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Entrevista Exclusiva com Christopher Lee

Posted in Cinema, Entrevista with tags , , , , , , , , on julho 28, 2011 by canibuk

O britânico Christopher Frank Carandini Lee, nascido em 27 de maio de 1922, se tornou mundialmente famoso ao interpretar, primeiro, o monstro de Frankenstein no filme “The Curse of Frankenstein” (1957) e, em seguida, o Conde Drácula no filme “Dracula” (também conhecido como “Horror of Dracula”, 1958), ambos produzidos pelos lendários estúdios da Hammer.

Em 2000 publiquei uma rápida entrevista no fanzine “Arghhh” número 29 que o Ivan Cardoso realizou com a lenda viva Christopher Lee, onde o ator explica suas inspirações para criar/interpretar o Conde Drácula.

Ivan Cardoso: Você sente saudades do Conde Drácula?

Christopher Lee: Gostaria muito de voltar a interpretar o papel do Conde Drácula pois este personagem será sempre imortal, embora já o tenha recusado várias vezes. Hoje penso que o público me identifica com o personagem e se recusei foi por medo de passar a minha vida a só fazer esses papéis, como aconteceu ao infeliz Bela Lugosi. No entanto gostaria de voltar a fazer com a condição de que a produção e o argumento me interessem. Posso afirmar que não tenho a intenção de voltar à interpreta-lo apenas para obter publicidade fácil ou para ganhar dinheiro de produtores que não sabem apreciar o poder e o estilo clássico desse grande tema. É um papel que deve ser encarado com respeito e dignidade. O papel do Conde Drácula foi uma das maiores oportunidades da minha vida, um dos mais célebres e fantásticos personagens. Nenhum ator poderá pedir mais!

Cardoso: Drácula é um personagem muito díficil de interpretar?

Lee: A interpretação desse personagem compreende também um problema de ordem sexual: O sangue, símbolo da virilidade e a atração sexual que a ele se liga, esses dois aspectos sempre estiveram estreitamente ligados ao tema do vampirismo. Tentei sugerir isto sem destruir o mito, mas carregando nesta tecla. Aliás, não podemos esquecer que o Conde Drácula era um gentleman, um nobre, e na sua primeira encarnação um grande soldado e condutor de homens. Claro que era impossível, num só filme, mostrar tudo isto, mas é sempre possível, pela interpretação, sugerir fatos do passado sem os mostrar!

Cardoso: Como você compôs o seu Conde Drácula?

Lee: A minha idéia de interpretação do Conde Drácula baseava-se no romance que reli inúmeras vezes. A própria neta de Stocker veio me ver representar, assegurando-me que estava muito bem e que o seu avô teria gostado muito de me ver. Claro que do argumento para o filme existiam diferenças em relação a história original, mas sempre tentei por em evidência a solidão do mal e, particularmente, mostrar que por mais terríveis que fossem as ações do Drácula, elas eram impulsionadas por uma força oculta que não podia controlar. Era o diabo que o possuia, obrigando-o a cometer crimes horríveis, desde tempos imemoriais. No entanto a sua alma subsistia no invólucro carnal, era imortal e não podia ser destruída. Tudo isto é para explicar a grande tristeza com que tentei impregnar a minha interpretação.

Cardoso: Porquê Drácula é o mais popular personagem de terror?

Lee: Ele é muito romântico, muito poético, um grande herói, muito forte, iressistível para as mulheres, poderoso com os homens e imortal! Talvez sejam estas as razões, eu não sei. É o livro mais famoso e lido no mundo inteiro. É o lado negro, satânico e desconhecido, por isso mesmo muito interessante.

Cardoso: Obrigado Conde Lee…

Lee: Gostaria de enviar um abraço à todos meus fãs brasileiros, certo Ivan?