Arquivo para boris karloff

Como era Gostoso o meu Chinês: As Sacanagens de Fu Manchu e Jess Franco no Rio Babilônia

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on novembro 7, 2012 by canibuk

A mais diabólica personificação do perigo amarelo!

O Dr. Fu Manchu, o gênio do mal criado pelo escritor inglês Sax Rohmer – exótico pseudônimo adotado por Arthur Henry Sarsfield Ward – fez uma rápida transição das páginas para as telas. A estreia cinematográfica oficial do legítimo representante dos medos e paranoias de toda uma geração de ocidentais – um amálgama de vários estereótipos atribuídos especialmente aos chineses – data de 1923, quando foi interpretado por Harry Agar-Lyons em dois seriados mudos, dez anos após o lançamento de sua primeira aventura na Inglaterra, The mistery of Dr. Fu Manchu (The insidious Dr. Fu Manchu, nos EUA), em 1913.

Apesar da notável diferença com a descrição física do personagem (“um homem alto, magro e felino, de ombros elevados, testa ampla como a de Shakespeare, rosto satânico, crânio raspado, olhos oblíquos, magnéticos, de pupilas verdadeiramente verde-gato”), o gorducho Warner Oland – o mais popular Charlie Chan do cinema – herdou o personagem de Lyons, estrelando três filmes para a Paramount e inaugurando a fase sonora do vilão. Em seguida, a MGM investiu pesado em A máscara de Fu Manchu (The mask of Fu Manchu, 1932), trazendo Boris Karloff na pele do temível doutor. Na década de 1940, foi a vez de Henry Brandon, que não fez feio no excelente seriado da Republic Pictures, Os tambores de Fu Manchu (The drums of Fu Manchu, 1940) e do espanhol Manuel Requena, astro do obscuro El otro Fu-Man-Chú, dirigido por Ramón Barreiro em 1946. Após a incursão espanhola, o personagem foi esquecido pelos produtores e apenas duas versões televisivas de Fu Manchu aparecem nos anos 1950: a primeira com John Carradine – em apenas um episódio piloto não aproveitado pela emissora NBC, The zayat kiss – e a segunda, de baixíssimo orçamento, com o caricato Glen Gordon no papel do vilão.

Fu Manchu só voltaria às telas de cinema quase vinte anos depois, quando o produtor Harry Alan Towers (1920-2009) – até então responsável por alguns filmes e seriados para a TV inglesa – ressuscita o gênio do crime em grande estilo. Towers, um fã confesso de Rohmer e de literatura pulp, observando o sucesso estrondoso da série 007 e seus exóticos vilões, decide investir pesado – algo atípico para sua carreira – numa nova aventura do perigo amarelo. Além da campanha publicitária agressiva, Towers contrata profissionais competentes, como o talentoso artesão Don Sharp (de O beijo do vampiro, produção da Hammer) e um elenco de peso – que incluía Nigel Green e Howard Marion-Crawford, além de atores alemães veteranos dos krimis como Karin Dor e Joachim Fuchsberger – capitaneado por Christopher Lee no papel de Fu Manchu.

O resultado, A face de Fu Manchu (The face of Fu Manchu, 1965), uma mistura de Rohmer e Ian Fleming, escrito por “Peter Welbeck” (pseudônimo tradicional do próprio Towers), mostrou-se lucrativo o suficiente para dar origem a quatro sequências. A primeira, As 13 noivas de Fu Manchu (The brides of Fu Manchu, 1966), também dirigida por Sharp, traz Douglas Wilmer substituindo Green no papel do arquiinimigo de Fu Manchu, o Dr. Nayland Smith. Wilmer repetiria o papel no terceiro filme da série, A filha diabólica de Fu Manchu (The vengeance of Fu Manchu, 1967), de Jeremy Summers.

Os tempos mudavam e, na efervescência do final dos anos 1960, a série já dava sinais de cansaço. O retorno nas bilheterias diminuía e Towers não dispunha mais de orçamentos tão generosos quanto o de A face de Fu Manchu. Com menos tempo e menos dinheiro para filmar, que outro diretor se adequaria tão bem quanto o espanhol Jesús Franco Manera, mais conhecido como “Jess Franco“?

Em Franco, Towers encontra seu parceiro ideal: gourmet, músico de jazz e bon vivant, o espanhol é o autor de centenas de filmes – dentre os quais dezenas de versões alternativas de um mesmo filme, o que torna a compilação de sua filmografia uma missão quase impossível. Os resultados iam do puro lixo a obras primas incontestáveis. Com sua rapidez e economia, Franco surpreendia produtores – como o suíço Erwin C. Dietrich, com quem manteve uma duradoura parceria – ao ser contratado para fazer um filme e entregar dois, usando a mesma equipe e locações, sem qualquer tipo de acréscimo no orçamento ou no cronograma de filmagens!

A parceria Towers-Franco dá origem ao quarto filme da série, Fu Manchu e o beijo da morte (1968), que, para desgosto de Lee, baseia-se novamente num roteiro original do próprio Towers, consideravelmente distante dos textos originais de Rohmer. Nele, os obstinados Fu Manchu (Lee) e sua filha Lin Tang (Tsai Chin, presença assídua desde o primeiro filme da série de Towers) montam sua base de operações em uma caverna na América do Sul, de onde pretendem, mais uma vez, dominar o mundo. O plano é engenhoso: dez belas mulheres são sequestradas e infectadas com o poderoso veneno da “cobra negra”, sendo posteriormente enviadas para diversas capitais para administrar o “beijo da morte” em personalidades de renome mundial. Um dos escolhidos é o incansável arquiinimigo de Fu, Nayland Smith (Richard Greene, substituindo Douglas Wilmer), que após ser beijado por Celeste (Loni Von Friedl), percebe que sua única chance de cura é localizar o esconderijo de seu velho rival. Cego e debilitado, Smith e seu fiel assistente Dr. Petrie (Howard Marion Crawford, em sua quarta aparição na série) são ajudados na difícil missão pela enfermeira Ursula (Maria Rohm, esposa de Towers) e pelo arqueólogo Carl Jansen (Götz George) e enfrentam os inúmeros perigos das florestas sul americanas, como o bando de Sancho Lopez (o espanhol Ricardo Palacios, usando chapéu de cangaceiro).

Certamente o mais fraco exemplar da série, Fu Manchu e o beijo da morte mostra um Franco contido e discreto, muito distante de seus trabalhos mais autorais. Ainda que a trama permitisse que Franco, um fã confesso da obra de Rohmer, chafurdasse em suas obsessões com sexo, sadismo e morte – a ideia do exército de garotas hipnotizadas distribuindo beijos da morte pelo mundo remete a outros filmes do espanhol -, o resultado é curiosamente impessoal.

Os fãs de Franco sabem que o diretor nunca foi afeito a sequências de ação e as deste filme, canhestras em sua maioria, provam isso. O final, quando o esconderijo de Fu Manchu é destruído, é especialmente insatisfatório, tamanha a facilidade com que Nayland Smith elimina o gênio do mal.

Mas o filme guarda alguns atrativos, especialmente para os fãs brasileiros. Apesar de a ação se passar na fronteira imaginária entre “Melia” e “Santa Cristabel” (em determinado momento, Smith diz que Fu Manchu está escondido “em uma determinada região da América do Sul, protegido de um lado pelos Andes e do outro pelo Mato Grosso”), Franco e sua equipe desembarcaram no Rio de Janeiro, onde o filme foi praticamente todo rodado.

Segundo a atriz, produtora e musa da pornochanchada carioca Olívia Pineschi (que aparece como uma cigana nas sequências onde “Melia” é invadida pelo bando de Sancho Lopez) Franco estava “impossível” em sua passagem pelo Rio. Encantado com a anatomia das brasileiras, o erudito Jesus chegou a convidar algumas das atrizes a acompanhá-lo em sua volta para a Espanha. Além da Floresta da Tijuca, que serviu como lar para Fu Manchu, a produção utilizou o Parque Lage (o “Palácio do Governador” de “Santa Cristabel”) e os estúdios da Atlântida, onde foram filmados alguns dos interiores da caverna do perigo amarelo, com suas masmorras mal iluminadas.

O ambiente quente e úmido certamente não foi dos mais agradáveis para Lee. Ainda segundo Olívia, Lee, apesar de muito simpático, reclamava bastante da pesada maquiagem, que praticamente o impedia de movimentar os olhos. Mesmo com o cansaço em virtude das limitações e do roteiro de Towers, que pouco lhe dá para fazer, Lee se sai maravilhosamente bem no papel, transformando cada linha de diálogo numa ameaça para seus adversários.

O personagem mais curioso do filme é o bandido Sancho Lopez, vivido por Ricardo Palacios, veterano de dezenas de western spaghetti. Palacios, o mais entusiasmado de todos os atores, é um misto de bandolero e cangaceiro e parece ter saído do set de um de seus westerns.

Franco nunca demonstrou muito apreço pelos mocinhos de seus filmes e Fu Manchu e o beijo da morte não é exceção. O Nayland Smith de Greene (de Contos do Além, de Freddie Francis) passa a maior parte do filme deitado e imóvel. George, no papel do obrigatório “herói ocidental”, o arqueólogo Carl Jansen, ao menos se sai bem nas cenas de ação. O maior destaque é Marion-Crawford, novamente o comic relief da narrativa. Na pele do Dr. Petrie, Crawford tem as melhores frases do filme, à custa de imortais hábitos britânicos, como a sua constante irritação com a falta de chá quente na selva.

Quanto ao elenco brasileiro, Frances Kahn (de Os paqueras) e Isaura de Oliveira são as únicas a receberem crédito. Kahn é Carmen e Isaura é Yuma, integrantes do grupo de dez mulheres selecionadas por Fu Manchu para dominar o mundo. Isaura recebe atenção especial de Franco em uma longa sequência na qual tenta seduzir Sancho Lopez. Dentre os atores não creditados, além de Olívia – que ao longo de sua extensa carreira também atuou em outras produções estrangeiras como Love in the Pacific (1970), de Zygmunt Sulistrowski e 99 mulheres (99 women, 1969), outro filme de Franco com cenas rodadas no Rio -, aparecem Oswaldo Loureiro, como o chefe dos capangas de Fu Manchu (usando bandana vermelha e trajando um roupão preto) e o veterano Rodolfo Arena, como uma autoridade de “Melia” rapidamente despachada pelo bando de Lopez.

O filme, uma eterna vítima de versões cortadas e em full screen, que destruíam alguns dos seus poucos charmes, está disponível em DVD norte-americano (Blue Underground), com imagem cristalina em widescreen anamórfico (1:66:1), realçando o colorido das locações cariocas e os belos enquadramentos do fotógrafo Manuel Merino; o som é alto e claro, evidenciando a inadequada trilha do parceiro habitual de Franco, Daniel White. Os extras contidos no DVD são igualmente impecáveis e contém entrevistas de Franco, Towers, Lee, Chin e Shirley Eaton. Franco diz que vir ao Brasil foi como realizar um sonho, enquanto Lee confirma sua irritação com a maquiagem e com as liberdades tomadas por Towers ao adaptar os originais de Rohmer. Já Eaton (a bond girl que morre asfixiada ao ter o corpo banhado por ouro em 007 contra Goldfinger), não queria ver Towers nem pintado a ouro. Apesar de receber crédito proeminente, Eaton aparece em uma única e rápida cena de Fu Manchu e o beijo da morte, roubada de A mulher do Rio (The girl from Rio, 1969), outra parceria Towers-Franco rodada simultaneamente a Beijo da morte no Rio de Janeiro! Em A mulher do Rio, Eaton reprisa o papel de Sumuru, uma espécie de Fu Manchu de saias, (também criado por Rohmer), que já havia interpretado em O milhão de olhos de Sumuru (The million eyes of Su-muru, 1967), de Lindsay Shonteff. Assim, Eaton virou estrela de um filme no qual não atuou e pelo qual não foi paga!

Para o quinto e último filme da série, The castle of Fu Manchu (1969), rodado logo em seguida a Fu Manchu e o beijo da morte, Towers e Franco trocaram o ensolarado Rio de Janeiro por Istambul e Barcelona. Novamente baseado num roteiro original de Towers, Castle é superior a seu antecessor, ainda que o produtor tenha obrigado Franco a trabalhar com um orçamento espartano; a pobreza é tamanha que faz o filme anterior parecer uma superprodução hollywoodiana.

Desta vez, Fu Manchu (Lee) e sua filha Lin Tang (Tsai Chin), renascidos das cinzas, pretendem dominar o mundo através de um bizarro plano que consiste no congelamento da água, em qualquer temperatura, quando misturada a cristais de ópio! Na sequencia pré-créditos, Fu Manchu dá a primeira demonstração de poder, destruindo um luxuoso transatlântico nos mares do Caribe. Mas como realizar uma sequência desse porte em meio a mais absoluta escassez de recursos? Simples: roube todas as cenas do naufrágio de Somente Deus por testemunha (A night to remember, 1958), clássico de Roy Ward Baker sobre o desastre do Titanic!

Pai e filha invadem o castelo do governo em Istambul (um imenso estoque de ópio) com o auxílio dos homens de Omar Pasha (José Manuel Martín), para logo depois traí-los, mantendo o braço direito de Pasha, a bela Lisa (Rosalba Neri), como refém. Apesar do diabólico plano já ter se mostrado eficiente, Fu Manchu e Lin Tang sequestram o Professor Heracles (Gustavo Re) a fim de aperfeiçoá-lo, sem se dar conta de que o cientista está à beira da morte, devido a um sério problema cardíaco. Para curá-lo, eles ordenam a captura do médico do professor, Dr. Kessler (Günther Stoll) e da enfermeira Ingrid (Maria Perschy), que são obrigados a realizar um transplante de coração. Para azar de Fu, Kessler era amigo de Nayland Smith (Richard Greene), que desconfiado, parte para Istambul. Com a ajuda do Dr. Petrie (o impagável Howard Marion-Crawford), de Pasha e do General Hamid (o próprio Franco), Nayland irá novamente por fim as terríveis maquinações do perigo amarelo.

Um filme que esnoba suas personagens femininas e no qual não há nenhuma temática sexual evidente não pode ser considerado como um verdadeiro filme de Franco, novamente atuando como um hired gun de Towers. É curioso ver como o roteiro ignora a personagem de Rosalba Neri, musa do cinema italiano, após sua captura por Fu Manchu: seu papel, Lisa, uma criminosa obviamente lésbica, parece feito sob medida para Franco, mas não é aproveitado. Mas se Castle of Fu Manchu ainda está distante de obras autorais do diretor como Doriana Grey (1976), ao menos Franco se mostra muito mais à vontade do que em Fu Manchu e o beijo da morte, quando realizou um filme de ação mais convencional. Provavelmente, a maior liberdade foi consequência não só do minúsculo orçamento, mas também do fato de Franco filmar em Istambul, cidade com a qual já estava familiarizado e que serviu de cenário para vários de seus filmes (ainda que o castelo turco de Fu Manchu tenha sido rodado no Parque Güell, em Barcelona). É fácil observar como Franco e seu fotógrafo Manuel Merino fazem melhor proveito das paisagens turcas do que das locações cariocas vistas no quarto filme da série. Nada mais apropriado: um lar oriental para um vilão oriental.

Castle, um delicioso “samba do crioulo doido” cinematográfico, mistura ingredientes de histórias em quadrinhos com literatura pulp e todos os clichês possíveis e imagináveis do cinema de horror B. Não bastasse o inacreditável plano de Fu Manchu e as cenas roubadas de outros filmes, os “laboratórios” de pesquisa são equipados com meia dúzia de balões volumétricos e tubos de ensaio com substâncias coloridas borbulhantes, personagens são congelados e sequestrados em caixões e o (bem sucedido!) transplante de coração parece saído de um filme de terror mexicano de René Cardona Jr., tamanha a simplicidade do “centro cirúrgico” no qual é realizado (ainda que Franco consiga minimizar os óbvios cortes nos gastos com cenografia com uma espertíssima montagem). As masmorras do castelo de Fu Manchu são iluminadas de forma quase monocromática, banhadas alternadamente nas cores mais vibrantes já vistas desde um filme de Mario Bava, com Franco e Merino dando preferência para o verde e o lilás, conferindo um clima de pura psicodelia.

O final é, novamente, pouco convincente, mas a essa altura, o leitor/espectador provavelmente já captou o espírito do filme. Apenas relaxe e aproveite a oportunidade de assistir a última atuação de Lee no papel do perigo amarelo.

Tal como Fu Manchu e o beijo da morte, Castle of Fu Manchu foi lançado em DVD nos EUA pela Blue Underground, companhia do cineasta William Lustig. A versão apresentada não tem cortes (versões anteriores faziam menos sentido que a versão integral, devido a múltiplos cortes) e qualidade de imagem e som impecáveis.

A promessa de volta feita por Fu Manchu ao final de cada filme não se concretizou, já que, após Castle, o personagem simplesmente desapareceu das telas. Em 1980, Peter Sellers, em seu último papel, encarnou tanto Fu quanto Nayland Smith na comédia O diabólico Fu Manchu (The fiendish plot of Dr. Fu Manchu), de Piers Haggard, enquanto o espanhol Alex de da Iglesia alimentou durante algum tempo a esperança de fazer uma nova versão cinematográfica das aventuras do vilão (que, infelizmente, nunca se materializou). Franco escalou sua mulher, Lina Romay (falecida em 2012), na pele da filha de Fu Manchu em Esclavas del crimen de 1986. O lendário astro do horror espanhol, Paul Naschy (Jacinto Molina) apareceu brevemente como Fu Manchu em El aullido del diablo (1988), no qual interpreta diversos monstros e vilões clássicos do cinema e no curta metragem La hija de Fu ManChu’72 (1990), uma bem humorada homenagem ao personagem e aos filmes de Lee. Recentemente, Nicolas Cage interpretou o perigo amarelo num dos trailers – para longas fictícios – em Grindhouse (2007), a reunião de dois longas de Robert Rodriguez (Planeta terror) e Quentin Tarantino (À prova de morte). O trailer no qual Cage é Fu Manchu, Werewolf women of the SS, foi dirigido pelo músico e cineasta Rob Zombie.

Enquanto uma nova produção não surge, o perigo amarelo provavelmente espera nas sombras, bolando seu mais novo plano… “The world shall hear from me again!”

por Fábio Vellozo.

* obrigado ao Coffin Souza pelo material gráfico!

O Corvo

Posted in Literatura with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on agosto 26, 2012 by canibuk

Foi uma vez: eu refletia, à meia-noite êrma e sombria,

a ler doutrinas de outro tempo em curiosíssimos manuais,

e, exausto, quase adormecido, ouvi de súbito um ruído,

tal qual se houvesse alguém batido à minha porta, devagar.

“É alguém” – fiquei a murmurar – “que bate à porta, devagar;

sim, é só isso e nada mais.”

.

Ah! Claramente eu o relembro! Era no gélido dezembro

e o fogo, agônico, animava o chão de sombras fantasmais.

Ansiando ver a noite finda, em vão, a ler, buscava ainda

algum remédio à amarga, infinda, atroz saudade de Lenora

– essa, mais bela do que a aurora, a quem nos céus chamam Lenora

e nome aqui já não tem mais.

.

A sêda rubra da cortina arfava em lúgubre surdina,

arrepiando-me e evocando ignotos medos sepulcrais.

De susto, em pávida arritmia, o coração veloz batia

e a sossegá-lo eu repetia: “É um visitante e pede abrigo.

Chegando tarde, algum amigo está a bater e pede abrigo.

É apenas isso e nada mais.”

.

Ergui-me após e, calmo enfim, sem hesitar, falei assim:

“Perdoai, senhora, ou meu senhor, se há muito aí fora me esperais;

mas é que estava adormecido e foi tão débil o batido,

que eu mal podia ter ouvido alguém chamar à minha porta,

assim de leve, em hora morta.” Escancarei então a porta:

– escuridão, e nada mais.

.

Sondei a noite êrma e tranqüila, olhei-a fundo, a perquiri-la,

sonhando sonhos que ninguém, ninguém ousou sonhar iguais.

Estarrecido de ânsia e medo, ante o negror imoto e quêdo,

só um nome ouvi (quase em segredo eu o dizia) e foi: “Lenora!”

E o eco, em voz evocadora, o repetiu também: “Lenora!”

Depois, silêncio e nada mais.

.

Com a alma em febre, eu novamente entrei no quarto e, de repente,

mais forte, o ruído recomeça e repercute nos vitrais.

“É na janela” – penso então. “Por que agitar-me de aflição?

Conserva a calma, coração! É na janela, onde, agourento,

o vento sopra. É só do vento esse rumor surdo e agourento.

É o vento só e nada mais”.

.

Abro a janela e eis que, em tumulto, a esvoaçar, penetra um vulto:

– é um Corvo hierático e soberbo, egresso de eras ancestrais.

Como um fidalgo passa, augusto e, sem notar sequer meu susto,

adeja e pousa sobre o busto – uma escultura de Minerva,

bem sobre a porta; e se conserva ali, no busto de Minerva,

empoleirado e nada mais.

.

Ao ver da ave austera e escura a soleníssima figura,

desperta em mim um leve riso, a distrair-me de meus ais.

“Sem crista embora, ó Corvo antigo e singular” – então lhe digo –

“não tens pavor. Fala comigo, alma da noite, espectro tôrvo,

qual é teu nome, ó nobre Corvo, o nome teu no inferno tôrvo!”

E o corvo disse: “Nunca mais”.

.

Maravilhou-me que falasse uma ave rude dessa classe,

misteriosa esfinge negra, a retorquir-me em termos tais;

pois nunca soube de vivente algum, outrora ou rio presente

que igual surpresa experimente: a de encontrar, em sua porta,

uma ave (ou fera, pouco importa, empoleirada em sua porta

e que se chama: “Nunca mais”.

.

Diversa coisa não dizia, ali pousada, a ave sombria,

com a alma inteira a se espelhar naquelas sílabas fatais.

Murmuro, então, vendo-a serena e sem mover uma só pena,

enquanto a mágoa me envenena: “Amigos… sempre vão-se embora.

Como a esperança, ao vir a aurora, ele também há de ir-se embora.”

E disse o Corvo: “Nunca mais”.

.

Vara o silêncio, com tal nexo, essa resposta que, perplexo,

julgo: “É só isso o que ele diz; duas palavras sempre iguais.

Soube-as de um dono a quem tortura uma implacável desventura

e a quem, repleto de amargura, apenas resta um ritornelo

de seu cantar; do morto anelo, um epitáfio: – o ritornelo

de “Nunca, nunca, nunca mais”.

.

Como ainda o Corvo me mudasse em um sorriso a triste face,

girei então numa poltrona, em frente ao busto, à ave, aos umbrais

e, mergulhando no coxim, pus-me a inquirir (pois, para mim,

visava a algum secreto fim) que pretendia o antigo Corvo,

com que intenções, horrendo, tôrvo, esse ominoso e antigo Corvo

grasnava sempre: “Nunca mais”.

.

Sentindo da ave, incandescente, o olhar queimar-me fixamente,

eu me abismava, absorto e mudo, em deduções conjeturais.

Cismava, a fronte reclinada, a descansar, sobre a almofada

dessa poltrona aveludada em que a luz cai suavemente,

dessa poltrona em que Ela, ausente, à luz que cai suavemente,

já não repousa, ah! nunca mais…

.

O ar pareceu-me então mais denso e perfumado, qual se incenso

ali descessem a esparzir turibulários celestiais.

“Misero!” – exclamo – “Enfim teu Deus te dá, mandando os anjos seus

esquecimento, lá dos céus, para as saudades de Lenora.

Sorve o nepentes. Sorve-o, agora! Esquece, olvida essa Lenora!”

E o Corvo disse: “Nunca mais”.

.

“Profeta!” – brado. “O’ ser do mal! Profeta sempre, ave infernal,

que o Tentador lançou do abismo, ou que arrojaram temporais,

de algum naufrágio, a esta maldita e estéril terra, a esta precita

mansão de horror, que o horror habita, – imploro, dize-mo, em verdade:

Existe um bálsamo em Galaad? Imploro! dize-mo, em verdade!”

E o Corvo disse: “Nunca mais”.

.

“Profeta!” – exclamo. “O’ ser do mal! Profeta sempre, ave infernal!

Pelo alto céu, por esse Deus que adoram todos os mortais,

fala se esta alma sob aguante atroz da dor, no Êden distante,

verá a deusa fulgurante a quem nos céus chamam Lenora,

– essa, mais bela do que a aurora, a quem nos céus chamam Lenora!”

E o corvo disse: “Nunca mais!”

.

“Seja isso a nossa despedida!” – ergo-me e grito, alma incendiada.

“Volta de novo à tempestade, aos negros antros infernais!

Nem leve pluma de ti reste aqui, que tal mentira ateste!

Deixa-me só neste êrmo agreste!” Alça teu vôo dessa porta!

Retira a garra que me corta o peito e vai-te dessa porta!

E o Corvo disse: “Nunca mais!”

.

E lá ficou! Hirto, sombrio, ainda hoje o vejo, horas a fio,

sobre o alvo busto de Minerva, inerte, sempre em meus umbrais.

No seu olhar medonho e enorme o anjo do mal, em sonhos, dorme,

e a luz da lâmpada, disforme, atira ao chão a sua sombra.

Nela, que ondula sobre a alfombra, está minha alma; e, presa à sombra,

não há de erguer-se, ai! nunca mais!.

poesia de Edgar Allan Poe.

ilustrações de Prassinos.

tradução de Oscar Mendes e Milton Amado.

La Mujer Murcielago e a Criatura Anfíbia Humana

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on dezembro 28, 2011 by canibuk

“La Mujer Murcielago” (1968, 80 min.) de René Cardona. Com: Maura Monti, Roberto Cañedo, Héctor Godoy e Jorge Mondragón.

Cinco atletas aparecem misteriosamente assassinados e um agente especial é chamado para resolver o caso, antes mesmo dele fazer qualquer coisa, já avisa: “A única pessoa que pode resolver isso é a Mujer Murcielago!”. E logo a Mujer Murcielago em pessoa chega em Acapulco para ajudar o agente a resolver o mistério. Seu uniforme é um achado, usa um diminuto bikini com capa, luvas e máscara de morcego (que lembra muito o visual da mulher-gato). Logo ficamos sabendo que o responsável pelas mortes é o Dr. Eric Williams, um cientista louco que tem até um assistente demente chamado… Igor!!! A dupla está matando os atletas para extrair a glândula pineal e assim criar a criatura anfíbia humana (essa dupla rende os momentos mais divertidos com seus exageros canastrões). Durante a investigação os agentes ficam encantados com a beleza da Mujer Murcielago e seus ousados (para a época) decotes. Logo, sem ajuda de ninguém, ela entra escondida no iate do Dr. Williams e fica sabendo dos planos dele. Seguindo a lógica do cinema mexicano a Mujer Murcielago escapa do iate e vai treinar luta livre ao invés de resolver o problema e assim passa a ser perseguida pelos capangas do Dr. (que passam a usar aquelas máscaras de ladrões de quadrinhos) que são incumbidos de descobrir a identidade dela para aí, somente então, matá-la (não seria mais fácil só matar ela?). Paralelo a essa confusão toda, Dr. Eric Williams e Igor conseguem criar a criatura anfíbia humana (um monstro aquático vermelho inspirado no Monstro da Lagoa Negra) que é controlado por um zumbido e enviado para capturar a Mujer Murcielago que serviria perfeitamente para ser a fêmea da criatura (diante do sucesso de sua criação, Dr. Williams começa a delirar sobre a criação de um exército destas criaturas para dominar todos os Oceanos e dominar o mundo, HAUAHAUAAHAU – risadas de dominar o mundo!). Com o primeiro ataque da criatura falhando, o Dr. manda um de seus assistentes colocar um transmissor na capa da Mujer Murcielago e a criatura anfíbia humana é enviada outra vez para raptá-la durante a noite, o que rende uma das mais legais lutas do filme, com a Mujer Murcielago derrotando a criatura vestindo uma camisola transparente curtinha, ficando com um visual extremamente sexy. Com mais essa falhada magistral da criatura (que aparentemente não serve prá nada), Dr. Eric Williams muda de estratégia e resolve raptar o agente e o capitão da polícia para que a Mujer Murcielago venha ao sei iate resgatá-los (numa interessante inversão do clichê “mocinho salva mocinha”). No finalzinho do filme há uma piada com a coragem da Mujer Murcielago: depois de enfrentar cientistas loucos, capangas malvados, monstros vermelhos e resolver tudo no braço, ela fica histérica ao ver um rato na sua casa e salta nos braços do agente que salvou horas antes. Hilário!!!

Assim como num filme do lutador mascarado Santo, a Mujer Murcielago faz tudo usando máscara (apenas o agente sabe sua identidade). Essa sexy heroína ganhou vida sendo interpretada pela gostosa atriz Maura Monti, uma italiana que se mudou para a Venezuela aos 5 anos de idade e se tornou modelo. Das passarelas para o cinema foi rápido e estrelou vários filmes ótimos como “El Planeta de las Mujeres Invasoras” (1966) de Alfredo B. Crevenna, “La Muerte en Bikini” (1967) de Arturo Martínez, “Santo contra la Invasión de los Marcianos” (1967) também de Crevenna, “S.O.S. Conspiracion Bikini” (1967) de René Cardona Jr., “Muñecas Peligrosas” (1967) de Rafael Baledón, “Las Vampiras” (1969) de Federico Curiel e o clássico “The Incredible Invasion” (também conhecido como “Alien Terror” e que se chamou “Invasão Sinistra” aqui no Brasil, 1971) de José Luis González de León (com as cenas americanas dirigidas por Jack Hill e as mexicanas por Juan Ibáñez), filme vagabundérrimo que se destaca por ter Boris Karloff em fim de carreira no elenco. Nos anos da década de 1970 Maura Monti desiste do cinema (por causa das cenas de nudez) e passa a interpretar em produções da TV mexicana.

A espetacular trilha sonora de “La Mujer Murcielago” foi interpretada por Leo Acosta y su Conjunto de Jazz, o que deixou o filme com um ritmo alucinante. René Cardona, o diretor, é também ator no clássico “El Baron del Terror” (1962) de Chano Urueta, pai do diretor René Cardona Jr. e dirigiu 145 longa-metragens, se tornando uma referência do cinema popular mexicano. Já o produtor de “La Mujer Murcielago” é Guillermo Calderón que foi o responsável por inúmeros filmes de lutadores mascarados e outras temáticas exploitation/populares, como produções explorando rock’n’roll, westerns, filmes de horror, dramas adolescentes e romances bregas envolventes. Vários filmes de René Cardona, como “Santa Claus” (1959), “Las Luchadoras contra la Momia” (1964) e “La Horripilante Bestia Humana” (1969), foram produzidas por Calderón. E o roteirista Alfredo Salazar é irmão do ator, produtor e diretor Abel Salazar (“El Baron del Terror”), dirigiu 10 longas (entre eles “Bikinis y Rock” de 1972 e “Herencia Diabólica” de 1994) e roteirizou outros 63 filmes. O make-up do filme é de Margarita Ortega e o monstro (não dou certeza porque não consegui confirmar a informação) parece que foi elaborado por Alfonso Bárcenas.

“La Mujer Murcielago” é uma mistura de Santo e 007 com muita ação, cenários kitsch com cores berrantes (na melhor tradição festiva mexicana), história absurda cheia de furos que dão o charme classe Z necessário para tornar essa produção uma peça rara do incrivelmente colorido cinema psychotrônico made in México.

por Petter Baiestorf.

O Imperativo Econômico: Porque foi Necessário o Cinema B

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on dezembro 8, 2011 by canibuk

O volume total da produção de Hollywood, nas décadas de 1930 e 1940, encontra paralelo em poucas outras formas artísticas. E tal como o florescimento da pintura em Florença no século XV, ou o esplendor do romance na Inglaterra vitoriana, a Idade de Ouro da indústria cinematográfica foi produto de circunstâncias econômicas bem determinadas. Por alguma coisa a Idade de Ouro esteve, qualitativamente, longe de ser dourada. Só uma pequena porção dos filmes produzidos nos anos 30 e 40 é hoje lembrada. Ainda vemos os filmes de grandes vedetes e as obras pessoalizadas dos grandes realizadores (Ford, Hawks, Walsh, Cukor, McCarey, etc.), mas a esmagadora maioria dos filmes de Hollywood dos anos 30 e 40 eram pura e simplesmente mulas de carga: filmes destinados a pagar a renda e as contas pequenas.

Isto implica, de fato, uma análise financeira que está para lá do âmbito deste ensaio. A história definitiva das finanças de Hollywood está por ser escrita e este trabalho nem chega a ser um começo. Por alguma coisa a ênfase deste artigo é quase exclusivamente sobre as companhias que faziam filmes B. O grupo das diferentes companhias produtoras de filmes B era coletivamente chamada “B-Hive” e “Gower Gulch”. Prosperaram entre 1935 e 1950. Hoje em dia os historiadores de cinema lembram-nas como “Poverty Row”. Muita de sua produção foi, há muito, esquecida; pouco aparece, mesmo na televisão ou nas sessões de cinema de cineclubes e Universidades. E certamente hoje em dia poucos sabem que era a Monogram Pictures, Republic, Producers Releasing Corporation, entre outras produtoras. A maioria das pessoas pensa em filmes B simplesmente como filmes de baixo orçamento, com enredos seguindo determinadas fórmulas. Outros podem, acertadamente, fazer notar que o filme B era o filme que constituía a “lower half” do “Double Bill” (também conhecido como “Double feature”). Estas definições são ambas corretas, mas, talvez, incompletas. A razão porque os filmes B foram o que foram (e mesmo porque existiram) deve-se ao sistema de exibição de filmes nos estados Unidos nos anos 30 e 40.

Double Bill

De 1935 até cerca de 1950, os espectadores americanos esperavam ver um “Double bill”, com dois filmes completos, cada vez que iam ao cinema. Além disso havia ainda os desenhos animados, um noticiário e vários trailers. Foi o espectador da Depressão quem primeiro exigiu um programa completo, de mais de três horas de duração, em troca de seu dinheiro. Esta conduta é uma conseqüência lógica do estado de espírito durante a Depressão. Que só alguns espectadores costumavam assistir à programação completa está fora de causa.

Por volta de 1932 muitos cinemas tinham começado a proporcionar “Double bills” e, pelo fim de 1935, essa prática tinha-se revelado tão popular que 85% dos cinemas tinham “Double bills”. Só os cinemas de primeira classe, situados nas maiores cidades, mantinham sessões simples.

Tinha havido, certamente, produções de baixo custo antes da chegada do “Double Bill”, mas, como veremos, foi esta que tornou os filmes B uma necessidade.

Distribuição: Uma Digressão

Quando a era do “Double Bill” despontou, o sistema de distribuição era muito diferente de hoje (este texto foi escrito no final dos anos de 1980). Cinco das maiores companhias (RKO, MGM, Twentieth Century-Fox, Warner Brothers e Paramount) possuíam grandes cadeias de cinema. E controlavam, por isso, os meios de exibição, produção e distribuição. Estas cinco companhias, “verticalmente integradas” (na terminologia do negócio), controlavam os seus produtos em todo o percurso, desde a criação, passando pelo marketing, até o seu destino final.

Numa decisão histórica, anti-trust, de 1948, o Supremo Tribunal determinou que este tipo de “integração vertical” violava as leis anti-trust e ordenou às cinco companhias em questão que vendessem os seus cinemas. A separação entre exibição e produção/distribuição levou quase cinco anos. Até esta ordem de desmembramento, grande parte da indústria cinematográfica usufruía de distribuição “garantida”. Os filmes RKO passavam em cinema RKO. Os filmes da Paramount nos cinemas Paramount e assim sucessivamente. Cada companhia sabia quantos cinemas controlava e em quantos podia se apoiar.

As companhias sabiam, igualmente, que tinham aquilo que se podia chamar de “audiência garantida”. O índice de audiência tinha atingido setenta e cinco milhões de espectadores por semana, pelos fins dos anos 30, e tinha continuado a subir durante a guerra e, finalmente, tinha atingido o seu auge com o espantoso número de um bilhão de espectadores por semana, dois terços da população total americana, em 1946. Dois anos mais tarde a freqüência semanal tinha descido para oitenta e cinco mil e a grande queda começava, com quarenta mil em 1957 e vinte mil nos finais dos anos 60, princípios de 70.

Entra o Filme B

A posição invejável das companhias em relação à audiência e aos cinemas, juntamente com o programa duplo, colocou os estúdios numa espécie de dilema. Estavam mais do que desejosos de fornecer as melhores cartas (os filmes classe “A”, com grandes nomes como Gable, Cagney, Bogart, Tracy, Harlow, Davis, Crawford, etc), mas, em grande parte, as principais companhias não tinham interesse, nem possibilidades, de fornecer o “second feature”.

É óbvio que o filme classe “A” iria ficar com a grande parte das bilheterias. Graças à distribuição garantida não havia praticamente riscos ao produzir o “second feature” (ou “B”), mas os lucros seriam modestos. Os grandes estúdios encontravam, pois, pouca ou nenhuma razão econômica para produzir filmes B. A razão disto era o sistema que as grandes companhias tinham criado, no qual o filme “A” jogava com a porcentagem do produto de bilheteria, que ia para o produtor/distribuidor, e o exibidor ficava com o resto. No caso das companhias integradas, isto era mais ou menos um exercício de contabilidade, já que eventualmente todo o dinheiro ia para a mesma caixa, mas as sessões de produção e exibição destas companhias eram dirigidas separadamente. A divisão podia ser nesta porcentagem, 60/40 – 60% para os distribuidores, 40% para o cinema), e no caso de um filme extraordinariamente popular, a divisão podia ir até 80/20 ou mesmo 90/10 (nos anos de 1970 ainda acontecia, em grandes produções como “The Godfather” e “The Exorcist”, esse tipo de porcentagem).

É óbvia a razão pela qual as companhias não realizavam “Double bills” com dois filmes de primeira classe. Porque gastar tudo na mesma jogada, quando se pode recolher duas entradas sobre dois filmes? Em contraste com a porcentagem do filme “A”, a do outro filme jogava com um rendimento invariável (fixo). Visto que o rendimento não se baseava na freqüência ou popularidade, o produtor podia prever com bastante precisão quanto ganharia em cada filme B. Mas faltava a possibilidade de lucros espetaculares devido a um êxito estrondoso. Era por isso que as grandes companhias se esquivavam de produzir tais filmes. Contudo, havia poucos riscos. Uma companhia podia produzir um filme B por 75/80.000 dólares e tirar um lucro de 10/15.000 dólares. E vendo que se podia fazer um razoável lucro fornecendo nada mais do que filmes de gênero, de uma hora de duração, sem grandes custos, que muitas companhias menores entraram em cena para apanhar os minúsculos lucros que as grandes companhias desprezavam.

Uma Digressão: O Sistema de “States’Rights”

Muitas companhias produtoras de filmes B, financeiramente incapazes de montar um sistema privado de distribuição, entregavam o lançamento dos seus filmes a distribuidores independentes, a coberto do “states’rights”. Mediante este arranjo, uma forma de “franchise”, uma companhia vendia o direito de distribuir os seus filmes numa base territorial. A Monogram, nos anos 30 podia, por exemplo, vender os seus filmes para o Sudoeste a um distribuidor de Atlanta e para o Midwest a um distribuidor de Chicago, etc. Os distribuidores, neste sistema, eram conhecidos por “franchisees”. Uma única firma, é claro, podia negociar produtos de várias companhias, e muitas faziam-no.

A Monogram e a Republic chegaram a ter seus próprios escritórios de distribuição nas grandes cidades, mas quase todas as outras companhias utilizavam o sistema de “states’rights”. Era o processo mais econômico de distribuição, pois não requeria nenhum investimento direto adiantado da parte do produtor na distribuição (além, claro, do custo de produzir o filme em primeiro lugar). É óbvio que os “franchisees” recebiam, pelos seus esforços, uma porcentagem sobre a receita de cada filme.

Nos anos 30, um importante grupo destas firmas era a First Division que lidava com os estúdios Monogram, Chaterfield e Invencible. Nos anos 40, a Aster Pictures e a Cavalcade Films eram dois dos mais importantes distribuidores independentes. Mesmo nos anos 60 e 70, produtores independentes como Russ Meyer e Roger Corman fizeram uso deste sistema.

As Companhias B

A somar às cinco grandes companhias integradas havia três semi-grandes: a Columbia e a Universal, que eram produtoras/distribuidoras e a United Artists, que só distribuía.

Então vieram as companhias de filme B. As duas mais importantes foram a Republic e a Monogram. Ambas duraram de meados dos anos 30 até os anos 50. As produções destas duas companhias simbolizavam a clássica companhia de filmes B de Hollywood. Além da Republic e da Monogram, proliferaram pequenas companhias de filmes B pouco após o aparecimento do som. Houve um abalo, com muitas companhias que se afundaram nos momentos mais negros da depressão, entre 1932 e 1934. A situação estabilizou-se, gradualmente, e por volta de 1937 as três mais importantes companhias de filmes B era a Republic, a Monogram e a Grand National. A companhia fenômeno de filmes B dos anos 40 foi a PRC (Producers Releasing Corporation), mas por volta de 1947 já tinha desaparecido. Os anos 50 viram o fim da Republic e da Monogram e a formação da American International Pictures, a popular A.I.P. de James H. Nicholson e Samuel Z. Arkoff, casa de gente como Roger Corman, Vincent Price, Peter Lorre, Boris Karloff, entre muitos outros. No começo dos anos 60 foi aparecendo, gradualmente, uma nova vaga de grupos tendo em vista a realização de filmes B de Exploitation, entre eles a Cinemation, Fanfare e Crown International.

Um Pouco de História das Companhias B

Uma das mais antigas companhias de segunda classe era a Tiffany, conhecida por Tiffany-Stahl na era do cinema mudo (o realizador John M. Stahl era também, em parte, proprietário da companhia e chefe de produção, ótima situação para um realizador). O principal credor da Tiffany-Stahl, nesta altura, era Mae Murray. Produzia principalmente filmes leves de alta sociedade, como “Husband and Lovers” (1924), que mais tarde teriam passado por filmes classe “A”. Em 1931, contudo, Stahl foi para a Universal. A companhia Tiffany muda sua produção (devido à subida de custos de produção provocado pelo som) e passa a produzir westerns baratos, geralmente com Phil Rosem ou Al Rogell como realizadores; mas no outono de 1932, a Tiffany estava em terríveis apuros finaceiros. A Sono Art-World Wide, outra companhia de “poverty Row”, comprou os filmes da Tiffany quando esta fechou as portas. Mas, dentro de um ano, seu destino era idêntico, com a Twentieth Century-Fox comprando a Sono Art-World Wide, que tinha sido fundada apenas três anos antes.

Muitas outras obscuras companhias se perderam entre 1932 e 1934. Magestic, dirigida por um ambicioso produtor chamado Larry Darmour, faliu após três anos de negócios, em 1935. A sua única produção interessante foi “The Vampire Bat” (1933, com  Fay Wray e Dwight Frye, lançado no Brasil pela Dark Side, da London Filmes, com o título de “O Morcego Vampiro”), realizada por Frank Stryer. A Chaterfield, fundada em 1928, e a Invencible, fundada em 1932, partilharam escritórios e estúdios e tinham ligações financeiras. Ambas se especializaram em melodramas de ação e mistério e desapareceram em 1936. O produtor Ralph M. Like distribuía suas produções sob a sigla de Action Pictures e Mayfair Pictures, ambas desapareceram em 1933. Do mesmo modo o produtor M.H. Hoffman lançava seus filmes sob as siglas Allied e Liberty, abandonando-as em 1934 para tornar-se produtor na Monogram.

Victory Pictures (primeira empresa do lendário Sam Katzman), Puritan Pictures, Ambassador-Conn (de Maurice Conn), havia, literalmente, dúzia de minúsculas companhias com grandes nomes comercialmente sonantes, que duravam dois ou três anos e depois desapareciam. A alta taxa de mortalidade destas companhias recém nascidas não é de surpreender se considerarmos que uma indústria completamente nova estava nascendo (a de produção dos filmes B). Era um caso de sobrevivência do mais apto e temos que admirar a grande determinação dos que, em plena depressão, decidiam fundar companhias cinematográficas.

Em 1934 era nítido que as principais companhias produtoras de filmes B eram a Monogram (fundada por W. Ray Johnston em 1930) e a Mascot, que Nat Levine criara em 1929. A Mascot era a grande fonte de filmes em episódios e a Monogram tinha um programa equilibrado de produção de filmes B. Em 1934 a Monogram produzia 36 filmes por ano.

Aconteceu que estas firmas estavam em dívida com o Consolidated Film Laboratories, um laboratório de revelação de filmes que lidava com muitos filmes B. O dono da CFL, Herbert J. Yates, queria dirigir uma companhia de cinema e exigiu o pagamento da dívida à Monogram e à Mascot e fundiu-as, nos princípios de 1935, na Republic Pictures. Levine parece ter ficado satisfeito com este arranjo e os filmes em episódios, no estilo da Mascot, tornaram-se rapidamente um produto da sigla Republic. Mas passado alguns anos, W. Ray Johnston e seu sócio Trem Carr, compreenderam que não estavam se acertando com o poderoso Yates; abandonaram a Republic e ressuscitaram a Monogram de 1936 a 1937. Pelos fins de 1937 a nova Monogram tinha produzido 20 filmes e uma nova companhia menor tinha surgido em cena, a Grand National, que tinha sido fundada em 1936 por Edward Alperson, antigo gerente de distribuição que tinha conseguido assinar um contrato com James Cagney, durante uma das brigas periódicas do ator com a Warner. Cagney apareceu no filme “Great Guy” (1936) de John Blystone, a única produção digna de mérito da Grand National. A firma ainda conseguiu fazer muitos filmes medíocres durante os seus três anos de existência, falindo em 1939, depois de ter investido 900 mil dólares num musical de Victor Schertzinger, “Something to Sing About”. Alperson partilhava das ambições de Johnston e Yates, mas sua má admistração afundou a Grand National.

Por causa da falência da Grand National, outro gerente de distribuição cinematográfica resolveu formar uma companhia para a produção de filmes B e tomou conta dos antigos estúdios da Grand National. Depois de ter tido vários nomes (Progressiv Pictures, Producers Distribuing Corporation, Sigmund Neufeld Productions) e várias crises finaceiras, Judell conseguiu, finalmente, arranjar um nome de que gostava: Producers Realeasing Corporation, PRC, que inclusive possuía alguns cinemas, e foi o maior competidor da Republic e da Monogram ao longo dos anos 40. Produzia vários tipos de filmes: westerns, filmes de guerra, de mistério, musicais e até mesmo alguns filmes em episódios (algo que a Monogram evitou fazer). No fim dos anos 40 a procura por filmes B tinha baixado. A PRC, sempre marginal, estava com problemas. Em 1947 foi absorvida pela Eagle-Lion, uma companhia distribuidora cujo dono era o inglês J. Arthur Rank. E assim desapareceu a sigla PRC. Quatro anos depois, a United Artists comprou a Eagle-Lion e, tal como a Sono Art-World Wide, a PRC acabou sendo absorvida por uma grande companhia.

escrito por Charles Flynn e Todd McCarthy.

American International Pictures & Roger Corman

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , on fevereiro 2, 2011 by canibuk

Um ano após terem se encontrado, em 1954, o advogado Samuel Z. Arkoff (na foto com os cartazes) e James H. Nicholson formaram uma pequena companhia de distrivuição chamada American Releasing Corporation. No ano seguinte resolveram lançar-se na produção de filmes e alteraram o nome da companhia para American International Productions. A companhia não produziu impacto na indústria cinematográfica de Hollywood e possivelmente poucas pessoas se deram conta de sua existência. Os seus filmes, como títulos como “Apache Woman”, “The Beast With a Milion Eyes” e “Swamp Women”, eram de muito baixa qualidade, mas feitos tão depressa que não podiam deixar de dar lucros. A companhia cresceu rapidamente, como também cresceram os filmes feitos – de quatro em 1955 para vinte e dois em 1958. Neste mesmo ano, acharam que já estavam suficientemente fortes para terem um estúdio próprio e alugaram um espaço no velho estúdio de Charlie Chaplin em Sunset Boulevard. No ano seguinte os ventos mudaram, e para pior, e o estúdio tornou-se uma pesada responsabilidade. Assim Arkoff e Nicholson mudaram-se para a Itália onde fizeram um filme barato do tipo Hércules com Steve Reeves. Produzido com pouco dinheiro, o filme faturou mais de hum milhão de doláres nos Estados Unidos e a AIP estava de novo por cima e vinham aí melhores tempos.

Uma das grandes razões para o sucesso da AIP foi o fato de terem sido os primeiros produtores a perceberem de que os “teenagers” (os adolescentes) constituíam a maioria dos espectadores de cinema na América dos anos 50 (com o aparecimento da televisão as pessoas mais velhas tinham a tendência de ficar em casa, ao passo que os adolescentes enchiam os Drive-Ins), e assim faziam filmes diretamente centrados no mercado juvenil.”Há pessoas pouco simpáticas que dizem que nós fizemos filmes que influenciavam de maneira negativa a juventude. É uma questão de semântica. Nós fizemos filmes que agradavam à juventude e, ao fazê-lo, tínhamos uma posição diferente dos outros produtores e não procurávamos dar licões de moral!”, diz Arkoff. Filmes onde os adultos não apareciam, a não ser como vilões, agradavam claramente aos jovens dos fins dos anos 50. E filmes como “I Was a Teenage Werewolf”, “Teenage Caveman”, “Teenage Doll” e “I Was a Teenage Frankenstein” faziam muito sucesso. A AIP voltou a repetir seu êxito no mercado juvenil, nos anos 60, com seus filmes de praia e da série de biker movies.

Filmes de terror e ficção científica tinham constituído, desde o princípio da AIP, uma parte da sua produção, mas em 1960 arriscou um bocado ao gastar 300.000 dólares (um grande orçamento para os moldes da AIP) ao fazer um filme de terror gótico chamado “The Fall of the House of Usher, baseado num conto de Edgar Allan Poe. Para alívio da AIP foi um sucesso e outros filmes semelhantes se seguiram. Richard Matheson, roteirista da maioria dos roteiros deste ciclo baseado em Poe, relembra: “Não tinham, inicialmente, a idéia de fazer uma série inspirada em Poe, mas quando Usher teve tão bom acolhimento, quer financeiramente, quer por parte da crítica, agarraram-se à idéia. Foi assim que comecei a fazer mais. Eu acho que Usher foi o melhor que escrevi. Era o único que era puro Poe, sem contar “Masque of the Red Death” que foi escrito por Charles Beaumont. Os restantes apoiavam-se muito menos em Poe. “The Pit and the Pendulum” tinha uma pequena cena inspirada em Poe apartir da qual eu tinha escrito toda a história. “The Raven” era só um poema, o que não era muito para trabalhar. Nos “Tales of Terror” segui Poe de perto, mas misturando as histórias. “The Raven” foi engraçado, os patrões da AIP tinham descoberto que a parte do meio de “Tales of Terror”, feita para rir, tinha tido muito êxito e então resolveram fazer um filme que fosse, todo ele, para rir. Nunca tive nenhum interesse especial por Poe, nem mesmo o fato de trabalhar nestes filmes me provocaram interesse. Trabalhar no “Comedy of Terrors” foi, também, muito divertido. Nós tínhamos Boris Karloff, Peter Lorre, Basil Rathbone e Vincent Price (na foto ao lado com Lorre), eram todos muito simpáticos e foi uma experiência deliciosa falar com eles durante as filmagens. Adoraram fazer o “Comedy of Terrors”. Lembro-me da primeira refeição em conjunto, eles ansiavam pelo momento das filmagens. O argumento era bom mas não se conseguia transpor com facilidade, falei com a AIP para que contratassem Jacques Tourneur – eu acho que ele é um realizador maravilhoso mas com um programa de filmagens de duas semanas não se pode dispender muito tempo, seja no que for. E esse era o tempo que a AIP dispunha para cada um desses filmes, era assim que eles ganhavam dinheiro”.

Roger Corman (na foto ao lado), que produziu o primeiro filme que a AIP lançou, “Fast and Furious” (1954), desde então realizou inúmeros filmes para a companhia. Nasceu em Los Angeles dia 5 de abril de 1926 e estudou na Stanford University se formando em engenharia. Corman, após ter passado pela Marinha, foi garoto de recados na 20th Century Fox. Depois de ter conseguido chegar ao departamento de argumentos da companhia , partiu para Oxford para estudar Literatura Inglesa. De regresso à Hollywood, começou a escrever roteiros e o primeiro que vendeu foi “Highway Dragnet”, co-produzido pelo próprio Corman e dirigido por Nathan Juran. Formou então sua própria companhia e fez “The Monster from the Ocean’s Floor”, seguido por “Fast and Furious”. Corman financiou estes dois filmes, arranjando ele próprio o dinheiro, mas depois de completar o último, resolveu entrar num acordo com a récem-constituída American Releasing Corporation, quando percebeu que teria de esperar bastante tempo antes de receber o lucro do seu investimento. Na época Corman disse: “Eles queriam ficar com o meu filme e eu disse-lhes que estava de acordo se me fizessem um adiantamento sobre o lançamento do filme, deste modo eu poderia fazer filmes e receber, pelo menos, parte do custo do negativo sem ter que ficar esperando”.

Roger Corman adquiriu a reputação de fazer filmes a uma velocidade incrível e com pequenos orçamentos. A maioria de seus primeiros filmes foram realizados com prazos de filmagens entre cinco e dez dias e com custos que iam de 40.000 dólares à 100.000 dólares (“Monster from the Ocean’s Floor”, que produziu em 1954, custou 12.000 dólares). Um realizador medíocre mas competente, como é o caso, foi levado a posição de culto pela nova geração de críticos de cinema, tal como aconteceu com Terence Fisher. Como resultado disso, Corman é hoje, provavelmente, um dos mais subestimados realizadores da história do cinema. Mas Corman permanece um realizador comercial, e parece estar consciente dos perigos de se levar à sério demais, Corman disse: “Quando fizemos as pequenas comédias “Little Shop of Horrors” em dois dias e uma noite, “Bucket of Blood” em cinco dias, “Creature from the Haunted Sea” em seis, levávamos o trabalho à sério, mas não éramos esmagados por ele, mas sim pelo tempo de que dispúnhamos. Havia, nestes dias, um ambiente de camaradagem e boas relações. Eu gosto dos filmes, não são pretenciosos, são divertidos e agradáveis”.

Ao falar do trabalho dos atores veteranos como Karloff (na foto ao lado de Jack Nicholson em seu primeiro papel no cinema), Lorre e Price, Corman certa vez disse: “Todos tem essa grande capacidade de dar tudo o que pedimos. Com a maior parte dos atores tem de se estar bastante em cima deles para fazer com que nos dêem o seu melhor. Mas com esses veteranos eles dão logo tudo de uma vez!”. Karloff deu uma idéia diferente dos métodos de trabalho de Corman: “James Whale era um técnico notável com a Câmera, bem como no resto, tal como Corman. Isso é o lado mais forte de Corman. Mas creio que Whale era melhor por ser mais velho, tinha mais experiência. Corman espera que um ator se solte sozinho. Trabalhei com ele duas vezes. A primeira foi no “The Raven” e sei que tanto eu como Vincent Price e Peter Lorre, tivemos que fazer tudo por nós porque Corman não se importava com essas coisas. Ele dizia: “Vocês são atores com experiência, aproveitem-na. Eu tenho que tratar da iluminação e dos enquadramentos. Eu sei como é que vou juntar tudo isso!”. E se lhe pedissem algum conselho sobre determinada cena, respondia “Isso é contigo, continuem, estou ocupado!”

Tanto a AIP como Corman foram os que, durante muitos anos, mais deram oportunidades de trabalho para jovens realizadores e atores na indústria cinematográfica, não por razões altruístas, mas porque eram mais baratos. Alguns nomes famosos que foram ajudados pela AIP e Corman incluem gente como John Milius, Peter Bogdanovich, Francis Ford Coppola, Dennis Hopper, Jack Nicholson, Peter Fonda, Monte Hellman, entre vários outros.

escrito por John Brosnan.

abaixo trailers de alguns filmes citados neste artigo: