Rat Pfink A Boo Boo: Aventuras Hilárias de uma Dupla de Heróis Palermas

“Rat Pfink a Boo Boo” (1966, 67 minutos) de Ray Dennis Steckler. Com: Carolyn Brandt, Ron Haydock, Tito Moede e Bob Burns no papel de Kogar.

Grupo de vagabundos (George Caldwell, Mike Kannon e James Bowie) persegue mulheres para se divertir nos dias de tédio. Ao receberem a nova lista telefônica escolhem aleatoriamente sua nova vítima: Cee Bee Beaumont (Carolyn Brandt), namorada do lendário cantor Lonnie Lord (Ron Haydock) que é um zé-ruela que sempre carrega seu violão por onde vai. Depois de uma perseguição compridíssima, que não vai prá lugar nenhum mas foi filmado de uma maneira tão débil por Steckler que se torna interessante, Cee Bee começa a receber várias ligações obscenas dos vagabundos até que um dia fica tão nervosa que sai correndo de casa (!!??) e é raptada. Porque raios alguém que está seguro dentro de casa, cercado de amigos, sai correndo prá rua após um telefonema ameaçador só deve fazer sentido na cabeça de Ray Dennis Steckler. Assim Lonnie Lord, com ajuda do jardineiro de sua namorada (Tito Moede), larga o violão e se torna Rat Pfink (e o jardineiro se torna Boo Boo), super-heróis bagaceiros que vão defender as namoradas inocentes do mundo do crime e o american way of life. Com sua moto do medo os heróis vão atrás dos bandidos e, após a luta mais monga da história do cinema (um dos bandidos chega a ser algemado no corrimão de madeira podre de uma escada), salvam Cee Bee que, olha que coisa divertida, é raptada novamente pelo gorila Kogar (diz a lenda que interpretado por Bob Burns). No final tudo se resolve e nossos heróis participam de um desfile de 04 de julho e cantam e dançam alegres na praia. Genial!!!

Acreditem, este filme do lendário Ray Dennis Steckler é uma das tranqueiras amadoras mais divertidas que já assisti. “Rat Pfink A Boo Boo” era para ser, inicialmente, um drama inspirado numa série de telefonemas obscenos que a mulher de Ray, Carolyn Brandt (isso mesmo, a mocinha do filme), estava recebendo. O título iria ser “The Depraved”, mas como acho que Ray Dennis Steckler sempre teve noção das ruindades que fazia, durante a produção do filme ele introduziu a dupla de heróis palermas inspirados no hilário programa de TV “Batman” (com Adam West e Burt Ward, o único Batman decente já surgido, prá mim claro, que odeio super-heróis). Inclusive o título do filme é um erro: Era para se chamar “Rat Pfink And Boo Boo”, mas provavelmente na hora do artista criar o título cometeu o erro que tornou “and” em “a” e, como Ray Dennis não tinha 50 dólares para corrigir o erro, ficou assim mesmo. Segundo o diretor, o título foi escolhido depois que uma menina que aparece no filme ficava cantando “Rat Pfink a Boo Boo, Rat Pfink a Boo Boo” na cena pouco antes de Cee Bee ser raptada, mas prefiro a história do erro gráfico, é mais a cara do picareta Ray.

O diretor Ray Dennis Steckler (também conhecido pelos pseudônimos de Cash Flagg, Sven Christian, Sven Hellstrom, Harry Nixon, Michael J. Rogers, Michel J. Rogers, Wolfgang Schmidt, Cindy Lou Steckler e Cindy Lou Sutters) foi uma lenda da indústria do cinema de baixo orçamento americano. Em 1963 realizou seu primeiro filme independente, o cult-movie “The Incredibly Strange Creatures Who Stopped Living and Became Mixed-Up Zombies”, que foi filmado com 38 mil dólares e tem a curiosidade de trazer como operadores de câmera, ambos na época auxiliares do diretor de fotografia Joseph V. Mascelli, László Kovács (que poucos anos depois fez a fotográfia de “Easy Rider” e ganhou vários prêmios) e Vilmos Zsigmond (ganhador do oscar de fotográfia por “Close Encounters of the Third Kind” de Steven Spielberg). Após inúmeros filmes de baixo orçamento (todos divertidos e caras-de-pau) para exibição em Drive-Ins, Ray Dennis começou a fazer pornôs, como “Mad Love Life for a Hot Vampire” (1971), “Red Heat” (1974), “Fire Down Below” (1974), “Plato’s Retreat West” (1983), “Weekend Cowgirls” (1983), entre vários outros. Steckler também tinha o costume de comprar filmes abandonados de outros diretores e remontá-los adicionando seu material, fez isso com Fred Olen Ray – que havia filmado algumas cenas para impressionar investidores – num filme que se tornou “Devil Master” (1978).

Em “Rat Pfink A Boo Boo”, Ron Haydock (que era ator regular nos filmes de Ray Dennis Steckler e tinha uma banda chamada “Ron Haydock and the Boppers” onde muitas vezes foi comparado à Elvis Presley, sem a parte do sucesso junto) canta 4 canções: “I Stand Alone”, “You Is a Rat Pfink”, “Runnin’Wild” e “Go Go Party”, todas muito boas. Outro nome cult que aparece nos créditos de “Rat Pfink a Boo Boo” é o de Herb Robins como diretor de segunda unidade. Prá quem não sabe quem é Herb Robins basta dizer que ele é o diretor do clássico do mau gosto “The Worm Eaters” (1977) onde as pessoas se divertem saboreando deliciosos sanduiches, sorvetes e tortas de… Minhocas! (ele ainda dirigiu outro filme, “The Brainsucker”, em 1988). Herb era um ator habitual nas produções de Ray Dennis Steckler, interpretou nos filmes “The Thrill Killers” (1964), “Lemon Grove Kids Meets the Monsters” (1965, filme em episódios que Ray cometeu em parceria com Peter Balakoff e Ed McWatters), “Body Fever” (1969), “Shinthia: The Devil’s Doll” (1970) e “Summer of Fun” (1997). A carreira de ator de Herb Robins era esporádica, mas participou de inúmeros filmes clássicos, como: “Invasion of the Bee Girls” (1973) de Denis Sanders, “The Doll Squad” (1973) de Ted V. Mikels, “Thomasine and Bushrod” (1974) blaxploitation de Gordon Parks Jr., “Convoy” (1978) de Sam Peckimpah, “The Funhouse” (1981) de Tobe Hooper e “House Made of Dawn” (1987) de Richardson Morse. Nada mal para um comedor de minhocas.

O crítico de cinema Jerry Saravia, sem senso de humor nenhum como a maioria destes profissionais inúteis, disse sobre “Rat Pfink a Boo Boo”: “O filme é ruim e não tem nada para oferecer, parece ter sido feito por uma criança de 8 anos de idade em seu próprio quintal!”. Mas “Rat Pfink a Boo Boo” oferece 67 minutos de pura diversão escapista, é um filme para pessoas sonhadoras (como Ray Dennis Steckler o foi ao tentar sobreviver de fazer filmes nos U.S.A.) e não para críticos de cinema chatos e mal amados.

por Petter Baiestorf.

4 Respostas to “Rat Pfink A Boo Boo: Aventuras Hilárias de uma Dupla de Heróis Palermas”

  1. A triste realidade é que atualmente os críticos ranhetas se proliferam mais do que Gremlins em dia de chuva. Tem crítico tão bom na arte de serem chatos que deixariam o Rubens Edwald Filho e o José Wilker parecendo meros aprendizes

    E o pior,,, Todos parecem se levar a sério, muito a sério.

  2. […] real de Theodore Mikacevich, é um diretor da categoria de Ed Wood, H.G. Lewis, Doris Wishman e Ray Dennis Steckler, que sempre filmou sem dinheiro algum e teve lucro com seus filmes, o que possibilitou a compra de […]

  3. […] é lindo, com figurinhas do cinema B como Forrest J. Ackerman, John Agar, Michelle Bauer, Bob Burns, Paul Marco, Linnea Quigley e muitos outros). Ann Robinson nasceu em 1935 e seu papel mais famoso […]

  4. […] dá as caras em “The Beast of Yucca Flats” e o diretor/ator Titus Moede (o Boo Boo de “Rat Pfink a Boo Boo”, 1966, de Ray Dennis Steckler) foi o responsável pela mixagem do som deste incrível filme […]

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