Freaks no Cinema parte 1: Monstros sem Máscaras

A maquiagem especial é sem duvida a porção maior na criação dos monstros cinematográficos do cinema fantástico. Os atores, ou extras que interpretam estas criaturas utilizam uma variedade de métodos (de algodão e tintas, passando por papier maché, látex líquido, até os atuais efeitos digitais) para ajudá-los a externar o horror de seus personagens incomuns. Mas como toda regra tem sua exceção, alguns atores, que se nascessem em séculos passados não passariam de curiosidades em circos, conseguiram com apenas alguns retoques ou adereços criar monstros lendários, apenas realçando suas deformações naturais.

RONDO HATTON – Nasceu em Abril de 1894 em Maryland, EUA. Foi um jovem comum e inteligente, conhecido na High School por ser um ótimo escritor, publicando textos nos jornais de Tampa, Florida, para aonde se mudou aos 18 anos. Alto e de porte atlético, se interessava por esportes, principalmente Futebol americano, onde fazia sucesso com as garotas. Começou a faculdade, mas se alistou na Guarda Nacional, indo lutar na França durante a primeira Grande Guerra. Em uma batalha nos arredores de Paris, foi atingido por gás venenoso alemão e sobreviveu após longo período de internação. Deu baixa e retornou a América com uma grave seqüela: Acromegalia, uma rara doença que atinge a glândula Pituitária, agigantando rapidamente os ossos da cabeça e dos membros. Formou-se e passou a trabalhar como jornalista no jornal The Tampa Tribune. Em 1930, o diretor King Vidor rodou uma produção em Tampa, e impressionado pelo rosto anormal de Rondo, o convenceu a fazer uma ponta como segurança de um bar portuário em “Hell Harbor”, uma história de piratas. Sua figura impressionou os executivos de Hollywood, e ele se mudou para lá com sua esposa Mabel. Rondo fez figuração e pontas em dezenas de filmes, mostrando bem seu rosto na famosa cena do Festival dos Bobos na versão de 1939 de “The Hunchback of Notre Dame” (O Corcunda de Notre Dame) de William Dieterle com Charles Laughton. A grande virada em sua carreira só aconteceria em 1944, quando a Universal Films o escalou para viver o vilão Oxton Creeper, inimigo de Sherlock Holmes em “The Pearl of Death” (1944) de Roy William Neill com Basil Rathbone como o lendário detetive britânico. Apesar do personagem “esmagador de colunas” morrer no final da aventura, a reação muito positiva do público com a figura monstruosa levou a produtora a lhe arrumar novos papéis do gênero, passando a promovê-lo como “The Creeper”. Depois de seu ciclo clássico de filmes de horror, onde seus astros como Boris Karloff, Bela Lugosi ou Lon Chaney Jr. passavam horas na cadeira de maquiagem, tendo implicadas e dispendiosas aplicações feitas pelo mestre Jack Pierce, um ator barato e com uma aparência naturalmente grotesca, era um achado. ”Jungle Captive” (1944)de Harold Young, a segunda continuação de “Captive Wild Woman”, um sucesso classe “B” de 1943, trás Rondo Hatton como Moloch, o Bruto, assistente do cientista louco (Otto Kruger), que trás de volta a vida a sofrida mulher-macaco Paula Dupree (Vicky Lane). Ironicamente, a ótima maquiagem da mulher-macaco e sua transformação foram feitas por Jack Pierce, em seu último trabalho para a Universal, mas o destaque ficou novamente para a presença de Hatton. No seriado de 13 partes “Royal Mounted Rides Again” (1945), Rondo recebeu uma participação meramente “decorativa”. Seu personagem Moose, guarda-costas do vilão, passa capítulo após capítulo sentado em uma cadeira atrás de seu patrão, imóvel e calado. Quando finalmente o bandido está para ser preso, Moose recebe a ordem para agir, mas o herói lhe dá um tiro certeiro e ele morre sem se levantar. Gale Sondergaard, estrela da aventura “Sherlock Holmes and the Spider Woman” (1944) foi reunida com Hatton no terror “The Spider Woman Strikes Back” (1946) de Arthur Lubin. Apesar do título e da presença dos dois, não era uma continuação, mas a história da sinistra Zenobia, que alimenta uma planta exótica com sangue de belas jovens. Hatton vive Mario Murdock, o assistente da vilã, que se faz passar por cega. No final os dois sucumbem a um incêndio na mansão e Mario em agonia é morto com um tiro. Não contando mais com nenhum de seus astros de terror, a Universal promove largamente Rondo Hatton como estrela de “House of Horrors” (1946) de Jean Yarbrough. Marcel (Martin Kosleck) um jovem escultor enlouquecido, salva um homem enorme e deformado de se afogar. Torna-se seu amigo e esculpe um busto com sua figura peculiar. Descobre que o homem é na verdade um assassino psicopata procurado conhecido como… ”The Creeper” e passa a usá-lo para matar vários inimigos. Quando recebe a ordem de eliminar uma bela repórter que descobrira toda a trama, revolta-se e esmaga a coluna de Marcel, sendo alvejado novamente por um tiro. Seu último filme foi “The Brute Man” (1946) de Jean Yarbrough, sobre um jovem estudante de química, que fica deformado após uma explosão com ácido em um laboratório. Louco, torna-se um assassino, liquidando as pessoas que achava responsáveis pelo acidente. Por razões desconhecidas a Universal resolveu não lançar o filme, que foi comprado pela companhia independente PRC (Producer’s Releasing Corp.) que o divulgou com a chamativa frase publicitária “his brain cried Kill! Kill! Kill!”. Em novembro de 1946, Hatton estava em casa, tomando um banho, quando sua esposa ouviu um ruído estranho foi ao banheiro encontrando-o caído na banheira. Um ataque cardíaco provocado pelo agravamento de sua doença tirara a vida do gigante-assustador, que gostava de presentear os vizinhos com folhagens que ele plantava, e costumava visitar adultos e crianças vítimas de acidentes e mutilações para confortá-las com sua experiência de vida. Rondo Hatton virou uma figura Cult e ímpar no cinema “B”.

TOR JOHNSON – Nascido Karl Oscar Tor Johansson em outubro de 1903 na Suiça, mudou-se para os EUA durante os anos 30 para se tornar um lutador profissional de sucesso. Apesar de não ter nenhum tipo de deformação, Tor logo chamou a atenção dos estúdios de cinema por seu tipo físico: 1,91 m de altura, 200Kg de músculos e gordura e um rosto naturalmente expressivo com sua cabeça continuamente raspada (tinha cabelos loiros) que o transformavam na imagem de uma verdadeira ameaça ambulante. Foi campeão de luta livre com seu nome americanizado e também como “Super Swedish Angel”, “King Kong” e outros pseudônimos, alternando sua carreira nos ringues com pontas no cinema. Seu tipo físico e a cabeça raspada serviram de piada para diversas comédias como “Kid Millions” (1934) com Eddie Cantor; “Ghost Catchers” (1944) com a dupla Olson & Jonson; “Road To Rio” (1947) e “Lemon Drop Kid” (1951) com Bob Hope; “Lost in a Harem” (1944) e “Abbott and Costello In the Foreign Legion (1950) com a dupla de humoristas e “You’re Never Too Young” (O Meninão, 1955) com Jerry Lewis. Seu personagem mais marcante nesta primeira fase foi em “Behind Closed Doors” (1948) de Oscar Boetticher, um policial-noir onde vivia um maníaco homicida preso em um hospício e que é utilizado pelos administradores do local como instrumento de vingança contra seus inimigos. O filme foi relançado nos anos 50 como “Human Gorilla” fazendo referência direta ao personagem de Tor, além de ter sido refilmado para a série de TV “Petter Gunn” (1960) com o próprio reprisando seu papel. Sua entrada para o cinema de horror foi através da produção classe Z “Bride of the Monster” (1955) de Ed Wood Jr. com Bela Lugosi onde viveu pela primeira vez o personagem Lobo, um gigante deformado com cérebro infantil criado por uma experiência com energia atômica. Rodado em poucos dias, utilizando cenários de papelão e objetos de cena roubados de um estúdio, o filme que originalmente se chamava “Bride of the Atom”, é hoje um Cult Movie exatamente por suas deficiências e pelo esforço denotado na produção, fruto da paixão legítima de Ed Wood pelo cinema. Também marcou Tor com seu personagem e sua associação com a dupla Ed Wood/Lugosi. Seu próximo filme foi “The Black Sleep” (A Torre dos Monstros, 1956) de Reginald Le Borg, onde viveu Curry, um gigante-cego e retardado, que vive acorrentado, fruto das experiências do Dr.Cadman (Basil Rathbone). O elenco tipo All-stars do terror incluía Bela Lugosi (Casmir), Lon Chaney Jr. (Mongo), John Carradine (Borg) e Akim Tamiroff (Otto) todos como personagens lobotomizados pelo cientista louco. “Plan Nine from Outer Space” (1957) de Ed Wood Jr., dispensa apresentações e traz Tor Johnson e Bela Lugosi no elenco, apesar de nunca contracenarem de verdade. Lugosi havia rodado algumas poucas cenas para um filme de vampiro de Wood, quando faleceu. Elas foram editadas e um dublê com o rosto coberto substitui o lendário Drácula do cinema para o restante da história de pessoas revividas como zumbis por alienígenas afeminados. Tor inicia o filme como um inspetor de polícia, mas depois de ser morto volta como zumbi, e são clássicas suas cenas circulando nas névoas de um cemitério acompanhado de Vampira (Maila Nurmi, ex-apresentadora de um programa de terror na TV)… Ícones do cinema Trash! Em um dos últimos filmes da lendária produtora “B” Republic Pictures, “The Unearthly” (na TV “O Extraordinário”, 1957) de Brook L.Peters, Tor Johnson voltaria ao seu personagem Lobo, agora como fruto das experiências do cientista louco vivido por John Carradine. No final do filme Lobo ajuda a mocinha a escapar de vários mutantes deformados que o cientista escondia no porão, entre eles, em destaque o jovem Carl Johnson, filho de Tor com uma maquiagem pesada feita por Harry Thomas. Em 1959 Tor repete novamente o papel em “Night of the Ghouls” de Ed Wood, uma espécie de continuação amalucada de “Bride of the Monster”. Desta vez Lobo é ressuscitado com metade de seu rosto deformado e se vê em meio a uma trama de um médium falso e dois fantasmas verdadeiros. Apesar de pronto o filme nunca foi lançado, e somente saiu em vídeo (legalmente) em 1984. O último filme de terror do grande Tor, e o único em que foi o ator principal, foi “The Beast of Yucca Flats” (1961) de Coleman Francis. Um cientista russo (Tor) é atingido por uma explosão atômica e se transforma… num assassino brutamontes,deformado e sem cérebro… é claro! Segundo Conrad Brooks (seu amigo e colega neste e em outros filmes), Tor teria recebido aqui um de seus piores cachês, fazendo o papel principal por apenas U$ 300,00! O filme não tem diálogos, mas um narrador que alterna abobrinhas filosóficas (ao estilo WoodJr./Mojica Marins) com simples descrições do que se passa na tela. Johnson tinha problemas com a bebida e tinha que ser muitas vezes carregado (leia-se rebocado) até o local das filmagens, em cima de uma colina. Um jornal sensacionalista publicou na época a história que o magrelo ator Larry Aten (que morreu de ataque cardíaco durante as filmagens) teria sido esmagado por Tor durante uma cena de luta… Tor Johnson passou a se dedicar a apresentações ao vivo (revivendo Lobo), programas e propagandas para a TV e em 1965 participou de uma campanha publicitária para promover o lançamento de uma máscara de látex com seu rosto, criada pelos estúdios Don Post, que se transformaria num dos maiores sucessos de venda nas festas de Halloween, sendo fabricada até hoje. Sofrendo de sérios problemas cardíacos, o chamado “Gigante Gentil” foi obrigado a se aposentar e faleceu em maio de 1971, deixando sua esposa Greta, seu filho Carl, policial e ator esporádico e uma legião de fãs e amigos…

REGGIE NALDER – Alfred Reginald Nattzick nasceu em Viena, Áustria em 1907. Era filho de artistas de Cabaret e mais tarde seguiu a vocação dos pais e estudou teatro e dança, fazendo algum sucesso em comédias musicais. Um terrível acidente que ele nunca explicou, acontecido nos anos 30, deformou seu rosto, fazendo-o parecer uma caveira viva. Séria ameaça para alguém com pretensões artísticas, mas Nalder não desistiu e acabou se envolvendo com o cinema fazendo algumas pontas. O mestre Alfred Hitchcock descobriu aquele rosto ímpar e o colocou como um sinistro e frio assassino em “The Man Who Knew Too Much” (O Homem que Sabia Demais, 1955). Logo ele seria o vilão permanente em filmes como “Liane, The Jungle Goddess” (1956) ou “The Manchurian Candidate” (1962) ou séries de TV: “Thriller”; “Star Trek” (Jornada nas Estrelas), “Wild,Wild West” (James West) ou “Battlestar Gallactica”. O futuro Maestro do Giallo, Dario Argento, o escalou pra uma ponta importante em seu primeiro longa metragem “L’Uccelo Dalle Piume Di Cristallo” (O Pássaro da Plumas de Cristal, 1970). No mesmo ano Nalder viajou para Munich (Alemanha), para representar Albino, um sádico caçador de bruxas num dos mais violentos filmes da época “Brenn Hexen Brenn” (Mark of the Devil, 1970), escrito pelo crítico inglês Michael Armstrong, que co-dirigiu com o produtor de filmes eróticos Adrian Hoven. Ao ser lançado com grande publicidade (que incluía sugestivos sacos-de-vômito personalizados distribuídos nas portas dos cinemas), foi um sucesso polêmico e instantâneo. Apesar de seu personagem morrer antes do final do filme, ele estava escalado para a continuação “Hexen-Geschander Und Tode Gequalt” (Mark of the devil II, 1971) de Adrian Hoven, onde recebeu outro papel sádico e repulsivo, numa produção que alardeava ter sido “Proibida em mais de nove países!”. Em uma série de participações na TV americana, ele foi um zumbi no telefilme “The Dead Don’t Die” (Os Mortos Não Morrem, 1975) de Curtis Harrington; o mordomo mudo do Drácula de John Carradine em “McLound Meets Dracula” (na série Os Detetives, 1975) e um nazista em “Fantasy Island” (A Ilha da Fantasia). Uma pequena ponta em “Io Casanova di Frederico Fellini” (Casanova de Fellini, 1976) marcou o fim de sua carreira na Europa. Na estréia do prolífico produtor/diretor Charles Band como realizador, “Crash!” (Crash, o Ídolo do Mal, 1977), Nalder esteve bem acompanhado dos veteranos John Carradine e José Ferrer em uma aventura de terror barata e absurda. Reggie foi novamente um servo de Drácula no trash “Dracula’s Dog” (Zoltan, o Cão Vampiro de Drácula”, 1978) de Albert Band, servindo ao seu amo (Michael Pataki) e também ao cachorro sanguessuga do título. Numa das únicas vezes que utilizou maquiagem pesada, Reggie Nalder foi o nosferático vampiro Mr. Barlow na mini-série “Salem’s Lot” (A Hora do Vampiro/A Mansão Marsten, CBS-TV 1979) de Tobe Hooper. O papel do eterno caçador de vampiros Dr.Van Helsing poderia parecer estranho se vivido por Nalder, mas foi ele e seu rosto peculiar (com o pseudônimo de Datlef Van Berg) que participou da versão pornô “Dracula Sucks” (Drácula Chupa,1979) de Phil Marshak. Nesta paródia com ótima produção, o conde vampiro (aqui bem menos interessado em sangue) foi Jamie Gillis, secundado por um elenco pornô-all-star: Annette Haven, John Leslie ,Serena, John Holmes ,Paul Thomas… e Reggie não tem cenas de sexo. Passando de um pornô, à Disney, Nalder fez o papel de um demônio na comédia fantástica “The Devil and Max Devlin”(1981) de Steven Stern com Bill Cosby e Elliot Gould e de volta ao hard core viveu um general nazista que quer escravizar a humanidade através do sexo em “Blue Ice” (1985) de Phil Marshark. Doente, Reggie Nalder se aposentou e só faria uma participação como um conquistador germânico em “Jericó” (1992), lançado um ano após a sua morte ocasionada por um câncer. Sobre sua aparência disse uma vez a um jornalista: “Eu acho que eu não pareço com Gary Cooper ou Clark Gable, eu me vejo como um tipo de Monstro…”.

MICHAEL BERRYMAN – “criança de Marte” certamente não é um apelido agradável para se receber nos primeiros anos de escola, mas era assim que o jovem Michael Berryman era conhecido por seus colegas. Nascido em Setembro de 1948 em Los Angeles, com uma rara deformação, em que a cartilagem do crânio é fundida e não deixa o cérebro crescer. Inicialmente cego, foi submetido a mais de 300 (!) operações cirúrgicas que lhe restituíram a visão e o permitiram viver, apesar de muitas seqüelas. Michael tem quase dois metros de altura, uma cabeça enorme espichada, não possui pêlos, dentes naturais, nem unhas e suas glândulas sudoríparas não funcionam, portanto tem sérios problemas com o calor e com a poluição. Mesmo assim, graças a sua família (seu pai é um famoso neurocirurgião) teve uma vida relativamente normal e se formou em Ciências políticas e Artes. Trabalhava como atendente em uma floricultura quando sua aparência exótica chamou a atenção do filho do diretor/produtor George Pal e foi escalado para uma pequena ponta na aventura “Doc Savage: The Man of Bronze” (Doc Savage, O Homem de Bronze, 1975) de Michael Anderson, uma aventura camp fantástica, baseada num personagem da Pulp Fiction, vivido aqui pelo ex-Tarzan televisivo Ron Ely. Em seguida juntou-se ao elenco do sucesso “One Flew Over The Cucoo’s Nest” (Um estranho no Ninho, 1975) de Milos Forman, como um dos doentes mentais, colegas de Jack Nicholson em um sanatório (outros novatos deste elenco foram revelados aqui e se tornaram muito conhecidos, como Danny DeVitto, Christopher Lloyd e Brad Douriff). Seu próximo trabalho também foi uma tortura para sua condição física, “The Hills Have Eyes” (Quadrilha de Sádicos, 1977) de Wes Craven, foi totalmente filmado no deserto americano, com uma temperatura média acima dos 45 graus. Apesar das dificuldades, Michael trabalhou duro e deu vida ao personagem Pluto, um dos mutantes-canibais que aterrorizam uma família em férias. Seu rosto peculiar foi o principal destaque do cartaz e fotos de divulgação do filme e rodaram o mundo. Craven o escalou outras vezes em “Deadly Blessing” (Benção Mortal, 1981); “The Hills Have Eyes 2” ( Quadrilha de Sádicos 2, 1983), novamente como o demente Pluto e em “Invitation to Hell” (Convite para o Inferno, 1984), todos grandes fracassos. Sua filmografia daí por diante é bastante intensa, com uma média de cinco filmes por ano, que vão de comédias fantásticas adolescentes como “Weird Science” (Mulher Nota Mil, 1985) de John Hughes ; “My Science Project” (1985) de Jonathan Betuel ou “Saturday the 14th Strikes Back” (Sábado 14 – Reunião Infernal, 1988) de Howard Cohen; passando por série s de TV como “Alf o ETeimoso”; “O Homem Que Veio do Céu”; “Jornada nas estrelas- A Nova Geração”; “Tales From the Crypt” e “Arquivo X”. Michael teve destaque nos filmes do diretor italiano Ruggero Deodato “Inferno in Diretta” (Cut and Run, 1985), onde viveu o sádico guerrilheiro Quecho e “Barbarians & Co.” (Os Bárbaros, 1987) como o feiticeiro Dirty Master e em uma série de trashs de seu diretor favorito Fred Olen Ray: “Armed Response”( Resposta Armada, 1986); Haunting Fear” (Síndrome do Medo, 1989); “Evil Spirits” (1990); “Teenage Exorcist” (Essa Mulher é o Demônio, 1991) e “Wizards of the Demon Sword” (1991). Apaixonado por motocicletas, fã de Rock (participou de clips de Motley Crue e Dan Reed Band), pacifista e ecologista, Berryman passou a morar na reserva ecológica Wolf Mountain (Utah, EUA), longe da poluição e ajudando a preservar uma matilha de lobos de uma raça quase extinta, continuando ativo na TV e em produções independentes mas diminuindo seu ritmo de trabalho. Em 2005 fez uma participação especial em “The Devil’s Reject” (Rejeitados pelo Diabo) de Rob Zombie junto com outras figurinhas carimbadas do gênero. Um de seus melhores papéis recentes está em uma produção independente de terror bem fraca “Brutal” (2007) de Ethan Wiley. Berryman faz Leroy, um treinador de cães, autista e gênio matemático, que auxilia a heroína (Sarah Thompson) a desvendar uma série de assassinatos. Nada de monstruoso ou sádico, um personagem humano, sensível e apaixonado por animais, como a próprio ator. Em outro Psycho-Killer , “Beg” (2010) de Kevin Mc Donald, Michael aparece Junto com Tonny Todd e com a maravilhosa Deddie Rochon, além de ser um dos produtores associados. Um de seus últimos filmes a estrear foi “Cut” (2011) de Joe Hollow e Wolfgang Meyer sobre uma… família disfuncional de assassinos! Mas o incansável Michael “Pluto” Berryman está no elenco de pelo menos 6 ou sete filmes em produção ou pré-produção para 2012 e 2013… Longa vida “Criança de Marte”!

ROBERT Z’DAR – Assim como Tor Johnson, Robert Z’Dar não sofreu de nenhuma doença ou acidente, mas sua aparência incomum o levaram ao cinema. Robert J. Zdarsky, nascido em Chicago em 1950, recebeu o bacharelado em artes pela Arizona State University e foi músico profissional (vocalista, guitarrista e tecladista), compositor de jingles, dançarino e policial! Mas com seu 1,90cm de altura, corpulento e com seu rosto enorme, emoldurado com um queixo gigantesco o tornam o típico personagem ameaçador, agressivo e imbatível de filmes policiais ou dramas de horror. Com o nome artístico de Robert Darcy, ele foi um abusivo guarda de um presídio feminino em “Hellhole” (1985); um segurança particular na série “A Gata e o Rato” (1985) e o vilão Shigaru no drama de ação e vingança “Code Name: Zebra” (1986). Seu primeiro contato com filmes de terror foi como o psicopata assassino de prostitutas em “The Night Stalker” (O Demônio da Noite, 1987) de Max Keven. Fez uma ponta na ficção científica bobona “Cherry 2000” (1987) de Steve De Jarnett com Melanie Griffith e finalmente apareceu sua grande chance ao fazer um teste para um filme escrito e produzido pelo cultuado Larry Cohen. “Maniac Cop” (Maniac Cop – O Exterminador, 1988) de William Lustig, trás Z’Dar pela primeira vez como Matt Cordell, um policial fardado de New York, com tendências assassinas, que é mandado para a prisão onde é severamente mutilado pelos presos. De volta as ruas, com seu uniforme e um rosto desfigurado ele se torna um assassino psicopata indestrutível, que é combatido por Bruce ”Evil Dead” Campbell. Sucesso no mundo inteiro, o filme se transformou em uma série com “Maniac Cop 2” (Maniac Cop 2 – O Vingador, 1990) e “Maniac Cop 3: Badge of Silence”(Maniac Cop 3 – O Distintivo do Silêncio, 1992) ambos de William Lustig e com Z’Dar utilizando uma maquiagem pesada, já que o personagem assume ares de zumbi, ao retornar mais de uma vez da morte. Fora da série, Z’Dar sempre foi um dos preferidos das pequenas produções de terror como “Grotesque”(Grotesk, 1988) de Joe Tornatore com Linda Blair; “Evil Altar” (Altar do Diabo, 1988) de Jim Wilburn, onde viveu um feiticeiro demoníaco; “Samurai Cop” (Um Tira Invencível, 1989) de Amir Shervan; “Soultaker” (Ladrão de Almas, 1990) de Michael Rissi , personificando o anjo da morte; “Beastmaster 2: Trough The Portal Of Time” (Portal do Tempo, 1991) de Sylvio Tabet, onde também Michael Berryman fez uma participação ou o herói de “Return to Frogtown” (A Vingança dos Sapos Assassinos”, 1992 ) de Donald G. Jackson. No cinemão ele é lembrado por ter dado uns bons cascudos em Sylvester Stallone na comédia de ação “Tango e Cash” (1989), onde seu personagem se chamava “The Face”… Robert Z’Dar continua ativo, quer seja em encontros e convenções de terror e cinema fantástico, quer seja em vídeos ultra-baratos como “Guns of El Chupacabra” (1997) de Donald G.Jackson, uma mistura de artes marciais, ficção científica, ação e garotas nuas com estrelas “B” como Julie Strain, Conrad Brooks, Joe Estevez e nosso amigo queixudo como Z-Man, o mestre Invasor Alienígena ; “Future War” (O Grande Dragão do Futuro, 1997) de Anthony Doublin, como o mestre dos cyborgs; ”Zombiegeddon” (2003) de Chris Watson, um filme da Troma onde vive o detetive Bobby e acaba transformando-se em um zumbi; “The Rockville Slayer” (2004) onde faz par com sua amiga Linnea Quigley ou “Vampire Blvd.” (2004) de Scott Shaw com seu parceiro de longa data Joe Estevez. Desde 2002, quando sofreu uma séria fratura nas costas durante uma filmagem, Z’Dar tem se mantido longe das cenas de ação, mas não deixa de mostrar sua famosa “cara simpática”… em todos estes casos, resta dizer que: A Falta de Beleza É Fundamental!!!

escrito e pesquisado por Coffin Souza.

3 Respostas to “Freaks no Cinema parte 1: Monstros sem Máscaras”

  1. […] e qualquer outro problema que se apresentava. Com vocês, as estrelas de “Freaks”, muito mais humanos do que muita gente saudável vegetando por aí na frente de alguma TV ou banco de alguma igreja dos […]

  2. […] na produção do filme “Journey to Freedon”, de Robert C. Dertano, onde conheceu o gigante Tor Johnson que trabalhava como ator e o apresentou ao Ed Wood. No início da década de 1960 Apostolof […]

  3. […] assassinos da KGB vão a Yucca Flats para matar o cientista Joseph Javorsky (Tor Johnson) mal sabiam eles que, tomado pelo desespero, Javorsky fugiria para o deserto e seria contaminado […]

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