La Mujer Murcielago e a Criatura Anfíbia Humana

“La Mujer Murcielago” (1968, 80 min.) de René Cardona. Com: Maura Monti, Roberto Cañedo, Héctor Godoy e Jorge Mondragón.

Cinco atletas aparecem misteriosamente assassinados e um agente especial é chamado para resolver o caso, antes mesmo dele fazer qualquer coisa, já avisa: “A única pessoa que pode resolver isso é a Mujer Murcielago!”. E logo a Mujer Murcielago em pessoa chega em Acapulco para ajudar o agente a resolver o mistério. Seu uniforme é um achado, usa um diminuto bikini com capa, luvas e máscara de morcego (que lembra muito o visual da mulher-gato). Logo ficamos sabendo que o responsável pelas mortes é o Dr. Eric Williams, um cientista louco que tem até um assistente demente chamado… Igor!!! A dupla está matando os atletas para extrair a glândula pineal e assim criar a criatura anfíbia humana (essa dupla rende os momentos mais divertidos com seus exageros canastrões). Durante a investigação os agentes ficam encantados com a beleza da Mujer Murcielago e seus ousados (para a época) decotes. Logo, sem ajuda de ninguém, ela entra escondida no iate do Dr. Williams e fica sabendo dos planos dele. Seguindo a lógica do cinema mexicano a Mujer Murcielago escapa do iate e vai treinar luta livre ao invés de resolver o problema e assim passa a ser perseguida pelos capangas do Dr. (que passam a usar aquelas máscaras de ladrões de quadrinhos) que são incumbidos de descobrir a identidade dela para aí, somente então, matá-la (não seria mais fácil só matar ela?). Paralelo a essa confusão toda, Dr. Eric Williams e Igor conseguem criar a criatura anfíbia humana (um monstro aquático vermelho inspirado no Monstro da Lagoa Negra) que é controlado por um zumbido e enviado para capturar a Mujer Murcielago que serviria perfeitamente para ser a fêmea da criatura (diante do sucesso de sua criação, Dr. Williams começa a delirar sobre a criação de um exército destas criaturas para dominar todos os Oceanos e dominar o mundo, HAUAHAUAAHAU – risadas de dominar o mundo!). Com o primeiro ataque da criatura falhando, o Dr. manda um de seus assistentes colocar um transmissor na capa da Mujer Murcielago e a criatura anfíbia humana é enviada outra vez para raptá-la durante a noite, o que rende uma das mais legais lutas do filme, com a Mujer Murcielago derrotando a criatura vestindo uma camisola transparente curtinha, ficando com um visual extremamente sexy. Com mais essa falhada magistral da criatura (que aparentemente não serve prá nada), Dr. Eric Williams muda de estratégia e resolve raptar o agente e o capitão da polícia para que a Mujer Murcielago venha ao sei iate resgatá-los (numa interessante inversão do clichê “mocinho salva mocinha”). No finalzinho do filme há uma piada com a coragem da Mujer Murcielago: depois de enfrentar cientistas loucos, capangas malvados, monstros vermelhos e resolver tudo no braço, ela fica histérica ao ver um rato na sua casa e salta nos braços do agente que salvou horas antes. Hilário!!!

Assim como num filme do lutador mascarado Santo, a Mujer Murcielago faz tudo usando máscara (apenas o agente sabe sua identidade). Essa sexy heroína ganhou vida sendo interpretada pela gostosa atriz Maura Monti, uma italiana que se mudou para a Venezuela aos 5 anos de idade e se tornou modelo. Das passarelas para o cinema foi rápido e estrelou vários filmes ótimos como “El Planeta de las Mujeres Invasoras” (1966) de Alfredo B. Crevenna, “La Muerte en Bikini” (1967) de Arturo Martínez, “Santo contra la Invasión de los Marcianos” (1967) também de Crevenna, “S.O.S. Conspiracion Bikini” (1967) de René Cardona Jr., “Muñecas Peligrosas” (1967) de Rafael Baledón, “Las Vampiras” (1969) de Federico Curiel e o clássico “The Incredible Invasion” (também conhecido como “Alien Terror” e que se chamou “Invasão Sinistra” aqui no Brasil, 1971) de José Luis González de León (com as cenas americanas dirigidas por Jack Hill e as mexicanas por Juan Ibáñez), filme vagabundérrimo que se destaca por ter Boris Karloff em fim de carreira no elenco. Nos anos da década de 1970 Maura Monti desiste do cinema (por causa das cenas de nudez) e passa a interpretar em produções da TV mexicana.

A espetacular trilha sonora de “La Mujer Murcielago” foi interpretada por Leo Acosta y su Conjunto de Jazz, o que deixou o filme com um ritmo alucinante. René Cardona, o diretor, é também ator no clássico “El Baron del Terror” (1962) de Chano Urueta, pai do diretor René Cardona Jr. e dirigiu 145 longa-metragens, se tornando uma referência do cinema popular mexicano. Já o produtor de “La Mujer Murcielago” é Guillermo Calderón que foi o responsável por inúmeros filmes de lutadores mascarados e outras temáticas exploitation/populares, como produções explorando rock’n’roll, westerns, filmes de horror, dramas adolescentes e romances bregas envolventes. Vários filmes de René Cardona, como “Santa Claus” (1959), “Las Luchadoras contra la Momia” (1964) e “La Horripilante Bestia Humana” (1969), foram produzidas por Calderón. E o roteirista Alfredo Salazar é irmão do ator, produtor e diretor Abel Salazar (“El Baron del Terror”), dirigiu 10 longas (entre eles “Bikinis y Rock” de 1972 e “Herencia Diabólica” de 1994) e roteirizou outros 63 filmes. O make-up do filme é de Margarita Ortega e o monstro (não dou certeza porque não consegui confirmar a informação) parece que foi elaborado por Alfonso Bárcenas.

“La Mujer Murcielago” é uma mistura de Santo e 007 com muita ação, cenários kitsch com cores berrantes (na melhor tradição festiva mexicana), história absurda cheia de furos que dão o charme classe Z necessário para tornar essa produção uma peça rara do incrivelmente colorido cinema psychotrônico made in México.

por Petter Baiestorf.

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