A exentricidade de Joel-Peter Witkin

Eu me xingo todos os dias, me amo e me odeio, amo e odeio o que faço mas acho que isto é normal, pois você deve se colocar no centro e se desafiar. Se você não se desafia… digo, quebrar as regras para produzir algo bom e novo. Algumas vezes eu faço escolhas ridículas, mas eu sou um apostador, um apostador visual. Algumas vezes o resultado é fantástico.”  Joel-Peter Witkin. Trecho de uma  entrevista tirada do site olhavê.com/blog

Fotografando desde os onze anos de idade, Joel-Peter Witkin tornou-se  um fotógrafo americano extremamente inovador, controverso e considerado polêmico por muitos por causa dos temas abordados no seu trabalho. Um fato que, segundo o artista,  lhe serviu como forte inspiração aconteceu quando Joel, ainda criança, presenciou um terrível acidente de carro onde viu uma garota ser decapitada, uma experiência brutal que o levou a retratar a morte e um lado da vida que todos tentam evitar desde que o mundo é mundo. Desde então o “sangue frio” para o horrendo sempre foi uma característica forte do jovem.  Quando adolescente, começou a tirar fotografias de um anão de três pernas para que seu irmão gêmeo, pintor, pudesse usar como modelo. Filho de mãe judia e pai católico, a religiosidade também  sempre esteve presente nas suas obras.  Sua primeira fotografia conhecida foi tirada de um rabino que dizia ter visto e falado com Deus. Em seguida, veio um hemafrodita  que apresentava-se num circo de horrores, isso despertou um fascínio grande no Joel e ali ele teve sua primeira experiência sexual, experiência que o marcou e refletiu-se no seu trabalho.

“Eu acredito que a minha vida e as minhas fotografias são inseparáveis. Em outras palavras, enquanto faço as fotos, e eu acho que isto é verdade para a maioria dos artistas verdadeiros, não em uma base diária, mas através de uma descoberta visual através do anos. Duas coisas acontecem em meu trabalho, comecei a fotografar quando tinha 11 anos e agora estou com 70 anos então tive muito tempo para fazer fotos e pensar sobre as coisas e aumentar o nível de amor. Muitas pessoas pensam que minhas fotografias são muito “dark” e “bla bla bla”, mas na verdade elas não são. Nas fotografias que eu faço minha intenção é mostrar os nossos tempos, o presente tempo que estamos vivendo na Terra, baseado na história da civilização ocidental. ”     Joel-Peter Witkin. Trecho de uma  entrevista tirada do site olhavê.com/blog

Witkin estudou artistas renascentistas como Giotto e simbolistas como Alfred Kubin e Gustav Klint e grande parte de seus trabalhos tem  como referências a arte clássica e religiosa.

Ao se alistar no exército foi incumbido de fotografar as mortes dos soldados que ocorriam durante os treinamentos militares, acidentes causados por manobras ou casos de suicídio, após tal experiência, entre 1961 e 1964  alistou-se como fotógrafo durante a guerra do Vietnã. Perturbado com tudo o que já tinha visto e passado e com o que ainda o esperava pela frente, Joel tentou cometer suicídio.  Em 1978, casa-se com uma tatuadora e é a partir daí que começa sua ascensão.

Muitas de suas obras, em especial aquelas que continham cadáveres,  tiveram que ser criadas no México pois era o único lugar onde era autorizado a utilizar os corpos. Joel ia cuidadosamente escolher os cadáveres no necrotério ou nos hospitais, de acordo com a idéia já estabelecida para a fotografia.                                                            Sua técnica de trabalho consiste em arranhar os negativos, alterar as cores da impressão e uma técnica de impressão com a mãos utilizando alguns componentes químicos, tudo cuidadosamente elaborado.

Formado em Master of Arts pela Universidade do Novo México, Witkin fez sua primeira exposição em 1980, em Nova Iorque. Ganhou grande notoriedade, foi elogiado por uns e criticado por muitos outros. Tratando de temas tabus e usando imagens que a maioria das pessoas desprezam ou consideram chocantes, foi chamado de sensacionalista, blasfemo e despudorado. Sua obra é muito discutida por críticos de arte que questionam se o cara é mesmo um artista talentoso e inovador ou apenas um vendedor de sadismo disfarçado como amor e compaixão, por outro lado, adoradores reconhecem e defendem seus méritos artísticos.

O que sabemos é que é impossível ficar indiferente à suas obras. Ou você adora ou odeia. Witkin faz um trabalho incomum  e os temas não são charmosos,  trabalha com a morte,  sadomasoquismo,  corpos defeituosos, doenças mentais, atrocidades, perversidades sexuais e desajustados, consegue, ainda assim, mesmo usando todo tipo de perversidade visual extrema, dar um caráter belo a sua obra que é carregada de crítica a falta de humanidade e aos padrões estéticos estabelecidos pela sociedade.  Já é considerado um dos principais fotógrafos da segunda metade do século XX, tem diversos livros publicados e suas obras são compradas por grandes galerias no mundo inteiro.

Joel-Peter Witkin

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