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Fragmentos do Nobre Deputado Fraude Tomando no Orifício Pomposo

Posted in Nossa Arte, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on abril 17, 2012 by canibuk

Nesta semana Gurcius Gewdner está disponibilizando em sites como Vimeo e Youtube alguns curtas que fiz tempos atrás e que nunca foram lançados em DVD. Segue link para mais quatro curtinhas bagaceiros. Para Assistir “Deus – O Matador de Sementinhas” (1997) e “Poesia Visceral” (2004), clique aqui.

“Fragmentos de uma Vida” (2002, 7 min.) de Petter Baiestorf. Com: Juliana, PC e Loures Jahnke.

Em 2001, logo após o lançamento do longa-metragem “Raiva”, comecei as filmagens de outro longa chamado “Mantenha-se Demente”, uma homenagem ao cinema gore exagerado japonês que naquela época eu assistia aos montes em fitas VHS piratas sem legendas em nenhuma língua ocidental. Como o “Raiva” não deu lucro financeiro nenhum, tive que abortar as filmagens do “Mantenha-se Demente” (bem mais caras e complicadas), mesmo já tendo filmado algumas seqüências. Depois de um ano resolvi rever as cenas que havíamos filmado e percebi que tinha um curta nas mãos. Não gosto de filmar e não aproveitar o material. Mudando o título para “Fragmentos de uma Vida”, montei as cenas para ser uma reflexão sobre a brutalidade do machismo na sociedade brasileira (sem deixar de lado minhas críticas religiosas, desta vez centradas na figura de um satanista, que para mim é tão ignorante quanto um católico, um evangélico, um espírita, um cabalista, macumbeiro, budista, muçulmano e o que mais os medos humanos criarem para servir de muletas). Não filmo o sobrenatural porque o que não existe não me interessa (salvo zumbis e alienígenas que aí é pura diversão), meu interesse está voltado aos assuntos possíveis, como a imbecilidade do homem, seu fanatismo religioso, sua brutalidade que ganha força com sua ignorância; uma horda de torcedores fanáticos vindo em minha direção me assusta, fanáticos religiosos segurando um facão me assustam (o mundo está cheio de exemplos de massacres religiosos), a mente humana me assusta muito mais que vampirinhos ou fantasminhas de filme de horror americano que o cinema brasileiro está começando a pegar gosto em copiar. A trilha sonora do curta trás músicas das bandas Ornitorrincos e Intestinal Disgorge.

“Frade Fraude Vs. O Olho da Razão” (2003, 13 min.) de Petter Baiestorf. Com: Coffin Souza e Petter Baiestorf.

Este é outro curta que só filmamos por culpa do tédio (se você não gosta de filmes sem um mínimo de produção nem assista). Estávamos, Coffin Souza e eu, sem nada para fazer num domingo e, depois de algumas cervejas, resolvemos filmar uma reflexão sobre os rumos da humanidade. Nos apropriamos de textos do Nietzsche (e de outros filósofos que fomos lembrando frases) e elaboramos um curta cíclico como a vida; ação/reação – tudo que tu faz na vida resulta em críticas positivas e destrutivas (e no final arrisco dar minha fórmula para a implantação de uma sociedade anarquista na sociedade de hoje). Revendo este curta hoje me arrependo de não tê-lo filmado direito, com outro ator no meu papel (para mim manejar a filmadora e dirigir direito), figurinos apropriados e outras coisinhas mínimas de produção. Mas a idéia está aí, rodando por todos os lados, essa tranqueira foi até exibida em alguns festivais de cinema experimental. Neste curta temos uma participação especial de Claudio Baiestorf (meu pai, que infelizmente faleceu em 2009), no final do filme, com um diálogo enigmático que remete à uma piada interna da Canibal Filmes envolvendo o clássico “Invasion of the Body Snatchers/Vampiros de Almas” (1956) de Don Siegel.

“Vai Tomar no Orifício Pomposo” (2004, 14 min.) de Petter Baiestorf. Com: Coffin Souza, Elio Copini e DG.

Não é segredo prá ninguém que sou um grande fã do escritor Charles Bukowski e este curta é minha tentativa de filmar algo no universo do velho safado. Não lembro muita coisa destas filmagens, não lembro nem de ter escrito o roteiro (to achando que filmei este curta todo de cabeça), nesta época eu estava mais preocupado em me matar bebendo do que na possibilidade de realizar meus projetos. A casa usada nestas filmagens era a casa real do Souza e como a casa vizinha à dele estava vazia, arrancamos a parede para criar o clima surreal que a briga de vizinhos pedia. Elio Copini interpretou o evangélico cretino e Coffin Souza o escritor maldito com problemas com as bebidas (essa personagem sou eu, mas pode ser o Souza mesmo, pode ser o Bukowski, pode ser você). Não gosto muito da edição que fiz (montei tudo na câmera, inclusive os efeitos sonoros e as músicas). Desde a época que filmei “Vai Tomar no Orifício Pomposo” que tenho planejado um longa-metragem dramático com este clima de desespero fantástico, mas como tenho preferência por projetos sexploitations de humor negro, sempre vou deixando prá depois essa minha vontade de produzir um drama etílico surrealista.

“O Nobre Deputado Sanguessuga” (2007, 13 min.) de Petter Baiestorf. Com: Elio Copini, Coffin Souza, Gurcius Gewdner, Carli Bortolanza, Iara e Claudio Baiestorf.

Essa fábula infantil que ensina as crianças sobre as maldades dos políticos brasileiros eu escrevi e dirigi em 2007 para testar minha nova filmadora (escolhi a temática infantil por dois motivos, primeiro: nesta época eu estava planejando um livro infantil com ilustrações de Gurcius Gewdner – idéia que não abandonei ainda; segundo: porque é uma temática que me interessa muito). Inspirado no cinema expressionista alemão, “O Nobre Deputado Sanguessuga” foi a desculpa perfeita para reunir amigos para algumas cervejas no meu sítio e me exercitar na narrativa do cinema mudo. Gostei bastante da experiência de rodar um curta infantil, mas acabei não repetindo a dose porque depois dele rodei somente sexploitations gores com títulos como “Arrombada – Vou Mijar na Porra do seu Túmulo!!!” (2007), “Vadias do Sexo Sangrento” (2008) e “O Doce Avanço da Faca” (2010) e uma comédia musical western cafajeste chamada “Ninguém Deve Morrer” (2009).

Deus – O Matador de Sementinhas & Poesia Visceral

Posted in Nossa Arte, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on abril 15, 2012 by canibuk

Gurcius Gewdner acabou de colocar no Vimeo dois curtas antigos onde tenho participações, “Deus – O Matador de Sementinhas” (1997), que co-dirigi em parceria com C.B. Rot e “Poesia Visceral”, uma palhaçada coletiva de 2004 que eu nem lembrava mais que tinha participado!

“Deus – O Matador de Sementinhas” (1997, 3 min.) de Petter Baiestorf e C.B. Rot foi um curtinha sobre religião que parecia pedir prá sair de nossas cabeças. Ateus, Rot e eu, resolvemos, por um pequeno momento, imaginar se Deus existia e como ele escutaria e se comportaria ouvindo as preces e pedidos dos desesperados humanos. Na época destas filmagens estávamos rodando o longa-metragem “Super Chacrinha e seu Amigo Ultra-Shit em crise Vs. Deus e o Diabo na Terra de Glauber Rocha” (1997) e testando inúmeras possibilidades de chocar espectadores (depois deste curta bolamos ainda o trio de filmes escrotos “Boi Bom”, “Gore Gore Gays” e “Sacanagens Bestiais dos Arcanjos Fálicos”, todos feitos e lançados em 1998). Este curta-metragem foi lançado em Porto Alegre/RS durante o festival de música Made in China (organizado pelo Marcelo Birck e Plato Divorak, se não me falha a memória) e já na primeira exibição deu problemas. Depois disso conseguimos exibí-lo em poucos botecos e virou extra em VHSs/DVDs que lançamos. Assista logo porque tenho a impressão de que não vai durar muito tempo no Vimeo.

“Poesia Visceral” (2004, 6 min.) de Canibais Etílicos é um curta muito ruim feito entre o pessoal que andava comigo no ano de 2004, que foi um dos piores anos da produtora, com toda nossa produção na época parada por falta de condições de trabalho. Para este “Poesia Visceral”, onde nada foi pensado ou planejado antes, realizamos um churrasco (numa época em que eu ainda comia animais mortos), botamos gasolina na cerveja do Ivan Pohl e ficamos incentivando ele a vomitar gostoso. A trilha sonora eu escolhi de acordo com o que escutávamos na época e a edição tosca, se não me falha a memória, fui eu quem fez. Este curta nunca teve lançamento, nem exibições públicas porque antes de ser um filme, é uma bagunça besta entre bêbados. Também não pretendo colocar este curta de extra em nenhum futuro lançamento em DVD.

Sei que estes dois curtas não são o melhor cartão de visitas para as produções que realizei via Canibal Filmes, mas se você curte filmes gores, sexploitations e roteiros sem noção, pode comprar os filmes que estamos sempre lançando, basta pedir informações via e-mail baiestorf@yahoo.com.br

Temos disponível os seguintes títulos:

– O Monstro Legume do Espaço (partes 1 e 2 e vários extras): R$ 10,00 + R$ 5,00 de despesas postais.
– Eles Comem Sua Carne/Zombio (double feature e vários extras): R$ 10,00 + R$ 5,00 de despesas postais.
– A Curtição do Avacalho (com o documentário “Baiestorf – Filmes de Mulher Pelada e Sangueira” de extra): R$ 10,00 + R$ 5,00 de despesas postais.
Arrombada – Vou Mijar na Porra do seu Túmulo!!! (com vários extras): R$ 10,00 + R$ 5,00 de despesas postais.
Vadias do Sexo Sangrento (DVD duplo com vários extras): R$ 15,00 + R$ 5,00 de despesas postais.

Roteiro de Arrombada – Vou Mijar na Porra do Seu Túmulo!!!

Posted in Cinema, Nossa Arte, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on março 23, 2012 by canibuk

um roteiro de Petter Baiestorf.

Em 2006 fiz dois longas, “A Curtição do Avacalho” (em breve publico o roteiro ilustrado com fotos aqui) e “O Monstro Legume do Espaço 2”; o primeiro uma experiência metalingüistica anárquica sobre as possibilidades de se fazer/pensar cinema independente no Brasil sem a necessidade de ser comercial. O segundo, a continuação de meu maior cult movie, “O Monstro Legume do Espaço” (produção de 1995), desta vez com ritmo mais moroso, tentando um estranho crossover entre os clichês dos filmes B’s com o drama rural de Ozualdo Candeias, quase ninguém gostou desta mistura, mas achei uma experiência bem válida e interessante.

Depois de dois filmes prá pouco público resolvi voltar a produzir (escrever e dirigir) um sexploitation cafajeste e concebi este roteiro chamado “Arrombada – Vou Mijar na Porra do Seu Túmulo!!!” e, em 2007, reuni velhos parceiros (Coffin Souza, CB Rot, Gurcius Gewdner, PC, Claudio Baiestorf, Elio Copini), novos parceiros (Ljana Carrion e Vinnie Bressan) e filmamos em apenas quatro dias um pequeno média-metragem cheio de estupros, na melhor tradição dos filmes de vingança dos anos 70. “Arrombada” foi lançado em alguns cinemas aqui do Sul do Brasil em programa double feature com o longa-metragem “Mamilos em Chamas” (2007) de Gurcius Gewdner e fez razoável sucesso. Segue o roteiro original de “Arrombada” para os fãs do filme, há algumas cenas que não consegui filmar nos quatro dias de produção e improvisei mudanças. Canibuk também já publicou o roteiro ilustrado de “Vadias do Sexo Sangrento” (2008).

Seq. 01- Em frente à casa do Baiestorf/Dia.

Música:

Cenas:

Câmara estática filmando algumas flores, Vômito contra a lente da filmadora.

Corte para Traficante vomitando (segurando uma garrafa de vinho na mão) em frente as flores do jardim da casa de campo do Juiz de direito.

Juiz (com um bigodinho imitando o bigode de Hitler) e seus comandados (um velho sentado numa cadeira com cobertor tapando as pernas, Padre com batina e cruz cristã, Médico engravatado) estão na frente da casa, perto do carro do traficante, esperando por ele.

Traficante limpa a boca com manga de sua jaqueta e vai até os classe-média.

TRAFICANTE: A menina está no porta-malas!!!

Médico e Padre retiram a menina desmaiada do porta-malas do carro e entram na casa com ela.

Close no rosto do velho sentado na cadeira sem esboçar reação alguma.

Ao lado do carro ficam o traficante e o Juiz…

Traficante bebe generosos goles de seu vinho… Câmera se aproxima do rosto do Juiz.

Seq. 02 – sala da casa de Baiestorf-cidade/Noite. (FLASHBACK).

Música:

Cenas:

Sentados em uma mesa estão o traficante e o Juiz de direito.

JUIZ: Você vai pegar 35 anos de pena por tráfico de drogas, vou fazer você apodrecer na cadeia…

TRAFICANTE: Não me diga!!!… Quanta grana compra minha liberdade???

JUIZ: Não precisa bancar o durão… Sou juiz de direito, fui eleito senador pela segunda vez, sou rico e branco… Dinheiro é algo que eu tenho aos montes… Mas penso em outra coisa prá livrar tua cara, se você estiver interessado em fazer um servicinho prá mim livro tua cara fácil fácil…

TRAFICANTE: Posso arranjar qualquer coisa!!!

JUIZ: E vai, vou dar uma festinha com alguns amigos no meu sítio e vou precisar de uma garota inocente… quero que você seqüestre uma garota e me entregue neste endereço (e entrega um cartão).

TRAFICANTE: Isso é fácil… E quando eu entregar a menina qualquer coisa entre mim e a justiça brasileira será destruído???

JUIZ: Claro, te entrego os processos quando você entregar a menina!!!

E os dois apertam as mãos selando o compromisso. Bebem seu uísque com um brilho nos olhos.

Seq. 03- Em frente à casa do Baiestorf/Dia.

Música:

Cenas:

Câmera se afasta do traficante que limpava seus lábios novamente.

TRAFICANTE: O que vocês vão fazer com essa garota?

JUIZ: Você ainda não aprendeu que, levando-se em conta sua profissão, é melhor ficar calado??? (e sorri)

TRAFICANTE: E os meus processos, quero eles!!!

JUIZ: Segunda – feira pela manhã, no meu escritório!

TRAFICANTE: você ia me entregar aqui, hoje…

JUIZ: Eu sou um juiz de direito, senador eleito pela segunda vez, um homem letrado de palavra, um verdadeiro exemplo à sociedade brasileira… Você, um traficantezinho de merda, um vagabundo que não vele o que come, você está duvidando de minha palavra??

Traficante olha para o Juiz pensativo, bebe o resto da garrafa de vinho, entra no seu carro e sai fora.

Câmera em plano fechado no Juiz que sorri diabolicamente.

Seq. 04 – Créditos

Música: GG Allin.

Créditos iniciais com ELENCO, EQUIPE-TÉCNICA.

Seq. 05 – Sala da casa de baiestorf/Dia.

Música:

Cenas:

Câmera realiza travelling passando pela mesa do nobre Juiz de direito eleito duas vezes senador (que estava vazia) indo até na sacada da sala do Juiz, que estava de costas prá filmadora conversando com alguém pelo seu celular.

JUIZ: Hum… Calma aí… Essas coisas acontecem (se vira de frente para a filmadora nessa hora revelando que estava usando um tapa-olho)… Não há nada com o que se preocupar, alguns hematomas, alguns olhos furados acabam sendo o preço por uma vida plena de emoções… (gargalha)… Deixa eu te falar uma coisa…

Corte seco aqui. (ou corte do áudio com a cena seguindo normal sem som, ver como fica melhor na edição final).

Seq. 06 – Estrada que vai ao cemitério da ilha/Dia.

Música:

Cenas:

Louquinho de fraldas, com uma bandeira rasgada salpicada de vermelho, correndo pela estrada, câmera estava acompanhando-o até enquadrar na casa do Juiz. Um zoom aproxima a casa vagarosamente… SOPREPOSIÇÃO DE IMAGENS.

Cenas sobrepostas da casa mais próxima com a câmera em travelling em direção a porta à dentro da casa….NOVA SOBREPOSIÇÃO DE IMAGENS.

Cenas sobrepostas agora com câmera subjetiva subindo as escadas até encontrar a menina amarrada na cama. CLOSE no rosto dela amordaçado. Ela acorda assustada.

Seq. 07 – Sótão da casa de baiestorf/Dia.

Música:

Cenas:

Câmera fixa de cima para baixo filmando as escadas que dão pro sótão. Juiz sobre pelas escadas.

Padre e o médico já estavam lá com suas roupas de trabalho (um vestido de padre e o outro vestido de cirurgião médico). Cada um deles sentado em um sofá, meros espectadores da dor alheia. Voyers do sofrimento.

Juiz tira suas roupas (alternar ele se despindo com closes de pânico na menina e closes de prazer nos rostos de seus aliados) e se dirige até a cama da menina.

Senta-se ao lado dela.

Passa seus dedos pelo rosto dela (que estava amarrada, amordaçada e vestia um vestidinho bem curto), pelos seios, pelo sexo dela.

JUIZ: Se você for boazinha conosco nos seremos bonzinhos com você também!!!

E então o juiz estupra a garota mordendo-lhe com certa fúria pescoço, seios, orelhas, etc…

Amordaçada ela tenta gritar, se debate, quer fugir daquele tormento.

O Médico e o Padre se masturbam com a cena do estupro (o Padre fica lambendo uma bíblia que esfrega, as vezes, com volúpia em seu próprio rabo).

Terminar a cena com o Juiz saindo de cima da garota e se ajoelhando ao lado do rosto dela. Close no rosto de prazer dele (havia gozado). Close no rosto desesperado dela recebendo a ejaculação no rosto (Souza, pensar em algum produto comestível que pareça porra).

Seq. 08 – Sótão da casa de baiestorf/Dia.

Música:

Cenas:

Juiz deita ao lado dela. Lambe a porra que escorria no rosto dela.

JUIZ: Vou te soltar e você vai dar prazer para todos nós!!!

Solta a mordaça, a garota grita.

GAROTA: Me soltem, me soltem…

Apanha do Juiz e fica calada quase chorando.

JUIZ: Não adianta gritar vagabunda, estamos isolados aqui nessa casa!!!

Desamarra-a e faz com que se ajoelhe no chão do quarto…

JUIZ: Você vai se engatinhar até ele e vai pedir prá chupar o pau dele!!! (diz apontando pro Padre).

O padre se babava excitado.

Ela leva um tapa na orelha.

JUIZ: Vamos vagabunda, vai até ele e pede prá chupar o pau dele!!!

A garota vai engatinhando até perto do Padre que estava sentado no sofá. Ela olha prá ele. Close nos outros dois fdp.

GAROTA: Posso chupa teu pau!!!

O padre, em um movimento cristão, abençoa a garota e ergue sua batina. Ela olha e coloca sua cabeça sob a batina.

Closes diversos de todas as personagens.

Em dado momento o padre grita de dor, a garota havia-o mordido.

O Juiz e o Médico arrancam a menina de dentro da batina do padre e surram ela com uma cinta que havia no quarto.

Câmera vai se afastando (saindo do sótão) enquanto a guria grita de dor e o som das cintadas se espalha pela casa.

Seq. 09 – Pátio da casa do baiestorf/Dia.

Música:

Cenas:

Câmera acompanha o velho da casa levando uma bandeja com bebidas aos três tarados que estavam sentados ao ar livre em uma pequena mesinha. O velho serve as bebidas e sai de cena.

MÉDICO: Essa aí é a potranquinha mais selvagem que já pegamos… Vou chapar ela e aí vai ser mais fácil se divertir…

PADRE: Isso mesmo, essa vagabunda nem Jesus dobra…

Gargalham. Louquinho de fraldas passa correndo ao fundo com sua bandeira.

JUIZ: Mas sabem de uma coisa, eu gosto mais quando elas tornam as coisas mais difíceis prá nós, fica mais excitante, é uma desgarga a mais de adrenalina… Chape ela com algo que a deixe consciente, vamos virar essa menina do avesso e quero que ela sinta tudo…

Fechar a cena com o Juiz levando seu drink aos lábio e bebendo-o, corte quando ele começar a afastar o copo dos lábios.

Seq. 10 – Salão de festas do prédio apollo/Dia (anoitecendo)

Música

Cenas:

Close num copo de cerveja sendo colocado sobre a mesa.

Traficante numa mesa de bar (close fechado nele, ambientar o bar com sons de bar só no áudio) bebendo, angustiado…

O Traficante estava angustiado.

Algo o incomodava.

Câmera dá zoom (vagarosamente) no rosto dele.

Seq. 11 – Casa do souza/Dia (FLASHBACK)

Música:

Cenas:

Restos de drogas sobre uma mesa, câmera realiza um travelling da cozinha da casa até na sala, onde estavam o traficante e a garota.

Ela terminava de cheirar uma carreira.

GAROTA: Porra, tu é um cara legal, me deixa ficar cheirando sem cobrar nada… Tu é legal prá caralho!!!

(Close no traficante para inserção durante o diálogo dela)

Traficante larga sua cerveja e se atira sobre a garota jogando-a ao chão entre dois sofás, com violência fica socando a garota (seu rosto escondido atrás do sofá para disfarçar os golpes falsos)…

Depois que ela estava inconsciente o traficante fica sentado, olha-a, amarra suas mãos e bebe mais de sua cerveja.

Seq. 12 – Salão de festas do prédio apollo/Dia (anoitecendo)

Música:

Cenas:

Traficante na mesa de bar soca a mesa com o punho.

TRAFICANTE: Isso não ta certo… Vou buscar a guria e foda-se aquele Juiz filho da Puta!!!… Aquele viado nem me entregou as porras dos papéis do meu processo!!!

Levanta-se, bebe o resto da cerveja do copo e sai pela porta do bar.

Seq. 13 – Sótão da casa de baiestorf/Noite.

Música:

Cenas:

Close numa seringa expelindo o ar que havia ficado junto do líquido em seu interior.

O Médico injeta na garota o líquido da seringa.

A garota sente o efeito imediatamente, ficando mais leve e solta.

Juiz e o Padre estavam olhando.

Médico desamarra a garota que se levanta.

O Padre liga um som no aparelho de som.

O Juiz e o Padre já vão abraçando a garota, beijam-na, o Médico senta-se no sofá e fica olhando, ele curtia ficar olhando, era um voyer de marca maior.

O Juiz faz a garota se curvar contra a cama e ergue seu vestido, baixa a calcinha dela e a enraba. O Padre, somente de cuecas, se deita a frente dela e a obriga chupa-lo (todas as cenas simuladas, encontrar na hora os ângulos certos para deixar a cena erótica).

Alternar a cena da orgia com o Médico se masturbando (nessa hora revelar que o médico se masturbava olhando para a bunda de seus companheiros e não da menina, era um homosexual enrustido).

Simular uma dupla penetração, mordidas nos seios da garota, afagos nas nádegas dela, etc…

A garota chapada estava completamente a mercê dos caprichos dos amigos tarados.

Seq. 14 – Sótão da casa de baiestorf/Noite

Música:

Cenas:

Close nas roupas do padre no chão, sua mão pega a batina.

Plano geral do quarto, Padre colocando a batina, Juiz e a garota deitados na cama.

Câmera fixa sobre a cama mostrando a garota e o juiz de cima para baixo, ela somente de calcinhas, ele de cuecas.

O Médico e o Padre descem do sótão.

Juiz e garota deitados na cama.

JUIZ: Ta gostando, né vadia!!!

GAROTA (sorrindo maliciosamente): Claro que estou!!!

Ela se levanta após falar isso. Coloca seu vestido, seu salto alto e olha pro Juiz.

GAROTA: Deite no chão, vou fazer algo que você vai gostar!!!

JUIZ: Eu sabia que tu era uma vagabunda!!!

E após dizer isso ele se deita no chão.

Ela sobe sobre ele e começa a excita-lo usando seus pés calçados do sapato salto alto. O Juiz não se contendo de tesão enfia as mãos sob o vestido dela e puxa a calcinha para baixo, até na altura dos joelhos.

Ela acariciava o saco dele com os pés.

Ele beijava as pernas dela.

Ela sorri e num único golpe crava o salto alto de seu sapato no olho esquerdo (fazer o tapa-olho para o lado esquerdo do rosto) do Juiz, gritos de dor, sapato de salto alto cravado no olho do Juiz, sangue denso, mãos no rosto, expressões de dor dele, expressões de satisfação dela.

Ainda sobre o corpo do Juiz a garota se agacha um pouco. Close em seu rosto que faz força. Defecava sobre o rosto do juiz (fezes falsas com bastante líquido imitando o marrom fecal)…

O Juiz vomita com a merda em seu rosto e o salto alto ainda cravado no rosto.

A Garota recoloca suas calcinhas no lugar e corre até a janela e sobe nela.

Seq. 15 – parte externa da casa de baiestorf/Noite

Música: ORNETTE COLEMAN – “Free Jazz” (37’ toca direto este som até seqüência sinalizada onde para o som ou é trocado por outro som).

Cenas:

Garota caindo para o lado de fora da janela. Sai correndo em direção a segurança da escuridão noturna.

Seq. 16 – Sótão do baiestorf/Noite.

Música: ORNETTE COLEMAN – “free Jazz”.

Cenas:

Juiz levanta-se com cara cheia de merda e sapato cravado no olho, arranca-o fora. Seus amigos chegam correndo.

JUIZ: A vagabunda fugiu… Peguem-na!!!

Os dois saem correndo. O Juiz joga o sapato de salto alto no chão.

Seq. 17 – Estrada qualquer de interior/NOITE.

Música: ORNETTE COLEMAN – “free jazz”.

Cenas:

Carro do traficante para no acostamento de uma estradinha de chão nas proximidades da casa do Juiz.

O traficante pega seu revólver no porta-luvas e depois de conferir que estava carregado coloca na sua cintura.

Sai do carro e para na frente do carro que tinha as luzes ligadas.

Close em seu rosto.

TRAFICANTE: Até posso ficar preso pro resto da minha vida, mas vou salvar essa garota!!!

Sai caminhando em direção à escuridão.

Seq. 18 – Mato/Noite

Música: ORNETTE COLEMAN – “free jazz”.

Cenas:

Padre e o Médico no mato.

PADRE: Vai por ali, aquele caminho é iluminado por Deus todo poderoso, eu irei por aqui, que é igualmente iluminado.

E os dois se separam.

Seq. 19 – Mato/Noite.

Música: ORNETTE COLEMAN – “free jazz”.

Cenas:

O Traficante fica olhando a casa do juiz de longe.

Luzes da casa, tudo deserto e calmo pelo lado de fora.

Garota com um pedaço de pau chega por trás do Traficante e o acerta na cabeça.

O Traficante cai no chão com sangue denso respingando se sua cabeça.

A Garota tira as calças do Traficante e mete o pau no rabo dele.

Gritos de dor do Traficante.

A Garota sai dali rapidinho deixando o Traficante caído no chão com sangue vertendo do rabo, se debatendo com o pau no cú.

Seq. 20 – Mato/Noite

Música: ORNETTE COLEMAN – “free jazz”.

Cenas:

O Médico chega até no galpão que existia próximo a casa do Juiz e olha para os instrumentos rurais que havia ali.

Câmera rente ao chão mostrando o Médico ao fundo (em segundo plano) e em primeiro plano um toco com um machado cravado. O Médico caminha até o machado e o arranca do toco.

O Médico passa seus dedos no fio do machado, segura-o firme nas mãos fazendo grau com a arma improvissada.

Sai caminhando.

Seq. 21 – Mato/Noite.

Música: ORNETTE COLEMAN – “free jazz”.

Cenas:

Traficante ainda agonizando com o pau no rabo, deitado ao chão, sangue respingando.

Padre para perto dele, câmera rente ao chão para valorizar o sangue espirrando do rabo do Traficante, se ajoelha próximo ao corpo.

Faz o sinal da cruz para então, na seqüência, revistar os bolsos do traficante e roubar seu dinheiro, suas drogas e a arma.

O Padre empunha a arma e sai dali deixando o Traficante se debatendo com seu rabo espirrador de sangue.

Seq. 22 – Mato/Noite.

Música: ORNETTE COLEMAN – “free jazz”.

Cenas:

Médico com o machado em punho para perto da Câmera.

Corte para a Garota que entra correndo e o empurra contra uma árvore.

A cabeça do Médico bate contra a árvore espirrando sangue.

A Garota chuta-o com força.

O Médico acerta-a no estomago com o machado.

A Garota cambaleia para trás com suas vísceras saindo pelo estomago, segurando-as com as mãos.

Médico coloca as mãos na cabeça, sentia dor.

Garota derruba-o, médico cai de costas pro chão.

Garota pega uma pedra e o acerta na cabeça.

Sangue e miolos explodem.

Médico (com a cabeça real enterrada no chão com uma pedra sobre ela) fica agonizando. Muito sangue respingando para todos os lados, principalmente contra o corpo da garota que estava ofegante e com dor pós essa luta quase fatal.

A Garota sai dali cambaleante.

Seq. 23 – Mato/Noite.

Música: ORNETTE COLEMAN – “free jazz”.

Cenas:

Padre encontra o Médico ainda agonizando…

Câmera se aproxima do rosto do Padre que tem um devaneio.

Seq. 23-B (DEVANEIO SURREAL DO PADRE)

Música: SINGIN’IN THE RAIN

Cada vez jorra mais sangue do corpo do Médico, Médico dança na chuva de sangue que batia contra umas folhas prá ajudar a ficar mais denso.

Imitação tosca da cena do “Cantando na Chuva”.

RESTO da Seq. 23

Padre balança a cabeça saindo do transe, faz o sinal da cruz e revista os bolsos do Médico tirando dinheiro e outras coisas de valor.

Deixa-o caído no chão agonizando, com sangue espirrando dos ferimentos.

Câmera rente ao chão mostra sangue espirrando e o Padre se afastando.

Seq. 24 – Mato/Noite.

Música: ORNETTE COLEMAN – “free jazz”.

Cenas:

A Garota cambaleante, o traficante tentado se levantar com o pau no rabo, o Médico agonizante com cabeça arrebentada embaixo da pedra, velho terminando os reparos nos ferimentos do Juiz (que está de costas), Garota Cambaleante caminhando rumo a escuridão, traficante morrendo, Médico morrendo, Garota sumindo na escuridão, Câmera se aproximando do Juiz que se vira revelando um tapa olho improvissado pelo velho.

Seq. 25 – Loteamento/Dia

Música: MANDRIL – “Children of the Sun”

Cenas:

Abri cena com o Sol, câmera abaixa revelando a Garota cambaleando por um terreno deserto sem ninguém por perto.

Ela para e olha sem esperanças pro horizonte.

O Juiz vinha de uma lado.

Garota cansada, mãos no estomago arrebentado.

Padre vinha do outro lado.

Garota se agacha sem esperanças, sem forças, para fugir.

Pegam-na e a levantam, um de cada lado.

Filmar de longe (para mostrar que não havia ninguém por perto, deserto, idéia de deserto) o Juiz e o Padre levando-a em direção ao Mato que havia em frente.

Vão se afastando em direção ao mato.

Seq. 26 – ponte no mato/Dia.

Música:

Cenas:

Câmera na altura dos olhos da Garota, travelling se afastando revela que ela estava amarrada (na forma de uma pessoa crucificada) numa ponte sobre um pequeno riacho.

Juiz estava de joelhos abraçado às pernas da Garota.

JUIZ: Tu não devia ter fugido, porque tu fugiu querida?… Se você não tinha fugido tudo teria acabado bem, tu até teria ganhado um dinheiro, ia virar minha amante, iria viver como uma princesa… Eu sou o melhor Juiz de direito do Brasil, senador duas vezes eleito pelo voto direto do povo… Tu não devia ter fugido, porque querida? … Porque???

Enquanto O Juiz vai falando seu monólogo fica beijando as coxas dela, baixando a calcinha, beijando o sexo dela, acariciando-a.

Closes no padre olhando, na Garota em desespero com lágrimas escorrendo de seu rosto.

Câmera se afastando aos poucos da cena, deixando-os ali, como se abandonando a garota a sua própria sorte.

Seq. 27 – Pátio da casa de baiestorf/Dia.

Música:

Cenas:

Louquinho de fraldas correndo com sua bandeira.

Velho sentado com cobertor cobrindo suas pernas. Sem expressão alguma.

Seq. 28 – Sótão da casa de baiestorf/Dia

Música:

Cenas:

Câmera subjetiva sobre as escadas em direção ao sótão. Revela a garota amarrada no chão (mãos contra os pés do sofá e pernas contra as pernas da cama), em estado de choque, sem esperança alguma de conseguir revidar.

Juiz com uma faca nas mãos faz uma operação no estomago dela para retirar seus órgãos internos (*coração de porco, rins, etc… comestíveis que são vendidos em mercados).

Conforme o Juiz retira os órgãos do interior da garota vai depositando-os numa pequena bacia que havia ao lado do corpo dela.

Depois de pronto essa operação de remoção dos órgãos comestíveis, o Juiz entrega a pequena bacia ao Padre que sai dali.

O Juiz fica pelado e estupra a Garota pela última vez usando o buraco que havia no estomago dela, se sujando com o sangue dela, com as vísceras.

Rasga o vestido dela para melhor acariciar os seios ficando cada vez mais posseso pelo tesão doentio que sentia pelas carnes mortas da Garota.

Goza animalescamente urrando.

Cai sobre ela por instantes desfalecido de prazer.

Close no rosto da garota morta com os olhos abertos, sem expressão alguma.

O Juiz se levanta e coloca suas roupas. Sai dali.

Câmera fica parada sobre o corpo da garota por algum tempo (tempinho para a reflexão do público que estará assistindo a cena no futuro).

Seq. 29 – Cozinha da casa de baiestorf/Dia.

Música:

Cenas:

Close na bacia ensangüentada, porém agora vazia.

Close numa panela onde os órgãos da Garota estava cozinhando.

Juiz retira a panela do fogo e serve o alimento para ele e o Padre.

Serve vinho para os dois.

Senta-se à mesa,

Come uma boa garfada sorvendo o gosto de tão peculiar alimento.

JUIZ: Estava pensando agora, quando eu me aposentar vou ir morar em Miami… (gole de vinho)… Minha mulher só faz compras em Miami então vai facilitar viver em alguma cobertura por lá mesmo…

PADRE: Tua mulher deve ser uma gastadeira terrível!!!

JUIZ: Eu incentivo ela a consumir sempre, enquanto consome não me enche o saco!!!

Os dois gargalham gostoso, bebem vinho, comem mais.

Seq. 30 – Sótão/Dia.

Música:

Cenas:

Padre está terminando de enrolar a garota numa lona preta.

Padre e Juiz erguem-na e a levam embora.

Saindo pela porta, vê-se ao fundo o Louquinho de fraldas passar correndo com sua bandeira.

Seq. 31 – Cascalho ao lado do Rio/Dia.

Música:

Cenas:

Em cena um buraco na areia entre meio ao mato, cai o corpo dela enrolado na lona preta dentro do buraco.

O Juiz e o Padre cobrem o corpo dela com terra.

Depois de enterrada o Juiz mija em cima do túmulo da garota.

O Padre faz sinal da cruz.

PADRE: Deus, receba essa boa garota no seu reino!!!

Os dois gargalham.

O Juiz pega uma garrafa de vinho e bebe do gargalo.

O Padre joga cisco sobre o Túmulo disfarçando-o para todo o sempre.

Fica ao lado do Juiz que lhe alcança a garrafa de vinho, o Padre bebe do gargalo, os dois gargalham.

Seq. 32 – Sala da casa de baiestorf no apollo/Dia.

Música:

Cenas:

REPETIR SEQÜÊNCIA 5 DESTA VEZ COMPLETA.

Câmera realiza travelling passando pela mesa do nobre Juiz de direito eleito duas vezes senador (que estava vazia) indo até na sacada da sala do Juiz, que estava de costas prá filmadora conversando com alguém pelo seu celular.

JUIZ: Hum… Calma aí… Essas coisas acontecem (se vira de frente para a filmadora nessa hora revelando que estava usando um tapa-olho)… Não há nada com o que se preocupar, alguns hematomas, alguns olhos furados acabam sendo o preço por uma vida plena de emoções… (gargalha)… Deixa eu te falar uma coisa… Estou com tudo pronto para uma nova festinha, desta vez encomendei um garoto de 13 anos… (gargalha)… Eu sabia que você ia gostar… Final da semana que vem, ok?

Corte seco.

Seq. 33 – Créditos finais.

Música:

Créditos: Todas as informações técnicas.

Sinistro Cão de Orelhas Cortadas

Posted in Literatura, Nossa Arte with tags , , , , , , , , , on março 13, 2012 by canibuk

O Hades malévolo

toma forma no interior de meu

ventre hermafrodita

corrompido

pelos malditos do século XIX.

A impureza das formas uterinas

se esconde sob carcaças mal cheirosas

de cidadãos comuns,

ratos covardes,

seres desprovidos de vida,

nascidos mortos.

Não reclamam nunca

porque

foram treinados para ficar de boca fechada,

como boas cadelinhas de madame.

No banco da praça,

repleto

de desgraçados vegetais ao seu redor,

um falso emissário dos céus

grita seus dogmas escritos na antigüidade.

Frutos abandonados

pelo vosso senhor

não podem se rebelar,

soariam ridículos,

neuróticos,

esquisitos

sem fé na salvação.

Então aplaudem o falso emissário

mesmo

sem nada entender.

Anjos demitidos por Deus

e seu sócio Diablo

fazem um coro baixinho

contra os dogmas.

Temos companheiros finalmente!

Vamos a luta!

A batalha será aquilo

que os críticos chamam

de “guerra madura”?

Sim!!!

Sim,

dedos nos olhos

e chutes no saco

não valem,

ok gringo?

Quem ganhar, ganhou!!!

O resto que aprenda como lutar

e mãos as obras.

Deus

e o Diablo

se escondem

no Planalto Central,

é só pegar um ônibus

e caça-los

como cães sarnentos.

Não merecem nosso perdão.

Aliás,

não somos cristãos

para estar perdoando

os filhos da puta

que nos sacaneiam.

Um tiro

na testa de Deus

e

uma peixeirada na garganta de Diablo

e as coisas

começarão

a entrar nos eixos…

E os anjos do congresso?

Gasolina sobre seus corpos

e teremos

a fogueira de São João

mais

bonita

da história de nosso

microcosmos maravilha!!!

escrito por Petter Baiestorf, 2001.

Tudo de Mim, parte 1 – Novas ilustrações Leyla Buk.

Posted in Arte e Cultura, Ilustração, Nossa Arte with tags , , , , , , , , , , , , , , , on fevereiro 13, 2012 by canibuk

Abrindo a semana no Canibuk com a primeira parte da minha nova série de ilustrações chamada “Tudo de mim”. Como o título já indica essa série é totalmente biográfica e o que pode não ter sentido pra maioria, pra mim faz todo o sentido do mundo. Cada pedacinho de cada ilustração me diz muito e significa qualquer coisa de intensa que já fez ou faz parte da minha vida. Além de tudo, é um exercício de estilo. Ando apaixonada por trabalhar mais nos detalhes, o que, na minha opinião, tem enriquecido muito os desenhos. Em breve publico aqui a parte dois dessa série que tem me empolgado muitíssimo!!!

“Stand up and shout for what you want – No rules!
Don’t give in until you won – No rules!
Never compromise your feelings – No Rules!
‘Cause I got the right to show my feelings – Let’s go!”
.
– Clique na imagem pra ver maior!

Insomnia – Leyla Buk Artwork, nanquim sobre papel, 2011

Love Potion – Leyla Buk Artwork, nanquim sobre papel, 2011
The Morality – Leyla Buk Artwork, nanquim sobre papel, 2011
Crisis – Leyla Buk Artwork, nanquim sobre papel, 2011
Misanthropy – Leyla Buk Artwork, nanquim sobre papel, 2011


Download de Produções Canibal Filmes

Posted in Nossa Arte, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on janeiro 19, 2012 by canibuk

Ontem teve uma megamobilização de net contra o projeto de lei SOPA que acabou sendo barrada pelo Obama. Não vou me adentrar aqui em discusões sobre a lei, nem sobre censura, nem nada! Só sei que qualquer meio de controle, qualquer tipo de proibição, qualquer método de fiscalização das informações me assusta (sou daqueles que pensa que a maioria dos problemas podem ser resolvidos com educação de qualidade, aprender a interpretar um texto te ajuda em muito na vida, estudar história para conhecer o futuro, etc…). Sou produtor de filmes independentes, pouco da minha produção está disponível na internet para download, mas devido a esse projeto de lei sem noção, resolvi divulgar alguns links de filmes que estão na net e podem ser baixados gratuitamente (tenho todos estes filmes em DVDs colecionáveis, se alguém quiser eles com capinha escreva para baiestorf@yahoo.com.br solicitando informações).

Segue links de alguns filmes que estão disponíveis na net para download:

Zombio (1999) – escrevi e dirigi este média-metragem em 1998, ele foi produzido pelo Coffin Souza em nossa última parceria pela Canibal-Mabuse Produções. Aqui contamos a história de um casal que vai namorar numa ilha e acabam descobrindo zumbis carniceiros. “Zombio” acabou sendo considerado o primeiro filme brasileiro com zumbis (não concordo com este título, já que em 1996 produzi/escrevi/dirigi o “Blerghhh!!!” onde já explorava a temática zumbi). Leia mais sobre isso AQUI.

DOWNLOAD de ZOMBIO

Fragmentos de uma Vida (2002) – Este curta-metragem nem era prá existir! Em 2000 escrevi o longa-metragem “Mantenha-se Demente” que comecei a filmar e não consegui concluir por falta de dinheiro. As cenas vistas neste curta foram filmadas para fazer parte do longa abortado e, como sou contra desperdiçar material, resolvi transformar num curta-metragem que acabou fazendo considerável “sucesso” em mostras de botecos e shows de grind. Em cena temos a oportunidade de acompanhar o Loures Jahnke (que fez o papel do Monstro Legume em 1995) e o PC desmembrando a Juliana (que trabalhou conosco em apenas este filme).

DOWNLOAD de FRAGMENTOS DE UMA VIDA

O Monstro Legume do Espaço 2 (2006) – Após eu ter filmado o longa-metragem porra-louca “A Curtição do Avacalho” (também de 2006) a grana em caixa na Canibal Filmes era praticamente nenhuma, mas a gente tem problemas e mesmo assim resolvemos fazer a continuação do “O Monstro Legume do Espaço” (1995). Sem dinheiro, com meia dúzia de amigos me ajudando, filmando no mais completo improvisso, finalizamos uma verdadeira porcaria completa. Aqui, um veterinário (Elio Copini) encontra o Monstro Legume (desta vez interpretado pelo Everson Schütz) ferido e o ajuda, assim a amizade entre Monstro Legume e o humano bonzinho desperta a fúria de um bando de colonos do Oeste Catarinense preconceituosos. Mesmo sendo ruim que dói, está na programação da Retrospectiva Canibal Filmes 20 Anos.

DOWNLOAD de O MONSTRO LEGUME DO ESPAÇO 2

Arrombada – Vou Mijar na Porra do seu Túmulo!!! (2007) – Esse média-metragem marca a volta da Canibal Filmes na produção de sexploitations. Escrevi este filme em 3 dias, chamei a Ljana Carrion para ser a atriz (parceria que continuamos com “Vadias do Sexo Sangrento” e “Ninguém Deve Morrer”), filmamos tudo em 4 dias com PC, Coffin Souza, Gurcius Gewdner e Vinnie Bressan, foi divertido demais a produção deste pequeno exercício de humor negro. Agora meu amigo Osvaldo Neto colocou o média prá download em comemoração ao SOPA.

DOWNLOAD do trailer de ARROMBADA

DOWNLOAD de ARROMBADA

Vadias do Sexo Sangrento (2008) – Este é o média-metragem onde mais me diverti filmando, não tive nenhum problema de produção, o orçamento era mais alto do que costumo ter na mão, não precisei mudar nenhuma cena do filme e os 5 dias de filmagens foram extremamente calmos. Tenho que agradecer aqui, publicamente, pela grande ajuda de Coffin Souza, Ljana Carrion, Lane ABC, PC, Jorge Timm, Elio Copini, Gurcius Gewdner, CB Rot e meu pai Claudio Baiestorf que deram duro para que o filme ficasse essa diversão toda. Aqui no filme duas lésbicas são perseguidas pelo ex-namorado de uma delas e acabam cruzando o caminho do psicótico Esquisito.

DOWNLOAD de VADIAS DO SEXO SANGRENTO

Como Viajar de Graça Fazendo Filmes Baratos

Posted in Anarquismo, Arte e Cultura, Nossa Arte, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , on janeiro 17, 2012 by canibuk

Comecei a fazer filmes no ano de 1992, primeiro como uma forma de me divertir com amigos e, logo em seguida, descobri que fazer filmes independentes, mesmo sem grana nenhuma, é uma ótima maneira de convencer as pessoas a te pagarem por viagens. Foi assim que conheci, praticamente de graça, o Brasil inteiro (para minha frustração, ainda não conheço a região norte de nosso país).

Você gostaria de viajar de graça, mas não possuí nem câmera para realizar seu pequeno filme?

Bem, não vejo isso como um empecilho, pois sabemos que hoje bons filmes podem ser feitos sem câmeras. Minha sugestão é você utilizar uma câmera fotográfica digital (pode ser de celular ou aquelas máquinas fotográficas bem baratinhas, tanto faz a definição das imagens) ou um scanner. Tanto com a máquina fotográfica quanto com o scanner, você poderá capturar as imagens e transformá-las em filme usando qualquer programa de edição em computadores (e, hoje em dia, qualquer pessoa possuí um computador a disposição). Mas, se por ventura, você não tiver nada dessas coisas das quais falo aqui, é bom exercitar sua lábia de produtor e convencer as pessoas sobre a necessidade nobre delas te ajudarem a produzir seu filme.

Apesar de que, hoje em dia, se você olhar ao seu redor, vai encontrar com muita facilidade câmeras dos mais variados estilos e qualidade a sua disposição: Câmeras de celular, WEB CAM, câmeras de máquinas fotográficas, câmeras de segurança, etc. Por exemplo, para ilustrar minha linha de raciocínio, você pode construir seu filme combinando todos esses instrumentos que citei aqui, são notas esperando pelo arranjo harmônico. Você pode ter a disposição o computador de seu melhor amigo (que vai ter um scanner acoplado, se não tiver, use o scanner de uma lan house, porra!), com um programa de edição pirata que você baixou da NET. Você pode combinar animação de imagens (capturadas via máquina fotográfica ou scanner) com cenas filmadas através de câmeras de celular, com takes retirados das câmeras de segurança da padaria de seu bairro (o padeiro, além de emprestar as câmeras de segurança para as filmagens necessárias, se bem conversado, ainda poderá patrocinar a alimentação de sua equipe, voltamos ao quesito “fazer filmes sem grana pede que você exercite sua lábia”) e alguma seqüência envolvendo imagens de web cam ou pequenos takes com câmeras fotográficas na função filmar. Seu papel como realizador é ser criativo o suficiente para transformar essa bagunça toda proposta aqui em estética (como parte da lábia de produtor, depois que seu filme estiver finalizado, você precisa ainda criar alguma teoria que justifique a importância de sua obra e crie uma expectativa nos produtores de mostras e festivais de que sua presença palestrando vai engrandecer o evento, isso garante a sua viagem de graça, com passagens aéreas, estadia em hotel bonitão, alimentação e pessoas te pagando bebidas, é uma delícia!).

Agora, sou contra fazer um filme que não diga nada. A falta de dinheiro, equipamentos, condições para realizar seu filme não impede que você tenha idéias, seu cérebro, sua criatividade, sua capacidade de criação, são seus instrumentos mais importantes. Na hora de criar você tudo pode, não há limites. E você pode discutir qualquer assunto, qualquer temática, pois qualquer assunto por você abordado terá seus defensores e seus detratores também. A delícia do mundo está nas diferenças. Você precisa se assegurar que seu projeto pareça único e que sua presença na cidade que você escolheu conhecer de graça seja estritamente necessária.

Em 2005, por exemplo, fiz um filme chamado “Palhaço Triste”, que chamei de autobiografia para dar uma polpa no troço todo, fazer com que um filme vazio ficasse parecendo algo importante. Filmei ele com três amigos me ajudando nas filmagens (dei alguma bebida em troca da ajuda), usei uma filmadora super-VHS velha que tinha em casa e editei as imagens com outro amigo me ajudando. O resultado foi um arthouse sobre as frustrações de um cineasta impossibilitado de realizar seus projetos, tudo isso embalado com um efeito digital (que nem sei o nome) que deixou as imagens com um clima de pesadelo surrealista lisérgico. Não me custou nenhum centavo (editei o “Palhaço Triste” em Florianópolis, a 650 km da minha casa, com minhas passagens bancadas pelo governo de Santa Catarina que, naquela semana, havia me contratado para participar de um debate sobre a produção de filmes independentes) e logo que ficou pronto este filme me proporcionou alguns dias de descanso em Belo Horizonte/MG, onde ele foi exibido em clima de festa num festival de cinema, ganhei bebidas, fiquei num hotel maravilhoso, revi amigos mineiros de longa data e ainda participei como ator no longa-metragem “O Sonho Segue sua Boca” do genial cineasta underground Dellani Lima.

Produza seu filme, as possibilidades de tudo dar certo e ser uma experiência positiva são grandes. Estou torcendo por seu filme e, espero, te encontrar viajando de graça na minha próxima viagem gratuita. Longa vida aos filmes sem grana!

escrito por Petter Baiestorf.

Sujeira em Lamaçais Cinematográficos

Posted in Literatura, Nossa Arte with tags , , , , , , , , , , , , , , , on janeiro 16, 2012 by canibuk

A caixinha de leite caiu vazia no chão recoberto por larvas fecais. Duas ninfetas olhavam para as formas coloridas que se movimentavam de modo retangular na escuridão. Sujeira, o sujeito guru dos andróginos grelhados, fumava seu baseado olhando para as mocinhas. Bicos de seios excitados pela dança das cores, com mamilos durinhos que agradavam ao Sujeira, eterno perdido que tentava encontrar seu tão aguardado Eu Individual para deixa-lo batendo um papo com sua alma. Teria, talvez, neste momento, se aproximado do ideal procurado. Cogumelos do Sol Clandestino e cartelas de ácido, reunidos para sua alma atravessar o enorme muro e encontrar o Eu. Ninfetas lésbicas se esfregavam agora ao ritmo das formas coloridas. Sujeira, o guru de negro sentava todas as tardes sobre colinas do Sol e com as chamas ultra-violetas deixava-se viajar aos gritos mudos que surgiam das entranhas do padre que nunca sorriu, traficante malicioso que usava seu confessionário para entregar suas encomendas. Os drogadinhos cristãos adoraram a novidade. Ninfetas se contorciam, Sujeira babava e o padre ficava milionário com a classe-média desiludida. Vaginas conversavam soltando suspiros de histeria cósmica. Cores vivas dançavam na escuridão, pairavam sobre o gelo abissal e Sujeira flutuava na complexidade dos seios durinhos, esculpidos com amor e carinho. Sujeira agora era celestial, iluminado, ser vivo vibrante, amigo das delicias do padre traficante, profundo conhecedor dos mistérios individuais, explorador da própria alma, mistérios que o acompanhavam desde o quebrar dos ovos de onde as ninfetas nasceram enroladas em meleca espectral especial.

Unhas cravadas nas costas !!!

Garanhões unidimensionais fazem amor na pocilga.

Seus pênis se entrelaçam e seus rostos se tornam um,

Apenas um,

No eterno momento do gozo,

Gozo anatomicamente perfeito !!!

escrito por Petter Baiestorf.

Jingle Balls

Posted in Buk & Baiestorf, Nossa Arte with tags , , , , , , , , , , , , , , , on dezembro 25, 2011 by canibuk

E um som para acompanhar a ilustração de Leyla Buk:

Grandes Problemas não representam Grandes Problemas

Posted in Buk & Baiestorf, Literatura, Nossa Arte with tags , , , , , , , , , , on dezembro 13, 2011 by canibuk

O ser sem inspiração sentou-se diante do espelho e olhou longamente seus próprios olhos. Deixou que o vento desarranjasse seus cabelos e se perdeu em devaneios nostálgicos, onde pensou:

“Sou prisioneiro de mim mesmo. Vivo vinte e quatro horas por dia preso a minha existência medíocre. E minha mediocridade existencial é meu purgatório. E vegeto com a certeza de não ter como fugir de mim mesmo. E vou viver por infinitas eternidades. E serei torturado por mim mesmo até o fim dos tempos. E tentarei, a todo custo, esquecer como pensar. E talvez então, com a mente vazia, me tornarei a felicidade pura e simples…”

Os quatro manguaceiros do apocalipse olhavam o ser sem inspiração e cada qual, a sua maneira única, tinha sua opinião sobre a tristeza quase contagiante que rondava os humanos ainda pensantes.

E o sensato pensou:

“Os prazeres intelectuais não me são suficientes!”

E o ateu resmungou:

“O Vazio é a lei que domina o homem movido pela fé!”

E o puro de coração falou:

“Eu nasci para rir da humanidade!”

E o niilista otimista gritou:

“Por favor, alguém destrua a humanidade, não servimos para nada!”

E o ser sem inspiração ficou ali, em silêncio, para todo o sempre até criar raízes e se tornar uma frondosa árvore solitária em uma planície também solitária.

E eu pensei no quanto achava triste as pessoas que desistem de lutar, que se entregam ao comodismo, que deixam de experimentar novas sensações por medo, vergonha, timidez; que deixam de tentar a expansão da mente e se entregam de corpo e alma aos casulos que prometem uma vida pacata cheia de uma felicidade que pode ser comprada com seu trabalho escravo e sua cabeça baixa. E eu me lembrei de uma frase, não sei de quem, escrita no livro “Sociobiologia ou Ecologia Social ?” do Murray Bookchin que dizia “Ficar alheio, mesmo conscientemente, ao mundo, ou não ficar e intervir, é uma opção de cada um.”. E tinha certeza de que continuar a luta pela igualdade dos seres, para qualquer homem ainda pensante, era uma questão de honra, uma virtude pela qual vale a pena lutar.

escrito por Petter Baiestorf.

O autor em momento de brinde supremo.