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Canibuk Apresenta: A Arte de Leyla Buk

Posted in Arte e Cultura, Entrevista, Ilustração, Pinturas with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on março 8, 2018 by canibuk

Hoje é o dia internacional da Mulher e a série do Canibuk não podia deixar de apresentar a arte de uma das mulheres mais fortes, criativas e completas que já tive o prazer de conhecer.

Acompanho o trabalho de Leyla Buk faz, pelo menos, uma década, e cada nova fase dela me surpreendo com a franca evolução de seus trabalhos. Leyla é inquieta, está sempre na ânsia pela busca de se superar.

Autorretrato, 2018 (inédito).

Leyla, nascida em Recife/PE, é artista autodidata e desde a infância já se interessava por desenhos e pintura. Há pelo menos 9 anos trabalha em tempo integral, de modo profissional, com sua arte, experimentando vários meios, estilos e técnicas. É uma artista curiosa e dona de uma arte fenomenal, seja como desenhista, pintora ou escultora, fazendo um Monku, ou uma Buky, personagens que criou para explorar essa técnica – o que não a impede de aceitar encomendas com seu personagem preferido. Suas esculturas já estão em inúmeros países da América – USA e Canadá – e Europa – Finlândia, Inglaterra, Suécia e outros.

Já realizou exposições por vários estados do Brasil. Também foi capista da Editora Estronho e realizou cartazes para filmes, estando sempre aberta às mais variadas encomendas.

Agora Leyla se prepara para uma importante exposição coletiva em Porto Alegre que irá acontecer no mês de Maio próximo, ao lado de importantes artistas brasileiros. Em breve divulgarei aqui essa exposição e em maio estarei lá fazendo a cobertura. Adianto que é imperdível e tem a ver com o FantasPoa 2018.

Leyla Buk

Segue a entrevista que realizei com Leyla para o Canibuk.

Petter Baiestorf: Gostaria que você contasse como começou seu interesse pela arte e, também, sobre seus primeiros trabalhos.

Leyla Buk: Me interesso por arte desde que me entendo por gente. Minhas memórias mais fortes da infância são aquelas que envolvem algum tipo de arte, em casa ou no colégio. Não lembro muito dos meus primeiro trabalhos, mas eu desenhava o tempo todo. Eu fui uma criança estranha e que não se encaixava muito nas coisas. Desenhar me libertava. A arte pra mim é e sempre foi uma necessidade, uma busca por respostas, por algum tipo de salvação. E me salva. Sempre me salvou.

Buky

Baiestorf: Sua arte sofre influências de quais artistas e escolas estéticas. Fale o que te atraí neles, se quiser falar sobre os porquês seria muito interessante.

Leyla: A lista de influência é grande, de varias escolas, varias épocas e lugares, por varias razões. Eu bebo de muitas fontes, de renascentistas à artistas pop do “momento”, todos têm uma importância e fazem ou fizeram parte de algum momento meu. Eu gosto muito dos expressionistas do começo do século XX, quanto movimento, quanto proposta, quanto resposta. Artistas como Schiele sempre me influenciaram demais, pela coragem, pelo sentimento, pela angústia, pelo peso psicológico, pelo estilo. Sempre tive na arte um lugar onde posso buscar respostas e exorcizar meus demônios. Um lugar onde me encaixo e posso ser livre. Por isso me identifico muito com artistas assim. Picasso é um cara que tem uma importância enorme pra mim, porque com ele eu aprendi que não tem problema mudar, não tem problema ter muitas fases, não tem problema ser livre nesse sentido. Que meu compromisso maior é com o que sinto e com minha verdade. E eu tenho muitas fases, quem me acompanha sabe. Talvez um dia alguém vai nomear cada uma delas como fizeram com ele? “Essa é a fase preta”, “essa é a fase ocre”, “essa é a fase niilista” e arrumar justificativas pra cada uma (risos). Apenas deixem ser. Mas pra falar mais alguns nomes cito caras como da Vinci, Rembrandt, Caravaggio, Hans Memling, Bosch, Botticelli, Klimt, Van Gogh, Modigliani, Rothko. Muitos outros. Sempre da medo de esquecer alguém muito importante. E sei que esqueci. O mundo a minha volta, as pessoas com as quais eu convivo e sempre me ensinam algo, família, amigos próximos, quem eu amo e qualquer pessoa que faça o que gosta com vontade e paixão me inspira. Pode ser o maior artista vivo ou o tiozinho da esquina que vende pipoca. Gentileza, empolgação e sonhos me motivam. Inocência idem. Cinema, literatura e música também têm forte influência sobre meu trabalho, desenhos, pinturas, esculturas… Estão presentes em absolutamente tudo. Mas eu vou parar por aqui senão não vai acabar nunca essa resposta.

Stillness, 2018

Baiestorf: Com sua arte você está aberta a todo tipo de trabalho ou gostaria de se especializar somente em uma área? Porque?

Leyla: Assim, dentro da minha área eu estou aberta a tudo, porém cada coisa no seu tempo. Eu me interesso por muitas coisas, mas eu não me vejo fazendo varias coisas de áreas diferentes, eu jamais conseguiria fazer bem todas elas. Eu sou intensa demais no que eu faço então eu gasto toda energia naquilo, não conseguiria fazer isso com varias coisas. Algo sairia mal feito ou não teria a mesma atenção e cuidado que merece e eu iria sucumbir também, certamente (risos).

Baiestorf: Conte sobre suas exposições e como produtores poderiam levá-la para suas cidades/estados.

Leyla: Acho que minha primeira exposição foi em 2010, em Maceió. Num bar que reuniu vários artistas undergrounds de vários estilos. Na época eu estava forte na fase erótica e tinha acabado de começar a pintar (olha eu já definindo minhas fases tipo Picasso – risos). Depois expus em outros lugares também, todas exposições coletivas. Todas importantes, mas lembro com muito amor da exposição na Mondo Estronho que aconteceu em 2015 em Curitiba, onde expus umas 20 peças inspiradas no cinema de horror das décadas de 20 a 50, filmes que tem grande influência na minha vida e na minha arte. Depois, em 2016, expus em alguns eventos em Porto Alegre também. Se alguém tiver interesse em promover alguma exposição com meus trabalhos pode entrar em contato comigo pelo e-mail bukleyla@gmail.com e podemos acertar todos os detalhes.

Edgar Allan Poe, 2017

Baiestorf: Como é realizar trabalhos artísticos aqui no Brasil? Há reconhecimento? Oportunidades?

Leyla: Eu me sinto privilegiada por poder trabalhar com o que eu amo em tempo integral e me dedicar apenas a isso, isso pra mim já vale por qualquer reconhecimento, fama, o que for, porque eu sei que essa não é a realidade da maioria. Eu já trabalho nisso ha algum tempo e estou incansavelmente fazendo alguma coisa. A gente tem que abraçar qualquer oportunidade que apareça. A divulgação é nossa maior amiga nisso tudo e a internet oferece muitos meios pra isso. Eu tento aproveitar cada um deles.

Baiestorf: Você está com trabalhos em finalização? Poderia falar sobre eles e como o público poderá acompanhá-los?

Leyla: Eu sempre estou com trabalhos em andamento. No momento, estou trabalhando em algumas ilustrações novas e finalizando dolls de algumas encomendas. Quem quiser obter informações ou fazer pedidos (eu aceito encomendas das BukDolls, dos Monkus, das Bukys, de pinturas e de ilustrações também) pode entrar em contato através do e-mail bukleyla@gmail.com ou pelas minhas redes sociais no Instagram @leylabuk e Facebook @LeylaBukArt.

Mary Shaw (Dead Silence), 2018

Baiestorf: E seus projetos? É possível sabermos um pouquinho deles?

Leyla: Entre os outros trampos em andamento estou trabalhando também numas peças pra uma exposição que vai acontecer em maio. Darei mais detalhes em breve.

Baiestorf: Geralmente a arte no Brasil é produzida de forma independente e é difícil conseguir se manter. O que você gostaria de observar sobre isso.

Leyla: A gente tem que aprender a lidar com os altos e baixos disso tudo. Pesa mais pra gente quando pesa pra todo mundo. Mas o amor pelo o que faço é o que me move. Eu realmente não sei se saberia fazer outra coisa da minha vida! Então fica tudo muito pequeno quando penso no prazer que é poder fazer o que faço.

Baiestorf: O espaço é seu para as considerações finais:

Leyla: Obrigada, Petter, pelo espaço e pelo apoio sempre! Isso é muito importante quando a gente faz tudo por conta própria e não tem patrono, não tem arte em grandes galerias ou não morreu ainda pra que a obra, quem sabe, passe a valer alguma coisa. Valorizem os artistas enquanto vivos! Consumam sua arte! Divulguem! Apreciem! A arte salva.

Monkus, 2016

Contatos de Leyla Buk:

Email:  bukleyla@gmail.com

Instagram: @leylabuk

Instagram: @_monku_

Facebook: @LeylaBukArt

Artes de Leyla Buk:

 

Cat, 2018

Pennywise – It, 2018

Vampira e Bride of Frankenstein, 2017

Mina (Bram Stoker’s Dracula), 2017

Vanessa Ives – Possession, 2017

Edward Scissorhands Black and White, 2017

Vampira, 2016

Canibuk Apresenta: A Arte de Kell Candido

Posted in Arte e Cultura, Entrevista, Ilustração with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on março 5, 2018 by canibuk

Kell Candido, 31 anos, residente em Sumaré/SP, é ateia, fã de Black Metal, leitora de literatura de horror e possuidora de um traço que explora a Dark Art. O que destoa, talvez, seja sua paixão pelo time colorado – Internacional – do Rio Grande do Sul.

Kell também desenha aliens espetaculares e foi por conta de seus aliens – sou um apaixonado pela temática sci-fi e ufologia – que comecei a segui-la nas redes sociais a fim de acompanhar a evolução de seus trabalhos. Aliás, acredito que Kell seria uma capista fantástica para bandas de Black Metal, Heavy Metal e afins do gênero.

Apesar de não ser uma profissional das artes, acho o trabalho dela interessante, tanto que a convidei para essa série de entrevistas com artistas gráficas que admiro. E não sou somente eu que admiro os trabalhos de Kell, ultimamente ela usa “marca d’água” em suas ilustrações porque costumeiramente tem seus trabalhos roubados. Pessoal que rouba ilustrações, uma dica, valorize o trabalho dos artistas pagando o justo por suas criações.

Conheça um pouco mais de Kell Candido e seu trabalho na entrevista abaixo:

Kell Candido

Petter Baiestorf: Gostaria que você contasse como começou seu interesse pela arte e, também, sobre seus primeiros trabalhos.

Kell Candido: Desde muito pequena eu sempre “desenhei”. Sempre lia livros de terror/ horror e botava no papel o que eu sempre imaginava sobre as estórias que lia. Sempre tive a imaginação um tanto fértil. Meus primeiros desenhos foram por volta dos meus 7, 8 anos de idade. Hoje eu nem lembro mais quais foram os primeiros.

Baiestorf: Sua arte sofre influências de quais artistas e escolas estéticas. Fale o que te atraí neles, se quiser falar sobre os porquês seria muito interessante.

Kell: Eu não tenho um artista preferido. Quando descubro algum que faz mais ou menos o mesmo tipo de arte obscura, eu passo a seguir nas redes sociais. Hoje em dia eu sigo mais tatuadores gringos que fazem blackworks. Quanto mais sombria e sem cor for a arte do sujeito, mais me agrada.

Baiestorf: Com sua arte você está aberta a todo tipo de trabalho ou gostaria de se especializar somente em uma área? Porque?

Kell: Meu interesse é na dark art. Desde que me entendo por gente, na verdade. É claro que ás vezes eu dou uma variada, coloco cores em algumas coisas. Já pintei livros de colorir (aliás, foi com eles que “aprendi a colorir com lápis de cor”), mas se você prestar atenção, até nos livros de colorir “fofinhos” eu vou colocar algum elemento do mal.

Baiestorf: Conte sobre suas exposições e como produtores poderiam levá-la para suas cidades/estados.

Kell: Nunca expus minha arte. Mas seria interessante um dia eu ter uma coleção legal de aliens, demônios, olhos (minha fixação), e sei lá que outros espectros saírem da minha mente, e poder mostrar.

Baiestorf: Como é realizar trabalhos artísticos aqui no Brasil? Há reconhecimento? Oportunidades?

Kell: Não existe reconhecimento. Você viver de arte aqui no Brasil, com exceção de alguns que ralaram muito, é querer morrer de fome. As pessoas raramente dão valor no seu trampo, a maioria das pessoas pedem desenhos de graça como se o material de desenho brotasse lindamente do chão. Não é assim. O material é caro, e o tempo do artista também tem que ser muito valorizado. Arte é sentimento. Eu desenho apenas por prazer, muito raro presentear algum amigo querido com minha arte, porque não são todos que conseguem enxergar além do ato de rabiscar numa folha de papel.

Baiestorf: Você está com trabalhos em finalização? Poderia falar sobre eles e como o público poderá acompanhá-los?

Kell: Eu estou sempre com algum desenho em progresso. Ás vezes no meio do trampo a inspiração some e eu guardo pra continuar depois.
Podem me acompanhar pelo meu deviantart: www.kellcandido.deviantart.com ou pelo meu instagram @kellcandido.

Baiestorf: E seus projetos? É possível sabermos um pouquinho deles?

Kell: No momento estou apenas trabalhando e estudando, então estou com o tempo bem apertado pros meus projetinhos. Mas de vez em quando eu apareço com algum olho ou ET recém saído da minha imaginação doentia.

Baiestorf: Geralmente a arte no Brasil é produzida de forma independente e é difícil conseguir se manter. O que você gostaria de observar sobre isso.

Kell: Conheço alguns artistas que hoje conseguem se manter, mas depois de anos de muita dificuldade. Admiro quem arrisca e tenta a duras penas viver de arte. Mas também tenho pena pela arte no geral ter pouca atenção no país. País sem cultura e educação é isso, Petter: a massa só consome lixo. E o artista sempre sendo visto como vagabundo.

Baiestorf: O espaço é seu para as considerações finais:

Kell: Eu quero agradecer á você por esse reconhecimento e carinho. Fiquei muito feliz pelo convite e espero que a galera curta minhas rabisqueiras.
Quero agradecer á todos que me incentivam, que gostam do meu trabalho.
Não sou profissa, o que faço é porque gosto e me faz bem rabiscar.
Bom 2018 á todos 😊

Contatos com Kell Candido:

https://kellcandido.deviantart.com

instagram: @kellcandido

Artes de Kell Candido:

Canibuk Apresenta: A Arte de Daniela Távora

Posted in Arte e Cultura, Ilustração, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on março 1, 2018 by canibuk

Conheci a Daniela Távora por conta do Cine Bancários de Porto Alegre, onde ela é gerente e eu, geralmente, faço a primeira exibição de meus novos filmes. Pouco depois tomei contato com a arte de Daniela através de um fanzine sem título que ela lançou (aliás, sem nenhuma palavra escrita, somente imagens) e que passei a admirar os traços dela. Daniela é das minhas, nada contra a corrente e não tá interessada em entregar as coisas para o público de mão beijada.

Daniela é formada em Artes Visuais pela UFRGS e um tempo atrás começou a experimentar em todo o tipo de arte, inclusive vídeo e fotografia, como essa abaixo, de uma série ainda inédita feita em parceria com o Itapa Rodrigues.

Daniela Távora

Atualmente produz vídeos, fotografias, zines, histórias em quadrinhos, ilustrações e baralhos de tarô. Sua pesquisa artística se apropria da linguagem cinematográfica de horror, terror e suspense, norteadas por abordagens fantásticas e micro narrativas pessoais.

Fiz uma entrevista com Daniela para apresentá-la aos leitores do Canibuk. Se você gostou do trabalho dela, entre em contato e encomende alguma peça.

Petter Baiestorf: Gostaria que você contasse como começou seu interesse pela arte e, também, sobre seus primeiros trabalhos.

Daniela Távora: Meu interesse pela arte surgiu logo após os primeiros esculachos que a vida fez comigo. Revolta, frustração e sentimento de impotência, ainda na adolescência, me fizeram sacar que se eu xingasse todos os escrotos que haviam ao meu redor, em uma folha de papel, apesar de nada acontecer com os alvos da minha raiva, eu poderia ter alguns textos mais ou menos interessantes. Tentei o teatro, mas era muito tímida, não deu certo. Além da escrita, descobri no desenho uma maneira de expressar o que sentia. Sempre tive a mente muito poluída pelas porcarias que passavam na televisão, logo comecei a ver muitos filmes, o que aos poucos foi me despertando o interesse pelo vídeo e fotografia.

Baiestorf: Sua arte sofre influências de quais artistas e escolas estéticas. Fale o que te atraí neles, se quiser falar sobre os porquês seria muito interessante.

Daniela: Praticamente tudo na minha vida aconteceu por acidente inclusive a arte. Quando pequena por algum motivo, eu estava entediada e abri um livro, que era da minha mãe, da Gnosis (aquela seita esquisita), onde haviam várias ilustrações da divina comédia. Fiquei apaixonada e apavorada. Eu era tão preguiçosa que nem me prestei a ler o nome do cara que tinha feito os desenhos. Tarde demais, eu já tinha aquelas imagens tão profundamente impressas no meu cérebro que só conseguia desenhar coisas muito parecidas. Muito tempo depois que fui descobrir que eram do Gustave Doré. Mais tarde conheci Eddie Campbell, Hitoshi Iwaaki, Harry Clarke, Jake e Dinos Chapman e William Kentridge que me influenciaram muito. Meus filmes preferidos sempre foram os mais baratos, diferentes ou com roteiro doidão. O Bandido da Luz Vermelha e Abismo de Rogério Sganzerla, Os Idiotas de Lars Von Trier, Filme Demência de Carlos Reichenbach, A Noite dos Mortos-Vivos, de George Romero foram muito importantes para mim, praticamente uma escola. Vendo filmes de Zé do Caixão, da Boca do Lixo, pornochanchadas e Petter Baiestorf descobri que o que eu queria estava muito perto de mim, e que eu poderia fazer o vídeo que eu quisesse, onde eu bem entendesse, com a câmera de qualquer amigo e a participação de todos os malucos (que eu amo) que estão só esperando um convite para fazer cenas de terror, morte e nudez. O terror me interessou mais, pois temas como família, convivência em sociedade, egoísmo, solidão, desigualdade e amor são explorados a partir de rupturas sinistras com a realidade. Histórias do universo White Trash, a burrice e a tosquice das pessoas, dramas comuns a adultos frustrados, adolescentes feios e sem perspectiva de futuro e crianças largadas aos próprios cuidados, pertencentes a famílias dissolvidas pelo capitalismo é como se fossem histórias feitas em homenagem a mim, meus amigos de infância e meus irmãos.

Baiestorf: Com sua arte você está aberta a todo tipo de trabalho ou gostaria de se especializar somente em uma área? Porque?

Daniela: Prefiro estar aberta a todo o tipo de loucura. Por meu próprio interesse fiz desenho, fotografia e vídeo. Ok. Mas por força da vida e convite de amigos doidos já me envolvi com serigrafia, música, cinema, até cover da Gretchen já acabei fazendo. Ou seja, acho que aprendo (e me divirto) mais quando foco menos.

Baiestorf: Conte sobre suas exposições e como produtores poderiam levá-la para suas cidades/estados.

Daniela: Quando comecei a expor os trabalhos eram em desenhos/ilustrações e foto, e as galerias eram em Porto Alegre. Hoje eu produzo mais vídeos do que coisas físicas, o que facilita, pois é só mandar o link com os arquivos para qualquer lugar do Brasil onde for rolar a exibição. Isso acontece bastante com festivais de cinema, que abrem muito mais espaço para vídeo experimental do que galerias de arte, diga-se de passagem.

Baiestorf: Como é realizar trabalhos artísticos aqui no Brasil? Há reconhecimento? Oportunidades?

Daniela: Só vejo trabalho requentado em galerias de arte, pois é mais fácil de vender. E eu entendo. Tem que ser muito corajoso ou corajosa para montar uma galeria pensando em exibir arte autoral, sabendo que o público é saudosista e que só vai comprar coisas já legitimadas há no mínimo uns 30 anos, ou cópias atuais de obras que fizeram sucesso há 30 anos. Faço minhas coisas de teimosa mesmo e não estou nem aí. E tenho muito pouca inserção, pois ainda não se descobriu como vender vídeos em galerias de arte. Às vezes me inscrevo em editais de espaços públicos e festivais de cinema com programação para vídeo experimental, e acabo sendo selecionada em alguns, pois nesse tipo de local é mais comum existir interesse pelo trabalho artístico de pesquisa, não pelo que é mais comercializável. Reconhecimento e oportunidades: de amigos queridos que valem ouro, fazem as coisas em parceria, ajudam, divulgam e compram. Ano passado tive a alegria de ser convidada para participar de uma mostra por alguém que não era diretamente um amigo de bar, “Ao lado dela, do lado de lá”, que aconteceu no Instituto Goethe, em Porto Alegre. Fiquei muito feliz.

Baiestorf: Você está com trabalhos em finalização? Poderia falar sobre eles e como o público poderá acompanhá-los?

Daniela: Tenho um vídeo sendo construído em parceria com a Pomba Claudia e Itapa Rodrigues que se chama “O estranho caso do rato que se achava águia”. Também estou produzindo uma série fotográfica com muito sangue, nudez e simbologias que nem eu mesma entendo, que ainda não tem nome, talvez quando eu terminar tenha um nome. Mas por enquanto, tem este site aqui que está em construção https://danielatavorao.wixsite.com/arte onde se pode ver o que tenho pesquisado nos últimos anos.

Baiestorf: E seus projetos? É possível sabermos um pouquinho deles?

Daniela: Meus projetos tem a mania de aparecer na minha cabeça do nada, e eu vou fazendo e então vão ficando bem diferentes do que imaginei conforme o processo, que faz com que fiquem mais maravilhosos. Além do vídeo com a Pomba e Itapa que estou montando e das fotos, estou interessada por pesquisar as personagens de mulheres monstruosas do cinema japonês, e agregar este “conceito” às minhas personagens, em vários suportes, como vídeo, desenho e foto.

Baiestorf: Geralmente a arte no Brasil é produzida de forma independente e é difícil conseguir se manter. O que você gostaria de observar sobre isso.

Daniela: Eu tenho um emprego para poder manter minhas necessidades básicas. O dinheiro que me sobra eu torro com equipamentos, tintas, figurinos, maquiagens e cenários para minhas ideias de arte. Ainda não vejo uma forma de conseguir se manter com trabalhos artísticos no sistema atual. Por um lado é ruim, pois se faz arte quando se consegue (grana, espaço, tempo, energia mental…). Ao mesmo tempo me sinto livre para fazer coisas esquisitas sem me preocupar em “pentear” meu trabalho para que ele se torne mais comercializável. Quanto a tentar editais para projetos de arte, sinceramente, tenho preguiça. Independente é mais gostoso para mim.

Baiestorf: O espaço é seu para as considerações finais:

Daniela: Gosto do feio, do sujo e do mal acabado. Ponto. Para mim é um modo de romper e de me expressar além de cânones estéticos vigentes. Não me importa o que os outros estão fazendo, vou fazer o que eu quiser fazer, pois a vida já nos obriga a fazer coisas chatas e por obrigação demais. Para mim é libertador trabalhar com o que quero e não me dobrar para tendências artísticas contemporâneas. Só se vive uma vez, já diria a canção do escroto do Roberto Carlos. Eu quero é decolar toda a manhã (Arnaldo Baptista).

Siga Daniela Távora no youtube:

https://www.youtube.com/channel/UCCSykLJu4vHHhftw-c33wuA/featured

Contatos de Daniela:

E-mail: daniela.tavora.o@gmail.com

Fone: 51 996061060

https://danielatavorao.wixsite.com/arte

danielatavora.tumblr.com

Artes de Daniela Távora:

Dedo Semovente

Canibuk Apresenta: A Arte de Ariane Nunes

Posted in Arte e Cultura, Entrevista, Pinturas with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , on fevereiro 26, 2018 by canibuk

Ariane Nunes é mineira, natural de Governador Valadares, apaixonada por desenhos, filmes e boa música (em suas palavras, “cara, heavy metal é uma loucura!”), começou a trabalhar sua arte, bastante original, a pouco tempo – aproximadamente um ano atrás. Se mantém trabalhando num escritório de advocacia enquanto faz faculdade de enfermagem. Mas não seria incrível e gratificante se artistas pudessem viver se dedicando somente à sua arte?

Conheci Ariane por conta dos filmes que produzo e passei a acompanhar seus perfis de redes sociais para acompanhar a evolução de seus trabalhos. Sou um grande apreciador da técnica de pintura envolvendo linhas e ondas, então imaginem minha alegria/satisfação quando ela resolveu pintar O Monstro Legume do Espaço, talvez minha personagem mais conhecida no underground nacional.

O Monstro Legume

Segue uma pequena entrevista que realizei com Ariane, ao fim das perguntas deixo os contatos dela para quem gostar dos trabalhos poder entrar em contato e fazer encomendas.

Petter Baiestorf: Gostaria que você contasse como começou seu interesse pela arte e, também, sobre seus primeiros trabalhos.

Ariane Nunes: Sempre me interessei pela arte em suas diversas vertentes, seja música, filmes, teatros, e ilustrações, é claro! Comecei a fazer como forma de terapia e passar tempo, a fim de me tornar uma pessoa mais paciente e com menos vontade de explodir a cidade em que moro. Peguei meu caderno de anatomia (que comprei pra faculdade e usei apenas 10 folhas) e comecei a fazer desabafos, com imagens, nas folhas que restaram. Isso me fez gostar cada vez mais de desenhar e colocar no papel tudo aquilo que a boca queria gritar e não conseguia. Então, conheci uma pessoa que me mostrou essa técnica cheio de linhas e ondas que podem se transformar na viagem que eu quiser! A partir daí, comecei a fazer telas, e me encantei com essa coisa de dimensões, universos, abismos e devaneios. Meu primeiro trabalho foi um quadro referenciando o filme “Pulp Fiction”, do Tarantino. Gostei do resultado e não parei mais de rabiscar aquelas linhas simetricamente perturbadoras! Posso dizer que meu real interesse por fazer arte começou quando percebi que ela substituiria um bom psiquiatra. Desde então, as paredes da sala da minha casa podem causar tonturas.

Ariane Nunes

Baiestorf: Sua arte sofre influências de quais artistas e escolas estéticas. Fale o que te atraí neles, se quiser falar sobre os porquês seria muito interessante.

Ariane: Aprendi essa técnica de linhas e ondas com um grande amigo do coração, então diria que ele foi um fragmento de influência. Procuro referências na música, na natureza, filmes, no meu estado mental… não procuro me espelhar em ninguém, mesmo parecendo ser presunçoso juro que não é! Os trabalhos que faço tem fragmentos de minha alma. São artes com sentimentos bem pessoais. Procuro colocar na tela o que minhas mãos e mente pedem na hora. Por exemplo, quando me encomendam um quadro referenciando algum personagem, uso, e o resto é viagem. Feito sem rascunho, livre, como tem que ser! Mas gosto bastante da arte expressionista abstrata, gosto do que faz a cabeça sair do corpo e entrar em transe! Gosto de obras perturbadoras, que mexem com o estado de espírito (não que eu faça exatamente e exclusivamente isso).

Baiestorf: Conte sobre suas exposições e como produtores poderiam levá-la para suas cidades/estados.

Ariane: Faço minhas exposições online, através de Instagram e Facebook. Ainda não fiz uma exposição física, não tem muito tempo que comecei a divulgar meus trabalhos. Meu tempo, aqui na cidade mais quente do Brasil, é um pouco limitado. Estou me formando agora em um outro tipo de arte (de cuidar das pessoas), por isso existe essa limitação. Mas caso surja interesse de algum produtor, é só entrar em contato através de redes sociais. Seria um prazer e também seria minha primeira vez em alguma exposição.

Baiestorf: Como é realizar trabalhos artísticos aqui no Brasil? Há reconhecimento? Oportunidades?

Ariane: Difícil, pessoalmente dizendo. Tudo que é um pouco diferente do comum as pessoas têm certa resistência em aceitar, principalmente se tratando de trabalhos manuais que não tem o valor reconhecido por muitos. Porém, meu trabalho tem me deixado satisfeita. Já mandei telas para algumas cidades no sudeste e nordeste, e já tenho encomendas para o sul! Apesar de achar difícil realizar trabalhos independentes aqui no país, acredito que mesmo com os obstáculos e falta de ‘’ empurrões’’, a oportunidade quem faz somos nós!

Baiestorf: Você está com trabalhos em finalização? Poderia falar sobre eles e como o público poderá acompanhá-los?

Ariane: Sim! Tenho trabalhado em uma tela que estou apaixonadíssima em fazer! Estou finalizando esse trabalho que tem sido um dos meus maiores desafios. Tem a ver com noite, castelo, almas e florestas. Parece um tema clichê pra caramba, mas estou tentando buscar uma atmosfera única, bela e sombria. Eu só publico nas redes sociais quando está pronto, porque cada traço me dá uma ideia, e quando termino, as vezes sai algo completamente diferente da ideia inicial. Como disse anteriormente, gosto de deixar a mente guiar as mãos. Mas assim que terminar, vou estar postando no Instagram e espero ter boa aceitação e resultado.

Baiestorf: E seus projetos? É possível sabermos um pouquinho deles?

Ariane: Claro! Estou com a ideia de um projeto ‘’ Senhores do Horror’’, onde farei 6 telas em tamanho 30×40 com personagens dos filmes clássicos do terror. Já decidi todos os personagens que usarei, e espero que vá para parede de um fã incondicional dos clássicos do medo. Esse projeto já está na minha cabeça a algum tempo, mas só agora vou conseguir concretiza-lo. Estou ansiosa para ver o resultado! Posteriormente, quero realizar em apenas uma tela, um trabalho com várias referências musicais. Um mix de bandas clássicas com uma atmosfera psicodélica. Vamos ver…

Baiestorf: Geralmente a arte no Brasil é produzida de forma independente e é difícil conseguir se manter. O que você gostaria de observar sobre isso.

Ariane: Existem políticas de apoio à arte no país, mas o público está cada vez mais desinteressado, no meu ponto de vista. As pessoas também estão desistindo de fazer, seja pelo desânimo ou mesmo pela falta de retorno de seus investimentos. Não generalizando, claro. Hoje em dia se faz música no computador, monta desenhos, imprime e emoldura, faz efeitos especiais, mudam vozes, acrescentam dragões. Isso é bom, óbvio. É ótimo ter recursos para melhorar o trabalho de um artista, mas por outro lado, o público desvaloriza financeiramente falando, o trabalho manual de quem ainda o faz, aquele trabalho que não são feitos de pixels. A maior dificuldade é ainda a falta de retorno, principalmente financeiro. Isso acaba desanimando muita gente fazendo com que o artista desista do seu sonho e faça da arte apenas um hobbie, e não um trabalho.

Baiestorf: O espaço é seu para as considerações finais:

Ariane: Gostaria de agradecer pela oportunidade de estar divulgando meu trabalho através do blog. É extremamente gratificante esse reconhecimento e foi de grande prazer responder cada pergunta. Principalmente, quando se trata de alguém o qual tem minha total admiração pelos trabalhos realizados! Espero contribuir de alguma forma com o crescimento do seu trabalho, e também do meu. Agradeço também, antecipadamente, a todos que lerão essa entrevista, gostando ou não! Não sou muito boa em palavras, então é isso! Vida longa a todos, e que a loucura sempre esteja presente na vida de cada um.

Contatos de como comprar/encomendar (e acompanhar) seu trabalho:

E-mail: Ariane-nr@hotmail.com

Tel/whatsapp: 033 991995704

Facebook: https://www.facebook.com/ariane.nunes.1238

Instagram: @arianenr6

Trabalhos de Ariane Nunes:

Canibuk Apresenta: A Arte de Talita Abreu

Posted in Arte e Cultura, Entrevista, Ilustração, Pinturas with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on fevereiro 19, 2018 by canibuk

Talita Abreu é uma artista que acompanho a algum tempo e me impressiona sua dedicação às artes gráficas, sempre em constante evolução em seus trabalhos que são bem ecléticos – algo que admiro muito nos artistas gráficos – e que vão de trabalhos infantis até ilustrações fetichistas de BDSM, como essa abaixo que ela fez exclusivamente para o Canibuk.

BDSM

Nascida em 1984 no Rio de Janeiro/RJ, ainda jovem fixou residência em Resende/RJ, cidade próxima de São Paulo, a capital paulista onde passou a frequentar inúmeros cursos de arte.

Talita realiza trabalhos de freelancer aceitando encomendas de quadros, grafite, ilustrações para livros e contos, ilustração editorial, capas, incluindo até encomendas pessoais de apreciadores e colecionadores de arte.

Paralelamente cursa a faculdade de licenciatura em Artes Visuais a fim de complementar seu trabalho como professora de artes, desenhos e pinturas para adultos, crianças e pessoas com necessidades educativas especiais.

Abaixo uma pequena entrevista que realizei com Talita Abreu para apresentá-la aos leitores do Canibuk. Se você gostou da arte de Talita ao final da entrevista deixo os contatos para que possa encomendar as artes originais desta brilhante artista.

Talita Abreu

Petter Baiestorf: Gostaria que você contasse como começou seu interesse pela arte e, também, sobre seus primeiros trabalhos.

Talita Abreu: Eu simplesmente sinto que nasci artista, e não que me tornei uma. Ballet, fotografia, violino, escrita, teatro, desenho, tudo isso sempre fez parte do meu dia-a-dia, então eu não sei onde eu começo ou a arte termina. Transformar isso em uma profissão é que é a batalhe dos séculos. Com os anos fui me aprimorando e isso é uma constante, acredito que deva ser. Me dedico a cursos e à horas intermináveis de estudo, até que comecei a conseguir realizar projetos e me expressar melhor através da mídia que eu queria. Eu sei que precisamos almejar coisas grandiosas, mas eu sou simplesmente muito feliz trilhando o caminho.

Baiestorf: Sua arte sofre influências de quais artistas e escolas estéticas. Fale o que te atraí neles, se quiser falar sobre os “porquês” seria muito interessante.

Talita: Eu amo o que vai além da cópia perfeita, gosto de sentir a textura dos lápis e das tintas, das estilizações com proporções harmoniosas, distorcidas ou não, do movimento, da fluidez da composição de um desenho ou pintura, de composições cromáticas perfeitas, mas acima de tudo da criatividade. Uma boa ideia que foi bem executada pode te levar a uma reflexão infindável, pode te fazer se apaixonar instantaneamente.
Dos artistas que mais me inspiram a suma maioria são mulheres fantásticas: Chiara Bautista, Loish, Michael Huassar, Chris Hong, Lora Zombie, Bianca Nazari e Ursula Dourada.

Baiestorf: Com sua arte você está aberta a todo tipo de trabalho ou gostaria de se especializar somente em uma área?

Talita: Não consigo olhar pra mim mesma e me encaixar em uma área só. Eu amo tudo e tenho curiosidade por tudo! A ilustração é minha área de atuação e mesmo dentro dela eu adoro transitar entre materiais diferentes e conhecer e estudar tudo o que eu puder. Essa é a beleza de uma mente que não para, mesmo que a gente precise se forçar ao extremo para segurar o foco no topo da lista.

Sad Devil 1

Baiestorf: Conte sobre suas exposições e como produtores poderiam levá-la para suas cidades/estados.

Talita: De aquarelas de todos os temas, ilustrações e histórias infantis, ilustrações de horror, BDSM, retratos femininos de modelo vivo, séries de pinturas de personagens Star Wars, aulas e workshops de desenho e aquarela, eu possuo um acervo que pode agradar a públicos do 8 ao 80 e estou sempre aberta a propostas e projetos. Basta entrar em contato e com certeza algo bacana nasce.

Baiestorf: Como é realizar trabalhos artísticos aqui no Brasil? Há reconhecimento? Oportunidades?

Talita: É muito complicado e não acredito que isso seja segredo pra ninguém. A coisa vem com muita luta, pouco apoio, pouquíssimo reconhecimento. É legal que trabalhemos por amor, mas pagar as contas não é uma condição que a gente possa abrir mão. A maioria das “oportunidades” são na verdade pessoas oportunistas querendo trabalho de graça, mas também existem algumas poucas pessoas incríveis que sabem dar oportunidades reais a artistas.
Precisamos de uma conscientização maior sobre o que é viver de arte para que as pessoas entendam que não é um caminho fácil… Ouvir coisas do tipo “você só desenha ou trabalha também?” mostra o quanto o brasileiro ainda está meio que “lá atrás” quando se trata de arte, ver a galera pagando 500 reais no ingresso do artista internacional tal mas não consegue despender 50 conto no livro do amigo que mora na tua cidade, diz muito sobre como a nossa mentalidade alcança um ponto limitado às vezes. Precisamos muito de reconhecimento, sim, mas mais oportunidades de ser o que somos.

Trio de Doces

Baiestorf: Você está com trabalhos em finalização? Poderia falar sobre eles e como o público poderá acompanhá-los?

Talita: Estou terminando um livro que espero que seja lançado até o final de 2018 e ilustrando para um autor de horror maravilhoso e pretendemos lançar em Setembro também desse ano. Não posso falar muito desses, mas logo logo uma coisa ou outra começa a apontar por aí.

Faço atualizações constantes nas minhas redes sociais que são minha página no facebook e instagram: @talitaabreu.art

Pra comprar material meu, fazer encomendas ou falar sobre projetos, as pessoas podem entrar em contato comigo por essas redes sociais ou irem direto no site:
http://www.capitaodoce.com.br

Baiestorf: E seus projetos? É possível sabermos um pouquinho deles?

Talita: Tenho um projeto em andamento com mulheres voluntárias que posam para mim e contam suas histórias de abuso e uma série de ilustrações sobre BDSM também em andamento. Qualquer mulher que queira participar do projeto Ser Mulher, pode entrar em contato via e-mail:
talitaabreu.art@gmail.com

Baiestorf: Geralmente a arte no Brasil é produzida de forma independente e é difícil conseguir se manter. O que você gostaria de observar sobre isso.

Talita: A arte independente depende de vários fatores e pra ser um apoiador, claro que você pode comprar os produtos, mas a divulgação não custa nada e também é fundamental. Se você gosta de um artista, divulgue a arte dele, fale dele pros seus amigos, comente e compartilhe suas postagens, vá a seus eventos, mostre ele por aí, porque assim você não só faz a arte circular e se tornar algo vivo, como ajuda a gerar renda para esses artistas para que eles continuem fazendo arte! Assim você literalmente faz a arte existir.

Sad Devil 2

Baiestorf: O espaço é seu para as considerações finais:

Talita: Queria primeiro agradecer ao Petter por todo o carinho e consideração com os artistas. É difícil ver alguém que não gira em torno dos próprios projetos e está sempre procurando uma forma nova de entrar em contato com os outros e fazer a arte deles crescer. É de pessoas assim que podemos fazer um país onde a arte prospere e se expanda. A oportunidade de estar aqui no seu blog e inaugurar esse hall de entrevistas me põe um baita sorriso no rosto… Obrigada Petter! Se você é um aspirante a artista, eu só posso te dizer… Lute pela sua arte, mas antes de mais nada, estude, estude sempre, estude MUITO!!! A gente nunca vai ser o melhor no que fazemos, então a humildade é um órgão vital a partir do momento em que você se compromete com você mesmo e com a verdade. Fale com outros artistas, saia da sua zona de conforto. E obrigada a você que leu minha entrevista e se deu uma oportunidade de ver as coisas desse ponto de vista. Queria deixar o canal aberto para a comunicação comigo por qualquer meio que te for mais confortável. E não se esqueça… Apoie os artistas!

Contatos:

Facebook: http://www.facebook.com/talitaabreu.artwork
Instagram: @talitaabreu.art

site: www.capitaodoce.com.br

e-mail: talitaabreu.art@gmail.com

Artes de Talita Abreu:

Marie Antoinette

 

Nosferatu

 

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