Arquivo para dezembro, 2011

E Assim Começa um Incrivelmente Maravilhoso 2012

Posted in Buk & Baiestorf with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on dezembro 29, 2011 by canibuk

Leyla Buk e eu (Baiestorf), juntamente dos colaboradores Coffin Souza e André Luiz (que se juntaram ao Canibuk em definitivo), desejamos boas bebedeiras, boas transas com sexo suado e melequento à todos (sempre lembrando que a melhor maneira de protestar contra os impostos do governo é ficar em casa se divertindo com sexo alucinante, sem consumir mais nada além do amor).

Números do Canibuk: O blog está com 16 meses, 553 postagens e 255 mil acessos. Esperamos que os leitores do blog estejam curtindo ele tanto quanto curtimos postar as mais variadas informações do udigrudi aqui.

Quero aproveitar este último post do ano para fazer uma declaração de amor para Leyla Buk que sempre me apoia em todos os projetos malucos em que me meto: Sou tarado por você minha menininha ninfomaníaca e feliz por você estar na minha vida nestes últimos 3 anos. Tua arte, teu sorriso, nossas conversas, confidências, fetiches, manias e até nossas brigas me fazem bem, me sinto vivo contigo amor!!!

E o Canibuk segue em direção à 2012 com muitas outras novidades, obrigado a todos vocês que acompanham a gente!

TE AMO LEYLA!!!

La Mujer Murcielago e a Criatura Anfíbia Humana

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on dezembro 28, 2011 by canibuk

“La Mujer Murcielago” (1968, 80 min.) de René Cardona. Com: Maura Monti, Roberto Cañedo, Héctor Godoy e Jorge Mondragón.

Cinco atletas aparecem misteriosamente assassinados e um agente especial é chamado para resolver o caso, antes mesmo dele fazer qualquer coisa, já avisa: “A única pessoa que pode resolver isso é a Mujer Murcielago!”. E logo a Mujer Murcielago em pessoa chega em Acapulco para ajudar o agente a resolver o mistério. Seu uniforme é um achado, usa um diminuto bikini com capa, luvas e máscara de morcego (que lembra muito o visual da mulher-gato). Logo ficamos sabendo que o responsável pelas mortes é o Dr. Eric Williams, um cientista louco que tem até um assistente demente chamado… Igor!!! A dupla está matando os atletas para extrair a glândula pineal e assim criar a criatura anfíbia humana (essa dupla rende os momentos mais divertidos com seus exageros canastrões). Durante a investigação os agentes ficam encantados com a beleza da Mujer Murcielago e seus ousados (para a época) decotes. Logo, sem ajuda de ninguém, ela entra escondida no iate do Dr. Williams e fica sabendo dos planos dele. Seguindo a lógica do cinema mexicano a Mujer Murcielago escapa do iate e vai treinar luta livre ao invés de resolver o problema e assim passa a ser perseguida pelos capangas do Dr. (que passam a usar aquelas máscaras de ladrões de quadrinhos) que são incumbidos de descobrir a identidade dela para aí, somente então, matá-la (não seria mais fácil só matar ela?). Paralelo a essa confusão toda, Dr. Eric Williams e Igor conseguem criar a criatura anfíbia humana (um monstro aquático vermelho inspirado no Monstro da Lagoa Negra) que é controlado por um zumbido e enviado para capturar a Mujer Murcielago que serviria perfeitamente para ser a fêmea da criatura (diante do sucesso de sua criação, Dr. Williams começa a delirar sobre a criação de um exército destas criaturas para dominar todos os Oceanos e dominar o mundo, HAUAHAUAAHAU – risadas de dominar o mundo!). Com o primeiro ataque da criatura falhando, o Dr. manda um de seus assistentes colocar um transmissor na capa da Mujer Murcielago e a criatura anfíbia humana é enviada outra vez para raptá-la durante a noite, o que rende uma das mais legais lutas do filme, com a Mujer Murcielago derrotando a criatura vestindo uma camisola transparente curtinha, ficando com um visual extremamente sexy. Com mais essa falhada magistral da criatura (que aparentemente não serve prá nada), Dr. Eric Williams muda de estratégia e resolve raptar o agente e o capitão da polícia para que a Mujer Murcielago venha ao sei iate resgatá-los (numa interessante inversão do clichê “mocinho salva mocinha”). No finalzinho do filme há uma piada com a coragem da Mujer Murcielago: depois de enfrentar cientistas loucos, capangas malvados, monstros vermelhos e resolver tudo no braço, ela fica histérica ao ver um rato na sua casa e salta nos braços do agente que salvou horas antes. Hilário!!!

Assim como num filme do lutador mascarado Santo, a Mujer Murcielago faz tudo usando máscara (apenas o agente sabe sua identidade). Essa sexy heroína ganhou vida sendo interpretada pela gostosa atriz Maura Monti, uma italiana que se mudou para a Venezuela aos 5 anos de idade e se tornou modelo. Das passarelas para o cinema foi rápido e estrelou vários filmes ótimos como “El Planeta de las Mujeres Invasoras” (1966) de Alfredo B. Crevenna, “La Muerte en Bikini” (1967) de Arturo Martínez, “Santo contra la Invasión de los Marcianos” (1967) também de Crevenna, “S.O.S. Conspiracion Bikini” (1967) de René Cardona Jr., “Muñecas Peligrosas” (1967) de Rafael Baledón, “Las Vampiras” (1969) de Federico Curiel e o clássico “The Incredible Invasion” (também conhecido como “Alien Terror” e que se chamou “Invasão Sinistra” aqui no Brasil, 1971) de José Luis González de León (com as cenas americanas dirigidas por Jack Hill e as mexicanas por Juan Ibáñez), filme vagabundérrimo que se destaca por ter Boris Karloff em fim de carreira no elenco. Nos anos da década de 1970 Maura Monti desiste do cinema (por causa das cenas de nudez) e passa a interpretar em produções da TV mexicana.

A espetacular trilha sonora de “La Mujer Murcielago” foi interpretada por Leo Acosta y su Conjunto de Jazz, o que deixou o filme com um ritmo alucinante. René Cardona, o diretor, é também ator no clássico “El Baron del Terror” (1962) de Chano Urueta, pai do diretor René Cardona Jr. e dirigiu 145 longa-metragens, se tornando uma referência do cinema popular mexicano. Já o produtor de “La Mujer Murcielago” é Guillermo Calderón que foi o responsável por inúmeros filmes de lutadores mascarados e outras temáticas exploitation/populares, como produções explorando rock’n’roll, westerns, filmes de horror, dramas adolescentes e romances bregas envolventes. Vários filmes de René Cardona, como “Santa Claus” (1959), “Las Luchadoras contra la Momia” (1964) e “La Horripilante Bestia Humana” (1969), foram produzidas por Calderón. E o roteirista Alfredo Salazar é irmão do ator, produtor e diretor Abel Salazar (“El Baron del Terror”), dirigiu 10 longas (entre eles “Bikinis y Rock” de 1972 e “Herencia Diabólica” de 1994) e roteirizou outros 63 filmes. O make-up do filme é de Margarita Ortega e o monstro (não dou certeza porque não consegui confirmar a informação) parece que foi elaborado por Alfonso Bárcenas.

“La Mujer Murcielago” é uma mistura de Santo e 007 com muita ação, cenários kitsch com cores berrantes (na melhor tradição festiva mexicana), história absurda cheia de furos que dão o charme classe Z necessário para tornar essa produção uma peça rara do incrivelmente colorido cinema psychotrônico made in México.

por Petter Baiestorf.

The Galaxy Invader: O Pior Diretor do Mundo em Ação

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on dezembro 27, 2011 by canibuk

“The Galaxy Invader” (1985, 79 min.) de Don Dohler. Com: Richard Ruxton, Faye Tilles, George Stover, Greg Dohler, Kim Dohler, Anne Frith, Richard Dyszel e Glenn Barnes no papel do Invasor Cósmico.

Baltimore é conhecida dos cinéfilos por ser o lar (e cenário dos filmes) do genial John Waters, cineasta underground que realizou vários clássicos transgressores como “Pink Flamingos” (1972), “Female Trouble” (1974) e “Desperate Living” (1977). Mas de Baltimore também vem o desconhecido cineasta Don Dohler, que em 1985 dirigiu “The Galaxy Invader” (lançado direto em vídeo e já em domínio público).

A trama de “The Galaxy Invader” pode ser descrita em poucas linhas: um objeto voador cai numa floresta e um alienígena verde ferido começa a perambular pela região do acidente, até ser descoberto por um casal que fica aterrorizado com a criatura e, então, o invasor intergaláctico passa a ser perseguido por humanos sedentos por sangue e violência. Este filme é uma espécie de avô do meu longa-metragem “O Monstro Legume do Espaço” (1995), ambos foram feitos praticamente sem recurso algum, com ajuda dos amigos e técnicos improvisados. Quando escrevi, produzi e dirigi o Monstro Legume não tinha, ainda, tomado conhecimento desta pérola da vagabundagem (só o descobri em 2007), senão seria certeza que teria incluído alguma homenagem-referência ao filme de Don Dohler.

Donald Michael Dohler (1946-2006) nasceu e viveu em Baltimore (Maryland) e, com apenas 15 anos, começou a editar um fanzine chamado “Wild” (inspirado na revista “Mad”) e entre seus colaboradores estavam artistas como Jay Lynch, Art Spiegelman e Williamson Skip. Ainda nos anos da década de 1960, Dohler começou a editar a revista “Cinemagic” que trazia matérias para jovens cineastas que queriam aprender a fazer seus próprios filmes sozinhos e inspirou vários jovens à tentar a sorte fazendo filmes (em 1979 a “Starlog” comprou a revista). A primeira produção de Dohler foi “The Alien Factor” (1976), um filme de sci-fi de baixo orçamento sobre uns aliens-insetos pegando todo mundo. Don Dohler faleceu em 2006 deixando onze longas no currículo, incluíndo “Alien Rampage” (1999, uma continuação de “The Alien Factor”) e “Harvesters” (2001, um remake de seu próprio filme “Blood Massacre”, que havia sido lançado em 1988). O documentário “Blood, Boobs and Beast” (2007) de John Paul Kinhart conta a história deste diretor de ótimos filmes ruins.

As péssimas maquiagens vagabundas do filme são cortesia do make-up man improvisado John Cosentino (que trabalhava sempre nos filmes do amigo Dohler), que criou uma roupa de corpo inteiro para dar vida ao alien verde, só que essa roupa era toda dura e sem articulações, limitando as ações do ator Glenn Barnes na interpretação da criatura. Só prá dar uma idéia, no filme há uma cena onde o alien está deitado no chão e faz de conta que vai levantar, corta para o rosto sem expressão de uma atriz, e quando volta para o alien ele já está em pé, porque o simples ato de levantar era impossível com a roupa alienígena. Vale uma espiadinha!

Por Petter Baiestorf.

Invasion of the Star Creatures Vs. os Dois Patetas do Exército Americano

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on dezembro 26, 2011 by canibuk

“Invasion of the Star Creatures” (1962, 70 min.) de Bruno VeSota. Roteiro de Jonathan Haze. Com: Robert Ball, Frankie Ray, Gloria Victor e Dolores Reed.

Se você acha que já viu o pior filme já feito é porque ainda não viu este “Invasion of the Star Creatures” que eleva a um novo patamar as ruindades cinematográficas. Aqui dois recrutas do exército americano são enviados numa unidade para missão de reconhecimento de uma caverna recém descoberta. Dentro da caverna os soldados são atacados por estranhas criaturas alienígenas (um dos piores design de monstro que já vi) e os dois recrutas patetas (que dormiam durante o ataque) são levados para uma espaçonave ocupada por uma raça de mulheres gostosas do espaço que estão no planeta Terra com o objetivo, lógico, de dominar o planeta. Acidentalmente os recrutas descobrem que beijos deixam as gostosas cósmicas impotentes e após uma sessão de beijos eles conseguem escapar da espaçonave para se encontrarem com uma hostil tribo de índios que ainda estão revoltados contra o general Custer (este encontro entre os recrutas e os índios tem piadas dignas de uma Zorra Total, juro!).

“Invasion of the Star Creatures” foi realizado por colaboradores habituais de Roger Corman. Foi escrito por Jonathan Haze (protagonista do clássico “The Little Shop of Horrors“, 1960, de Corman), dirigido pelo ator canastrão Bruno VeSota (que nesta época aparecia em tudo que é filme do Corman e, além deste filme, dirigiu mais 2 filmes: “Female Jungle” – 1955 – e “The Brain Eaters” – 1958) e produzido pela dupla Berj Hagopian (que, segundo o IMDB, só produziu ainda outro filme, “Code of Silence” (1960) de Mel Welles) e Samuel Z. Arkoff (da A.I.P. que não está creditado no filme mas foi um dos facilitadores da produção) e é estrelado pelo ator de último escalão Robert Ball (ator no péssimo “The Brain Eaters” (1958) e, à título de curiosidade, Ball também faz parte do elenco do clássico “Easy Rider” (“Sem Destino”, 1969) de Dennis Hopper e participou uma uma infinidade de episódios de séries da TV americana nos anos de 1960).

“Invasion of the Star Creatures” tem um roteiro muito ruim, as piadas não funcionam em momento algum e fica a eterna pergunta se não teria sido um filme melhor se a dupla de recrutas patetas tivesse sido interpretada pela dupla Jonathan Haze e Dick Miller (outro ator que aparecia em tudo que é filme do Roger Corman neste período e que na década de 1980 virou figurinha cult do cinema americano tendo aparecido em vários filmes bacanas como “Piranha” (1978) de Joe Dante, “Rock’n’Roll High School” (1979) de Allan Arkush e estrelado pela banda Ramones, “Gremlins” (1984) também de Joe Dante (aliás, Miller aparece em praticamente todos os filmes do Dante), “The Terminator” (“O Exterminador do Futuro”, 1984) de James Cameron, “Night of the Creeps” (“A Noite dos Arrepios”, 1986) de Fred Dekker, e muitas outras produções prá lá de divertidas da última década “cool” do cinema comercial mundial).

Quando “Invasion of the Star Creatures” estreiou nos cinemas a revista Box Office trazia a frase: “Que monte de bobagens, que desperdício de tempo e energia!!!”, se referindo a comédia de sci-fi de Bruno VeSota. Já o historiador Bill Warren chamou o filme de “surpreendentemente ruim… tão ruim que é quase impossível assistí-lo por inteiro!”. Mas o fato é que, mesmo com as piadas que não funcionam, mesmo com seus atores canastrões, sua falta de direção, seus cenários horríveis e figurinos piores ainda, “Invasion of the Star Creatures” merece uma conferida por ser uma tranqueira trash das mais autênticas e que é sincero em sua falta de talento que fazem dele um dos piores filmes já produzidos na história do cinema. Um grande clássico da ruindade que celebra de maneira grandiosa a falta de talento! No mundo atual, onde que aprendemos que temos que ser um “vencedor” (seja lá o que isso signifique), este filme ganha ares de obra revolucionária, uma bandeira dos “loosers” sem talentos que produzem mais do que os talentosos perfeccionistas reclamões intocáveis.

por Petter Baiestorf.

Jingle Balls

Posted in Buk & Baiestorf, Nossa Arte with tags , , , , , , , , , , , , , , , on dezembro 25, 2011 by canibuk

E um som para acompanhar a ilustração de Leyla Buk:

Santa Claus Conquers the Martians com seu Robô de Latão Envenenado

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on dezembro 24, 2011 by canibuk

“Santa Claus Conquers the Martians” (1964, 80 min.) de Nicholas Webster. Com: Leila Martin, Charles Renn, Pia Zadora e John Call como o Papai Noel.

Crianças marcianas assistem à TV Terra (principalmente o Canal Kid) demais e, após uma entrevista que um repórter faz com Papai Noel em sua oficina de brinquedos, os pequenos marcianinhos começam a invejar o Natal. Após um ótimo corte de um marciano de brinquedo para um marciano verdadeiro (usando a mesma roupa, lógico!), os líderes de Marte resolvem consultar um conselheiro ancião sobre o terrível problema e decidem pegar uma espaçonave (com um visual de espaçonave elaborada sem dinheiro) e vão ao planeta Terra para pegar Papai Noel e leva-lo para Marte. Ao pousar na Terra, em uma absurda seqüência, os marcianos pedem informações à duas crianças e ficam sabendo que o verdadeiro Papai Noel mora no Poló Norte e é prá lá que nossos intrépidos viajantes cósmicos vão. Ao chegarem no Poló Norte (construído em estúdio, como tudo neste filme), enfrentam um Urso Polar (uma fantasia grotesca) e é introduzido na trama o genial robô marciano de design kitsch (porra, quero um robô assim prá mim). E assim os marcianos chegam na oficina de Papai Noel e o seqüestram para fazer o primeiro natal de Marte (e o seqüestro de Papai Noel é manchete de primeira capa em todos os jornais do mundo). Com Papai Noel em seu poder, os marcianos constroem uma oficina para ele criar inúmeros brinquedos para os marcianinhos invejosos, só que os planos do natal marciano podem não dar certo porque Voldar, o vilão marciano que não entra no espírito natalino (Yeaaaahhhhhhh Voldarrrrr!!!), faz altas trapalhadas para estragar a festa do consumismo mundial.

“Santa Claus Conquers the Martians” tem uma clara mensagem anti-comunistas. Os marcianos do planeta vermelho não estão autorizados a ter sua liberdade individual, o pensamento é controlado, não são consumistas nem cristãos, numa clara alusão à U.R.S.S. (hoje Rússia) dos anos de 1960. Este filme, ao seu modo, previu os comunistas consumistas da Rússia e China deste novo milênio onde todos precisam fazer parte do mercado mundial e a palavra de ordem parece ser: Consuma ou morra!!!

Os nomes das personagens principais marcianas são trocadilhos de completa breguice, os pais se chamam “Momar” (mom martian) e “Kimar” (king martian) e seus filhos “Girmar” (girl martian) e “Bomar” (boy martian). Aliás, a menina marciana, “Girmar”, é Pia Zadora (então com 8 anos de idade), atriz e cantora que chamou atenção quando estrelou o bombástico (de bomba mesmo) filme “Butterfly” (1982) de Matt Cimber, produzido pelo multi-milionário israelense (e marido dela) Meshulam Riklis e que trazia no elenco, também, Orson Welles. Por este filme Pia Zadora ganhou o “Golden Raspberry Awards” daquele ano de pior atriz. Seu melhor papel no cinema veio em 1988, quando interpretou uma beatnik no cult “Hairspray” do gênio John Waters.

Constantemente listado como um dos piores filmes já feitos (mas tem piores, como “The Creeping Terror” e “Rat Pfink a Boo Boo“), “Santa Claus Conquers the Martians” inspirou Tim Burton quando produziu a animação em stop motion “The Nightmare Before Christmas” (“O Estranho Mundo de Jack”, 1993, lançado em DVD no Brasil pela Touchstone Home Video) de Henry Selick, que possuí uma história bem parecida, trocando os marcianos por monstros do Halloween americano. No ano de 1991 o filme foi resgatado pelo programa de TV Mystery Science Theater 3000 (foi neste episódio que tomei conhecimento do “Santa Claus Conquers the Martians”, alguém gravou o filme quando exibido no programa e me fez uma cópia), sendo resgatado para uma nova geração de trashmaníacos. E Nicholas Webster (1912 – 2006), o diretor desta pequena pérola, trabalhou bastante nem TV, sendo mais lembrado por seu programa “The Violent World of Sam Huff” (1960), que foi o primeiro programa de TV à utilizar um microfone sem fio.

Uma curiosidade é que, ao final do filme, a música “Hooray for Santa Claus” fica tocando na íntegra com sua letra aparecendo escrita na tela com o espaço sideral pintado ao fundo. Como era lindo o mundo enquanto os humanos não tinham medo de parecer ridículos!

por Petter Baiestorf.

Veja o filme completo aqui:

The Horror of Party Beach e os Monstros Marinhos Zumbis Dançantes

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on dezembro 23, 2011 by canibuk

“The Horror of Party Beach” (1964, 78 min.) de Del Tenney. Com: John Scott, Alice Lyon, Allan Laurel e Eulabelle Moore. Também conhecido como “Invasion of the Zombies”.

Em 1954 foi lançado o clássico “Creature from the Black Lagoon” (“O Monstro da Lagoa Negra”, já lançado em DVD no Brasil pela Universal) de Jack Arnold e logo em seguida várias imitações surgiram, sempre produções de baixo orçamento e muito divertidas, como “The Monster of Piedras Blancas” (1959) de Irvin Berwick, “Creature from the Haunted Sea” (“Criaturas do Fundo do Mar”, 1961, já lançado em DVD no Brasil pela Flashstar) de Roger Corman e este pequeno filme do coração, “The Horror of Party Beach“, que vai um pouco além dos outros filmes de monstros marinhos ao misturar filmes de praia com horror e uma grande vontade de soar musical o tempo todo.

O começo de “The Horror of Party Beach” é eletrizante, com jovens indo a praia e uma garota fogosa provocando uma gang de motoqueiros (interpretada por motoqueiros verdadeiros do The Charter Oaks Motorcycle Club de Riverside, Connecticut). Próximo a praia um navio carregado de lixo tóxico joga vários barris no fundo do mar (que são filmados num aquário com a pior maquete do fundo do mar que já vi) e, claro, o lixo tóxico vaza e reanima vários esqueletos que estão no fundo do mar (a praia em questão deveria ser um cemitério clandestino da máfia para desova de cadáveres, só isso prá explicar os cadáveres ali) que se tornam uma espécie de monstro aquático que fica à espreita dos jovens que escutam e dançam surf music na praia. Não demora muito para, na praia, motoqueiros (que estão sempre com pesadas jaquetas de couro) e playboys sairem no braço por causa da fogosa garota do começo do filme, originando uma divertida luta. O primeiro ataque do monstro é contra a garota fogosa que vai nadar enquanto a banda da praia toca a canção “The Zombie Stomp”.

Depois deste início alucinante, “The Horror of Party Beach” muda de ritmo com a investigação do estranho assassinato que ocorreu na praia, durante o dia, na frente de todos (mas curiosamente sem testemunhas). A noite várias meninas se reúnem para uma festa do pijama numa casa isolada que, rapidamente, é cercada por inúmeros monstros marinhos com cheiro de peixe podre (cenas que lembram os zumbis do clássico “The Night of the Living Dead” de George A. Romero, só que filmadas antes) e num violentíssimo ataque os monstrengos matam todas as meninas (levando inclusive algumas com eles). Mesmo com a cidade em alerta por causa dos ataques, os jovens continuam organizando festinhas porque a diversão não pode parar. Em novo ataque um cientista consegue um pedaço do corpo putrefacto de um dos monstros e após examiná-lo chega a conclusão que os monstros são zumbis que necessitam de sangue humano para continuar zumbizando e acha que sódio pode acabar com esses monstros. Perto do final do filme, o dia vira noite (e vice-versa) de um take prá outro e inúmeros monstros marinhos zumbis se levantam numa espécie de luta contra a humanidade, sendo combatidos com bombas de sódio.

Ao contrário dos filmes de praia da A.I.P. (a maioria dirigidos por William Asher), “The Horror of Party Beach” foi filmado em preto e branco (provavelmente por causa de seu baixo orçamento), o que lhe conferiu um visual mais cru que os demais filmes da época. No seu lançamento Del Tenney recorreu à um gimmick que já havia sido utilizado por William Castle, onde mandou colocar anúncios em alguns jornais onde, no convite para as pessoas irem ver seu filme nos cinemas, afirmava: “Para sua proteção não vamos deixa-lo assistir à este chocante filme, a menos que você concorde em assinar um contrato que libera a responsabilidade deste cinema em caso de morte por medo!”. Assim como Ray Dennis Steckler havia feito alguns meses antes ao lançar seu “The Incredibly Strange Creatures Who Stopped Living and Became Mixed-Up Zombies”, os produtores de “The Horror of Party Beach” também o divulgaram como o primeiro musical de horror já lançado, mas o fato é que nenhum dos dois filmes chega a ser um filme verdadeiramente musical, ambos possuem ótimas trilhas sonoras, apenas isso!

Como curiosidade na produção do filme temos a participação do ator pornô Zebedy Colt (usando seu nome real: Edward Earl) que compôs três músicas da trilha sonora, “Joy Ride”, “The Zombie Stomp” e “You are not a Summer Love”, todas executadas pela banda The Del-Aires (que são a banda que aparece no filme). Zebedy Colt ficou famoso como ator pornô alguns anos depois, estrelou clássicos da pornográfia como “The Story of Joanna” (1975, para o qual também compôs a trilha sonora) de Gerard Damiano, “Sex Wish” (1976) de Victor Milt e “Barbara Broadcast” (1977) de Radley Metzger, além de dirigir outros como “The Farmer’s Daughter” (1973) e “The Devil Inside Her” (1977).

Del Tenney, o produtor e diretor de “The Horror of Party Beach”, realizou outros dois pequenos filmes de horror em 1964: “Zombies” (também conhecido pelo título “I Eat Your Skin”) e “The Curse of the Living Corpse”, que foram mal nas bilheterias. Voltou a dirigir um filme apenas em 2003, quando realizou “Descendant”. Em 2001 Tenney produziu um filme que foi lançado em DVD no Brasil e que fez relativo sucesso de locação nas vídeo-locadoras, “Do You Wanna Know a Secret?” (“Você quer Saber um Segredo?”) de Thomas Bradford.

Se você tem curtido os filmes que estou resenhando nesta semana de Natal, fica aqui a dica de outros títulos interessantes que merecem sua atenção: “House on Bare Mountain” (1962) de Lee Frost, “The Monster of Camp Sunshine or How i Learned to Stop Worrying and Love Nature” (1964) de Ferenc Leroget, “Kiss me Quick!” (1964) de Peter Perry Jr., “The Beast That Killed Woman” (1965) de Barry Mahon e “The Beach Girls and the Monster” (1965) de Jon Hall.

por Petter Baiestorf.