Arquivo para dezembro, 2011

El Baron del Terror e a Arte de Comer Cérebros Humanos

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , on dezembro 22, 2011 by canibuk

“El Baron del Terror” (“Brainiac”, 1962, 77 min.) de Chano Urueta. Com: Abel Salazar, Ariadna Welter, David Silva, Luis Aragón e René Cardona.

No ano de 1661 a Santa Igreja Católica, representada por um bando de inquisidores escrotos, condena a barão Vitelius de Astara (interpretado por Abel Salazar, também produtor do filme) à fogueira. Antes de morrer o barão jura vingança contra os descendentes de seus assassinos enquanto observa a passagem de um comenta nos céus do planeta Terra (que nada mais é do que um cometa desenhado numa folha, levemente desfocado, sendo mexido aos poucos). 300 anos depois este mesmo cometa pintado numa folha passa pela Terra novamente trazendo de volta o vingativo barão (o cometa caindo/pousando na Terra, com o fio de nylon que o segura a mostra, só não é mais ridículo do que a aparição do monstro que o barão se tornou – uma grotesca máscara de borracha pulsante, com uma colossal língua de lagarto usada para sugar o cérebro de suas vítimas e uma roupa em frangalhos com pelos colados em algumas partes dela), que logo trata de achar os descendentes de seus inimigos para sugar os cérebros de todos numa orgia de gosmas.

Após uma festa, onde o barão reencontra todas suas vítimas, as mortes começam a surgir em ritmo alucinante, obrigando uma dupla de investigadores (que psicologicamente lembram o Tor Johnson no “Plan 9 from Outer Space”, ou seja, verdadeiros inúteis) a trocar os mais estúpidos diálogos investigativos.

Filmado em estúdio, em duas semanas de trabalhos, “El Baron del Terror” tem os cenários mais falsos (e por isso mesmo divertidos) que já vi, um verdadeiro colírio camp aos olhos. E as mortes são todas bem engraçadas graças as caretas do inspiradíssimo elenco canastrão. Impossível não rolar de rir com a morte de uma das vítimas que, dominado telepateticamente pelo barão, é obrigado a abrir uma caldeira e se deixar consumir pela chamas do fogo. Aliás, cada vez que o barão se transforma no monstrengo (para matar as vítimas ele sempre se transforma), é um espetáculo único da completa falta de noção dos produtores (ainda bem) e com o andar do filme novas surpresas macabras vão sendo reveladas, como o baú do barão que em seu interior há um cálice gigante de cérebros humanos d’onde nosso vilão se serve de colherzinha. Aqui vou contar o final do filme, se você não quer saber, pule para o próximo parágrafo: No final temos a dupla de investigadores palermas que, como dois inquisidores modernos, aparecem portando lança-chamas e cozinham o barão pela segunda vez.

Chano Urueta (1904-1979) já era um veterano da indústria de cinema mexicano (seu primeiro filme, “The Fate”, é de 1928, ao todo ele dirigiu 117 filmes) quando dirigiu este clássico da vagabundagem para o produtor Abel Salazar, que foi o responsável por outros filmaços como “El Ataud del Vampiro” (1957), “El Hombre y El Monstruo” (1958), “El Mundo de los Vampiros” (1960), entre vários outros. O diretor e produtor René Cardona faz uma participação como as personagens Baltasar de Meneses/Luis Meneses e era outra lenda do cinema mexicano envolvida em “El Baron del Terror”. Cardona, além de ter dirigido diversos filmes com o lutador mascarado Santo, foi o responsável por mais de 145 títulos, coisas como “The Living Idol” (1957), “El Jinete Justiciero en Retando a la Muerte” (1966), “La Mujer Murciélago” (1968), “Entre Monjas Anda el Diablo” (1973) e muitos outros.

Salazar nos cenários pintados de "El Baron del Terror".

“El Baron del Terror” é um filme mexicano único (assim como em “La Nave de los Monstruos“, aqui todas as cenas tem importância, mesmo que absurdas, para a trama e o ritmo do filme é alucinante, com uma idéia exagerada atropelando outras duas), não há como imaginar que a dupla Urueta-Salazar tenha concebido “El Baron del Terror” como um filme sério cujo objetivo seria assustar os espectadores. É um filme para ser assistido em turma e para se encantar com sua cara de pau.

Veja aqui o filme completo:

Robot Monster e sua Hedionda Máquina de fazer Bolhas de Sabão

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on dezembro 21, 2011 by canibuk

Robot Monster” (1953, 66 min.) de Phil Tucker. Com: George Nader, Claudia Barrett, Selena Royle, John Mylong e George Barrows como Ro-Man.

Ro-Man destruiu o planeta Terra com seu raio da morte e apenas um cientista e sua família sobrevivem, igual ratos, morando nos escombros de sua casa. Para o planeta Terra ser dominado, Ro-Man recebe a missão de matar esses sobreviventes com suas próprias mãos (já que, por algum motivo desconhecido, seu raio da morte não funciona com elas) e sai a caça dos humanos com sua maligna, hedionda e incrivelmente tétrica máquina de fazer… Bolhas de sabão!!!

O roteiro do filme, de autoria de Wyott Ordung (que no ano seguinte dirigiu “Monster from the Ocean Floor”), é um samba do criolo doido, com dinossauros pré-históricos caminhando sobre a terra em escombros, dramas paralelos, sonhos, muitos diálogos bestas-engraçados-absurdos e a total falta de cenários. Phil Tucker filmou “Robot Monster” em cerca de 4 dias com um orçamento de 16 mil dólares e o filme acabou arrecadando quase hum milhão de dólares. Quando Tucker foi filmar “Robot Monster” a miséria era tanta que, sem a menor possibilidade de criar a fantasia do alienígena, chamou seu amigo George Barrows que tinha uma roupa de gorila, acrescentou um capacete com anteninhas cósmicas retiradas de uma TV velha e… Pronto, criou um ícone da sci-fi, simples como viver.

Um fato tragicômico que envolveu “Robot Monster” foi a tentativa de suicídio de Phil Tucker após o lançamento da produção. De acordo com o livro “Keep Watching the Skies!” de Bill Warren, Tucker ficou deprimido após uma disputa com a distribuidora do filme para receber sua parte dos lucros e nunca chegou a ganhar nada. Tucker, então, teria pego uma arma e disparado contra si, errando o tiro! Hollywood é drama acima de tudo!

Phil Tucker foi uma pequena lenda da indústria cinematográfica dos filmes sem orçamento algum. Nascido em 1927 alcançou notoriedade em 1953, pouco antes de realizar “Robot Monster”, quando dirigiu o amalucado “Dance Hall Racket”, filme estrelado e financiado pelo maluco Lenny Bruce (um comediante que caprichava nas piadas com críticas sociais que foi condenado em 1964 por obscenidade). Em 1960 Tucker escreveu e dirigiu o curioso “The Cape Canaveral Monsters”, se aposentando então da terrível tarefa de dirigir filmes. Nos anos de 1970 se tornou um respeitado editor de filmes e fez também a supervisão de pós-produção de sucessos de público como “King Kong” (1976) de John Guillermin e “Orca – The Killer Whale!” (1977) de Michael Anderson. Em paralelo às suas atividades cinematográficas, foi mecânico e inventou um motor de ar quente conhecido como “Surge Turbine”, patenteado pelo governo americano. Tucker faleceu em 1985.

Curiosidade: A trilha sonora do hoje clássico “Robot Monster” foi composta por Elmer Bernstein, compositor, entre outras, das trilhas de filmes como “Cat-Women of the Moon”, “The Great Escape”, “The Magnificent Seven” e “The Ten Commandments”.

“Robot Monster” é um filme ruim, isso não resta dúvidas, mas é tão ruim que te deixa com um sorriso nos lábios durante toda sua projeção.

Se você ficou curioso em ver “Robot Monster”, saiba que ele tá disponível no youtube em várias partes (ou clique aqui). Resolvi linkar aqui outros dois filmes de Phil Tucker que são menos conhecidos, boa diversão!

Rat Pfink A Boo Boo: Aventuras Hilárias de uma Dupla de Heróis Palermas

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on dezembro 20, 2011 by canibuk

“Rat Pfink a Boo Boo” (1966, 67 minutos) de Ray Dennis Steckler. Com: Carolyn Brandt, Ron Haydock, Tito Moede e Bob Burns no papel de Kogar.

Grupo de vagabundos (George Caldwell, Mike Kannon e James Bowie) persegue mulheres para se divertir nos dias de tédio. Ao receberem a nova lista telefônica escolhem aleatoriamente sua nova vítima: Cee Bee Beaumont (Carolyn Brandt), namorada do lendário cantor Lonnie Lord (Ron Haydock) que é um zé-ruela que sempre carrega seu violão por onde vai. Depois de uma perseguição compridíssima, que não vai prá lugar nenhum mas foi filmado de uma maneira tão débil por Steckler que se torna interessante, Cee Bee começa a receber várias ligações obscenas dos vagabundos até que um dia fica tão nervosa que sai correndo de casa (!!??) e é raptada. Porque raios alguém que está seguro dentro de casa, cercado de amigos, sai correndo prá rua após um telefonema ameaçador só deve fazer sentido na cabeça de Ray Dennis Steckler. Assim Lonnie Lord, com ajuda do jardineiro de sua namorada (Tito Moede), larga o violão e se torna Rat Pfink (e o jardineiro se torna Boo Boo), super-heróis bagaceiros que vão defender as namoradas inocentes do mundo do crime e o american way of life. Com sua moto do medo os heróis vão atrás dos bandidos e, após a luta mais monga da história do cinema (um dos bandidos chega a ser algemado no corrimão de madeira podre de uma escada), salvam Cee Bee que, olha que coisa divertida, é raptada novamente pelo gorila Kogar (diz a lenda que interpretado por Bob Burns). No final tudo se resolve e nossos heróis participam de um desfile de 04 de julho e cantam e dançam alegres na praia. Genial!!!

Acreditem, este filme do lendário Ray Dennis Steckler é uma das tranqueiras amadoras mais divertidas que já assisti. “Rat Pfink A Boo Boo” era para ser, inicialmente, um drama inspirado numa série de telefonemas obscenos que a mulher de Ray, Carolyn Brandt (isso mesmo, a mocinha do filme), estava recebendo. O título iria ser “The Depraved”, mas como acho que Ray Dennis Steckler sempre teve noção das ruindades que fazia, durante a produção do filme ele introduziu a dupla de heróis palermas inspirados no hilário programa de TV “Batman” (com Adam West e Burt Ward, o único Batman decente já surgido, prá mim claro, que odeio super-heróis). Inclusive o título do filme é um erro: Era para se chamar “Rat Pfink And Boo Boo”, mas provavelmente na hora do artista criar o título cometeu o erro que tornou “and” em “a” e, como Ray Dennis não tinha 50 dólares para corrigir o erro, ficou assim mesmo. Segundo o diretor, o título foi escolhido depois que uma menina que aparece no filme ficava cantando “Rat Pfink a Boo Boo, Rat Pfink a Boo Boo” na cena pouco antes de Cee Bee ser raptada, mas prefiro a história do erro gráfico, é mais a cara do picareta Ray.

O diretor Ray Dennis Steckler (também conhecido pelos pseudônimos de Cash Flagg, Sven Christian, Sven Hellstrom, Harry Nixon, Michael J. Rogers, Michel J. Rogers, Wolfgang Schmidt, Cindy Lou Steckler e Cindy Lou Sutters) foi uma lenda da indústria do cinema de baixo orçamento americano. Em 1963 realizou seu primeiro filme independente, o cult-movie “The Incredibly Strange Creatures Who Stopped Living and Became Mixed-Up Zombies”, que foi filmado com 38 mil dólares e tem a curiosidade de trazer como operadores de câmera, ambos na época auxiliares do diretor de fotografia Joseph V. Mascelli, László Kovács (que poucos anos depois fez a fotográfia de “Easy Rider” e ganhou vários prêmios) e Vilmos Zsigmond (ganhador do oscar de fotográfia por “Close Encounters of the Third Kind” de Steven Spielberg). Após inúmeros filmes de baixo orçamento (todos divertidos e caras-de-pau) para exibição em Drive-Ins, Ray Dennis começou a fazer pornôs, como “Mad Love Life for a Hot Vampire” (1971), “Red Heat” (1974), “Fire Down Below” (1974), “Plato’s Retreat West” (1983), “Weekend Cowgirls” (1983), entre vários outros. Steckler também tinha o costume de comprar filmes abandonados de outros diretores e remontá-los adicionando seu material, fez isso com Fred Olen Ray – que havia filmado algumas cenas para impressionar investidores – num filme que se tornou “Devil Master” (1978).

Em “Rat Pfink A Boo Boo”, Ron Haydock (que era ator regular nos filmes de Ray Dennis Steckler e tinha uma banda chamada “Ron Haydock and the Boppers” onde muitas vezes foi comparado à Elvis Presley, sem a parte do sucesso junto) canta 4 canções: “I Stand Alone”, “You Is a Rat Pfink”, “Runnin’Wild” e “Go Go Party”, todas muito boas. Outro nome cult que aparece nos créditos de “Rat Pfink a Boo Boo” é o de Herb Robins como diretor de segunda unidade. Prá quem não sabe quem é Herb Robins basta dizer que ele é o diretor do clássico do mau gosto “The Worm Eaters” (1977) onde as pessoas se divertem saboreando deliciosos sanduiches, sorvetes e tortas de… Minhocas! (ele ainda dirigiu outro filme, “The Brainsucker”, em 1988). Herb era um ator habitual nas produções de Ray Dennis Steckler, interpretou nos filmes “The Thrill Killers” (1964), “Lemon Grove Kids Meets the Monsters” (1965, filme em episódios que Ray cometeu em parceria com Peter Balakoff e Ed McWatters), “Body Fever” (1969), “Shinthia: The Devil’s Doll” (1970) e “Summer of Fun” (1997). A carreira de ator de Herb Robins era esporádica, mas participou de inúmeros filmes clássicos, como: “Invasion of the Bee Girls” (1973) de Denis Sanders, “The Doll Squad” (1973) de Ted V. Mikels, “Thomasine and Bushrod” (1974) blaxploitation de Gordon Parks Jr., “Convoy” (1978) de Sam Peckimpah, “The Funhouse” (1981) de Tobe Hooper e “House Made of Dawn” (1987) de Richardson Morse. Nada mal para um comedor de minhocas.

O crítico de cinema Jerry Saravia, sem senso de humor nenhum como a maioria destes profissionais inúteis, disse sobre “Rat Pfink a Boo Boo”: “O filme é ruim e não tem nada para oferecer, parece ter sido feito por uma criança de 8 anos de idade em seu próprio quintal!”. Mas “Rat Pfink a Boo Boo” oferece 67 minutos de pura diversão escapista, é um filme para pessoas sonhadoras (como Ray Dennis Steckler o foi ao tentar sobreviver de fazer filmes nos U.S.A.) e não para críticos de cinema chatos e mal amados.

por Petter Baiestorf.

Musas da Boca: Aldine Müller

Posted in Arte e Cultura, Arte Erótica, Cinema, erótico with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on dezembro 19, 2011 by canibuk

Filha de pai italiano e mãe portuguesa, Aldine Rodrigues Raspini nasceu em Portugal em 1953. Veio para o Brasil aos dois anos passando a morar com a família no Rio Grande do Sul, foi rainha da Festa da Uva de Caxias do Sul e trabalhou em Porto Alegre. Com 18 anos foi para São Paulo e se consagrou como modelo. Começou no cinema em 1974 pelas mãos do esperto Cláudio Cunha (que também estreava na direção). Graças ao seu rosto lindo, corpo perfeito e jeito expontâneo logo se transformou em um das rainhas da pornochanchada. Mesmo trabalhando na Boca do Lixo, sempre soube escolher seus trabalhos e foi requisitada por bons diretores, como Carlos Reichenbach, Walter Hugo Khoury, John Doo, Ody Fraga ou Jean Garrett (José Antônio Nunes Gomes e Silva, 1947-1996), também nascido em Portugal e com quem ela foi casada no começo dos anos de 1980. Seu talento dramático, aliado a sua facilidade em tirar a roupa, a levou a aparecer em diversos filmes de cunho fantástico, o que lhe concederia o título de Scream Queen ou Femme Fatale nacional, se aqui se valorizasse o gênero. Seu filme “Boneca Cobiçada” (1981) entrou para a história pela primeira (embora rápida e enxertada) cena de sexo explícito liberada pela censura. Foi exatamente o advento dos filmes pornôs que a levaram a diminuir o ritmo de trabalho no cinema e a se dedicar a TV onde trabalhou em inúmeras novelas (argh!) e programas de humor (aarghhh!), principalmente na Globo (AARRGHHH!!!). A bela Aldine continua ativa no teatro, ministra cursos de interpretação e, no ano 2000 (com quase 50 anos e já sendo avó), apareceu peladinha na revista Sexy número 245, mostrando que continua ousada, dona de si e um dos grandes tesões nacionais!

por Coffin Souza.

Filmografia Básica:

1974- “O Clube das Infiéis” de Cláudio Cunha; 1976- “A Ilha das Cangaceiras Virgens” de Roberto Mauro, “Pesadelo Sexual de uma Virgem” de Roberto Mauro; 1977- “Paixão e Sombras” de Walter Hugo Khoury, “19 Mulheres e Um Homem” de David Cardoso, “Bem Dotado – O Homem de Itú” de José Miziara; 1978- “Ninfas Diabólicas” de John Doo, “O Estripador de Mulheres” de Juan Bajon, “Os Galhos do Casamento” de Sergio Segall, “A Força dos Sentidos” de Jean Garrett, “Império dos Sentidos” de Carlos Reichenbach; 1979- “Os Imorais” de Geraldo Vietri, “Nos Tempos da Vaselina” de José Miziara, “O Prisioneiro do Sexo” de Walter Hugo Khoury, “Colegiais e Lições de Sexo” de Juan Bajon, “A Mulher que Inventou o Amor” de Jean Garrett; 1980- “A Fêmea do Mar” de Ody Fraga, “Convite ao Prazer” de Walter Hugo Khoury, “O Fotográfo” de Jean Garrett, “Bacanal” de Antonio Meliande; 1981- “Boneca Cobiçada” de Raffaele Rossi; 1983- “Excitação Diabólica” de John Doo, “Shock” de Jair Correa, “Força Estranha” de Pedro Mawashe.

Posted in Literatura with tags , , , , , , , on dezembro 18, 2011 by canibuk

Não fui, na infância, como os outros

e nunca vi como os outros viam.

Minhas paixões eu não podia

tirar de fonte igual à deles;

e era outra a origem da tristeza,

e era outro o canto, que acordava

o coração para a alegria.

Tudo o que amei, amei sozinho.

Assim, na minha infância, na alba

da tormentosa vida, ergueu-se,

no bem, no mal, de cada abismo,

a encadear-me, o meu mistério.

Veio dos rios, veio da fonte,

da rubra escarpa da montanha,

do sol, que todo me envolvia

em outonais clarões dourados;

e dos relampagos vermelhos

que o céu inteiro incendiavam;

e do trovão, da tempestade,

daquela nuvem que se alteava,

só, no amplo azul do céu puríssimo,

como um demônio, ante meus olhos.

poesia de Edgar Allan Poe.

(do livro “Poesia & Prosa: Obras Escolhidas de Edgar Allan Poe”, clássicos de bolso da Editora Águia de Ouro, tradução de Oscar Mendes e Milton Amado, com biográfia de Poe por Hervey Allen e um estudo crítico da obra de Poe por Charles Baudelaire. Foi com este livro, lá por 1984 – não faço idéia do ano de publicação desta coleção de bolso porque no próprio livro não diz – que tomei contato com praticamente toda a obra de Edgar Allan Poe, eram 665 páginas de novelas, contos, colóquios, poemas, ensaios e “Eureka” na íntegra, tudo neste único livro. Sou sincero quando afirmo que as crianças do passado eram mais felizes).

20 Million Miles to Earth

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , on dezembro 16, 2011 by canibuk

“20 Million Miles to Earth” (“A 20 Milhões de Milhas da Terra”, 1957, 82 minutos) de Nathan Juran. Animação de stop motion de Ray Harryhausen. Com: William Hopper e Joan Taylor.

Incrível como nos dias de hoje os estúdios de cinema gastam mais de 100 milhões de dólares numa produção repleta de clichês (qualquer mega-produção atual, pode escolher a melhor de todas) e essa nova produção não vai chegar nem à altura das frieiras dos pés deste clássico da sci-fi, “20 Million Miles to Earth”, que conta a históriada primeira expedição interplanetária que, após ter explorado Vênus com sucesso, cai no Mediterrâneo (pertinho da Sicília, Itália) e dois tripulantes são salvos por pescadores. Um dos tripulantes sobrevive e precisa localizar o espécime que eles haviam trazido de Vênus, Ymir (que ainda na qualidade de ovo é encontrado por um esperto moleque), uma espécie de réptil venusiano que rapidamente cresce, se tornando um ameaçador gigante que é perseguido pelo exército americano (com ajudinha do atrapalhado exército italiano).

O grande responsável pela personalidade (e criação) da criatura venusiana Ymir (nome pelo qual a criatura não é chamada nenhuma vez durante o filme porque os produtores achavam que “Ymir” poderia ser confundido com a palavra árabe “emir”) é o animador de stop motion Ray Harryhausen, que se inspirou no “King Kong” original (1933), com efeitos de animação de Willis H. O’Brien, para dar vida ao simpático réptil de vênus. Impossível não torcer o tempo todo pelo monstrengo que, acuado pelos terráqueos, é muito mais humano e cheio de sentimento do que os militares que aparecem no filme (claro que militar é treinado para ser desumano sempre).

(Cartaz cortesia do Museu Coffin Souza).

As filmagens de “20 Million Miles to Earth” (filmado com o título provisório de “The Giant Ymir” e depois lançado também com o título “The Beast From Space”) aconteceram em Roma, Itália, porque Harryhausen queria férias por lá. Harryhausen também queria rodar a produção em cores, mas o baixo orçamento não permitiu e o filme foi feito com negativos em preto e branco. Em 2007 o próprio Ray Harryhausen foi o consultor de cores na restauração/colorização do clássico “20 Million Miles to Earth” magnificamente feita pela empresa Legend Films e que já foi lançada, em DVD duplo, aqui no Brasil pela Sony Pictures. No disco 1 tem a versão original em preto e branco e a versão colorizada (onde finalmente vemos Ymir verde) e faixa de comentários em áudio; já no disco 2 são vários extras: “Relembrando 20 Milhões de Milhas da Terra”, “O Processo de Colorização”, entrevista com a atriz Joan Taylor, livro 20 Milhões de Milhas daTerra, galerias de imagens com fotos de arte, produção e do trabalho de Harryhausen e uma entrevista onde o mala do Tim Burton baba o ovo do gênio Ray Harryhausen. O DVD já foi lançado vários anos atrás, comprei o meu naquela época, mas acho que ainda é possível encontrá-lo (junto de “20 Million Miles to Earth”, foram também lançados aqui no Brasil “It Came from Beneath the Sea/O Monstro do Mar Revolto” e “Earth Vs. Flying Saucers/A Invasão dos Discos Voadores”, ambos com efeitos de animação de Harryhausen e em edições duplas cheias de extras).

Nathan Juran, o diretor do filme, foi um expert do cinema de sci-fi e fantasia americano, com vários clássicos na manga, como: “The Brain from Planet Arous” (1957), “Attack of the 50 Foot Woman” (1958), “The 7th Voyage of Sinbad” (1958), “Jack the Giant Killer” (1962), “First Man in the Moon” (1964), entre vários outros (incluíndo muitos episódios de séries de TV, como “Voyage to the Bottom of the Sea”, “The Time Tunnel” e “Lost in Space”).

O Papa-Figo

Posted in Quadrinhos with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on dezembro 15, 2011 by canibuk

Na “Spektro” número 13 (dezembro de 1979) foi publicada a HQ “O Papa-Figo” (corruptela de Papa-Fígado), escrita e desenhada pelo Mano, que contava a história desta interessante criatura do folclore brasileiro, também conhecida pela alcunha de “Velho do Saco”, que no cinema nacional fez uma macabra aparição no longa-metragem “A Noite do Chupacabras” (2011) de Rodrigo Aragão, magnificamente interpretada pelo gaúcho Cristian Verardi.