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Trabalho Autoral Independente

Posted in Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , on janeiro 11, 2012 by canibuk

“T.A.I. – Trabalho Autoral Independente” (2011, 13 minutos) de Juliana Gregoratto. Com: Rodrigo Aragão, Kapel Furnan e Paulo Biscaia Filho.

“T.A.I.” é um documentário de TCC de Juliana Gregoratto que dá uma mostra do cenário das produções de baixo orçamento do Brasil e trás importantes entrevistas com os realizadores Rodrigo Aragão, Kapel Furnan e Paulo Biscaia Filho. Rodrigo Aragão é o homem do momento do cinema independente brasileiro, tendo feito os clássicos “Mangue Negro” e “A Noite do Chupacabras” e é, possivelmente, o mais inventivo maquiador brasileiro em atividade. Kapel Furnan é o diretor do ótimo “Pólvora Negra” e fez as maquiagens do maravilhoso curta “Ivan” de Fernando Rick. Paulo Biscaia Filho, o único do grupo que não conheço pessoalmente, é de Curitiba/PR e realizou o longa “Morgue Story – Sangue, Baiacu e Quadrinhos”. O grande charme do documentário é que ele foi produzido em VHS, num bem humorado paralelo com a produção de muitos diretores independentes brasileiros que, numa época não muito distante, só tinham as câmeras VHS caseiras para registrar suas idéias.

Em matéria de documentários sobre o universo do cinema independente, o Brasil está cada vez mais bem servido. “T.A.I.” acaba se tornando uma produção complementar ao ótimo “Sangue Marginal” (que não trazia entre seus entrevistados Rodrigo Aragão e Paulo Biscaia Filho). Como curiosidade percebam a participação do diretor Armando Fonseca (do ótimo curta “Velho Mundo“) como diretor de fotografia e editor de “Trabalho Autoral Independente”, essa pequena introdução ao mundo do cinema de baixo orçamento brasileiro, onde três ótimos diretores teorizam sobre assuntos deliciosos como o acúmulo de funções na hora de filmar, curiosidades que influenciaram no orçamento dos filmes, editais, problemas nas filmagens, distribuição e a camaradagem que rola entre os técnicos na hora de tocar prá frente uma pequena produção, muitas vezes movidas somente pela paixão de realizar um trabalho autoral.

Veja aqui o documentário:

Velho Mundo

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , on outubro 28, 2011 by canibuk

“Velho Mundo” (2010, 13 min.) de Armando Fonseca. Com: Melissa Schleich, Pablo Sgarbi e Ana Maria Bucceroni.

Este curta começa na Espanha (velho mundo), onde uma gosma negra que sai do chão infecto do continente europeu (ao estilo “The Stuff/A Coisa” de Larry Cohen misturado com “The Blob/A Bolha” de Irvin S. Yeaworth Jr.) entra na mala de um brasileiro que está matando tempo prá pegar seu avião de volta ao Brasil (novo mundo). Ao chegar aqui, a gosma negra sai da mala e infecta o sistema de encanamentos de um prédio (as cenas da gosma negra infectando os encanamentos do prédio são muito bem realizadas, você pode conferir vídeo clicando aqui), centrando a trama no apartamento de um jovem casal (Melissa Schleich e Pablo Sgarbi). Após um pingo da gosma negra cair no olho do jovem que arrumava o chuveiro, ele fica infectado (as cenas envolvendo as lentes de contatos negras dão um ótimo clima ao filme), mas ainda mantendo um pouco de sua humanidade, o que faz com que sua esposa não desconfie de nada, até ela sofrer um acidente e ser levada ao pronto socorro. Num sinal de trânsito o jovem finalmente fica completamente sob controle da gosma negra e uma ótima/eletrizante perseguição envolvendo o carro tem ínicio, culminando com um atropelamento convincente. Mais não posso contar, mas posso garantir que isso é apenas o começo da diversão, estejam preparados para desmembramentos, canibalismo, cenas escatológicas envolvendo liquidificador e um fino senso de humor negro.

“Velho Mundo” é o segundo curta-metragem do diretor Armando Fonseca e o domínio da narrativa apresentado é o que mais chama atenção. Com poucos recursos mas muito planejamento (escola Roger Corman), ele construíu um filme tenso carregado de um humor negro, com ótimas sacadas técnicas. Os efeitos especiais estão ótimos (veja os testes de efeitos), a produção bem aproveitada e os atores são cativantes, tendo até rápidas cenas de nudez com a Melissa Schleich, requesito obrigatório em filmes de baixo orçamento. O que mais tem me deixado feliz com o cinema independente brasileiro é o surgimento de uma nova geração de cineastas que prima por um horror mais visceral e se importa com o aspecto técnico do filme, bem diferente da minha geração que queria a todo custo fazer um cinema gore extremo sem os técnicos e equipamentos necessários. Acho que os dois modelos são válidos, mas esse apuro visual tem deixado os novos filmes bem mais elaborados.

Contatos com o diretor Armando Fonseca pelo e-mail: armafilmes@gmail.com e compre o filme, se você tem cine-clube programe uma exibição de “Velho Mundo” (e de todos os outros filmes independentes que comentamos aqui no Canibuk), se você tem boteco, arme uma sessão com ingressos pagos (a serem repartidos entre os cineastas participantes) e convide vários curtas brasileiros para fazerem parte da noitada de sangue, tripas e tetas. Quando não há caminhos oficiais de distribuição o negócio é a união e um ajudar ao outro e, com isso, criar um mercado e um público aqui no Brasil para este estilo mais porrada de se fazer cinema.