto pacifista que mora em New York e que começa a rever seus valores quando sua esposa é morta e sua filha estuprada por 3 marginais (entre os vagabundos vemos o ator Jeff Goldblum em sua estréia no cinema). Após perceber que a polícia não fará nada para investigar a morte de sua esposa e o estupro de sua filha (que ficou traumatizada com a violência sexual onde foi obrigada a fazer uma felação, modalidade sexual considerada nojenta pela extrema direita branca cristã), Paul Kersey viaja ao Arizona (para um trabalho para um rico fazendeiro branco de extrema direita) onde Kersey percebe que quase toda a população anda armada e a criminalidade é mínima. Lá Paul Kersey assiste um show de velho oeste numa cidade cinematográfica, o que o faz indagar sobre os pioneiros dos USA (brancos cristãos escravocratas), que se defendiam usando armas e, ao ganhar de presente um revólver dado pelo rico fazendeiro, volta para New York onde se transforma num vigilante e começa sua caçada aos vagabundos, matando todo e qualquer bandido que cruzar seu caminho (mas é engraçado perceber que Paul Kersey mata muito mais negros do que brancos).

Clássico do gênero policial, temos Charles Bronson perfeito (e muito a vontade) no papel do vigilante Paul Kersey (que era o nome real de um dos figurantes do filme, que emprestou o nome com a condição de aparecer em cenas sempre que possível), a direção segura de Michael Winner, responsável por filmaços como “Chato’s Land/Renegado Impiedoso” (1972, também estrelado por Charles Bronson), “The Mechanic/Assassino a Preço Fixo” (1972, também com Bronson), “The Stone Killer” (1973, outro estrelado por Bronson), “The Sentinel/A Sentinela dos Malditos” (1977), “The Big Sleep/A Arte de Matar” (1978), entre outros.

“Desejo de Matar” foi produzido por Dino de Laurentiis (as continuações foram produzidas pela dupla de picaretas Golan-Globus da The Cannon Group Inc., responsáveis pelos filmes do Chuck Norris nos anos de 1980, o que explica Paul Kersey ter se tornado uma espécie de Braddock urbano nas seqüências do filme original), distribuido pela Paramount Pictures e, na época do lançamento, recebeu várias críticas negativas por seu tema polêmico e por defender tão abertamente os vigilantes, iniciando uma série de discussões sobre o tema na sociedade americana (e até justificando/preparando terreno para produções posteriores, como “Taxi Driver” de Martin Scorsese).

Com a Cannon Group assumindo o controle do título, 4 seqüências foram produzidas: “Desejo de Matar 2/Death Wish 2” (1982, de Michael Winner) que é uma espécie de repeteco da história do primeiro; “Desejo de Matar 3/Death Wish 3” (1985, de Michael Winner) onde Kersey vira o Braddock urbano, promovendo uma verdadeira guerra civil em plena New York; “Desejo de Matar 4: Operação Crackdown/Death Wish 4: The Crackdown” (1987, de J. Lee Thompson, especialista em dirigir continuações, tendo em seu currículo filmes como “Conquest of the Planet of the Apes/Conquista do Planeta dos Macacos”, 1972 e “Battle for the Planet of the Apes/A Batalha do Planeta dos Macacos”, 1973) onde Kersey enfrenta traficantes e a culpa pelas crianças da classe-média branca cristã estarem usando cocaína, segundo o filme, não é das famílias e sim dos traficantes e “Desejo de Matar 5: A Face da Morte/Death Wish 5: The Faces of Death” (1994, de Allan A. Goldstein) o mais fraco de toda a série. As continuações do “Death Wish” original tem em destaque o exagero (uma hilária característica das produções Cannon Group) com  Charles Bronson despachando vagabundos pro inferno usando metralhadoras, bombas e até lança-mísseis.

A distribuidora Spectra Nova lançou no Brasil um box contendo os 5 filmes da série (a qualidade é meia-boca, não tem extras, mas o baixo valor cobrado pelo box faz valer a pena para uma revisão nos filmes da série).

Trailers dos filmes:

5 Respostas to “Desejo de Matar”

  1. […] de Hooper entrar no projeto, o filme tinha sido oferecido à Michael Winner (diretor do clássico “Death Wish/Desejo de Matar”). Um dos roteiristas do filme é Dan O’Bannon, responsável pela direção do clássico […]

  2. […] e fazendo justiça com as próprias mãos, virando uma espécie de Charles Bronson de “Death Wish” às avessas, mais selvagem e acertadamente menos reflexivo. Os dois filhos do chefão, em um […]

  3. […] e Peter Sellers no elenco; “Soleil Rouge/Sol Vermelho” (1971) de Terence Young, com Charles Bronson e Toshirô Mifune e “Africa Express” (1976) de Michele Lupo até que, acredito eu, deve […]

  4. […] erupção vulcânica (causada pelo próprio Robur), traz para sua máquina voadora o agente Strock (Charles Bronson), Prudent (Henry Hull), sua filha (Mary Webster) e o noivo desta (David Frankham). Engraçado como […]

  5. […] herói faz o trabalho da inapta polícia, mais ou menos como um Charles Bronson do clássico “Death Wish“, só que com voz de galã. O prefeito (Pat Ryan Jr.) da pequena cidade, chefão dos […]

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