Earth Vs. The Flying Saucers

“Earth Vs. The Flying Saucers” (“A Invasão dos Discos Voadores”, 1956, 84 min.) de Fred F. Sears. Efeitos especiais de Ray Harryhausen. Com: Hugh Marlowe e Joan Taylor.

Cientista que trabalha no projeto Skyhook (produtores perdem a chance de fazer uma paródia com trocadilho infame, “Skyhookers” ficaria, literalmente, foda!), do programa espacial norte-americano que envia foguetes ao espaço, começa a investigar o porque dos satélites terráqueos deixarem de funcionar. Suas suspeitas de que aliens estão sabotando os satélites se concretizam quando ele mesmo presencia o aparecimento de um disco voador. No dia seguinte outro disco voador pousa no pátio de seu laboratório e um general é seqüestrado. As armas terráqueas não conseguem penetrar o campo de força que cerca a nave alienígena. Com o general em seu poder, os aliens extraem conhecimentos do cérebro dele e dão um ultimato ao Planeta Terra: “Lealdade ou morte!”, já que os seres do espaço pensam que os satélites e foguetes humanos são armas. Como os discos voadores são invulneráveis às armas convencionais, o cientista desenvolve uma arma ultra-sônica, logo transformada numa arma anti-magnética que consegue parar a terrível invasão dos discos voadores.

Com este “Earth Vs. The Flying Saucers”, Ray Harryhausen criou o design dos discos voadores que entraram para o inconsciente coletivo da humanidade, que foi incansavelmente copiado e homenageado em filmes como “Mars Attack!/Marte Ataca!” (1996) de Tim Burton. Para chegar a concepção dos discos voadores apresentados no filme, Harryhausen contou com o apoio de George Adamski (que se auto-denominava filósofo, professor, pesquisador e estudante de discos voadores, que em 1949 havia lançado o livro “Pioneers of Space: A Trip to the Moon, Mars and Venus”), baseados na descrição de pessoas que haviam avistado objetos voadores não identificados. Harryhausen contava que era hilário trabalhar com Adamski, um lunático paranóico completo que via conspirações por todos os lados.

Ray Harryhausen foi o grande mestre da sci-fi/fantasy americana dos anos de 1950, 1960 e 1970, tendo trabalhado num punhado de clássicos como “It Came From Beneath The Sea/O Monstro do Mar Revolto” (1955, disponível em DVD no Brasil), “20 Million Miles to Earth/A 20 Milhões de Milhas da Terra” (1957, disponível em DVD no Brasil, veja também a fotonovela do filme, “A Milhões de Quilômetros da Terra“), “The 7th Voyage of Sinbad” (1958), “Jason and the Argonautas” (1963) e “Clash of the Titans/Fúria de Titãs” (1981, disponível em DVD no Brasil). Depois de ter assistido “King Kong” (1933, disponível em DVD no Brasil) e se encantar com os efeitos do pioneiro em stop motion Willis O’Brien, Harryhausen começou a fazer seus filmes caseiros e, quando criticado por seu mestre O’Brien, começou a ter aulas de escultura para aprimorar suas habilidades. Mais ou menos por essa época ficou amigo do escritor Ray Bradbury e, juntos de Forrest J. Ackerman (que dispensa apresentações), formavam um clube de ficção cientifica em Los Angeles. O grande sonho de Harryhausen era filmar “The War of the Worlds” (livro do escritor HG Wells), chegou até a filmar uma cena teste com um polvo marciano (como descrito no livro) saindo dos cilindros marcianos, mas desistiu da idéia quando George Pal lançou sua versão. Quando Harryhausen conheceu o produtor Charles H. Schneer finalmente teve a chance de realizar seu filme de invasão alienígena, “Earth Vs. The Flying Saucers”, que se tornou um grande clássico do gênero. Nos anos de 1960 Harryhausen realizou inúmeros trabalhos que foram sucesso de público e elevaram sua técnica de efeitos de stop motion à novos níveis com filmaços como “The Three Worlds of Gulliver” (1960), “Mysterious Island” (1961) e o clássico insuperável “Jason and the Argonauts” (1963), onde Ray animou vários esqueletos que lutam com três atores.

O diretor Frederick Francis Sears se juntou ao produtor Sam Katzman (produtor veterano que já nos anos de 1930 realizou inúmeros westerns e trabalhou na Monogram Pictures antes de migrar para a Columbia Pictures), começou a trabalhar feito louco (entre 1953 e 1957 dirigiu 29 longas), tendo dirigido vários clássicos como “The Miami Story” (1954), “Cell 2455 Death Row” (1955), “The Werewolf” (1956), “Rock Around the Clock” (1956, com Bill Haley and his Comets, The Platters e Freddie Bell and the Bellboys) e “Escape from San Quentin” (1957). Sears também foi ator em mais de 70 produções. Era pau prá toda obra.

“Earth Vs. The Flying Saucers” foi lançado no Brasil em DVD duplo pela distribuidora Sony Pictures, com vários extras, incluíndo um documentário que mostra todos os segredos de produção deste magnífico clássico. E, para deleite de todos os leitores do Canibuk, amanhã estaremos publicando a fotonela de “Earth Vs. The Flying Saucers” intitulada “Os Discos Voadores Atacam” (publicada no Brasil na “Cosmos Aventuras” número 3 de 1963).

por Petter Baiestorf.

Veja “Earth Vs. The Flying Saucers” completo aqui:

6 Respostas to “Earth Vs. The Flying Saucers”

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  2. […] Nova com outro nome), com versão colorizada por computador que foi supervisionada pelo lendário Ray Harryhausen. A qualidade da cópia está aceitável e vale os R$ 14.90 […]

  3. […] Nunca fui fã da atriz Ursula Andress (1936), mas neste filme ela está fantástica como a megera branca querendo roubar as riquezas naturais dos povos primatas. Andress é suiça e virou sex symbol depois de ser a primeira Bond girl em “Dr. No/007 Contra o Satânico Dr. No” (1962) de Terence Young. Daí em diante apareceu em inúmeros filmes de Hollywood como “Fun in Acapulco/Seresteiro de Acapulco” (1963) de Richard Thorpe, estrelado por Elvis Presley; “4 for Texas/Os Quatro Heróis do Texas” (1963) de Robert Aldrich, com a lindíssima Anita Ekberg e a dupla de conquistadores baratos Frank Sinatra e Dean Martin; “She” (1965) de Robert Day, uma interessante fantasia sobre uma cidade perdida com produção da Hammer e Peter Cushing batendo ponto no elenco; “What’s New Pussycat/O Que é que Há, Gatinha?” (1965) de Clive Donner com roteiro de Woody Allen e Peter Sellers no elenco; “Soleil Rouge/Sol Vermelho” (1971) de Terence Young, com Charles Bronson e Toshirô Mifune e “Africa Express” (1976) de Michele Lupo até que, acredito eu, deve ter perdido alguma aposta com os irmãos Martino e acabado em “La Montagna del Dio Cannibale”. Depois disso sua carreira de atriz não trouxe nada de relevante (só uma aparição meia boca no engraçado “Clash of the Titans/Fúria de Titãs” (1981) de Desmond Davis, com efeitos de stop motion do mestre Ray Harryhausen. […]

  4. […] Schneer escreveu o roteiro de “Earth Vs. The Flying Saucers” (1956), dirigido por Fred F. Sears. Trabalhou durante anos sob o pseudônimo Raymond T. Marcus. Ao se mudar para a Europa fez amizade […]

  5. […] produtor e roteirista Robert E. Kent começou trabalhando para o lendário Sam Katzman na Columbia Pictures, até que formou, em parceria com Audie Murphy, a Admiral Productions e passou […]

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