Archive for the Música Category

Por um Punhado de Downloads

Posted in Cinema, Música, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on outubro 14, 2016 by canibuk

Atenção, muita atenção!

logo-canibal-001Você está penetrando no Mondo Trasho da Canibal Filmes, clicando em qualquer um destes links abaixo disponibilizados você adentrará num universo onde o mal feito é glorificado como o mais valioso dos objetos sagrados, onde a falta de talento é incentivada, onde até mesmo o faxineiro de um grande estúdio conseguiria virar diretor de uma produção. Aqui ninguém é excluído do sonhos de virar uma estrela de cinema. Todas a produções abaixo disponibilizadas foram realizada nos anos de 1990, quando ainda não existiam bons equipamentos de filmagem que fossem baratos e a edição era feita se utilizando de dois vídeo cassetes, o que torna estes filmes ainda mais mongoloides. Estejam avisados, estes links contem o pior do pior, se você acha que possuí bom gosto, clique somente no link da Cadaverous Cloacous Regurgitous. Os links para download estão nos títulos em letras maiúsculas.

Cadaverous Cloacous Regurgitous (1993)

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Demo-Tape

Antes de fazer um filme eu era fanático-radical por noise grind e, junto de meu amigo Toniolli, planejamos montar a banda mais suja do mundo, ou algo assim, afinal éramos apenas uns guris sem nada pra fazer. Eis que nas férias escolares de 1993 fomos para a casa dos pais de Toniolli e gravamos e mixamos a demo-tape “Ópera Indústrial” e intitulamos nossa banda de noise com o belo nome de “CADAVEROUS CLOACOUS REGURGITOUS“. Além de instrumentos tradicionais, também usamos folhas de zinco, motosserras, uma guitarra quebrada com uma corda e, no vocal, uma gravação que Toniolli tinha feito meses antes de porcos sendo castrados. Não satisfeito com essa primeira experiência envolvendo música, em 1999 – desta vez ajudado por meu amigo Carli Bortolanza – gravamos a demo-tape “Anna Falchi”, colocando pra funcionar um projeto de industrial harsh intitulado “Smelling Little Girl’s Pussy” que está junto no zip. “Smelling” não utilizou nenhum instrumento musical, todo o som é produzido com microfonias que criamos com estática de rádio, sujeira sonora e gravamos nos utilizando de uma ilha de edição de vídeo, muitos dos barulhos estranhos captados são oriundos de uma câmera de VHS apontando pra uma tela de TV.

 

Açougueiros (1994)

acougueiros

Petter Baiestorf em 1994

Logo após finalizar e lançar “Criaturas Hediondas” (1993), oficialmente minha primeira tentativa de fazer um filme, reunimos a mesma turma e fomos para uma casa abandonada (que depois foi reutilizada como cenário para as filmagens de “Eles Comem Sua Carne”) passar dois dias, tempo em que filmamos o “AÇOUGUEIROS“, sendo atacados por terríveis aranhas assassinas durante as madrugadas. Já na primeira noite percebemos que as aranhas era inteligentes e estavam a nossa espreita. Deitávamos em nossos colchonetes e, ligando as lanternas contra o chão, víamos as aranhas se aproximando de nossos corpos com suas oito patas famintas por carne humana. Não dormimos. No dia seguinte filmamos quase todas as cenas do “Açougueiros”, já montando o filme na própria câmera. Anoiteceu novamente. Com medo da volta das aranhas assassinas, todos da equipe dormimos em cima de uma mesa de sinuca. Tão logo desligamos as lanternas, já começamos a escutar os cochichos das malditas aranhas. A madrugada foi louca, com a gente correndo das aranhas pela casa e as eliminando sempre que possível. Lá pelas tantas as aranhas se tornaram mutantes com asas e vinham voando famintas contra a gente. O cozinheiro da produção foi o primeiro a tombar morto diante da fúria das aranhas malignas, tendo convulsões até desfalecer completamente sem vida. Sim, as aranhas haviam se organizado e queriam um banquete… E o banquete era nossa equipe!

 

Criaturas Hediondas 2 (1994)

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Crianças Hediondas

Imediatamente após as filmagens de “Açougueiros”, resolvemos fazer uma continuação do primeiro filme e “CRIATURAS HEDIONDAS 2” tomou forma. As filmagens desta produção aconteceram no sítio de Walter Schilke, que entre outros, foi diretor de produção em “A Dama do Lotação” e de vários filmes de Os Trapalhões. Essas filmagens foram completamente sossegadas, com tudo dando certo e novos colaboradores aparecendo para ajudar o grupo. Após cada dia de filmagens todos retornávamos aos trailers da produção, ganhávamos massagens terapêuticas e participávamos de jantares de gala enquanto uma orquestra de querubins tocava sucessos de Beethoven. Depois de pronto foi exibido, no ano seguinte, na I HorrorCon em São Paulo com relativo sucesso. Neste mesmo ano explodiu a moda Trash no Brasil e ficamos bilionários fazendo filmes ruins.

 

2000 Anos Para Isso? (1996)

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Toniolli em banho de sangue

Sabe-se lá porque, até 1995 eu só pensava em fazer longas-metragens (devia ser algum problema de ego). Mas em 1995 fiz uma experiência em curta-metragem e realizei “Detritos” (curta que atualmente está perdido, mas que continuo tentando achar uma cópia para disponibilizar), gostando bastante da simplificação dos problemas que uma filmagem sempre tem. Então, logo no início de 1996 filmamos “Eles Comem Sua Carne” e um festival de curtas gore da Espanha, tendo assistido “O Monstro Legume do Espaço”, me escreveu solicitando um curta para incluir no festival. Como “Detritos” não era gore, resolvi montar algumas cenas do “Eles Comem Sua Carne” no formato de curta e, assim, surgiu este “2000 ANOS PARA ISSO?“, meu primeiro flerte com cinema experimental.

 

Assista “O Monstro Legume do Espaço” aqui:

Bondage 2 – Amarre-me, Gordo Escroto!!! (1997)

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Denise e Souza

Após as filmagens de “Blerghhh!!!” (1996), tive uma ideia fantástica que rendeu um belo punhado de reais: Fazer um filme de putaria assinado por uma diretora, então combinei com a atriz principal de “Blerghhh!!!”, Madame X, que ela iria assinar nosso próximo filme. Com orçamento mínimo escrevi um roteiro fácil de filmar (sob pseudônimo de Lady Fuck e Carla N. Toscan, afinal, melhor que uma mulher tarada, só três, não?). Fomos pra casa do Jorge Timm, nos trancamos lá durante uns quatro dias e cometemos “BONDAGE 2: AMARRE-ME, GORDO ESCROTO!!!“, com climão de filme de Boca do Lixo final dos anos 70. É uma produção extremamente simples, mas na época do lançamento alardeamos tanto que era escrito e dirigido por mulheres que todo mundo quis assistir.

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José Mojica Marins e seu livro preferido.

 

Fase 98 (1997-98)

Ácido (1997) – este curta filmamos durante as gravações de “Blerghhh!!!” e só montamos um ano depois. Os efeitos de cores sobre as imagens captadas foram inseridas via uma ilha de efeitos analógicos. Acredito que foi meu primeiro vídeo arte, a concepção deste vídeo foi desenvolvida em parceria com o Coffin Souza.

Deus – O Matador de Sementinhas (1997) – No ano de 1997 Carli Bortolanza e eu cuidávamos do castelo da Canibal Filmes, local onde todo o equipamento de filmagem, maquiagens, iluminação e figurinos estavam guardados. Como o tempo de tédio era muito enquanto montávamos guarda para que ninguém invadisse nosso estúdio para roubar ideias e bens materiais, começamos a filmar vários curtas experimentais inspirados em Andy Warhol e Paul Morrissey e, assim, surgiram pequenas brincadeiras como “Crise Existencial”, “O Homem Cu Comedor de Bolinhas Coloridas”, “A Despedida de Susana – Olhos e Bocas” (1998), “9.9 (nove.nove)” e este “Deus – O Matador de Sementinhas”.

“Boi Bom” (1998) – Possivelmente meu filme mais polêmico. Antes de me tornar vegetariano realizei este brutal filme sobre a figura do homem se valendo de assassinato para se alimentar em pleno século XX. Em uma bebedeira falei com Jorge Timm e Carli Bortolanza sobre minha intenção de rodar algo extremamente brutal sobre alimentação envolvendo a matança de animais, mas a ideia ficou ali. Alguns meses depois o Jorge Timm apareceu com tudo combinado, ele já tinha encontrado um abatedouro clandestino que iria nos deixar filmar desde que não identificássemos o local. Chamei o Bortolanza e o Claudio Baiestorf e fomos até o abatedouro filmar. Em tempo: a carne deste boi que aparece no filme foi vendida pra um restaurante – pelo abatedouro, não pela gente – após as filmagens, só vindo a reforçar o que acho da alimentação envolvendo assassinatos. Hoje eu não faria outro filme com este teor, mas não renego o curta, está feito, faz parte de uma fase que eu me preocupava mais em chocar. PACK ÁCIDO+DEUS+BOIBOM.

Assista “A Despedida de Susana – Olhos e Bocas” aqui:

Mantenha-se Demente!!! (2000)

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Bortolanza aplicando fx em Loures

Logo após lançar “Zombio” (1999) escrevi o roteiro insano de “Mantenha-se Demente!!!”, um longa gore que misturava a cultura da região oeste de SC com os delírios japoneses envolvendo putaria com tentáculos. Levantei uma parte do dinheiro necessário para as filmagens e chegamos até a rodar algumas cenas do filme. Mas tudo estava tão capenga e caótico que acabei abandonando o projeto para rodar o “Raiva” (2001). O material filmado acabou por se tornar o curta-metragem “FRAGMENTOS DE UMA VIDA“, montado em 2002. Particularmente, gosto bastante do resultado de surrealismo gore alcançado neste cura improvisado, o que sempre me faz pensar que poderia voltar, hora dessas, a realizar experiências nesta linha.

 

Entrevista com Petter Baiestorf no Set de Zombio 2 (2013)

Acabei de encontrar essa ENTREVISTA que o Andye Iore realizou comigo durante as filmagens de “Zombio 2” (2013). Estou visivelmente cansado mas até que bem lúcido falando sobre o caos que foram os primeiros 12 dias de filmagens de “Zombio 2”. Estou compartilhando com vocês essa entrevista de 17 minutos mais como uma curiosidade mesmo, ela deveria estar nos extras de “Zombio 2” mas por um estranho motivo foi esquecida durante a autoração do DVD oficial de “Zombio 2“. Enfim, palhaçadas de uma produtora de cinema completamente atrapalhada.

Memórias em tom de realismo fantástico de Petter Baiestorf.

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Dangerous Glitter

Posted in Livro, Música with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on março 26, 2014 by canibuk

“Dangerous Glitter – Como David Bowie, Lou Reed e Iggy Pop foram ao Inferno e Salvaram o Rock’n’Roll” (2009, 400 páginas, editora Veneta) de Dave Thompson.

Dangerous GlitterNovamente a editora Veneta surpreende com um lançamento imperdível aos amantes da boa música (e suas histórias inacreditavelmente hilárias). “Dangerous Glitter” conta a história de “quando Lou Reed e Iggy Pop se encontraram pela primeira vez com David Bowie no final de 1971, (quando) Bowie era apenas mais um músico inglês passando por New York, Lou ainda estava se recuperando do colapso do Velvet Underground e Iggy já estava classificado como um perdedor.”

BowieAos moldes do “Mate-me, Por Favor”, de Larry McNeil e Gilliam McCain, “Dangerous Glitter” destaca a importância do artista plástico Andy Warhol para a cena underground nova-iorquina (e mundial, já que todo mundo imita New York) e a influência de Nico sobre as personalidades dos três menininhos assustados (apesar do livro não ser sobre Nico fica bem claro o quanto ela foi importante para Bowie, Reed e Pop). No livro somos apresentados à três artistas tímidos que se tornaram (a base de muita grana investida em suas imagens) as lendas conhecidas de hoje, desmitificados pelo autor Dave Thompson (todo mito não passa de um humano normal cheio de medos e inseguranças). É um mergulho alucinante pelo mundo dos anos de 1960/1970 quando a cena musical mundial produzia obras ricas em criatividade e ousadia.

LouEntre inúmeras histórias saborosas ficamos sabendo como David Bowie gastou 400 mil dólares na sua primeira turnê americana (e arrecadou míseros 100 mil dólares), como Iggy Pop se tornou o enfurecido vocalista com toques de escatologia que impressionaram muitos moleques do mundo a fora (GG Allin estava entre eles, com certeza), como Lou Reed quase abandonou sua vida de rockstar após sair do Velvel Underground, como Nico afundou sua carreira nas drogas e Tony Defries, o advogado rockstar, se tornou uma espécie de Allen Klein do rock’n’roll e criou David Bowie como os fãs do camaleão o conhecem hoje.

IggyDave Thompson, o autor, já escreveu mais de 100 livros que, geralmente, lidam com música pop, rock’n’roll, cinema ou erotismo. Nasceu em Devon (Devonshire, Inglaterra) e iniciou sua carreira jornalística editando um fanzine sobre a cena punk londrina dos anos de 1970, o que lhe valeu convites para escrever em revistas como “Melody Maker”, “Rolling Stone”, Mojo, entre outras. Outros livros de Thompson sobre David Bowie incluem “Moonage Daydream” (1987) e “Hallo Spaceboy” (2006).

Fica a dica deste ótimo livro que a editora Veneta acabou de lançar. “Dangerous Glitter” custa R$ 79.90 e pode ser adquirido em lojas virtuais como Saraiva ou Livraria Cultural.

Petter Baiestorf.

Filmes com David Bowie (veja alguns trailers):

Filmes com Iggy Pop (veja alguns trailers):

Filmes com Lou Reed (veja alguns trailers):

Rubens Mello – Canções dos Guarus

Posted in Música with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on setembro 23, 2012 by canibuk

Rubens Mello – “Canções dos Guarus” (CD), 11 músicas.

Este post é para indicar o CD de meu amigo Rubens Mello. Não sou muito bom no quesito “resenhar discos”, ainda mais num estilo – POP – que não tenho afinidade nenhuma, já que boa parte da minha vida fui um perseguidor de sons extremos como grindcore ou bandas obscuras estranhas.

O CD do Rubens, “Canções dos Guarus”, é feito para aquele público que curte um barzinho onde rola um músico ao vivo com seu violão e um banquinho. É Pop/MPB para se curtir conversando com amigos entre uma e outra taça de vinho. É som para pessoas de bom gosto. Rubens apresenta o CD, “Canções dos Guarus propõe uma viagem sonora através de composições de artistas guarulhenses consagrados e novos talentos, mesclando diferenças e homogeneizando de forma harmoniosa em seu próprio estilo“, escreve ele no encarte. Há vários sons com um instrumental elétrico, mas penso que se fosse somente voz e violão teriam ficado mais poderosas, como as canções “Cinza e Rosa”, “Teoria” ou “Madalena”. As canções “Encontro Marcado”, “Sai Daqui” e “Alguém” grudam na mente, como uma boa música pop deve ser.

Rubens Mello foi o vencedor do concurso do Mojica que escolhia o sucessor do Zé do Caixão, depois apareceu em alguns filmes importantes como “Encarnação do Demônio” (2008) de José Mojica Marins, onde interpretou um dos assistentes do Zé, e “Ivan” (2011) de Fernando Rick, onde interpretou um travesti de maneira brilhante. Criado no teatro, na cidade de Guarulhos/SP, Rubens aprendeu a cantar e encantar com seu timbre de voz único. Paralelo a sua carreira de ator de teatro/cinema e músico, Rubens também dirigiu alguns interessantes curtas de horror (assim que for possível farei entrevista com ele sobre seus filmes), como “Lâmia” (2004), “A História de Lia (2009) e “Vermibus” (2012). Também é o organizador e incentivador da Mostra Guarú Fantástico, evento de cinema que prima pela exibição de filmes brasileiros independentes.

Fica aqui a dica do CD do Rubens Mello, se você curte um pop bem executado, com uma pegada de MPB, é imperdível. Para comprar o CD, ou contratar o Rubens Mello para shows, entre em contato com ele via facebook ou pelo fone (11) 97403-2797. Cinco sons do Rubens podem ser conferidos no seu My Space.

A Dançante Versão Musical de Guerra dos Mundos

Posted in Livro, Música with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on julho 9, 2012 by canibuk

Adriano Trindade me deu toque sobre a existência de uma versão musical do livro “The War of the Worlds” de H.G. Wells que eu desconhecia completamente. Gravado em 1978 por Jeff Wayne, é um álbum conceitual que conta, em forma de música, a invasão do planeta Terra por hordas de marcianos sedentos por sangue humano usando ótimas rimas e um instrumental que bebe da fonte do rock progressivo com uma batida disco que deixa o cara querendo dançar, penso que com alguns arranjos mais disco daria um lindo sci-fi musical blaxploitation, estrelado por atores negros, ambientado em 1976.

O musical foi composto por Jeff Wayne (um autor de jingles publicitários) com ajuda de Gary Osborne (ex-letrista de Elton John) criando as letras rimadas por onde os sentimentos de várias personagens são cantadas. A banda que Wayne conduz ficou conhecida pelo nome Black Smoke Band e o jornalista da história, principal narrador, é interpretado pelo ator Richard Burton.

“Forever Autumn” (que ficou no top 5 londrino), “The Eve of the War”, “Thunder Child” e “The Spirit of Man” são as canções mais conhecidas do álbum que já vendeu mais de dois milhões de cópias. Existem algumas versões do álbum em espanhol (uma com Anthony Quinn no papel do jornalista e outra com Teófilo Martinez na mesma função). Em 1980 foi lançado uma versão em alemão com Curd Jürgens, que foi ator no clássico “Et Dieu… Créa la Femme/… E Deus Criou a Mulher” (1956) de Roger Vadim, no papel do jornalista. Além disso, em 1984 o CRL Group PLC lançou um video game baseado no musical de Wayne. Existe também, ainda em produção, uma animação em CGI inspirada no álbum.

Não deixe de conferir “The Jeff Wayne’s Musical Version of War of the Worlds“.

No post original sobre “The War of the Worlds” não falei que em 30 de outubro de 1971 os funcionários da rádio e TV difusora de São Luís/MA repetiram, desta vez em português, a experiência de Orson Welles e transmitiram um programa de 45 minutos de duração baseado em “A Guerra dos Mundos”, assim como nos USA em 1938, a cidade de São Luís também acreditou que estava sendo invadida por marcianos e o pânico e o caos se instalaram. Após o término do programa o exército fechou a rádio e prendeu os responsáveis. Para saber mais sobre essa linda experiência do rádio brasileiro, consiga o livro “Outubro de 71 – Memórias Fantásticas da Guerra dos Mundos”.

Abbracciare Zimbo Trio: EP – Una Anima D’Amore

Posted in Música with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on maio 18, 2012 by canibuk

Parem tudo!!! Essa semana não saiu do meu aparelho de som a música “Non c’e Piu Niente da Fare” gravada pelo Abbracciate Zimbo Trio que é simplesmente a melhor música que já ouvi em anos (ou na vida inteira). Este som é hipnótico, com um clima romântico que o POP mundial tinha nos anos 60/70 e depois perdeu. Encontrei em “Non c’e Piu Niente da Fare” a música perfeita para ser o tema do meu novo filme, “O Fanzineiro”, em fase de roteirização e logo em pré-produção (ainda sem elenco definido).

Abbracciate Zimbo Trio é formado por Gurcius Gewdner (“Os Legais”) nos vocais, Peter Gossweiler (“Colorir”) na percussão com copinho de pinga e Yama, que ninguém sabe direito de quem se trata, no violão. Este EP “Una Anima D’Amore” traz o trio recriando as canções de Bobby Solo, o imitador italiano de Elvis Presley que fez sucesso na década de 60 em festivais da canção promovidos pela Europa.

Em entrevista exclusiva para o Canibuk, Gurcius afirma que “Abbracciare Zimbo Trio é um grupo acústico romântico que busca resgatar o amor na música POP”, e continua, “Neste momento a música mundial tem medo de errar, tem medo de ser ridícula, tem medo de ser autêntica, tem medo de tudo. Não temos medo de errar e nosso EP é uma celebração da paixão, é ótimo para dançar coladinho com seu amor, para fazer serenatas à sua amante fogosa!”. Sobre Yama, parceiro de banda, Gurcius explica, “Não sei quem é o Yama, ele estava no estúdio do Amexa e gravou com a gente essas duas canções, tendo que sair imediatamente após a sessão porque iria perder seu avião prá não sei onde!”.

A fantástica “Non c’e Piu Niente da fare” foi gravada em duas versões mas, infelizmente, Amexa apagou uma das versões logo após as gravações. Essa gravação que ouvimos no EP está sendo executada com grande sucesso pelas rádios do Brasil inteiro, tendo virado hit instantâneo. Você pode ligar para a sua rádio preferida e pedir a canção. Além do CD, em breve a banda estará lançando em vinil este pequeno trabalho que já nasceu clássico.

Você também pode baixar o EP do Abbracciare Zimbo Trio:

ABBRACCIARE ZIMBO TRIO – Una Anima D’Amore (2012) – Download autorizado pela banda.

Lado A – Non c’e Piu Niente da Fare

Lado B – Una Anima Sul Viso.

Trilha sonora oficial do longa-metragem “O Fanzineiro” (com previsão de lançamento para 2013).

Dica de Petter Baiestorf.

Novos Velhos

Posted in Música with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on maio 13, 2012 by canibuk

Novos Velhos é uma banda catarinense de rock’n’roll que merece ser conhecida por seu talento instrumental e como letristas de qualidade. Os caras executam extremamente bem a proposta da banda que é dar continuidade ao rock nacional com letras que digam algo interessante (algo que se perdeu no Brasil depois dos anos 90).

A banda foi formada por Anderson Kreutz, Michel Petry e Diogo Graff em 2009 e, sempre independentes, foram fazendo shows por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná até gravarem o CD “Velha Idéia Novos Tempos” que é uma delícia. Este CD foi lançado em 2011 e demorei um pouco para descobri-lo porque não sou um perseguidor de bandas novas (escuto muito grindcore dos anos 90 ou bandas desconhecidas dos ano 60/70/80), então acabo sempre levando um tempinho até conhecer novas bandas que estão surgindo.

O CD “Velha Idéia Novos Tempos” tem 10 sons onde destaco a maravilhosa “Mundo Quadrado”, que tem uma pegada anos 70 ótima e que me apaixonei por este som; “Que Seja Feita a Nossa História”, um desabafo da banda com um instrumental bem elaborado e “Vice-Versa”, um blues rock sobre “cabeludos maus” com letra hilária. Na faixa “Apenas um Vira Lata” rola uma participação de Paulão do Velhas Virgens, o que deixa o som parecendo uma música do Velhas Virgens. Aliás, a faixa “Briefs Blues” também tem uma influência bem forte de Velhas Virgens.

Para ouvir várias das canções deste CD e fazer contato com a banda (recomendo que o show deles seja levado prá capitais como Porto Alegre, Curitiba e São Paulo que é muito bom, vi eles tocando com Tor Tauil do Zumbis do Espaço e superou minhas expectativas, ao vivo os caras são melhores ainda), visite o My Space de Novos Velhos.

Dica de Petter Baiestorf.

Segue alguns vídeos dos Novos Velhos:

MUNDO QUADRADO

Acreditar que o mundo não é redondo

Olhar para as estrelas e ver um urso polar

Ter um milhão de sonhos, diferente dos normais

Contar as histórias, do que ficou para trás.

.

São coisas da vida

São coisas da vida

E você ainda duvida.

.

Dizem que a vida é curta

Mas eu acho que é só para or normais

Os escravos do tempo

Que trabalham e só pensam

No dia do aposento.

.

São coisas da vida

São coisas da vida

E você ainda duvida.

.

Trabalhar é necessário eu sei

Trabalhar é necessário e é vital

Mas é preciso lembrar , que daqui nada levará

Só seus ossos vão ficar.

.

São coisas da vida

São coisas da vida

E você ainda duvida.

.

Quanto tempo vai durar essa loucura?

Qual a distância entre o céu e o inferno?

Quanto tempo ainda temos?

Por quanto tempo que você estará por perto.

.

São coisas da vida

São coisas da vida

É isso que eu queria te falar…

por Anderson Kreutz.

Serge e Jane, Um Casal Pervertidamente Perfeito!

Posted in Cinema, Música with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on maio 9, 2012 by canibuk

Serge Gainsbourg e Jane Birkin  protagonizaram uma das parcerias mais interessantes  da história da música e também do cinema. O casal uniu criatividade e ousadia e presenteou o mundo com uma arte provocante e apaixonada que até hoje é referência e segue sendo admirada em todo o mundo.

Jane Birkin, nasceu em Londres  em 14 de dezembro de 1946. Ousada,  ganhou notoriedade aos vinte anos ao fazer uma ponta no filme de Antonioni “Blow-up – Depois Daquele Beijo“, de  1966.  O Serge, nasceu em Paris em 1928, controverso, compulsivo por cigarros, álcool e mulheres, era um provocador nato e bom na arte de se auto promover. Entre suas estripulias estão a versão iconoclasta que compôs do hino francês, o que despertou a ira dos “grandes”, a provocação ao queimar 500 francos num programa de tv para denunciar a corrupção e ganância do governo e o vídeo hilário onde, completamente bêbado, ele canta de forma grotesca e descarada a Whitney Houston num programa de tv.

Mas Gainsbourg foi muito mais que um mero provocador sem limites. Sua importância para a cultura francesa é inestimável. Seu primeiro disco passou despercebido pelo público, mas agradou fortemente a crítica. Em pouco tempo ele já se desdobrava entre gravar suas canções e compô-las para outros. O sucesso começou a surgir quando conheceu sua primeira lolita, a cantora France Gall, de 18 aninhos. A ninfeta começou a aparecer na tv com um pirulito nas mãos enquanto cantava uma música composta pelo Serge que era recheada de duplo sentido “(…) Annie gosta de pirulitos, pirulitos de anis. Dê-lhe beijos de ânis. Veja quando ela o tem em sua língua (…)” que só não foi percebido pela mesma. Ao ser alertada  do sentido da letra, Frances  cortou relações com o Serge. E assim a França começava a prestar atenção nesse transgressor deliciosamente excessivo, provocador ferrenho dos puritanos, feio com cara de ressaca, defensor do hedonismo individual e conquistador das mais belas mulheres  que já cruzaram o seu caminho. Mais tarde tornaria-se  mentor e, em seguida, amante de Birkin que, ao contrário da Brigitte Bardot, não tinha nada de voluptuosa. Serge e Jane se conheceram durante as filmagens de “Slogan” 1969, de Pierre Grimblat. Num momento onde o Serge já era famoso e a Jane não passava de uma aspirante, ela passou por maus bocados ao enfrentar um teste de tela sem saber falar francês muito bem e ao ter de lidar com um parceiro de cena que ela não conhecia, mau humorado e que ainda tentava se recuperar da ruptura do relacionamento com a Brigitte Bardot. A coisa toda não andava, a Jane se desmanchava em lágrimas e o Serge ficava impaciente. Depois de reconhecer que ela merecia  ser a co-estrela do filme, o já grande e influente artista francês parou de implicar e a aceitou no papel.  Assim começava  o romance de um dos casais  mais ousados dos anos 70. Casaram-se no mesmo ano.

“Je T’Aime Moi Non Plus” (“Paixão Selvagem”, 1976, 83 min.) de Serge Gainsbourg. Com: Joe Dallesandro, Jane Birkin e Hugues Quester.

Uma introdução musical: No inverno de 1967 Brigitte Bardot pediu para Serge, então seu amante, que lhe escrevesse a mais linda canção de amor e ele criou a clássica e ofensiva (para recalcados) “Je T’Aime Moi Non Plus”, que trazia  um conteúdo fortemente sexual, com gemidos, sussurros, respiração ofegante, lembrando um orgasmo feminino. Mas assim que a notícia das gravações chegaram aos ouvidos do milionário cornudo Günter Sachs (então marido de Bardot, que ganhou fama mundial como documentarista e colecionador de arte), Bardot pediu para que Gainsbourg não lançasse a música. A versão com a Bardot ficou inédita por quase vinte anos.  Quando Serge começou a namorar com a inglesa Jane Birkin pediu para ela regravar a canção com ele (que topou por ciúmes de que ele procuraria outra cantora, coisa que ele fazia sempre, pois antes de Jane ele já havia convidado Marianne Faithfull, Valérie Legrange e Mireille Darc) e no ano seguinte chegava às lojas o single com “Je T’Aime Moi Non Plus”, com uma capa simples onde se lia a frase “Proibido para menores de 21 anos”. Como curiosidade, o título da canção foi inspirado numa frase de Salvador Dalí que dizia: “Picasso é espanhol, eu também. Picasso é um gênio, eu também. Picasso é comunista, nem eu”. A canção criou um escândalo enorme, tendo despertado a fúria do Vaticano que a considerou fortemente imoral e pediu ao governo Italiano que a proibisse de ser tocada nas rádios. Despontava-se um grande alvoroço e a canção foi  mesmo proibida não só na Itália, mas em vários outros países, incluindo Brasil, Suécia, Espanha e Portugal. Porém, ao contrário do que queriam as autoridades e moralistas nervosos, todo esse empenho para vetar a “imoralidade” aguçou ainda mais a curiosidadde das pessoas e fez a música  chegar ao topo de número de vendas.  Surgiram várias versões  da música, em japonês inclusive. Mesmo sem a divulgação das rádios a canção vendeu dois milhões de cópias em seis meses.  Bardot, por sua vez, só liberaria o lançamento da versão original em 1987 com a intenção de reverter todo o recurso obtido com as vendas para um instituto que até hoje mantém em defesa dos animais.

“Je T’Aime Moi Non Plus” Versão Serge e Jane (nossa preferida):

“Je T’Aime Moi Non Plus” Versão Serge e Bardot:

Em 1976 Serge Gainsbourg escreveu um roteiro inspirado na sua mais famosa canção. “Je T’Aime Moi Non Plus” conta a história de um casal de homosexuais que cruzam o caminho da garçonete Johnny (Jane Birkin), uma jovem mulher com visual masculino sem muitas perspectivas de futuro. Krassky (interpretado por Joe Dallesandro, que já era uma lenda no cinema underground por conta de seus filmes com Andy Warhol) tem um caso com Johnny para fazer ciúmes em seu parceiro Padovan (Hugues Quester). Sem conseguir ereção para o coito vaginal, as frustrações dos amantes vai crescendo até o momento em que Johnny se deita de modo que somente sua bunda masculinizada fica aparecendo, visão que enlouquece Krassky que tenta fazer sexo anal com ela. Mas a dor do sexo anal é tão grande para a jovem que seus urros de dor/prazer os fazem ser expulsos de todos os móteis decadentes onde tentam fazer amor.

“Je T’Aime Moi Non Plus” é um filme maldito, com clima sujo, narrativa lenta e uma história de provocação. O verdadeiro romance do qual o filme fala é entre Krassky e seu parceiro Padovan, que lutam contra os preconceitos e a mediocridade da sociedade impondo seu modo de viver. Abusados, estes homosexuais não são afeminados, ao contrário, são dois trabalhadores braçais que sabem como se defender. Johnny é apenas um instrumento usado por Krassky para fortalecer o fogo da paixão com seu parceiro. Serge fala sobre a escória humana, sobre pessoas cujos sonhos acabaram naquele ambiente meio rural/meio indústrial de periferia, onde a maior diversão dos trabalhadores braçais é assistir um striptease amador com mulheres reais feiosas, visivelmente constrangidas, num sábado a noite. Atentem para a participação especial de Gérard Depardieu no papel de um debochado homosexual (nos anos 80 ele viria a se tornar um dos atores franceses mais famosos do cinema).

“Je T’Aime Moi Non Plus” é o primeiro filme de Serge Gainsbourg (que já havia dirigido vários comerciais para a TV francesa). O interesse de Gainsbourg por cinema começou quando co-estrelou com Rhonda Fleming o épico italiano “La Rivolta Degli Schiavi” (1960) de Nunzio Malasomma, onde fazia o papel de Corvino, um dos soldados do imperador romano. Além de “Je T’aime Moi Non Plus”, dirigiu mais 3 longas: “Équateur” (1983), “Charlotte For Ever” (1986) e “Stan the Flasher” (1990), além de alguns documentários para a TV (como “Cinéma Cinémas” de 1982 e “Springtime in Bourges” de 1987) e alguns curta-metragens como “Le Physique et le Figuré”, 1981; “Scarface”, 1982 e “Bubble Gum”, vídeo minuto de 1985. Compôs mais de 40 trilhas para filmes e suas canções continuam sendo incluídas em filmes pelo mundo a fora. Em 1980 ele e Jane fizeram participações no cult “Egon Schiele Exzess” de Herbert Vesely, infelizmente não lançado aqui no Brasil em DVD. Em 2010 foi lançado o filmaço “Gainsbourg (Vie Héroïque)” de Joann Sfar que recomendo aos fãs e não-fãs do genial compositor.

Jane Birkin, após ter chamado atenção no clássico “Blow-Up” (1966) de Michelangelo Antonioni (nesta época ela era casada com John Barry, compositor do tema de James Bond), trabalhou no psicodélico “Wonderwall” (1968) de Joe Massot, com todos os maluquinhos de plantão da Londres dos anos 60. Mesmo sem falar francês, ganhou o papel em “Slogan”, uma sátira ao mundo dos publicitários. Depois de uma curta pausa na carreira de atriz, retornou como amante de Brigitte Bardot na comédia “Don Juan ou Si Don Juan Était une Femme” (1973) de Roger Vadim, que eu gostaria muito de saber como era o convívio no set de filmagens, com Roger Vadim (ex-esposo) e Serge Gainsbourg (ex-amante) encarando Bardot enquanto Birkin (esposa de Gainsbourg) a pegava na história do filme. Sempre trabalhando com diretores interessantes, Birkin construiu uma carreira de respeito que incluí clássicos como “La Morte Negli Occhi del Gatto” (1973) de Antonio Margheriti, “Death on the Nile” (1978) de John Guillermin, “La Fille Prodigue” (1981) de Jacques Doillon, “Evil Under the Sun” (1982) de Guy Hamilto, entre outros. Jane é mãe da também atriz Charlotte Gainsbourg que tem causado sensação nos filmes dirigidos por Lars Von Trier.

“Je T’Aime Moi Non Plus” no Brasil recebeu o título de “Paixão Selvagem” e já foi lançado em VHS pela distribuidora Vídeo Cassete do Brasil e em DVD pela Cult Classic, sem nada de material extra, lógico. Filme obrigatório a todos amantes de cinema maldito.

por Leyla Buk e Petter Baiestorf.

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