The Giant Gila Monster

“The Giant Gila Monster” (“O Gigante Monstro Gila”, 1959, 69 min.) de Ray Kellogg. Com: Don Sullivan, Lisa Simone, Fred Graham e Bob Thompson.

Uma pequena cidade do Texas começa a ficar desconfiada que algo está errado quando um jovem casal de namorados desaparece (mas sabemos que eles foram devorados por um descolado monstro gila gigante). O xerife local (Fred Graham) começa a investigar o sumiço e pede ajuda ao mecânico (Don Sullivan), que também é chefe da gang adolescente da cidade, para encontrar alguma pista. Quando o faminto réptil ataca um trem, as autoridades finalmente percebem com o que estão lidando. Lógico que como é um trashão maravilhoso, o climax acontece num salão onde a juventude está reunida para mostrar suas habilidades nas modernas dancinhas dos anos 50, afinal, estamos assistindo um filme cujo público alvo eram as crianças da época. Após o “violento” ataque do monstro gila gigante, nossos heróis acreditam que poderão acabar com a aberração da natureza com uns poucos litros de nitroglicerina. Nada mais prático!

O que mais salta aos olhos são os pavorosos efeitos especiais que o diretor Ray Kellogg preparou para seu próprio filme. A escala das maquetes (são todas tão mal feitas que ficam sempre perceptíveis) nunca funcionam quando o lagarto, um bicho real e de tamanho normal, está em cena. Há duas cenas hilárias que preciso destacar: O terrível ataque ao trem, que é um destes modelos em miniatura que as crianças usavam para brincar, é tão mal filmado que o público rola de rir. E, no ataque de gila ao salão, vemos o monstro gigante arrebentando uma parede e entrando na festinha dos jovens, só que claramente dá para notar que algum técnico do filme está empurrando o lagarto parede de isopor a dentro. O olhar de assustado do lagarto deixa tudo ainda melhor, dá prá ver claramente que o lagarto pensa: “Que porra estão fazendo comigo???” (espero que a produção não tenha comido o simpático bicho após as filmagens).

Com um orçamento de 175 mil dólares (bem alto para os padrões de diretores bagaceiros, Ed Wood, por exemplo, costumava filmar seus longas com orçamento médio de 70 mil dólares), foi produzido por Gordon McLendon, dono de uma cadeia de drive-ins. Gordon acabou se tornando um dos maiores acionistas da Columbia Pictures anos depois. Em 1981 produziu “Escape to Victory/Fuga para a Vitória” de John Huston e estrelado por Michael Caine, Sylvestre Stallone e Pelé.

Edgar Ray Kellogg, antes de “The Giant Gila Monster”, era técnico de efeitos especiais para a 20th Century Fox, tendo trabalhado em mais de 50 filmes, entre eles, “The Desert Fox: The Story of Rommel/A Raposa do Deserto” (1951) de Henry Hathaway, “Titanic” (1953) de Jean Negulesco, “The Desert Rats/Ratos do Deserto” (1953) de Robert Wise e “D-Day the Sixth of June/O Dia D” (1956) de Henry Koster, todos já lançados em DVD no Brasil. Ray ainda dirigiu “My Dog, Buddy” (1960) e “The Green Berets” (1968).

Simultaneamente à “The Giant Gila Monster”, a dupla Kellogg-McLendon também realizou outro clássico trash chamado “The Killer Shrews” (“O Ataque dos Roedores”, 1959, 68 min.), uma deliciosa bobagem fantástica sobre um capitão de navio (James Best) fazendo uma entrega de suprimentos para um grupo de cientistas (entre eles o produtor Gordon McLendon, completamente canastrão) numa ilha deserta, onde descobre que as experiências deram errado e acabaram por criar uma raça de roedores carnívoros gigantes (que, inacreditavelmente, são “interpretados” por cachorros vestindo umas ridículas peles para se parecerem com roedores mutantes, seja lá qual for a aparência de um roedor mutante). Boa parte da trama se passa na sala de uma casa na tal ilha deserta e são diálogos ditos com o péssimo sotaque dos atores, dizem que ninguém conseguia entender nada nos cinemas quando foi lançado.

“The Giant Gila Monster” e “The Killer Shrews” foram festejados como os primeiros longa-metragens produzidos inteiramente em Dallas, Texas. A Legend Films os coloriu por computador, deixando estes clássicos da ruindade artística com um clima ainda mais nostálgico. Ambos foram lançados em DVD aqui no Brasil pela Flashstar. “Gila!” (2012) de Jim Wynorski, produzido para a TV americana, é uma refilmagem do clássico “The Giant Gila Monster” que tenta manter o climão dos anos 50. E “Return of the Killer Shrews” (2012) de Steve Latshaw é uma espécie de volta à ilha onde o terrível ataque dos roedores começou. Tudo imperdível!

por Petter Baiestorf

Assista “The Giant Gila Monster” aqui:

Assista “The Killer Shrews” aqui:

Uma resposta to “The Giant Gila Monster”

  1. Isso aí me lembra A Maldição do Monstro (The Cyclops). Aparecem alguns lagartos gigantes no filme e foi usado o mesmo tipo de efeito especial pra eles aparecerem.

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