Arquivo para barroco

Francesca Woodman: “Ser fotografada ajuda-me a ser eu mesma.”

Posted in Arte e Cultura, Arte Erótica, Fotografia with tags , , , , , , , on junho 13, 2012 by canibuk

Já faz um tempo que eu queria falar um pouco aqui no blog sobre a Francesca Woodman, pois sou fascinada pelos trabalhos e personalidade intensa da artista que teve uma vida breve (ela se matou aos 22 anos), mas produziu como louca nesse curto período onde ficou por aqui tentando se descobrir e lutando com suas emoções fortes. Nos deixou obras lindas. Alguns textos de seu diário mostram como era intensa, ambiciosa, ansiosa por reconhecimento. Em uma de suas frases afirma que é vaidosa e masoquista e se indaga como pode ser as duas coisas. Suas fotografias são como toda arte, na minha opinião, deve ser, tão poderosas que é impossível passar por elas sem ser atraído, sem sentir uma certa perturbação e angústia,  sem pensar nos limites do corpo, sem pensar, sobretudo, na morte.

A maioria das fotografias são auto-retratos, predominando o preto e branco, encenadas numa atmosfera fantasmagórica, onde a nudez (ou quase) é  constante e o corpo envolto num ambiente cheio de tristeza e melancolia. Ela explora o corpo humano, seus limites e temas como solidão, morte, o feminino estão presentes nos registros incertos, borrados, quase em movimento e nos mostram que as possibilidades de criação e experimentação são infinitas. Os resultados de suas experiências  são sempre intrigantes e originais. Embora sua preferência fosse por preto e branco, Francesca também  fotografou em cor e, o que poucos sabem, fez alguns trabalhos em vídeo.

Aqui é posssível ver um trecho de uma de suas experimentações em vídeo.

Woodman nasceu numa família de artistas, seu pai era pintor e a mãe ceramista. Aos treze anos já fotografava com paixão e, mais tarde, aos desessete, ingressou na Rhode Island School of Design, ja desenvolvendo um estilo muito próprio. Em Roma, onde passou um ano no palácio Cenci depois de conseguir uma bolsa de estudos, teve contato com o futurismo e surrealismo, elementos que, acompanhados do barroco e do simbolismo, encontramos em  seus trabalhos. Em 1979 volta à Nova Iorque buscando trilhar sua carreira de fotógrafa e dar seguimento a sua obra. Francesca entregou-se ao trabalho e alimentava seu ego de artista e a ambição pelo reconhecimento. Criou uma série de livros de artistas (obras de arte realizadas em forma de livro), entre eles o “Portrait of a Reputation“, “Angels, Calendar Notebook” e o “Quaderno dei Dettati e dei Temi/Notebook of Dictations and Compositions”, mas o único livro que teve publicado ainda em vida foi o “Some Disordered Interior Geometries”, lançado em janeiro de 1981. Uma semana após o seu lançamento Francesca se matou. Alguns anos depois o livro receberia ótimas críticas.

Some Disordered Interior Geometries” é um livro raro que foge da forma clássica dos livros de fotografias. Na verdade, é um livro italiano de exercícios de geometria do século passado com 24 páginas onde a artista inseriu algumas de suas fotografias e anotações feitas à mão, incluindo correções com corretivo líquido. Hoje o livro está esgotado, encontram-se apenas digitalizações disponíveis para algumas instituições de ensino nos Estados Unidos.

Em 2010 foi lançado o documentário “The Woodmans“, realizado por C. Scott Willis. O filme fala sobre a família e vida da fotógrafa, traz depoimentos de familiares próximos, como seu irmão, fala sobre a relação e importância da arte na vida de Francesca e seu trágico fim. Sem dúvida, a arte era o sentido da sua vida e foi após um bloqueio criativo que afetou todo o seu processo lhe impedindo de produzir, que ela entrou numa crise e  desequilibrou-se a ponto de se matar. Em 19 de janeiro de 1981 ela joga-se de uma janela.

“Minha vida neste momento é como antigos sedimentos que ficam numa xícara de café e prefiro morrer jovem deixando várias realizações ao invés de apagar todas essas coisas delicadas…”, disse numa de suas últimas cartas escrita para um ex-colega de escola.

Beksinski

Posted in Arte e Cultura, Bizarro with tags , , , , , , on fevereiro 24, 2011 by canibuk

Zdzisław Beksiński foi um pintor, fotógrafo e escultor polonês de arte fantástica. Quando jovem estudou arquitetura, mas o que lhe atraia mesmo era a pintura, a escultura e a fotografia. Começou fazendo esculturas  e produziu inúmeras fotografias obscuras com características da arte gótica e barroca. Mais tarde dedicou-se à pintura surrealista, tendo em 1964 todas as suas obras vendidas numa exposição feita em Vasorvia, fato que o fez mergulhar ainda mais na pintura, produzindo sem parar e tornando-se a principal figura contemporanêa da arte polonesa. Em 1980 adotou o gênero “Fantasy Art” e foi nesta época onde teve sua fase mais produtiva e criou suas obras mais surrealistas e obscuras.

Beksiński acreditava que suas obras não eram bem interpretadas, dizia que muitas delas eram otimistas e bem humoradas, embora ele tenha deixado algumas obras sem título e nem mesmo conseguisse explicar o significado de algumas delas. Em 1977 ele queimou uma seleção de quadros explicando depois que algumas dessas obras  ou era muito pessoal ou não era satisfatória e ele não queria mostrá-las as pessoas.

Beksinski ficou viúvo em 1998 e um ano mais tarde, seu filho cometeu suicídio, tendo seu corpo descoberto pelo próprio Beksinski. Talvez por isso sua arte foi se tornando cada vez mais fantasmagórica, apocalíptica e sombria.

No final da vida o artista se dedicou a arte digital, trabalhando com fotografias e foto-manipulação.

Aos 75 anos de idade, em fevereiro de 2005, Beksiński foi  assassinado à facadas por um estudante de 19 anos.

Fonte: Official Website (O site do cara é excelente, vale a pena dar uma olhada): http://www.beksinski.pl/