Carnival of Souls

“Carnival of Souls” (1962, 78 min.) de Herk Harvey. Com: Candace Hilligoss, Frances Feist e Sidney Berger.

Produzido em 1962, “Carnival of Souls” é um destes pequenos tesouros revelados somente em Home Video na década de 1980. Filme barato (U$ 30.000,00) rodado em preto e branco na pequena Lawrence no Kansas, USA, depois de redescoberto foi considerado um dos mais atmosféricos e originais filme de horror da sua época.

Escrito por John Clifford, produzido e dirigido por Herk Harvey, “Carnival” começa como vários filmes vagabundos dos anos 50/60: dois carros lotados de jovens apostam uma corrida em uma estrada qualquer. Sobre uma ponte o carro que conduzia três garotas perde o controle e mergulha nas águas barrentas de um rio. Algum tempo depois, Mary (Candace Hilligoss) emerge como a única sovrevivente do acidente num estranho estado de choque. Sem consciência do que lhe aconteceu ela segue seu caminho e arranja um emprego de organista em uma igreja da cidade. Logo passa a ser perseguida por um homem de aparência cadavérica (o próprio diretor) e se sente atraída por um pavilhão abandonado nos arredores da cidade. Ninguém além dela vê a estranha figura e, além disso, Mary mergulha as vezes numa outra “dimensão” onde ela não é vista nem ouvida pelos outros. Apavorada decide deixar a cidade e se vê num ônibus lotado de passageiros com cara de mortos-vivos. A resposta para seu drama macabro parece estar no velho pavilhão onde vai presenciar um estranho baile fantasmagórico.

Influência confessa de George Romero para seu “The Night of the Living Dead” (1968), “Carnival of Souls” foi pobremente distribuido na época e muito pouco visto. Henk Harvey nunca mais teve chance de dirigir um longa apesar de demonstrar segurança e imaginação em seu debut. Além de uma presença em cena como líder fantasmagórico com rosto pálido, cabelos esbranquiçados, grandes olheiras e roupa preta. Profissionalmente Harvey dirigia curtas industriais e educativos para uma empresa de sua cidade, onde encontrou o roteirista Cliford, seu parceiro na criação deste pequeno clássico. Também merece um destaque especial o diretor de fotografia Maurice Prather com seu trabalho em preto e branco brilhante e com um maravilhoso jogo claro-escuro evocando uma constante atmosfera surreal.

“Carnival of Souls” é a prova de que não basta se fazer algo realmente bom e original para ser descoberto e admirado. Herk Harvey padeceu anos de obscuridade e má distribuição até seu trabalho receber a fama e o reconhecimento que merece. Relançado nos cinemas e depois em vídeo 20 anos depois, passou a ser cult e merecer destaque em encontros e convenções de horror, inclusive com a presença da ilustre e ainda desconhecida equipe. Em 1998 Wes Craven produziu uma refilmagem chinelona à cores e com um palhaço sinistro na trama. Prefira o original ou o fantasma pálido de Herk vai te perseguir…

por Coffin Souza.

Assista “Carnival of Souls” aqui:

Uma resposta to “Carnival of Souls”

  1. ALEXANDRE DE BARROS Says:

    com certeza uma perola esquecida que aos poucos vai tendo seu devido reconhecimento em diversas edições em dvd la fora…

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