Não fui, na infância, como os outros

e nunca vi como os outros viam.

Minhas paixões eu não podia

tirar de fonte igual à deles;

e era outra a origem da tristeza,

e era outro o canto, que acordava

o coração para a alegria.

Tudo o que amei, amei sozinho.

Assim, na minha infância, na alba

da tormentosa vida, ergueu-se,

no bem, no mal, de cada abismo,

a encadear-me, o meu mistério.

Veio dos rios, veio da fonte,

da rubra escarpa da montanha,

do sol, que todo me envolvia

em outonais clarões dourados;

e dos relampagos vermelhos

que o céu inteiro incendiavam;

e do trovão, da tempestade,

daquela nuvem que se alteava,

só, no amplo azul do céu puríssimo,

como um demônio, ante meus olhos.

poesia de Edgar Allan Poe.

(do livro “Poesia & Prosa: Obras Escolhidas de Edgar Allan Poe”, clássicos de bolso da Editora Águia de Ouro, tradução de Oscar Mendes e Milton Amado, com biográfia de Poe por Hervey Allen e um estudo crítico da obra de Poe por Charles Baudelaire. Foi com este livro, lá por 1984 – não faço idéia do ano de publicação desta coleção de bolso porque no próprio livro não diz – que tomei contato com praticamente toda a obra de Edgar Allan Poe, eram 665 páginas de novelas, contos, colóquios, poemas, ensaios e “Eureka” na íntegra, tudo neste único livro. Sou sincero quando afirmo que as crianças do passado eram mais felizes).

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