Arquivo para bandeira negra

Libertárias

Posted in Anarquismo, Cinema with tags , , , , , , on janeiro 21, 2011 by canibuk

“Libertárias” (Libertarias, 1996, 125 min.) de Vicente Aranda, com: Ariadna Gil, Ana Belén, Victoria Abril e Miguel Bosé.

Em 1936 começou a guerra civil espanhola onde os anarquistas pegaram em armas para ajudar a derrubar as forças do exército Espanhol (eram vários grupos de diferentes ideologias – Anarquistas, Socialistas, Comunistas, camponeses e idealistas das mais diversas nacionalidades – lutando lado a lado contra o fascismo com uma paixão autêntica. “Libertárias” mostra a dupla luta das mulheres anarquistas do Movimento Mulheres Livres que, além de querer derrubar o fascismo, queriam ter os mesmos direitos dos homens na sociedade da época e, ainda, lutavam contra o preconceito de seus próprios companheiros de batalha (os comunistas-socialistas queriam que as mulheres não lutassem no front, queriam que elas ficassem nas cidades já tomadas lavando roupas e fazendo comida). Na história acompanhamos uma freira alienada que, após se esconder num puteiro, é posta em liberdade (não precisa mais servir deus, nem seu pai, nem seu homem, nem seu patrão, é livre para ser dona de si) e passa a acompanhar um grupo de mulheres do Movimento Mulheres Livres que foi lutar no front para se igualar aos homens que lá lutavam. Aranda construiu um filmaço sobre a sangrenta guerra civil espanhola usando a freira como instrumento de narração (uma freira é alienada, vê a realidade de uma maneira distorcida, como a maioria da sociedade alienada dos dias de hoje), onde aprende sobre anarquismo e ideologias libertárias (há uma passagem impagável onde a freirinha recita Kropotkin como se fosse uma bíblia decorada). O filme, que é da escola anarquista de Bakukin, possuí um grande acerto que é mostrar como os Anarquistas lutavam por causas justas sem deixar o bom humor de lado (ao contrário do exército normal com seus generais idiotas, um exército anarquista não possuí líder e tudo é decidido por votação). “Libertárias” foi lançado em DVD pela distribuidora Platina Filmes (que vem fazendo ótimos lançamentos, como “Cannibal Holocaust”, “J’Irai Comme Un Cheval Fou”, “Eros + Massacre”, “Az Pprijde Kocou”, “O Anjo Exterminador”, “Meus Caros Amigos” e muitos outros filmes imperdíveis).

NÃO PERCA TAMBÉM:

“Land and Freedom” (“Terra e Liberdade”, 1995, 109 min.) de Ken Loach, sobre os anarquistas na Guerra Civil Espanhola, os dois filmes se completam. Já foi lançado em DVD no Brasil.

Porque a Nossa Bandeira é Preta?

Posted in Anarquismo with tags , , , on outubro 27, 2010 by canibuk

Preto é a sombra da negação. A bandeira preta é a negação de todas as bandeiras. É a negação da nação, que bota a raça humana contra ela mesma e recusa a união de toda a humanidade. Preto é o humor da raiva e ódio a todos os crimes contra a humanidade feitos no nome de um estado ou outro. É a raiva e ódio ao insulto à inteligência humana feitos em pretensas, hipócritas e baratas caridades dos governos. Preto é também a cor da tristeza; a bandeira preta que cancela a nação também chora pelas vítimas incontáveis assassinadas em guerras, externas e internas, para a glória eterna e estabilidade de algum estado sangüinário. Ela chora por aqueles cujo trabalho é roubado (taxado) para pagar a carnificina e opressão de outros seres humanos. Não lamenta só a morte dos corpos mas o aleijamento do espírito abaixo de autoritários e hierarquizados sistemas, lamenta os milhões de células cerebrais desativadas sem chance de acordar para o mundo. É uma cor de tristeza inconsolável. Mas preto também é lindo. É uma cor de determinação, de resolução, de força, a cor pela qual todos são esclarecidos e definidos. Preto é o cerco misterioso de germinação, fertilidade, a terra de crescimento para o que evolui, renova, refresca e reproduz na escuridão. A semente escondida na terra, a estranha jornada do esperma, o secreto crescimento do óvulo no útero, toda essa escuridão cerca e protege. Então preto é negação, é raiva, é ódio, é lamentação, é beleza, é esperança, é o nascimento de novas formas de vida e o relacionamento com a Mãe Terra. A Bandeira Negra significa tudo isso, estamos orgulhosos de carrega-la e olhar para o dia em que esse símbolo não vai mais ser necessário.

escrito por Howard Ehrlich, do livro “Reinventing Anarchy”.