A Obsessão do Sangue

Acordou, vendo sangue… Horrível! O osso

Frontal em fogo… Ia talvez morrer,

Disse. Olhou-se no espelho. Era tão moço,

Ah! Certamente não podia ser!

.

Levantou-se. E, eis que viu, antes do almoço,

Na mão dos açougueiros, a escorrer

Fita rubra de sangue muito grosso,

A carne que ele havia de comer!

.

No inferno da visão alucinada,

Viu montanhas de sangue enchendo a estrada,

Viu vísceras vermelhas pelo chão…

.

E amou, com um berro bárbaro de gozo,

O monocromatismo monstruoso

Daquela universal vermelhidão!

Poesia de Augusto dos Anjos.

(Leia entrevista com Augusto dos Anjos clicando aqui)

3 Respostas to “A Obsessão do Sangue”

  1. o tal do cara que ia à frente do seu tempo… Bela referência.

  2. francisco calascio viana Says:

    isso e uma porcaria.

  3. anchieta m. de mont'alverne Says:

    A simplicidade e a grandeza de um poeta incomum e extraordinário ao mesmo tempo

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