Guerreiros do Kung Fu Sangrento

“Dong Kai Ji” (“All Man Are Brothers” ou “Seven Soldiers of Kung Fu” ou “Os Sete Guerreiros do Kung Fu”, 1975, 102 min.) de Cheh Chang e Ma Wu. Com: David Chiang, Wai-Man Chan, Yang Chang, Chuan Chen, Feng Chen Chen, Kuan Tai Chen e Betty Chung.

A história inícia num bordel de luxo onde o imperador tem seu histórico encontro com o criminoso de guerra Yen Ching (David Chiang)  que lhe perde o perdão através de sua irmã, a puta preferida do imperador. Após o perdão, Ching se une aos 108 heróis do imperador que partem numa série de sangrentos ataques para retomar cidades que os rebeldes haviam tomado. Uma a uma as cidades vão sendo reconquistadas, até que o grupo de heróis se depara com a cidade de Yongjinmen, fortaleza impenetrável, protegida por altos muros e muita água. Dois voluntários são enviados para a cidade, o plano é abrir os portões de dentro para fora. Nas ruas da cidade os invasores são reconhecidos e uma sangrenta luta tem início, com muito sangue jorrando e braços decepados. Um dos heróis, conhecido como “O Temerário”, é ferido por uma espada que fica cravada em seu estômago e continua lutando como se nada tivesse acontecido, até o momento em que arranca a espada do próprio estômago e a usa como arma, banhando as ruas com muito sangue. Cada membro-líder dos 108 heróis do imperador , que são sete guerreiros experientes e invencíveis, lutam contra milhares de inimigos em inúmeras cenas hilárias, sempre gores, que vão se sucedendo, como quando “Tattooed Dragon” (Kuan Tai Chen) continua lutando com um punhal cravado no peito ou Li Shih-Shih (Betty Chung) tem a jugular do pescoço estraçalhada e, mesmo assim, continua massacrando soldados inimigos. Perto do final um dos líderes se sacrifica ao mergulhar no mar para abrir os portões marinhos que protegiam a cidade e, finalmente, os barcos do imperador conseguem invadir Yongjinmen, com uma luta final onde um dos heróis, depois de ter o braço decepado, continua lutando animadamente contra seus inimigos enquanto o sangue jorra quente e gostoso de seu corpo.

“Dong Kai Ji” é a continuação do clássico “Shui Hu Zhuan/The Water Margin/Seven Blows of the Dragon” (1972), também de Cheh Chang, desta auxiliado por Hsueh Li Pao. O filme tem seu roteiro inspirado na obra “Shuihu Zhuan/Outlaws of the Marsh”, escrita no século XIV e que se tornou um dos quatro romances clássicos da literatura chinesa. Neste filme há todo o charme de uma produção do Shaw Brothers Studios: Ação non stop, sangue jorrando (com aquela cor de tinta guachê), diálogos idiotas, roteiros com inúmeros furos, personagens superficiais nunca desenvolvidas e ritmo alucinado onde as cenas de luta sempre são impressionantes. Uma produção extremamente divertida, exageros físicos e heroísmo a la chinês, com seus imperadores sempre tirando proveito do povo ignorante (como ocorre em qualquer outra parte do mundo).

A Shaw Brothers foi fundada em 1924 em Cingapura. Foi o primeiro estúdio cinematográfico que rodou um filme sonoro em Hong Kong e se tornou o maior e mais importante estúdio no sudeste da Ásia. Cheh Chang (1923-2002) fez inúmeros filmes para os Shaw Brothers, clássicos como “Dubei Dao/The One-Armed Swordsman” (1967) e “Wu Du/Five Deadly Venoms” (1978). Em 1950 ele co-dirigiu o filme romântico “Alishan Feng Yun”, de Ying Cgang, baseado em seu próprio roteiro, que foi sucesso e lhe garantiu mais trabalho. Acabou dirigindo mais de 100 filmes e ficou conhecido como “o poderoso chefão de Hong Kong”. Tendo sido influênciado por Sergio Leone e os filmes de samurais japoneses, incorporou as lições aprendidas e criou filmes de estilo próprio. É influência confessa na carreira de gente como John Woo, Ringo Lam e o americano Quentin Tarantino. Outros sucessos deste fantástico diretor incluem “Da Jue Dou/The Duel” (1971); “Chou Lian Huan/Iron Man” (1972); “Fen Nu Qing Nian/Street Gangs of Hong Kong” (1973); “Shao Lin Wu Zu/Five Shaolin Masters” (1974); “Shao Lin Si/Shaolin Temple” (1976); “Lei Tai/Death Ring” (1983), entre vários outros. Ele foi co-diretor, não creditado, em “The Legend of the Seven Golden Vampires” (1974) de Roy Ward Baker, parceria entre Shaw Brothers e os ingleses da Hammer. Ma Wu (1942), que co-dirigiu “Dong Kai Ji”, começou trabalhando como ator (seus filmes mais populares no ocidente talvez seja a série “Sien Nui Yau Wan/A Chinese Ghost Story”, iniciada em 1987, com direção de Siu-Tung Ching e produção do lendário Tsui Hark). Em 1970 teve a oportunidade de dirigir o drama de ação “Nu Jian Kuang Dao/Wrath of the Sword”, estrelado por Ching Tang. No ano seguinte lançou o clássico “Long Ya Jian/Deaf Mute Heroine” (1971), que se tornou um grande sucesso. Dirigiu mais de 40 filmes e trabalhou como ator em mais de 250 produções. Na entrada do novo milênio o veterano Ma Wu migrou para as produções da televisão de Hong Kong.

“Dong Kai Ji” foi lançado em DVD no Brasil pela China Vídeo com o título de “Os Sete Guerreiros do Kung Fu”, com cópia da Celestial Pictures, empresa que sempre lança filmes com cópias aceitáveis.

por Petter Baiestorf.

Assista “Dong Kai Ji” aqui:

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