El Baron del Terror e a Arte de Comer Cérebros Humanos

“El Baron del Terror” (“Brainiac”, 1962, 77 min.) de Chano Urueta. Com: Abel Salazar, Ariadna Welter, David Silva, Luis Aragón e René Cardona.

No ano de 1661 a Santa Igreja Católica, representada por um bando de inquisidores escrotos, condena a barão Vitelius de Astara (interpretado por Abel Salazar, também produtor do filme) à fogueira. Antes de morrer o barão jura vingança contra os descendentes de seus assassinos enquanto observa a passagem de um comenta nos céus do planeta Terra (que nada mais é do que um cometa desenhado numa folha, levemente desfocado, sendo mexido aos poucos). 300 anos depois este mesmo cometa pintado numa folha passa pela Terra novamente trazendo de volta o vingativo barão (o cometa caindo/pousando na Terra, com o fio de nylon que o segura a mostra, só não é mais ridículo do que a aparição do monstro que o barão se tornou – uma grotesca máscara de borracha pulsante, com uma colossal língua de lagarto usada para sugar o cérebro de suas vítimas e uma roupa em frangalhos com pelos colados em algumas partes dela), que logo trata de achar os descendentes de seus inimigos para sugar os cérebros de todos numa orgia de gosmas.

Após uma festa, onde o barão reencontra todas suas vítimas, as mortes começam a surgir em ritmo alucinante, obrigando uma dupla de investigadores (que psicologicamente lembram o Tor Johnson no “Plan 9 from Outer Space”, ou seja, verdadeiros inúteis) a trocar os mais estúpidos diálogos investigativos.

Filmado em estúdio, em duas semanas de trabalhos, “El Baron del Terror” tem os cenários mais falsos (e por isso mesmo divertidos) que já vi, um verdadeiro colírio camp aos olhos. E as mortes são todas bem engraçadas graças as caretas do inspiradíssimo elenco canastrão. Impossível não rolar de rir com a morte de uma das vítimas que, dominado telepateticamente pelo barão, é obrigado a abrir uma caldeira e se deixar consumir pela chamas do fogo. Aliás, cada vez que o barão se transforma no monstrengo (para matar as vítimas ele sempre se transforma), é um espetáculo único da completa falta de noção dos produtores (ainda bem) e com o andar do filme novas surpresas macabras vão sendo reveladas, como o baú do barão que em seu interior há um cálice gigante de cérebros humanos d’onde nosso vilão se serve de colherzinha. Aqui vou contar o final do filme, se você não quer saber, pule para o próximo parágrafo: No final temos a dupla de investigadores palermas que, como dois inquisidores modernos, aparecem portando lança-chamas e cozinham o barão pela segunda vez.

Chano Urueta (1904-1979) já era um veterano da indústria de cinema mexicano (seu primeiro filme, “The Fate”, é de 1928, ao todo ele dirigiu 117 filmes) quando dirigiu este clássico da vagabundagem para o produtor Abel Salazar, que foi o responsável por outros filmaços como “El Ataud del Vampiro” (1957), “El Hombre y El Monstruo” (1958), “El Mundo de los Vampiros” (1960), entre vários outros. O diretor e produtor René Cardona faz uma participação como as personagens Baltasar de Meneses/Luis Meneses e era outra lenda do cinema mexicano envolvida em “El Baron del Terror”. Cardona, além de ter dirigido diversos filmes com o lutador mascarado Santo, foi o responsável por mais de 145 títulos, coisas como “The Living Idol” (1957), “El Jinete Justiciero en Retando a la Muerte” (1966), “La Mujer Murciélago” (1968), “Entre Monjas Anda el Diablo” (1973) e muitos outros.

Salazar nos cenários pintados de "El Baron del Terror".

“El Baron del Terror” é um filme mexicano único (assim como em “La Nave de los Monstruos“, aqui todas as cenas tem importância, mesmo que absurdas, para a trama e o ritmo do filme é alucinante, com uma idéia exagerada atropelando outras duas), não há como imaginar que a dupla Urueta-Salazar tenha concebido “El Baron del Terror” como um filme sério cujo objetivo seria assustar os espectadores. É um filme para ser assistido em turma e para se encantar com sua cara de pau.

Veja aqui o filme completo:

3 Respostas to “El Baron del Terror e a Arte de Comer Cérebros Humanos”

  1. A falta de noção dos mexicanos vira qualidade… eles faziam as misturas mais estapafúrdias do mundo, que qualquer pessoa de bom senso evitaria. E faziam um número inacreditável de filmes de horror… como eu vou reclamar deles?

    • Cinema mexicano é divertido demais, assim como o cinema Brasileiro já o foi (hoje em dia não é mais tão divertido), o cinema Turco, o cinema Indiano… Todo o cinema popular sempre foi divertido demais!
      petter.

  2. Concordo. Qualquer país do mundo consegue fazer filmes divertidos (vide os japoneses, turcos, indianos e os póprios mexicanos) quando não entram nessa paranoia de serem “artistas sérios e de gosto refinado ávidos para ganharem um Oscar”.

    Foda-se o Oscar, Cannes e o escambau. Prefiro muito mais quando os caras pegam uma câmera para filmarem coisas alucinadas sem medo de sentirem ridículos.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: