Talvez Amanhã

“Talvez Amanhã” (2012, 10 min.) de Robson Clério. Com: Dul Victor, Isabela Pàáschoa e Miguel Lieira. Fotografia: Robson Clério e Carlos Tavares. Música: Alberto Cohon. Edição: Robson Clério. Produção: Carlos Tavares e Robson Clério.

Dois irmãos pegam carona com estranho numa estrada deserta e vão atrás de seu padrasto em sua última morada. Este é o ponto de partida de “Talvez Amanhã” de Robson Clério, curta de baixo orçamento com vários momentos carregados de clima mórbido que fazem o espectador sempre esperar pelo momento de maldade que pode, ou não, surgir na seqüência. Filmado com quase nenhuma grana, o curta tem um roteiro bem simples (jovens cineastas, este é o segredo para conseguir realizar seus primeiros filmes) que explora situações cotidianas com um trabalho de câmera/edição contemplativo. Em um mundo como o de hoje, onde todos sofrem de ansiedade, este ritmo contemplativo causa desconforto e agônia. Você fica querendo que algo maldoso aconteça e aconteça já.

O diretor Robson Clério nasceu em Valinhos/SP, com 15 anos foi trabalhar num escritório de contabilidade e viu que não levava jeito prá essa vida de empregado. Por um bom tempo trabalhou como designer gráfico, até que em 2006 realizou o curta “Estradas Brancas” com câmeras e microfones emprestados. No início de 2010 abriu a Arttería Filmes para a produção de seus próprios roteiros e organizou também a primeira edição do Ciclo de Cinema Fantástico de Campinas no MIS Capinas.

Produtores independentes que queiram seus filmes exibidos no Ciclo de Cinema fantástico de Campinas, escrevam para Robson: artteriafilmes@artteriafilmes.com.br

Veja o curta “Talvez Amanhã” e leia uma rápida entrevista que realizei com Robson Clério.

Petter Baiestorf: Conte-nos o que te levou a abrir a Artteria Filmes e qual a
proposta da produtora?
Robson Clério: A Arttería Filmes faz parte do projeto de ter autonomia para fazer meus filmes, depois da experiência de ficar dependendo de outro para gravar e editar quando pode logo no primeiro curta, decidi não passar mais pela mesma experiência, comprei uma câmera, aprendi editar e abri uma produtora.  A Arttería Filmes é uma produtora muito nova, abri em janeiro de 2010. De 2001 a 2004 era um estúdio de designer gráfico, ficou inativa por um tempo, não soube administrar então fui trabalhar para os outros até onde consegui agüentar.  Precisava fazer meus filmes  então reabri como  Arttería Filmes para acessar Editais. “Arttería” vem do conceito de local de fazer arte, “Confeitaría” faz confeitos, “Sapataría”, sapatos e Arttería para arte.  A proposta é fazer um cinema autoral de ficção e documentário com a mesma intensidade. Produzir filmes de outros diretores não esta fora do projeto, mas a prioridade são os meus filmes.
Baiestorf: Você também organiza o Ciclo de Cinema Fantástico de Campinas, conte como funciona, que filmes já foram exibidos e como os diretores brasileiros podem ter seus filmes exibidos na mostra:
Clério: O Ciclo de Cinema Fantástico teve duração de 4 dias, no primeiro fim de semana dos meses de março e abril de 2012. Foram exibidos 1 longa metragem e 19 curtas, teve participação de diversos estados brasileiros, incluindo de um brasileiro que vive no Canadá, o Dimitri Kozma. Este foi o primeiro Ciclo de Exibição que organizei no MIS CAMPINAS – MUSEU DA IMAGEM E DO SOM,  foi uma experiência intensa, esperar o publico para assistir os filmes e ficar olhando a reação é como esperar reações sobre um filme meu, senti insegurança, ansiedade como numa estréia.  A idéia veio depois de participar de uma oficina sobre Cinema Independente com a organizadora do Cine Fantasy, fiquei impressionado com a qualidade e a quantidade de filmes de boa qualidade e baixo orçamento.  A seleção para montar o Ciclo teve inicio enviando e-mails para a organizadora do “Cine Fantasy”, que passou e-mails de alguns Cineastas que faziam Cinema Fantástico, entre eles estavam Joel Caetano e Liz Vamp Marins que foram indicando outros diretores, alguns encontrei no Youtube como o Rodrigo Brandão, encontrei “A MALETA” , os filmes foram chegando, queria fazer um evento de maior proporção, exibir os filmes num paredão externo (num jardim de inverno gigante que tem no interior do  MIS CAMPINAS), o Rodrigo Brandão chegou a sugerir de colocar monstros gigantes no jardim, achei ótimo, falei com a Secretaria de Cultura  de Campinas  e sugeriram que eu entrasse no Ficc – Edital “Fundo de Investimento a Cultura de Campinas”. Como tive que parar o projeto para tocar produções da Arttería Filmes que gerariam receita para continuar em pé, o “Ciclo de Cinema Fantástico” ficou parado, alguns diretores já estavam me perguntando se aconteceria mesmo e decidi fazer um ciclo de exibições mesmo.  Qualquer cineasta brasileiro de Cinema Fantástico, que tem uma característica muito bem definida que “ironicamente é a não definição entre o real e o fantástico” acontecendo no roteiro. Exibimos filmes do diretor Rubens Melo, Joel Caetano, Petter Baiestorf (este que me entrevista agora), Joel Caetano, Rodrigo Aragão, Rodrigo Brandão, Geisla Fernandes, Dimitri Kozma, Liz Marins  que são apenas alguns dos cineastas fazendo cinema independente no Brasil.  Procurei selecionar filmes que estão bem dentro do contexto do Cinema Fantástico.  É um ciclo e exibição, não uma Mostra ou Festival, as sessões são gratuitas.  A situação de poder mostrar cineastas que a maioria do publico não conhecia e ver que ficaram impressionados com o trabalho deles não tem preço, sou deste grupo estou no mesmo barco e a necessidade de exibir é e mesma, é um Cinema Fantástico! Para exibir um filme no MIS CAMPINAS, fora do Ciclo de Cinema Fantástico só é preciso entrar em contato com o Sr. Orestes Augusto que uma data será agendada para a exibição.
Baiestorf: Fale um pouco sobre teus curtas anteriores.
Clério: Houve um momento que precisava fazer um filme de curta metragem, dar um “start” no processo de fazer cinema, de qualquer jeito então escrevi um roteiro e mostrei para um cara que tinha uma produtora com pouco tempo de mercado, ele estava querendo ganhar experiência como cinegrafista e topou gravar e editar e então fiz o “ESTRADAS BRANCAS” – http://www.youtube.com/watch?v=XOnQdUehFuA –  foi a primeira experiência dirigindo atores, cinegrafista, edição e então senti toda a ansiedade de ficar dependendo dos outros para gravar e editar quando pode o seu filme.  Depois juntei grana para comprar uma câmera e aprendi a editar para ter mais autonomia,  gravei e editei alguns curtas para o festival do minuto e o curta “TRANSITÓRIOS”  – http://www.youtube.com/watch?v=a2lQCMj6EPA&feature=relmfu –  para um concurso com prêmio em dinheiro realizado por uma empresa de transporte coletivo aqui de Campinas, perdi o prazo de inscrição e inscrevi na MOSTRA CURTA AUDIOVISUAL  CAMPINAS  organizada no Mis Campinas e fui selecionado para exibição, este curta já gravei com uma câmera Sony/Mini DV editei na versão Premiere 6.5. Então passei a gravar e editar o tempo todo para movimentar o audiovisual e ganhar experiência, com esta mesma câmera gravei um documentário sobre uma artista plástica que expõe na Feira de Artesanato mais tradicional de Campinas, o “VERA COR” –http://www.youtube.com/watch?v=4uV-o63UX9s&feature=relmfu – que foi gravado com 3 câmeras  Hand Cam diferentes, não ao mesmo tempo, acontece que uma quebrou, outra foi roubada, então fui trocando de câmera mas continuei gravando, editei umas três vezes e ainda não exibi em nenhuma mostra ou festival.  Escrevi outro roteiro de curta metragem “TUNEL” que inscrevi no edital de Paulínia e ainda não gravei e o roteiro de um longa que ainda esta em andamento.
Baiestorf: Como surgiu a idéia para rodar o curta “Talvez Amanhã”?
Clério: “Talvez Amanhã” é um curta feito para participar do Ciclo de Cinema Fantástico, depois de alguma insistência do próprio Orestes de que seria muito interessante que eu colocasse um filme na programação, passei alguns dias pensando num roteiro e quando consegui montar uma história na cabeça coloquei o nome do curta no cartaz com tempo de 5:00 minutos (acabou ficando com 10:47 minutos.) de duração já que não havia tempo para fazer um filme muito longo, tinha cerca de 40 dias até a data da exibição.  Não é um filme que fui elaborando  durante meses, que eu realmente planejei fazer, é um filme de exercício de produção e resolvemos tratá-lo com carinho apesar de ser um “filme de encomenda”  como comentou o Orestes durante o debate. Então falei como Carlos Tavares, que estava a fim de se envolver em algum projeto, e contei a idéia do filme a ele que imediatamente começou a fazer anotações e disse: –  Mas preciso do roteiro e respondi: Esta bem vou escrever amanhã. Com a idéia já formada na minha cabeça, em dois dias escrevi o roteiro do curta.  Decidimos fazer um “casting” apesar do prazo curto, O padrasto seria um ator que já havia gravado comigo em um comercial de conclusão de curso de uma turma do IPEP, mas quando falei do “casting” ele amarelou, então lembrei de um ator de teatro que tinha as características do personagem, não avisamos que seria o único a fazer o teste, ele veio e arrebentou na apresentação do personagem. Ficamos muito satisfeitos e seguros que teríamos uma boa atuação dele. Os jovens também vieram para o teste e percebi que teria que dirigir muito para chegar no resultado das cenas, nas gravações do cemitério passamos o texto por duas horas até gravar e chegamos a um resultado razoável para o tempo que tivemos para acertar as cenas. “Talvez Amanhã” é um filme feito em muito  pouco tempo, detalhes que poderiam ser melhorados serão feitos agora antes de inscrevê-lo nas mostras e festivais.  A trilha ficou pronta 3 dias antes da exibição , fomos para a casa do musico Alberto Cohon na quinta feira a noite para ouvir as musicas e fazer ajustes. Sábado a tarde o filme estava sendo exibido. Conseguimos o clima do cinema fantástico no curta “Talvez Amanhã”, um filme feito para entrar no Ciclo de Cinema Fantástico do MIS-Campinas.
Baiestorf: Qual foi o custo da produção? Conte-nos curiosidades sobre as filmagens.
Clério: O custo da produção não sei dizer exatamente, as anotações ficaram com o Carlos Tavares, mas foram gastos com gasolina, um óculos espelhado para o motorista que da carona, algumas garrafas de água mineral, um maço de cigarros  e os ingredientes para fazer o macarrão que o padrasto come enquanto fuma e bebe em frente da TV.  O Dul Victor que fez o padrasto não fuma a mais de 20 anos e teve que acender e fumar vários cigarros, no debate disse que passou alguns dias com o gosto do cigarro na boca e não foi esse o único pepino para o ator descascar, teve que comer muito macarrão ( feito por mim) até que eu conseguisse gravar as três tomadas diferentes da mesma cena. Logo na primeira cena ele parou e disse: – Tem como colar um salzinho?  Muita coisa pra pensar e esqueci o sal! Um ator sério, já teve uma companhia de teatro em Campinas e é capaz de fazer papéis mais complexos. Dificuldades não faltaram para um curta com o prazo final apertado. O motorista do utilitário que faz o cara que dá carona aos adolescentes, foi com um boné que não estava nos meus planos e foi recusando-se a tira-lo de Campinas a Joaquim Egídio, onde gravaríamos a cena da estrada, chegando lá o garoto levou uma touca para caracteriza um visual Emo, preferi ele sem touca, entreguei a touca para o produtor Carlos Tavares e disse para levar a touca para o Alfeu (motorista) e disse:  Se ele usar a touca eu topo, senão quem vai fazer o motorista é você. O Alfeu colocou a touca e fico ótimo. Toda a sala onde o padrasto fica comendo e bebendo é a sala da casa onde moro e foi totalmente montada com aqueles objetos, com aquelas caixas cheias de garrafas de cachaça vazias que fomos buscar no Mercadinho ali do bairro. O Carlos Tavares queria colocar um ventilador  bem debilitado na cena mas estava com uma cor azul muito aguçada  nas hélices e ficaria fora do tom marrom da cena e acabei tirando. O telefone preto, uma peça de arte que esta sobre o sofá e os cinzeiros  foram emprestados pelo Luiz Humberto, ator de teatro e produtor que mora em uma casa tomada por objetos antigos e peças que ele mesmo faz.  A poltrona e o sofá vermelho foram encontrados na rua em dias e locais diferentes. Gravamos a cena do padrasto com duas câmeras CANNON EOS REBEL T2I, na cena do cemitério não conseguimos a segunda câmera e gravamos com uma repetindo a cena e gravando de ângulo diferente.
Baiestorf: Como será a distribuição do curta? Você acha que seria interessante vários produtores independentes realizarem coletâneas de curtas com seus filmes num mesmo DVD?
Clério: Não consigo ver uma saída para distribuição de curta metragem sem essa proposta de vários diretores num mesmo DVD proporcionando assim uma divulgação do trabalho de cada um. A mostras e festivais vão “distribuir” o filme, de certo modo o mesmo acontece com as visualizações na internet. Tive a idéia montar um DVD com os filmes e os debates do Ciclo de cinema Fantástico do MIS CAMPINAS  para registrar o evento e disponibilizá-lo no acervo do MIS, talvez na loja virtual do site da Arttería Filmes mas isso já envolve uma serie de cuidados e ainda não como farei.  O que farei com certeza será um DVD contendo todos os debates e disponibilizar no acervo do MIS CAMPINAS.
Baiestorf: Como formar um público consumidor de curtas?
Clério: Já vi um site que dizia fazer distribuição de curtas mas  não acompanhei para saber se funcionou. Os festivais que disponibilizam os curtas nos sites para serem revistos estão distribuído, mas a melhor forma que vejo é a idéia do DVD com vários curtas do mesmo segmento e estive pensando em fazer isso com o Cinema Fantástico. O curta está caracterizado como exposição do trabalho de um cineasta, mas é muito mais que isto. Como dissee o Orestes num debate, num curta você não tem tempo para ganhar o publico por pontos como num longa,  tem que ser por nocaute. Não é simples fazer um curta! Este ciclo tem material para um DVD de curtas de ótima qualidade e vou pensar nessa possibilidade. Um DVD com curtas de vários diretores reunidos é muito bom pela diversidade cinematográfica e deve ser mais explorado.
Baiestorf: “Talvez Amanhã” é um bom filme, com atores esforçados e produção bem aproveitada. A Artteria Filmes tem essa preocupação de formar um núcleo de colaboradores em Campinas?
Clério: Campinas é uma cidade com grupos de teatro antigos e tradicionais de onde o cinema se abastece de atores, precisamos de mais que isto. No MIS-CAMPINAS existe um grupo que freqüenta, assiste e debate os filmes, no “Talvez Amanhã” temos o Luiz Humberto que cedeu peças de cena, Carlos Tavares que agarrou a produção, Alfeu que fez o motorista, Alberto Cohon que fez a trilha, os meninos são do Teatro de Sumaré e eu que freqüentam o MIS-CAMPINAS e que formou um grupo espontâneo de colaboradores. Desde o inicio eu e o Carlos Tavares falamos de montar uma cooperativa de produção onde haveria participantes se ajudando em produções com pessoas e equipamentos, acreditamos que isso ocorra quase que espontaneamente.  Sem duvida a idéia de um Núcleo de Colaboradores é genial e quero trabalhar nisso.
Baiestorf: Quais suas influências básicas na hora de produzir um filme?
Clério: Quando meus pais separaram-se fui morar na casa da minha avó materna. Ela tinha uma TV preto e branco. Via sessão da tarde deitado quase dabaixo da TV no chão de taco e levava bronca da Vó Dozolina, a noite assistia “Sessão Bang Bang”. Se sofro alguma influência na hora de produzir os filmes isso ocorre inconscientemente. Minha inspiração vem da criatividade e da ousadia de diretores autorais que foram fazer cinema apesar de todas as dificuldades. Quando estou produzindo um filme as dificuldades são apenas mais um desafio, é empolgante pensar em uma solução criativa para resolver o posicionamento de uma câmera ou como vamos gravar em determinada locação. Detesto trabalhar com pessoas que ficam fazendo uma lista dos problemas que poderia dar se fizéssemos isso ou aquilo.  Glauber Rocha não mediu esforços para gravar e exibir em uma época difícil de fazer cinema e no entanto fazia.  Isso me inspira muito! Cinematográfico sou influenciado por vários cineastas, sou eclético para filmes, gosto desde a câmera do Antonioni que passeia por uma cena, quanto a câmera nervosa do Fernando Meireles, gosto da seqüência atemporal do Tarantino e de uma linearidade as vezes no roteiro.  Devo admitir que estou num processo de formação cinematográfica quanto ao modo de produzir meus filmes, o primeiro curta “Estradas Brancas” e o “TRANSITORIOS” tem um ritmo muito diferente do “Talvez Amanhã”, onde fiz cenas mais  longas com a câmera fixa, sem pressa de sair da tela, sem cortar a cena toda. Comecei ir ao Cinema no inicio dos anos 80 e vi todas aquelas superproduções “hollywoodanas”, fiquei na fila que dava voltas no quarteirão para ver o lançamento dos filmes do Stallone e Arnold Swarzzeneger e isso contaminou um pouco o jeito de gravar e cortar demais. Não acho ruim, penso que cinema é edição e se cortar mais, chego mais onde quero.  Freqüentando um circuito de filmes independentes e o MIS-CAMPINAS e tendo acesso a diretores europeus e passei a ver outro cinema que me fez gravar planos fixos e longos no inicio e no final do “Talvez Amanhã “. No entanto quando produzo um filme não sinto uma influência básica, mas uma apropriação de várias formas de filmar e montar. Gosto muito do “plongee” e de enquadramentos de onde não seria comum olhar, essa mistura de influências ou de nenhuma influência especifica pode ser bem positiva e produzir filmes interessantes.
Baiestorf: Porque fazer filmes, uma arte complicada e cara?
Clério: Já foi muito mais caro, e quase utópico fazer filmes! Veja o Glauber e outros cineastas da época o que passaram para fazer cinema? Depois que vi cidade de Deus senti que o cinema brasileiro seria mais possível e acessível, sobretudo por conta da tecnologia digital que possibilitou um custo beneficio bem mais interessante que chegar na película, as pessoas passaram a aceitar outra textura de imagem por conta da internet e fazer filmes em digital não causou tanto impacto, cobrar a qualidade da película é coisa de uma minoria e de quem faz. É comum as pessoas ao saber que estou fazendo filmes perguntarem, mas isso da dinheiro e vejo logo que não entenderam que minha alma esta nisso e que o dinheiro é a conseqüência dessa entrega. Gasta-se muito dinheiro para fazer cinema e ganha-se muito dinheiro para fazer cinema, sabemos que á difícil e complicado chegar lá,  difícil e complicado quase toda atividade é, com perseverança e criatividade as coisas vão acontecer.  No mínimo o prazer de passar a vida fazendo aquilo esta no coração haverá de retorno, mas acredito em mais que isso, o que se faz co a alma reflete forte e o retorno é grande em todos os sentidos. Não há mais como conter de contar historias que possam entreter e influenciar as pessoas para de alguma forma mostrar algumas saídas para uma vida melhor mesmo que as vezes seja a alegria de rir se envolver na historia de um filme. Vejo o cinema com esta função que tem a arte de melhorar a vida das pessoas. Faço filmes porque não posso evitar este impulso, a vida faz mais sentido.
Baiestorf: Nos últimos anos o Brasil vê o surgimento de toda uma nova geração de cineastas independentes, na sua opinião de produtor e divulgador de filmes, a que se deve isso? E essa produção tente à aumentar?
Clério: Petter, quero esclarecer que é a primeira vez que faço um Ciclo de Exibição e que estou pensando muito sobre fazer novamente. O retorno é positivo, entrei em contato com diversos cineastas, diretores e pude ver que filmes de baixo orçamento podem ter qualidade e ser impressionantes. Fui inserido nesta comunidade cinematográfica e sem duvida este é o maior do retorno que tive. O prazer de divulgar esses diretores não tem preço e as pessoas precisam saber deles. Ouvi muito as pessoas dizerem na sala de exibição: – Nossa que qualidade, que domínio da linguagem e a gente nem sabe desses diretores!  Esta produção vai aumentar, em quantidade e qualidade e avançar  para o circuito convencional, o brasileiro tem criatividade para isto. Como disse antes, hoje existe um cinema possível, digital, a internet contribui muito.  O mercado esta de olho em novas idéias e linguagens. Vejo um futuro prospero no cinema nacional e devemos juntar forças para seguir caminho e fazer acontecer.

Baiestorf: Fale sobre seus novos projetos:
Clério: Dois longas e um curta estão na fila de espera. O Curta foi inscrito no Edital de Paulínia que esta enrolado e provavelmente não sai. Quando não sai via edital, produzo  assim mesmo. Os longas estão no roteiro, no tempo certo vou começar produzir.  Sinto uma motivação para continuar  com o Ciclo de Cinema Fantástico anualmente. No universo cinematográfico as cosas acontecem quase que involuntariamente, quando vi estava gravando o ”Talvez Amanhã” – http://www.youtube.com/watch?v=fWWoAaM9wmQ –  e percebi que é preciso analisar melhor o que filmar, principalmente porque filmar determinado roteiro. Quase todos envolvidos no curta tinham um texto e queria ver se a gente não queria produzir, não é simples, da um trabalho enorme e precisa ser um tempo gasto com algo que realmente tenha tocado o coração.  Estou muito interessado nas parcerias, quando for possível, para produzir com maior qualidade e apresentar filmes empolgantes. Uma regra básica é estar sempre produzindo.  Muito agradecido ao Petter Biestorf e ao Canibuk. Avante Cinema Independente!

4 Respostas to “Talvez Amanhã”

  1. Obrigadão Petter! Ficou bem legal a diagramação da entrevista!

  2. Olá! Robson parabéns pelo trabalho. Me senti muito feliz pelo entuiasmo, garra e persistência profissional. Esse é o verdadeiro diretor. Fico feliz por encontrar jovens como você, que acredita na evolução, qualificação e divulgação da produção nacional de cinema. Um grande abraço.

  3. Este curta será inscrito em mostras e festivais…

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