The Astro-Zombies

“The Astro-Zombies” (ou “Space Zombies” ou “The Space Vampires”, 1968, 91 min.) de Ted V. Mikels. Com: Tura Satana, John Carradine, Wendell Corey, Tom Pace, Joan Patrick e mais um bando de desconhecidos.

A trama de “The Astro-Zombies” é quase inexistente: Um cientista, depois que é despedido da agência espacial americana, decide criar monstros com partes dos corpos de vítimas inocentes. Lógico que as criaturas vão fugir e aprontar altas confusões (desculpem, não consegui resistir). Depois dos créditos iniciais que são mostrados sob as imagens de robôs de brinquedo andando de um lado pro outro, não podemos esperar mais nada do que uma trama confusa. Mas como o diretor atende pelo nome de Ted V. Mikels (aqui com uma ajuda na produção e roteiro do ator Wayne Rogers da série de TV “M*A*S*H*”) sabemos que se trata de uma delíciosa bobagem sem orçamento, completamente mongol onde nada funciona, com interpretações pavorosas, edição tosca, trabalho técnico amador (a iluminação do filme é extremamente mal feita), maquiagens horríveis e uma falta de lógica impagável que transforma o filme em objeto de culto por sua ruindade absoluta.

Ted V. Mikels, nascido em 1929 com o nome real de Theodore Mikacevich, é um diretor da categoria de Ed Wood, H.G. Lewis, Doris Wishman e Ray Dennis Steckler, que sempre filmou sem dinheiro algum e teve lucro com seus filmes, o que possibilitou a compra de um castelo em Glendale, California, onde vive até hoje com um harém de mulheres. Começou sua carreira artística trabalhando no teatro e logo depois partiu para a lucrativa produção de filmes vagabundos para o mercado de drive-ins americanos. Também era um esperto produtor que, imitando William Castle, sempre tinha gimmicks promocionais, como ambulâncias e gostosas enfermeiras a disposição do público que poderia passar mal na exibição de seus filmes (só se fosse passar mal de raiva pela adorável chinelagem!).

Seu primeiro longa foi “Strike Me Deadly” (1963) onde um guarda florestal e sua esposa testemunham um assassinato e são mantidos prisioneiros em uma cabana isolada. “The Black Klansman” (1966), uma saga sobre a intolerância racial onde um negro se disfarça de branco e entra para um grupo de caipiras da Ku Klux Klan para se vingar da morte de sua filha num atentado que este grupo realizou na igreja que a menina freqüentava, foi uma tentativa de cinema mais sério de Mikels. Depois de “The Astro-Zombies”, Mikels realizou o clássico “The Corpse Grinders” (1971, que atualmente está em pré-produção a terceira parte da série), uma pequena peça de demência sobre uma fábrica de comida para gatos que, para enfrentar a crise, decide começar a fazer sua ração com cadáveres do cemitério local. Em seguida Ted realizou uma série de filmes onde os títulos prometiam muito mais do que era visto nas telas, como “Blood Orgy of the She-Devils” (1972), sobre o mundo obscuro da feitiçaria; “The Doll Squad” (1973), trasheira de ação mal filmada com um elenco de beldades que incluiam Tura Satana, Francine York e Lisa Todd e “Ten Violent Women” (1982), sua visão sobre o tarado mundo das prisões femininas num W.I.P. ruim/divertido.

Na qualidade de produtor Ted V. Mikels realizou vários bons filmes, com destaque aos geniais “The Worm Eaters” (1977) do hilário maníaco Herb Robins, um lendário clássico do mau-gosto cinematográfico onde várias pessoas comem minhocas em sorvetes, tortas e cachorros quentes com um grandes sorrisos nos seus rostos e o inspirado “Children Shouldn’t Play With Dead Things” (1973) da dupla Alam Ormsby e Bob Clark (que depois ficou rico e famoso com a série adolescente “Porky’s”), onde o orçamento era tão curto que os figurantes que interpretavam os zumbis do filme fizeram uma greve ao descobrirem que a comida que lhes era servida era, na verdade, arranjada na lixeira de um restaurante das redondezas. Em 2002 Mikels filmou a continuação de “The Astro-Zombies” intitulada “Mark of the Astro-Zombies”, estrelada por uma envelhecida (e gordona) Tura Satana, mas ainda dona de um senso de humor ótimo. Existem ainda as continuações “Astro Zombies: M3 – Cloned” (2010) e “Astro Zombies: M4 – Invaders from Cyberspace” que infelizmente ainda não tive a oportunidade de assistir.

Com um elenco de famosos, vemos como Mikels não levava jeito para a direção de atores. John Carradine fez inúmeros filmes de horror para a Universal Studios, como “House of Frankenstein” (1944) e “House of Dracula” (1945), ambos de Erle C. Kenton. Fez 11 filmes com John Ford, entre eles “Stagecoach” (1939), “The Grapes of Wrath” (1940) e “The Man Who Shot Liberty Valance” (1962). Já em fim de carreira contracenou com Vincent Price, Christopher Lee e Peter Cushing no “House of the Long Shadows/A Mansão da Meia-Noite” (1983) de Pete Walker. Seus últimos filmes foram produções de baixo orçamento (mas alta diversão) como “Buried Alive” (1990) do diretor de filmes hardcore Gérard Kikoïne agora investindo em horror e filmes do picareta cara de pau Fred Olen Ray, como “Bikini Drive-In” (1995), montado com stock footage do veterano ator (Carradine havia falecido em 1988). “The Astro-Zombies” foi o último filme do ator Wendell Corey que, entre outros, aparece no clássico “Rear Window/Janela Indiscreta” (1954) de Alfred Hitchcock. E Tura Satana dispensa apresentações aos leitores do Canibuk (mas leia mais sobre ela clicando aqui).

Quem quiser saber mais sobre a vida e carreira de Ted V. Mikels, procure o documentário “The Wild World of Ted V. Mikels” (2009) de Kevin Sean Michaels, com narração do gênio John Waters.

por Petter Baiestorf.

3 Respostas to “The Astro-Zombies”

  1. […] aconteceu nos USA e era para ter sido dirigido pelo hoje cult diretor Ted V. Mikels (“The Astro-Zombies“, 1968) que não se animou com o roteiro (que até então era uma imitação do clássico […]

  2. […] americano -, bem como produções distribuídas pelo lendário Harry Novak, Doris Wishman, Ted V. Mikels, Tsui Hark, Frank Henenlotter (o responsável por eu ter virado um fanático pelo gênero […]

  3. […] de carreira, que depois fotografou lixos imperdíveis como “The Black Klansman” (1966) de Ted V. Mikels, “Psychedelic Sexualis” (1966) de Albert Zugsmith, “Octaman” (1971) de Harry Essex, “The […]

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