Bad Bitch

“Bad Bitch” (2012, curta) de Felipe Tapia. Com: Amanda Coutinho, Ana Laura Paiva e Hirina Renner. Produção de Thaís Dias Medeiros. Fotografia de Eduardo Bonatelli e Gabriel Bender. Som de Railane Moreira Mourão. Trilha Sonora de Gabriel Cozza, Júnior Vieira, Eduardo Machado e Vade Retrô.

Com inspiração em “Reservoir Dogs/Cães de Aluguel” (1992) de Quentin Tarantino e “Faster, Pussycat! Kill! Kill!” (1965) de Russ Meyer, “Bad Bitch” faz uma homenagem ao cinema exploitation ao contar a história de Savanna (Amanda Coutinho), Diana (Ana Laura Paiva) e Cristina (Hirina Renner), três amigas que decidem assaltar uma joalheria e tudo acaba dando errado.

“Bad Bitch” é uma produção independente de Pelotas/RS e foi realizado por Felipe Tapia (que já havia dirigido o filme “Do It”), Thaís Medeiros (diretora do documentário “O Caminho” e roteirista de “A Louça” de Gabriel Bender, que também trabalha neste), Eduardo Bonatelli e Railane Mourão. Algo que chama atenção é que a produção de “Bad Bitch” conseguiu ajuda da empresa de biscoitos Zezé, iniciativa louvável da indústria privada e que espero ver mais empressários jogando seus lucros em produções independentes.

Por enquanto o filme ainda não foi lançado, mas voltarei a falar dele assim que estiver disponível para o público. Por enquanto assistam o teaser de “Bad Bitch”:

E saiba mais sobre o curta nesta rápida entrevista que realizei com o diretor Felipe Tapia.

Petter Baiestorf: Conte como surgiu o projeto “Bad Bitch”:
Felipe Tapia:
O que eu mais gosto sobre o cinema é que podemos fazer coisas que na vida real não seriam legais  e transformar em algo divertido, como um assalto por exemplo. Depois que eu fiz o curta “Do It”, eu queria fazer uma trilogia de filmes no estilo grindhouse, que no fim acabariam por ser uma história só, “Do It” seria o primeiro e “Bad Bitch” o terceiro capítulo. Eu acabei desistindo da idéia e resolvi que o “Bad Bitch” seria um curta sem nenhuma ligação com o “Do It”, além da estética que é a mesma. Eu sempre quis fazer um filme sobre um trio de gurias fazendo alguma barbaridade, então eu comecei a escrever o roteiro tendo em mente que seria sobre 3 amigas e que seria sobre um assalto.Então comecei a ver as referências que eu queria dos meus filmes favoritos. Escrevi e reescrevi o roteiro umas 10 vezes, quando achei que estava pronto para ser gravado, juntamos a equipe e começamos a pré-produção.
Baiestorf: Vocês encontraram apoio financeiro para a produção! O orçamento ficou em quanto? Fale como foi isso:
Tapia: Sim, a empresa Biscoitos Zezé, patrocinou o curta, eles deram acho que uns 250 reais, não tenho certeza, nós também fizemos uma rifa de uma tequila e nossos pais contribuíram também. Eu não esperava nenhum patrocínio para o curta por causa da história, que tem consumo de drogas, violência e até blasfêmia, mas no fim deu pra fazer tudo, não precisamos cortar nada por causa de orçamento como acontece geralmente. Eu não tenho certeza, mas acho que contando com tudo isso, patrocínios, rifa, pais, coisas que compramos do nosso bolso, alimentação e transporte das atrizes, acho que ficou perto de uns mil reais ao todo. O que pra gente é muito, por que geralmente na faculdade os curtas não chegam nem perto disso.
Baiestorf: Rio Grande do Sul tem um histórico de ótimas produções independentes, como é trabalhar neste estado?
Tapia:
Bom, eu nunca sai do Rio Grande do Sul então eu não sei muito como funcionam as produções nos outros estados, mas aqui, por exemplo, em Pelotas, eu tenho a impressão, como a cidade tem um passado histórico muito cultural e aqui tem muita coisa ligada a cultura, as pessoas não estranham muito quem faz filmes, é bem tranqüilo de conseguir locações, de graça inclusive, as pessoas são bem dispostas para participar e ajudar nas produções. Temos a sorte também de ter disposição de equipamentos pela faculdade, como câmeras e tripés. Ainda não temos gruas, nem travellings, mas o essencial nós conseguimos com o curso. Claro que como em todo lugar, apresenta várias dificuldades, principalmente para nós estudantes que geralmente fazemos os curtas quase ou sem dinheiro. Também poderia contar com mais apoio da prefeitura, mas isso não é novidade nem exclusividade daqui e nem vale a pena falar dessa gente.
Baiestorf: Como foram as filmagens? Conte alguns fatos curiosos que aconteceram:
Tapia: As filmagens foram bem tranqüilas apesar de corridas, não lembro quantos dias foram, mas acho que somando foram 5 dias em mais ou menos 7 locações, nada na ordem do roteiro, inclusive. Não posso contar muito para não dar spoiler do filme, mas num dos dias, as atrizes estavam todas sujas de sangue, além de estarem com as roupas de colegial, terminamos as gravações e fomos almoçar no Subway, e elas não puderam trocas as roupas porque fomos direto pra lá, todo mundo que passava ficava olhando pra elas.
OBs: Como durante as gravações não tiveram muitos fatos curiosos, então vou compensar falando algumas curiosidades sobre o filme:
-O curta teve vários nomes antes de se chamar “Bad Bitch”, entre eles “Girls & Guns”,”Do It 2 – Bad Bitches”,”Sexy Robbery” foram alguns deles.
– Os nomes das personagens tem significados: Savanna é em homenagem à atriz pornô Savanna Samson, Diana é por causa da Mulher Maravilha, e Cristina é em homenagem à atriz Christina Lindberg.
– O roteiro gravado é o 15° tratamento.
– Quando estávamos começando a pré-produção um membro da equipe saiu por achar o roteiro pesado demais.

– Inicialmente Savanna e Diana seriam namoradas, mas achei que seria mais difícil de arranjar as atrizes, então cortei as cenas de beijo e uma paixão platônica ficou apenas sugerida.
– Muitos personagens acabaram sendo cortados da versão final do roteiro, por que o curta iria ficar muito grande, o mais divertido seria uma travesti barraqueira chamada Sarah Sheeva, amiga de Cristina e o primo de Savanna, Andrej, um traficante de drogas que fabricava bombas.
– Uma das cenas cortadas mostrava as 3 pedindo carona na estrada, onde roubavam um carro e espancavam o motorista, cortei porque não queria criar antipatia por parte das pessoas mostrando as protagonistas espancando um homem gratuitamente e também porque não condizia com a personalidade delas.
– Outra cena que foi cortada do filme mostrava quando as personagens se conheceram na escola, quando eram crianças,  onde uma menina provocava Diana e então Savanna batia na menina e ameaçava que ia furar o olho dela com um lápis.
– Eu escrevi o roteiro escutando as músicas da banda Vade Retrô, o que me ajudou muito a entrar no clima do filme enquanto escrevia, mas eu nem imaginava que eles iam liberar as músicas pro filme.
Baiestorf: Pelas fotos de produção que você me mandou notei uma grande influência de tarantino. Você não acha que isso pode tirar a originalidade de “Bad Bitch”?
Tapia: Acho que não, acho que uma das propostas do Bad Bitch é justamente ser uma homenagem a esses filmes que eu gosto tanto e ao meu diretor favorito e maior influência que é Quentin Tarantino. Acho que a originalidade se deve ao fato de não ser mais um filme Brasil-Favela ou Brasil-Pobreza, nem por mostrar uma história bonita de perseverança nem de amor, é um filme sujo, debochado e politicamente incorreto que não tem outra intenção a não ser divertir os espectadores.
Baiestorf: Quando “Bad Bitch” será lançado? E como o público terá acesso à obra?
Tapia: Estamos acertando a data e temos 3 possíveis locais de lançamento, mas ainda não definimos certo. Depois mandaremos para festivais brasileiros e de fora. Como eu nunca imaginei que teríamos divulgação fora de Pelotas, estou pensando em um jeito de todo mundo ver o filme, uma exibição online, alguma coisa, porque não poderemos postar em sites como Youtube porque alguns festivais não aceitam, então não sei ainda, mas estou pensando nas possibilidades.
Baiestorf: Você acredita que os produtores independente estão conseguindo, finalmente, criar uma mercado com público para seus filmes?
Tapia: Não é novidade que um dos maiores problemas do cinema brasileiro é a distribuição, é tudo centralizado em panelinhas, então filmes independentes acabam passando despercebidos do grande público, eu sei por experiência própria, que quase todo o (já pouco) orçamento é utilizado na produção do filme e não sobra quase nada para divulgação e tal, eu vejo aqui em Pelotas muitos curtas são feitos na faculdade e não tem lançamento, às vezes passam nos auditórios da própria faculdade, mas nunca um lançamento mesmo, isso é ruim porque poucas pessoas acabam sabendo dos filmes, mas acho que público de filmes underground é fiel e acho que com a internet tudo ficou mais fácil, divulgação, exibição, etc. Eu, por exemplo, estou conhecendo várias pessoas e vários filmes graças ao “Bad Bitch”, acho que com essas parcerias ajudam e muito as produções independentes para que nossos filmes cheguem a um público maior.
Baiestorf: Fale sobre suas influências cinemtográficas:
Tapia: Eu desde pequeno sempre gostei de filmes com personagens mulheres fortes, desde os filmes da Disney como “Pocahontas”, até o clássico da sessão da tarde “Elvira – a Rainha das Trevas”, que sempre que passava na TV eu olhava, chegava a pedir pra minha mãe pra faltar a aula pra ver. Lara Croft, Xena, Fênix e Tempestade dos “X-men”, Mulher Gato, eu sempre gostei dessas personagens. Isso sempre foi muito forte nas histórias que eu criava, sempre tinha uma “femme fatale” armada dominando tudo. Eu lembro que comecei a gostar de filmes violentos quando assisti Assassinos por Natureza, foi um dos primeiros filmes que eu vi quando comecei a assistir filmes mais adultos, eu vi quando tinha uns 12 anos e já virou um dos meus filmes favoritos. Daí conheci “Kill Bill” quando tinha uns 14, 15 anos, meu filme favorito até hoje, aí virei fã de Quentin Tarantino e comecei a acompanhar o trabalho dele, então comecei a conhecer os clássicos, “Thriller – A Cruel Picture”, “Faster, Pussycat! Kill! Kill!”, “Foxy Brown”, “Pink Flamingos”, entre outros. Então quando entrei na faculdade de cinema eu já tinha em mente a linha que eu iria seguir. Acho que mais do que diretores em particular, são esses filmes os que mais me influenciaram e me influenciam quando eu escrevo um roteiro.
Baiestorf: Novos projetos?
Tapia:
Bom, a principio, temos o curta final da faculdade pra fazer, então primeiramente será ele, não sabemos muito sobre ele ainda, mas será um filme de terror. E provavelmente no semestre que vem, a continuação de “Bad Bitch” encerrando a história.

fotos da matéria são de Thaís Medeiros.

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