O Cinema Nacional Perde Reichenbach

Neste dia 14 de junho de 2012, quando completava 67 anos, a figura ímpar de Carlos Reichenbach faleceu à caminho do hospital. Carlão fez de tudo no cinema, dirigiu mais de 20 filmes, foi ator, roteirista, produtor, compositor de trilha sonora, diretor de arte, câmera, diretor de fotografia e outras funções técnicas. Trampar com cinema nacional é isso mesmo, cara se fode, ganha pouco, mas aprende a fazer de tudo um pouco.

Em seu livro “Cinema da Boca – Dicionário de Diretores”, Alfredo Sternheim escreve o seguinte sobre Reichenbach: “De todos os diretores que passaram pelo cinema da boca, não há dúvida que Carlos Oscar Reichenbach Filho é o único que sobreviveu à sua extinção. E fez isso se mantendo coerente com a sua obra autoral, com a sua visão de mundo, que sempre procura externar em suas realizações. Gaúcho de Porto Alegre, nascido em 14 de junho de 1945, Carlão, como é carinhosamente chamado, aos dois anos de idade já morava em São Paulo. Sua aproximação com o cinema deu-se ainda na infância, através de Osvaldo Sampaio, o cineasta dos clássicos “A Estrada” e “O Preço da Vitória”, que era amigo de seu pai. Aos 21 anos, passou a estudar no primeiro curso de cinema da Escola Católica São Luiz. Entre seus professores, estavam Luis Sérgio Person e Roberto Santos. Com alguns de seus colegas de estudo, foi parar na Boca do Lixo. A sua estréia como diretor foi em 1968, realizando um dos três episódios de “As Libertinas”. Ao mesmo tempo, especializou-se também em fotografia de cinema. Nessa área, em cerca de 30 anos, assinou vários trabalhos para outros cineastas. Como diretor, a filmografia de Carlão oferece, além de alguns documentários curtos, 14 longas e alguns episódios para filmes de ficção. Várias de suas realizações foram premiadas, principalmente no Festival de Gramado. Neste certame, recebeu o Kikito de Ouro de melhor filme em 1987 por “Anjos do Arrabalde”, um ano depois de ganhar como melhor diretor por “Filme Demência”. No Festival de Brasília, em 1993, Carlão viu seu “Alma Corsária vencer como melhor filme e mais recentemente, em abril de 2005, levou um dos principais prêmios do Festival de Recife com “Bens Confiscados”. Sempre fraterno com os colegas de profissão, por volta de 1981 ele foi, na Boca, um dos sócio-fundadores da Embrapi, produtora em forma de cooperativa que reunia, entre outros, diretores e técnicos. De lá saíram cerca de oito longas em dois anos, em sua maioria de outros realizadores. No fim da década 1980, o cineasta e mais cinco diretores criaram a Casa da imagem, produtora que fez o seu episódio para “City Life”, produção idealizada por gente da Holanda, que reúne episódios de cineastas de diversos países. Em 2004 e 2005, Carlão também atuou como programador e animador cultural de uma sessão semanal no cinema de arte do Sesc, em São Paulo, onde resgatava filmes estrangeiros esquecidos ou marginalizados pela crítica.”

Conheci o Reichenbach de forma bem rápida em 2006 num festival em Santa Maria/RS onde estava acontecendo uma retrospectiva em Sessão Maldita, sempre à meia-noite, dos meus filmes e ele foi prestigiar. Cinema Brasileiro perde um cara fantástico, autor de inúmeros filmes bem divertidos. Embora ele seja mais respeitado por seus filmes mais recentes, sou um grande fã da obra dele dos anos 70 até meados dos anos 80. Filmaços como “Lilian M: Relatório Confidencial”, de longe meu preferido, até filmes como “A Ilha dos Prazeres Proibidos” e suas atuações lindas em filmes de José Mojica Marins, Sganzerla e outros diretores fodas do cinema marginal brasileiro. Assistam os filmes de Reichenbach e se divirtam com o estilo Boca do Lixo de ser.

Leia mais sobre vários filmes onde Reichenbach trabalhou como técnico na matéria “Estes Praticamente Estranhos Filmes de Horror Nacional” escrita por Coffin Souza.

Veja os trailers ou fragmentos dos filmes preferidos do Canibuk dirigidos (ou com participação) de Carlos Reichenbach:

Esta Rua Tão Augusta (1966-69, curta) de Carlos Reichenbach.

Audácia (1970, longa) de Carlos Reichenbach e Antônio Lima.

Lilian M: Relatório Confidencial (1975, longa) de Carlos Reichenbach.

Snuff, Vítimas do Prazer (1977, longa) de Cláudio Cunha.

Filme Demência (1986, longa) de Carlos Reichenbach.

A Dama da Zona (1979, longa) de Ody Fraga.

O Bandido da Luz Vermelha ( 1968, longa) de Rogério Sganzerla.

Ritual de Sádicos/Despertas da Besta (1969, longa) de José Mojica Marins.

Finis Hominis (1971, longa) de José Mojica Marins.

Belas e Corrompidas (1979, longa) de Fauzi Mansur.

* Não coloquei mais trailers e fragmentos de filmes dirigidos por Carlão porque não achei no youtube.

3 Respostas to “O Cinema Nacional Perde Reichenbach”

  1. Assisti NINGUÉM DEVE MORRER com ele ao meu lado, rolando de rir e totalmente apaixonado pelo Jorge Timm e por todas nossas piruetas.

  2. O que dizer… pessoa maravilhosa e sem igual! Mestre do cinema nacional e mundial! ORGULHO!
    Vai deixar MUITA SAUDADE!
    Foi cedo… sim, claro que foi cedo! Mas deixou obras e lições dignas!

  3. […] editada pelo grupo Fudidos e Malpagos de Rio Claro/SP. Este novo número, uma homenagem ao diretor Carlos Reichenbach e ao ator Jorge Timm, abre com um texto humorístico escrito por mim e intitulado “Como […]

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