Arquivo para fevereiro, 2012

Numa Vizinhança de Assassinos

Posted in Literatura with tags , , , , , , , , , , , on fevereiro 18, 2012 by canibuk

as baratas cospem

clipes de papel

e o helicóptero descreve círculos e mais círculos

em busca de sangue

luzes de busca deslizando furtivas por nosso

quarto

.

5 caras nesta área têm pistolas

outro um

facão

somos todos assassinos e

alcoólatras

mas a coisa é ainda pior no hotel

do outro lado da rua

eles ficam sentados na entrada verde e branca

banais e depravados

esperando para serem institucionalizados

.

aqui cada um de nós tem um pequeno vaso

na janela

e quando brigamos com nossas mulheres às 3 da manhã

falamos

baixinho

e em cada uma das varandas

há um pequeno prato de comida

sempre esvaziados pela manhã

presumimos

pelos

gatos.

por Charles Bukowski.

Ilustração de Robert Crumb.

Undertaker

Posted in Animações, Cinema, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , on fevereiro 17, 2012 by canibuk

“Undertaker” (2008, 6 min.) animação de Claudio Ellovitch.

Com autorização de José Mojica Marins, o animador Claudio Ellovitch realizou o curta “Undertaker”, de forte inspiração no visual expressionista (assim como a antiga série animada de Luiz Nazário, feita em 2001, e que vi os episódios “A Flor do Caos” e “Selenita Acusa!”, não fiquei sabendo de mais episódios foram produzidos depois), Claudio realizou uma ótima mistura entre o estilo de José Mojica marins filmar com o clássico alemão “Das Cabinet des Dr. Caligari” (“O Gabinete do Dr. Caligari”, 1919, de Robert Wiene) para contar a história do coveiro Zé do Caixão que revela horripilantes segredos (não deixe de assistir ao curta que pode ser visto no link abaixo).

x8c129_undertaker-ze-do-caixao-animacao-co_shortfilms

Claudio Ellovitch se formou em comunicação social tendo a oportunidade de, em 2007, ter participado da pré-produção do longa “Encarnação do Demônio” de José Mojica Marins, onde ele pôde apresentar o projeto de “Undertaker” e receber a benção de Mojica. Este curta de Ellovitch chamou atenção e foi exibido em vários festivais de horror como RioFan, FantasPoa e Buenos Aires Rojo Sangre. Em 2008 Claudio também conheceu o quadrinista Eugênio Colonnese e, juntos, estavam trabalhando juntos num projeto live-action da personagem “O Morto do Pântano”, clássica criação de Colonnese nos anos de 1980, quando recebeu a notícia da morte do mestre dos quadrinhos. Mesmo sem Colonnese, Claudio continua trabalhando para trazer para o público este curta-metragem. Após o sucesso de “Undertaker” ele realizou alguns poucos trabalhos (a maioria são experimentações para testar técnicas que ele quer aplicar no filme do “O Morto do Pântano”) e abriu, em 2011, a loja de HQ “O Cara dos Quadrinhos” na galeria do rock em São Paulo. Atualmente ele se dedica à criação de sua primeira graphic novel, “Estranhos Palácios”.

Pink Flamingos e a Arte do Cinema Cor de Rosa Transgressivo

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on fevereiro 16, 2012 by canibuk

“Pink Flamingos” (1972, 108 min.) de John Waters. Com: Divine, Edith Massey, David Lochary, Mary Vivian Pearce, Mink Stole, Danny Mills e a sombra de John Waters.

“Scorpio Rising” (Kenneth Anger), “Sins of the Fleshapoids” (Mike Kuchar), “Flaming Creatures” (Jack Smith) e “Blow Job” (Andy Warhol) foram alguns dos filmes que impressionaram o jovem John Waters e o influenciaram a começar a fazer cinema. Aos 17 anos Waters ganhou uma câmera Super 8 de seu avô, seu primeiro filme foi “Hag in a Black Leather Jacket” (1964), onde ele encenou um casamento inter-racial no telhado da casa de seus pais (que foram os grandes incentivadores financeiros de John Waters em início de carreira). Na seqüência realizou os curtas “Roman Candles” (1966), onde Divine (Harris Glen Milstead) aparece pela primeira vez sem ser creditada (este curta já contava com vários colaboradores habituais de Waters, como David Lochary, Pat Moran, Mary Vivian Pearce e Mink Stole, já com seu grupo de degenerados tomando forma) e “Eat Your Makeup” (1968), seu primeiro filme em 16mm, com Divine alçada a estrela do show (Divine era, já há vários anos, vizinho de John Waters). Em seguida o grupo todo embarca no primeiro longa-metragem, “Mondo Trasho” (1969) e no curta “The Diane Linkletter Story” (1970) que contava com Divine, Lochary e Pearce em papéis impagáveis. Após seu segundo longa, “Multiple Maniacs” (1970), título em homenagem ao Cult “2000 Maniacs” de H.G. Lewis, com Waters conseguindo realizar seu primeiro filme com som sincronizado e uma lagosta gigante que estupra Divine, a gang de desajustados estava, finalmente, pronta para filmar sua obra-prima: “Pink Flamingos” (1972).

Neste “Cidadão Kane” do mau gosto (com um senso de humor negro afiadíssimo), John Waters nos conta a história de Divine (que vive sob o pseudônimo de Babs Johnson) que se esconde nos arredores de Baltimore com sua mãe fanática por ovos (Edith Massey), seu filho Crackers (Danny Mills) e sua companheira de viagem Cotton (Mary Vivian Pearce). Connie e Raymond Marble (Mink Stole e David Lochary) são um rico casal de rivais da escatologia (eles seqüestram jovens mulheres para engravidá-las e depois vender seus bebês para casais de lésbicas) que não gostam de ler num tablóide que Divine é “a pessoa mais imunda viva” e farão de tudo para prejudicá-la.

Se você ainda não conhece “Pink Flamingos” se prepare para quase duas horas de senso de humor divinamente magnífico, alto astral, sexo oral, sexo com galinhas, adoração aos ovos galináceos, podolatria, masturbação, estupro com seringa, closes em genitais, travestis feios e bonitos, a maravilhosa e inspirada cena do músculo anal cantor e a cena onde Divine come merda de cachorro quentinha, sem cortes. Fantástico, com tudo que um bom filme precisa ter!

John Waters, em entrevista para J. Hoberman e Jonathan Rosenbaum, autores do excepcional livro “Midnight Movies”, diz: “Pink Flamingos custou 10 mil dólares. Tivemos que puxar cabos de luz por mais de uma milha até o trailer, que compramos num ferro-velho por 100 dólares e Vince Peranio o reformou para as filmagens. Editei o filme no sótão de minha casa com as ferramentas mais lamentáveis que se possa imaginar. Cada vez que eu queria assistir a um corte, eu precisava colocar o filme num projetor. O som extra foi gravado diretamente em um projetor magnético que só funcionava quando queria. Passei muitas horas a sós com essas filmagens e quase perdi minha razão!”.

“Pink Flamingos” estreou no final de 1972 no campus da Universidade de Baltimore, com ingressos esgotados para três sessões sucessivas. Com seu sucesso no underground americano o filme foi distribuído pela então pequena New Line Cinema e acabou chegando até Ben Barenholtz, proprietário do Elgin Theater em New York, responsável pelas sessões da meia-noite que tornaram “El Topo” (de Alexandro Jodorowsky) um sucesso da contracultura.

O filme mais famoso de John Waters traz a hilária seqüência de Divine comendo, sem cortes, fezes de um cachorro. Na época Divine disse a um repórter: “Eu segui aquele cão por mais de três horas com a câmera apontada no seu rabo!”. Alguns anos antes da morte de Divine, sua mãe teria perguntado se ele realmente havia comido fezes, ao que Divine prontamente respondeu: “Mãe, você não acreditaria no que eles podem fazer hoje em dia com truques de fotografia!”. Divino!!!

Após seu clássico, Waters realizou um punhado de filmaços, como “Female Trouble” (1974), “Desperate Living” (1977, meu preferido entre todos os filmes dele), “Polyester” (1981), “Hairspray” (1988), “Serial Mom” (1994) e “Cecil B. Demented” (2000) e os mais fracos, mas igualmente divertidos “Cry-Baby” (1990), “Pecker” (1998) e “A Dirty Shame” (2004).

Nos anos de 1980 John Waters quase filmou “Flamingos Forever” pela Troma Films, que não foi adiante porque Divine achou que o público da época não aceitaria mais este tipo de humor negro escatológico que envolveria até um cocô gigante voador. John Waters também não se sentiu muito confortável com o equipamento técnico da Troma que naquela época era um punhado de tralhas ultrapassadas.

Aqui no Brasil “Pink Flamingos” foi lançado em DVD pela Continental e, recentemente, saiu em DVD double feature com “Female Trouble” pela Cultclassic.

por Petter Baiestorf.

Homicide

Posted in Música with tags , , , , , , , , on fevereiro 15, 2012 by canibuk

2006, São José/SC: Marlon Joy (guitarra) e William Longen (Vocal) começaram com o projeto chamado HOMICIDE, com a intenção de tocar Thrashcore com influências de R.D.P, Nailbomb, Sepultura e Slayer com Fernando (Vesgo) na bateria, e no baixo passaram vários amigos tocando com a banda, como pé de pano e Gustavo.

Em 2007 Marlon Joy e William Longen decidem tornar o HOMICIDE algo diferente. Mais agressivo, violento e pesado: GRINDCORE! Com essa mudança de estilo a banda teve sua formação alterada que acabou fazendo com que Marlon (guitarra) se torna-se o baterista e Diego Valgas assumisse as guitarras e backing vocais. A banda ficou certo tempo sem baixista até que Hamey Grudtner assume os baixos distorcidos! No mesmo ano Hamey decide sair da banda por motivos pessoais e entao William passa a fazer Baixo/Vocal, formando um Trio. Com essa formação saiu a primeira demo chamada “TOTAL DECAY”, com 9 sons de Grindcore violento e uma ótima repercussão. 2007 , 2008 e 2009 foi a fase que a banda tocou em muitas gigs e participou do 4way “NAKED GRINDING FEAR”, com as bandas SMG, Violent Gorge e Pureza Genocida. A demo ‘TOTAL DECAY’ seria um 3way CD com Subcut (Sp), e NO MAS NO (México) por um selo mexicano, porem devido a problemas, nunca saiu em material físico.

Tempos depois, Diego passa a morar em SP temporariamente, o que tornou as atividades da banda praticamente nulas. No final de 2011 a banda Homicide voltou a ativa!! A atual formação é: Sommer (Baixo e vocal), Diego (Guitarra e vocal), Marlon (Bateria). Com a volta as atividades, saiu pelo selo Dëtëstö Records a demo Total Decay em formato físico, e ainda encontra-se disponível a quem interessar.

Recentemente a banda iniciou as gravações de um Full Lenght que será lançado em 2012.
Uma prévia com 2 sons encontra-se disponível CLICANDO AQUI.

Não deixe de entrar em contato!!
homicidegrind@gmail.com

A Morte da Galinha dos Ovos de Ouro

Posted in Quadrinhos with tags , , , , , , , , , , , on fevereiro 14, 2012 by canibuk

“A Morte da Galinha dos Ovos de Ouro” (texto de Mike Pellowski e arte de Mike Voshurg) foi publicada no Brasil na revista de horror “Spektro” número 13 (dezembro de 1979). Voshurg trabalhou com quadrinhos undergrounds até meados dos anos de 1970, em seguida foi desenhar super-heróis na DC Comics e Marvel Comics. Nos anos de 1990 se tornou conhecido do público ao trabalhar na série de TV “Tales from the Crypt” (1989-1996) onde realizou ilustrações que imitavam o estilo dos desenhistas da E.C. Comics dos anos de 1950. Já realizou, também, storyboards para diretores como John Frankenheimer, Robert Zemeckis, Allan Arkush e Gilbert Adler.

Tudo de Mim, parte 1 – Novas ilustrações Leyla Buk.

Posted in Arte e Cultura, Ilustração, Nossa Arte with tags , , , , , , , , , , , , , , , on fevereiro 13, 2012 by canibuk

Abrindo a semana no Canibuk com a primeira parte da minha nova série de ilustrações chamada “Tudo de mim”. Como o título já indica essa série é totalmente biográfica e o que pode não ter sentido pra maioria, pra mim faz todo o sentido do mundo. Cada pedacinho de cada ilustração me diz muito e significa qualquer coisa de intensa que já fez ou faz parte da minha vida. Além de tudo, é um exercício de estilo. Ando apaixonada por trabalhar mais nos detalhes, o que, na minha opinião, tem enriquecido muito os desenhos. Em breve publico aqui a parte dois dessa série que tem me empolgado muitíssimo!!!

“Stand up and shout for what you want – No rules!
Don’t give in until you won – No rules!
Never compromise your feelings – No Rules!
‘Cause I got the right to show my feelings – Let’s go!”
.
– Clique na imagem pra ver maior!

Insomnia – Leyla Buk Artwork, nanquim sobre papel, 2011

Love Potion – Leyla Buk Artwork, nanquim sobre papel, 2011
The Morality – Leyla Buk Artwork, nanquim sobre papel, 2011
Crisis – Leyla Buk Artwork, nanquim sobre papel, 2011
Misanthropy – Leyla Buk Artwork, nanquim sobre papel, 2011


Caldinho de Abóbora.

Posted in Culinária Vegetariana with tags , , , , , , , on fevereiro 11, 2012 by canibuk

Uma receita de sucesso que provamos e aprovamos em uma das noites gostosas da nossa lua de mel (créditos à Fabi,  que nos apresentou também, na mesma noite,  o queijo à milanesa, que em breve postaremos aqui) foi o caldinho de abóbora. A receita é simples e rápida de fazer. Recomendamos como abertura ou como acompanhamento de uma bela cervejinha, cuba libre ou caipirinha.

Ingredientes:

1/2 kg de abóbora cortada em pedaços e sem casca.

1/2 cebola grande picada.

1 dente de alho picado.

Salsa verde picada.

2 colheres de sopa de azeite extra-virgem.

1 pitada de cominho.

Pimenta calabresa desidratada à gosto.

Sal à gosto.

Modo de preparo:

Cozinhe a abóbora cortada  em água suficiente pra cobrir os pedaços. Adicione sal e  cominho à gosto.  Mantenha no fogo até que fique mole (tempo de cozimento é sempre  relativo, depende se teu fogo é alto, baixo, forte  etc, então vai seguindo o olhômetro e enfiando o garfo, quando entrar com facilidade e a abóbora começar a se despedaçar, está no ponto). Retire do fogo, deixe esfriar um pouco e bata a abóbora no liquidificcador com metade da água de cozimento até virar um creme homogêneo.

Numa panela, refogue a cebola e o alho picados em duas colheres de azeite,  quando dourar acrescente a abóbora batida. Mexa bem e quando começar a ferver adicione  a outra metade da água do cozimento e uma pitada de pimenta calabresa.  Retire do fogo após cinco minutos e acrescente a salsinha picada.

Obs:  a concistência do caldo vai do gosto de cada um. Nós preferimos o meio termo, nem ralo, nem grosso demais. Então o equilíbrio nos ingredientes e fundamental.  Se por acaso, o caldo ficar ralo demais, dilua uma colher de chá de maizena em dois dedos d’água e acrescente no caldo quando ainda estiver no fogo.

Dica: incremente o caldinho acrescentando pedacinhos de queijo provolone no copo cada vez que for servir. Fica uma delícia!

Oficina do Fim do Mundo na Mostra do Filme Livre

Posted in Cinema, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , on fevereiro 11, 2012 by canibuk

Negócio é o seguinte:

O mundo vai acabar em 2012. Não temos tempo a perder.

Qual então o filme que você faria neste contexto??

Junte toda a sua criatividade e tesão artístico e participe da OFICINA DO FIM DO MUNDO, que acontecerá durante a 11ª Mostra do Filme Livre! Ela ocorrerá das 13h30 às 16h30 entre os dias 6 e 15 de março no Centro Cultural Banco do Brasil – RJ.

As inscrições vão até o 23 de fevereiro e o resultado sai no dia 1o. de março. É 0800, mas a idade mínima é 18 anos.

As aulas serão ministradas pelo canibal cinematográfico Petter Baiestorf (direto de Palmitos, SC) e pelo sueco de Madureira, Christian Caselli, contando ainda com o auxílio luxuoso do inqualificável Gurcius Gewdner (mentor “intelectual” da banda Os Legais).

Lembrando que Baiestorf se valerá do Kanibaru Sinema, seu método infalível de se fazer filmes de orçamento zero!

Mas para saber se você está apto a esta oficina, se tem sangue dentro e fora das veias, se não vai ficar de nhe-nhe-nhé ou citando Deleuze pra se justificar, responda as seguintes perguntas abaixo:

1- Que tipo de filme você faria se o mundo acabasse amanhã?

2- Aliás, qual seria a melhor forma do mundo acabar?

3- Aliás, por que fazer um filme?

4- Você já fez algum filme? Por quê?

5- O que é mais importante: cinema ou cerveja? Por quê?

Para as pessoas que sempre sonharam em fazer cinema e não tinha dinheiro para isso, a oficina do Fim do Mundo é a oportunidade que faltava. Para os mais arriados é uma grande oportunidade de começar a viajar de graça pelo Brasil e mundo fazendo filminhos vagabundos.

FAÇA SUA INSCRIÇÃO AQUI.

Também, ainda durante a Mostra do Filme Livre, será exibido meu média-metragem “O Doce Avanço da Faca” (2010), estrelado por Gisele Ferran, Coffin Souza, Jorge Timm, Elio Copini, Minuano, Loures Jahnke e Airton Bratz com arte de Leyla Buk e apoio de Cleiton Lunardi.

Imperdível, como tudo em que o nome Canibal Filmes estiver envolvido!!!

Lua de Mel no Nordeste Brasileiro

Posted in Buk & Baiestorf with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , on fevereiro 10, 2012 by canibuk

Nos últimos 20 dias estive com Leyla Buk passando uma nova lua de mel em Recife, Olinda e Maceió, nos divertindo com caipirinhas, vinhos, cervejas, cafés, comidas típicas (quem for ao Nordeste precisa experimentar o maravilhoso pirão de queijo, simplesmente genial), sexo, cigarros, comidinhas preparadas por nós (adoramos cozinhar juntos, em breve iremos postar algumas receitas que fizemos nesta lua de mel), filmes undergrounds, músicas bregas lindas, artes em camisetas e mais sexo melequento delicioso!!!

Cheguei em Recife no dia 23 de janeiro e fomos prá casa dos meus sogros (adoráveis!). Logo Leyla e eu já fomos abrindo um vinho e bebericando dele entre amassos e um filme rodando na TV (não lembro qual filme era) e ficamos assim boa parte da semana, só no vinho (ela) e cerveja (eu), sexo e filmes, cafés com cigarro e na cozinha criando/recriando receitinhas de comidas vegetarianas deliciosas. Cozinhar com a Leyla me trás uma paz interior indescritível!!!

No sábado, dia 28 de janeiro, fomos visitar a cidade histórica de Olinda que é um lugar maravilhoso (apesar do sol intenso), com construções lindas, cores vivas vibrantes e suas ruazinhas estreitas com cheiro de artesanato. Olinda é bela, visitá-la é uma pequena viagem no tempo e percorrer as ruazinhas acompanhado da pessoa que você ama é bom demais, faz bem pro coração e prá mente e te rejuvenesce. E ver a Leyla subindo a ladeira que dá acesso ao Alto da Sé, quase sem ar e fazendo pausa para fumar, é algo único, filosofia de vida completamente bukowskiano!!! A única coisa negativa em Olinda é que a paz e tranqüilidade de suas ruazinhas históricas é quebrada pelas caixas de poluição ambulantes, os barulhentos e incômodos automóveis tão cultuados pelos humanos, que na minha opinião deveriam ser proibidos de circular em qualquer local histórico. Olinda histórica é pequena e percorrê-la a pé é essencial para curtir a cidade, além de ser um programa saudável do mais alto nível. Após conhecer Olinda fomos para um restaurante à beira mar onde experimentei um caldinho de feijão divino e saí de lá cambaleando por ter bebido cerveja demais, abraçado em Leyla, igualmente cambaleante, cortesia das inúmeras caipirinhas que ela bebeu.

Nosso domingo acabou sendo para curar a ressaca e cozinhar com a Biba, amiga da família de Leyla, que fez um delicioso caldinho de abóbora, acompanhado de um queijo coalho à milanesa, combinado com um feijão verde que Leyla e eu preparamos. Fechou o domingo de maneira espetacular!!!

Durante a nova semana Leyla e eu retomamos nossos afazeres de lua de mel: Beber vinho, fumar cigarros, fazer sexo tarado, beber cervejas, ver filmes brasileiros e cozinhar (e mais sexo, sexo, sexo!!!). Como o pai de Leyla entrou de férias por estes dias, fomos jantar fora mais vezes. Foi bem interessante experimentar a culinária de Recife (o pirão de queijo é espetacular e o queijo coalho crocante também, engordei alguns quilos). Só não experimentei tudo porque, infelizmente, as opções para os vegetarianos são reduzidas (se eu fosse vegan não teria opção alguma).

Na quinta-feira, dia 02 de fevereiro, encontramos Osvaldo Neto (do ótimo blog Vá e Veja) e ficamos pela orla do bairro de Candeias bebericando cervejinhas. Osvaldo é um cara gente fina prá caralho e foi ótimo conhecê-lo pessoalmente, inclusive foi ele quem linkou meu “Arrombada – Vou Mijar na Porra de Seu Túmulo!!!” para download quando fiz o protesto anti-sopa e em breve irá disponibilizar, também, o média “O Doce Avanço da Faca”.

Na sexta-feira Leyla e eu acordamos extremamente cedo (após uma noite em que declaramos guerra aos pernilongos) e pegamos um busão prá Maceió/AL onde iria acontecer “A Noite dos Malditos” no Sesi local. Prá minha surpresa, quando chegamos, Erivaldo Mattüs me informou que os ingressos para a exibição dos filmes “Zombio” (1999), “O Doce Avanço da Faca” (2010), ambos com direção minha, e “A Noite do Chupacabras” (2011) de Rodrigo Aragão, onde interpreto o vilão Ivan Carvalho, já estavam esgotados desde o dia anterior (163 lugares no cinema já vendidos). Como meus filmes não são muito conhecidos na região Nordeste fiquei extremamente feliz com isso e a recepção do público foi linda: “Zombio” arrancou várias risadas, mas “O Doce Avanço da Faca” levou o público presente ao delírio, com altas gargalhadas, gritos histéricos, aplausos ensandecidos em algumas cenas (na morte do Minuano pelos seios gigantes de Gisele Ferran, Jorge Timm explodindo e a cena final deixaram o público eufórico!). Foi lindo, obrigado Maceió!!! Depois dos filmes rolou um rápido bate-papo comigo e a exibição do já Cult “A Noite do Chupacabras” do genial Rodrigo Aragão, que fez o público ficar completamente absorvido durante suas quase 2 horas de duração. Com o término da sessão passamos por um mercado 24 horas (eram umas 4 da manhã), compramos vinho e pizza, e fomos prá casa do Erivaldo Mattüs ver o sol nascer. Leyla desmaiou de canseira e eu também, logo depois dela. Na casa do Erivaldo está o quadro “Bloody Catrina” que Leyla pintou para ele e que eu conhecia apenas por fotos. Ver o “Bloody Catrina” ao vivo, de pertinho, é uma experiência fantástica, o quadro é maravilhoso, um grande trabalho de meu amor, garota linda e talentosa, por quem fico a cada dia mais apaixonado.

Algo me chamou atenção na viagem de busão entre Recife-Maceió (eu só conhecia o Nordeste viajando de avião): O interior nordestino é verde e produtivo, cheio de vida e cidadezinhas coloridas, bem diferentes do Nordeste seco e sem vida mostrado pelos filmes e/ou canais de TV. Fica a dica, viaje de busão pelo Nordeste para conhecer mais da região, é uma experiência bem interessante e rica.

De volta em Recife, Leyla e eu resolvemos ficar caseiros. Recusamos os convites que os pais dela fizeram para sair e ficamos os próximos dias no nosso ritmo de bebidinhas, comidinhas e sexo gostoso. Queríamos nos aproveitar ao máximo antes da minha volta para o Sul do Brasil, namorar à distância é horrível e no momento de separar bate uma tristeza profunda muito ruim de controlar! Espero que em breve estejamos morando juntos para não ter mais que sofrer com a distância!