Canibal Filmes – Os Bastidores da Gorechanchada

Tem anos que são especiais, não?

E 2020 é um destes anos: nos trouxe a pandemia da Covid-19; o governo americano assumiu a existência de aliens, e o brasileiro deu uma fraquejada colossal; mudanças climáticas geraram vespas gigantes assassinas, erupções vulcânicas, incêndios radioativos, maremotos, tornados e outras catástrofes; e descobriu-se que Júpiter está empurrando meteoros em direção à Terra.

Mas tudo sempre pode piorar: em 2020, a Canibal Filmes completou 30 anos de filosofia no future e estética Gorechanchada, tacando o foda-se em tudo!

Sempre com baixíssimo orçamento, a produtora criou pequenos clássicos do mau gosto como O Monstro Legume do Espaço (1995), Eles Comem Sua Carne (1996), Gore Gore Gays (1998), Zombio (1999), Arrombada – Vou Mijar na Porra do Seu Túmulo!!! (2007), Vadias do Sexo Sangrento (2008) e Zombio 2: Chimarrão Zombies (2013), e provou que produções Shot On Video (SOV) têm poder comercial, influenciando gerações de novos cineastas de horror, gore e experimentalismo.

Canibal Filmes – Os Bastidores da Gorechanchada conta a selvagem história da iconoclasta produtora: suas filmagens extremas, festas bizarras, soluções caseiras para efeitos especiais caros, seus eventos contagiantes unindo cinema gore aos shows de bandas podreiras. Também revela suas escolhas autodestrutivas, em uma narrativa ágil e visceral.

A Canibal Filmes é perigosa e divertida, como um puteiro de quinta categoria! Então desencane, abra o livro, e caia de boca nessa história única do cinema brasileiro!

O livro tem 544 páginas e a edição física é em capa dura, acabamento de luxo, e ainda vai de brinde lobby card do clássico scifi nacional O Monstro Legume do Espaço (1995) e um marcador de páginas ultragore.

CANIBAL FILMES – OS BASTIDORES DA GORECHANCHADA em edição física (R$ 91.00, com correio incluído) ou edição em PDF (R$ 29.90). Pagamento via depósito bancário!

Para adquirir, basta entrar em contato via e-mail baiestorf@yahoo.com.br

Na década de 1980, jovens do mundo inteiro se utilizaram de câmeras VHS para fazer seus primeiros filmes; esse movimento não organizado ficou conhecido como Shot On Video, ou abreviando, SOV. No Brasil, liderados por Petter Baiestorf, um dos primeiros grupos a fazer SOVs foi a Canibal Filmes.

Tomando o Cinema Marginal e o Cinema produzido na região da Boca do Lixo, em São Paulo, como referência, a Canibal Filmes iniciou a produção de filmes de horror e sci-fi de baixíssimo orçamento e inventou seu próprio sistema de distribuição, utilizando-se do correio, para chegar em todos os cantos do Brasil, USA, Canadá e países da Europa.

Na década de 1990, a Canibal Filmes foi a principal responsável no Brasil por tentar criar um mercado independente de produções em vídeo, aos moldes do que os fanzineiros e as bandas undergrounds faziam. Seus filmes tomaram de assalto shows punks, de death/black metal e, principalmente, grindcore/goregrind. Já naquela época, fechavam parcerias com bandas e outros cineastas transgressores. Seu método de produção inspirou praticamente todos os cineastas brasileiros que estão na ativa hoje produzindo filmes de horror e sci-fi, principalmente por mostrar que era possível driblar a falta de recursos.

No início do século XXI, Petter Baiestorf e Cesar Souza escreveram o livro “Manifesto Canibal”, que ensinava como fazer filmes sem recurso algum, e acabou se tornando uma referência ao jovem artista.

Com o advento das mídias digitais, a Canibal Filmes continuou sua história e produção independente, tendo realizado uma série de filmes de horror que se destacaram em festivais brasileiros e internacionais, como “Zombio” – oficialmente a primeira produção brasileira envolvendo zumbis –, “Zombio 2” – selecionado em mais de 50 festivais de cinema fantástico pelo mundo –, “Ninguém Deve Morrer” – vencedor de melhor filme, produção e edição no Festival Guarú Fantástico, em Guarulho/SP –, e “Ándale!” – curta-metragem experimental ganhador de vários prêmios de melhor produção experimental. A rica produção da Canibal Filmes ultrapassa mais de 100 filmes realizados de maneira independente nesses quase 30 anos de produções.

O livro conta a história da Canibal Filmes, que começou a produzir em 1992 utilizando-se do suporte VHS e seus integrantes e ex-integrantes compartilham aqui histórias hilárias de bastidores que envolvem muitos fanzineiros, bandas e produtores conhecidos da década de 1990; contam, também, como sobreviveram à troca do analógico pelo digital, como se adaptaram aos tempos virtuais mantendo seu foco num sistema de produção completamente independente que nunca bebeu de dinheiro público de editais, se mantendo por três décadas fiéis ao seu estilo de pensar e criar cinema.

O mais incrível dessa trajetória, iniciada na pequena cidade rural de Palmitos – Santa Catarina, em uma região sem tradição cinematográfica –, é que conseguiu fazer as suas produções influenciarem grandes centros como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre, pela inventividade com a qual eram produzidos e distribuídos em todo território nacional em uma época pré-internet.

O autor, Petter Baiestorf, também co-dirigiu alguns projetos coletivos produzidos fora da Canibal Filmes, como “As Fábulas Negras”, que teve co-direção de Zé do Caixão, Rodrigo Aragão e Joel Caetano, e “13 Histórias Estranhas”, projeto do produtor Ricardo Ghiorzi que envolveu 13 diretores do cinema fantástico do Brasil. E foi ator/técnico em filmes de cineastas como Ivan Cardoso, Dennison Ramalho, Gurcius Gewdner, Dellani Lima, entre outros. Foi objeto de estudo do coletivo acadêmico que lançou três edições do livro “Cinema de Bordas”. E foi a personagem principal nos documentários “Baiestorf – Filmes de Sangueira e Mulher Pelada” (2004), de Christian Caselli e “Baiestorf” (2017), de Bruno Sant’Anna.

Uma produção 100% independente, sem migalhas de um estado doente!

escrito por Gurcius Gewdner.

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