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Canibuk Apresenta: A Arte de Leyla Buk

Posted in Arte e Cultura, Entrevista, Ilustração, Pinturas with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on março 8, 2018 by canibuk

Hoje é o dia internacional da Mulher e a série do Canibuk não podia deixar de apresentar a arte de uma das mulheres mais fortes, criativas e completas que já tive o prazer de conhecer.

Acompanho o trabalho de Leyla Buk faz, pelo menos, uma década, e cada nova fase dela me surpreendo com a franca evolução de seus trabalhos. Leyla é inquieta, está sempre na ânsia pela busca de se superar.

Autorretrato, 2018 (inédito).

Leyla, nascida em Recife/PE, é artista autodidata e desde a infância já se interessava por desenhos e pintura. Há pelo menos 9 anos trabalha em tempo integral, de modo profissional, com sua arte, experimentando vários meios, estilos e técnicas. É uma artista curiosa e dona de uma arte fenomenal, seja como desenhista, pintora ou escultora, fazendo um Monku, ou uma Buky, personagens que criou para explorar essa técnica – o que não a impede de aceitar encomendas com seu personagem preferido. Suas esculturas já estão em inúmeros países da América – USA e Canadá – e Europa – Finlândia, Inglaterra, Suécia e outros.

Já realizou exposições por vários estados do Brasil. Também foi capista da Editora Estronho e realizou cartazes para filmes, estando sempre aberta às mais variadas encomendas.

Agora Leyla se prepara para uma importante exposição coletiva em Porto Alegre que irá acontecer no mês de Maio próximo, ao lado de importantes artistas brasileiros. Em breve divulgarei aqui essa exposição e em maio estarei lá fazendo a cobertura. Adianto que é imperdível e tem a ver com o FantasPoa 2018.

Leyla Buk

Segue a entrevista que realizei com Leyla para o Canibuk.

Petter Baiestorf: Gostaria que você contasse como começou seu interesse pela arte e, também, sobre seus primeiros trabalhos.

Leyla Buk: Me interesso por arte desde que me entendo por gente. Minhas memórias mais fortes da infância são aquelas que envolvem algum tipo de arte, em casa ou no colégio. Não lembro muito dos meus primeiro trabalhos, mas eu desenhava o tempo todo. Eu fui uma criança estranha e que não se encaixava muito nas coisas. Desenhar me libertava. A arte pra mim é e sempre foi uma necessidade, uma busca por respostas, por algum tipo de salvação. E me salva. Sempre me salvou.

Buky

Baiestorf: Sua arte sofre influências de quais artistas e escolas estéticas. Fale o que te atraí neles, se quiser falar sobre os porquês seria muito interessante.

Leyla: A lista de influência é grande, de varias escolas, varias épocas e lugares, por varias razões. Eu bebo de muitas fontes, de renascentistas à artistas pop do “momento”, todos têm uma importância e fazem ou fizeram parte de algum momento meu. Eu gosto muito dos expressionistas do começo do século XX, quanto movimento, quanto proposta, quanto resposta. Artistas como Schiele sempre me influenciaram demais, pela coragem, pelo sentimento, pela angústia, pelo peso psicológico, pelo estilo. Sempre tive na arte um lugar onde posso buscar respostas e exorcizar meus demônios. Um lugar onde me encaixo e posso ser livre. Por isso me identifico muito com artistas assim. Picasso é um cara que tem uma importância enorme pra mim, porque com ele eu aprendi que não tem problema mudar, não tem problema ter muitas fases, não tem problema ser livre nesse sentido. Que meu compromisso maior é com o que sinto e com minha verdade. E eu tenho muitas fases, quem me acompanha sabe. Talvez um dia alguém vai nomear cada uma delas como fizeram com ele? “Essa é a fase preta”, “essa é a fase ocre”, “essa é a fase niilista” e arrumar justificativas pra cada uma (risos). Apenas deixem ser. Mas pra falar mais alguns nomes cito caras como da Vinci, Rembrandt, Caravaggio, Hans Memling, Bosch, Botticelli, Klimt, Van Gogh, Modigliani, Rothko. Muitos outros. Sempre da medo de esquecer alguém muito importante. E sei que esqueci. O mundo a minha volta, as pessoas com as quais eu convivo e sempre me ensinam algo, família, amigos próximos, quem eu amo e qualquer pessoa que faça o que gosta com vontade e paixão me inspira. Pode ser o maior artista vivo ou o tiozinho da esquina que vende pipoca. Gentileza, empolgação e sonhos me motivam. Inocência idem. Cinema, literatura e música também têm forte influência sobre meu trabalho, desenhos, pinturas, esculturas… Estão presentes em absolutamente tudo. Mas eu vou parar por aqui senão não vai acabar nunca essa resposta.

Stillness, 2018

Baiestorf: Com sua arte você está aberta a todo tipo de trabalho ou gostaria de se especializar somente em uma área? Porque?

Leyla: Assim, dentro da minha área eu estou aberta a tudo, porém cada coisa no seu tempo. Eu me interesso por muitas coisas, mas eu não me vejo fazendo varias coisas de áreas diferentes, eu jamais conseguiria fazer bem todas elas. Eu sou intensa demais no que eu faço então eu gasto toda energia naquilo, não conseguiria fazer isso com varias coisas. Algo sairia mal feito ou não teria a mesma atenção e cuidado que merece e eu iria sucumbir também, certamente (risos).

Baiestorf: Conte sobre suas exposições e como produtores poderiam levá-la para suas cidades/estados.

Leyla: Acho que minha primeira exposição foi em 2010, em Maceió. Num bar que reuniu vários artistas undergrounds de vários estilos. Na época eu estava forte na fase erótica e tinha acabado de começar a pintar (olha eu já definindo minhas fases tipo Picasso – risos). Depois expus em outros lugares também, todas exposições coletivas. Todas importantes, mas lembro com muito amor da exposição na Mondo Estronho que aconteceu em 2015 em Curitiba, onde expus umas 20 peças inspiradas no cinema de horror das décadas de 20 a 50, filmes que tem grande influência na minha vida e na minha arte. Depois, em 2016, expus em alguns eventos em Porto Alegre também. Se alguém tiver interesse em promover alguma exposição com meus trabalhos pode entrar em contato comigo pelo e-mail bukleyla@gmail.com e podemos acertar todos os detalhes.

Edgar Allan Poe, 2017

Baiestorf: Como é realizar trabalhos artísticos aqui no Brasil? Há reconhecimento? Oportunidades?

Leyla: Eu me sinto privilegiada por poder trabalhar com o que eu amo em tempo integral e me dedicar apenas a isso, isso pra mim já vale por qualquer reconhecimento, fama, o que for, porque eu sei que essa não é a realidade da maioria. Eu já trabalho nisso ha algum tempo e estou incansavelmente fazendo alguma coisa. A gente tem que abraçar qualquer oportunidade que apareça. A divulgação é nossa maior amiga nisso tudo e a internet oferece muitos meios pra isso. Eu tento aproveitar cada um deles.

Baiestorf: Você está com trabalhos em finalização? Poderia falar sobre eles e como o público poderá acompanhá-los?

Leyla: Eu sempre estou com trabalhos em andamento. No momento, estou trabalhando em algumas ilustrações novas e finalizando dolls de algumas encomendas. Quem quiser obter informações ou fazer pedidos (eu aceito encomendas das BukDolls, dos Monkus, das Bukys, de pinturas e de ilustrações também) pode entrar em contato através do e-mail bukleyla@gmail.com ou pelas minhas redes sociais no Instagram @leylabuk e Facebook @LeylaBukArt.

Mary Shaw (Dead Silence), 2018

Baiestorf: E seus projetos? É possível sabermos um pouquinho deles?

Leyla: Entre os outros trampos em andamento estou trabalhando também numas peças pra uma exposição que vai acontecer em maio. Darei mais detalhes em breve.

Baiestorf: Geralmente a arte no Brasil é produzida de forma independente e é difícil conseguir se manter. O que você gostaria de observar sobre isso.

Leyla: A gente tem que aprender a lidar com os altos e baixos disso tudo. Pesa mais pra gente quando pesa pra todo mundo. Mas o amor pelo o que faço é o que me move. Eu realmente não sei se saberia fazer outra coisa da minha vida! Então fica tudo muito pequeno quando penso no prazer que é poder fazer o que faço.

Baiestorf: O espaço é seu para as considerações finais:

Leyla: Obrigada, Petter, pelo espaço e pelo apoio sempre! Isso é muito importante quando a gente faz tudo por conta própria e não tem patrono, não tem arte em grandes galerias ou não morreu ainda pra que a obra, quem sabe, passe a valer alguma coisa. Valorizem os artistas enquanto vivos! Consumam sua arte! Divulguem! Apreciem! A arte salva.

Monkus, 2016

Contatos de Leyla Buk:

Email:  bukleyla@gmail.com

Instagram: @leylabuk

Instagram: @_monku_

Facebook: @LeylaBukArt

Artes de Leyla Buk:

 

Cat, 2018

Pennywise – It, 2018

Vampira e Bride of Frankenstein, 2017

Mina (Bram Stoker’s Dracula), 2017

Vanessa Ives – Possession, 2017

Edward Scissorhands Black and White, 2017

Vampira, 2016

Eu

Posted in Literatura with tags , , , , , , , , , , , , , on setembro 26, 2012 by canibuk

mulheres não sabem como amar,

ela me disse.

você sabe como amar

mas mulheres só querem

parasitar.

sei disso porque sou

mulher.

.

hahaha, eu ri.

.

por isso não se preocupe por ter terminado

com Susan

porque ela apenas irá parasitar

outro homem.

.

falamos um pouco mais

então eu me despedi

desliguei o telefone

fui ao banheiro

e mandei uma boa merda de cerveja

basicamente pensando, bem,

continuo vivo

e tenho a capacidade de expelir

sobras do meu corpo.

e poemas.

e enquanto isso acontecer

serei capaz de lidar com

traição

solidão

unhas encravadas

gonorreia

e o boletim econômico do

caderno de finanças.

com isso

me levantei

me limpei

dei a descarga

e então pensei:

é verdade:

eu sei como

amar.

.

ergui minhas calças e caminhei

para a outra peça.

poema de Charles Bukowski.

Numa Vizinhança de Assassinos

Posted in Literatura with tags , , , , , , , , , , , on fevereiro 18, 2012 by canibuk

as baratas cospem

clipes de papel

e o helicóptero descreve círculos e mais círculos

em busca de sangue

luzes de busca deslizando furtivas por nosso

quarto

.

5 caras nesta área têm pistolas

outro um

facão

somos todos assassinos e

alcoólatras

mas a coisa é ainda pior no hotel

do outro lado da rua

eles ficam sentados na entrada verde e branca

banais e depravados

esperando para serem institucionalizados

.

aqui cada um de nós tem um pequeno vaso

na janela

e quando brigamos com nossas mulheres às 3 da manhã

falamos

baixinho

e em cada uma das varandas

há um pequeno prato de comida

sempre esvaziados pela manhã

presumimos

pelos

gatos.

por Charles Bukowski.

Ilustração de Robert Crumb.

Enquanto os novos não vêm…

Posted in Arte e Cultura, Arte Erótica, Buk & Baiestorf, erótico, Fetiche, Ilustração, Nossa Arte with tags , , , , , , , , , , on novembro 24, 2011 by canibuk

Estou trabalhando numa série de ilustrações novas e assim que estiver pronta postarei com exclusividade aqui no blog, mas por enquanto deixo por aqui umas ilustrações que, embora eu não tenha postado no Canibuk ainda, aqueles que me seguem no facebook e Deviant já conhecem. Esses desenhos dão continuidade aos últimos trampos que venho fazendo com nanquim na tentativa de fazer um trabalho cada vez melhor e com um estilo único. Tenho desenvolvido uma preocupação maior com detalhes e composição, testado desenhos menos limpos, apesar de estar buscando uma suavidade maior nos traços, e técnicas diferentes de sombreamento. Como testo e experimento muita coisa os resultados acabam sendo bem diversificados e, na verdade, eu gosto disso. Nos últimos desenhos dá pra ver sombreamentos com nanquim, com lápis de cor, com grafite ou simplesmente sombreado nenhum. Não escolhi ainda uma técnica específica, quem sabe no futuro, mas, por enquanto, gosto de poder usar tudo o que tenho à mão e de acordo com minha vontade e humor do momento. Nem tudo dá certo, mas toda tentativa vale e o que deu errado é bobagem classificar como tempo perdido, porque, além de descobertas e evolução, é também parte crucial do tratamento intensivo para mentes neuróticas e inquietas. Vamos desenhar, cambada!

Fear” – Leyla Buk Artwork, 2011 (Não use, copie, publique sem autorização)

Collection” – Leyla Buk Artwork, 2011 (Não use, copie, publique sem autorização)

The Dead Girls” – Leyla Buk Artwork, 2011 (Não use, copie, publique sem autorização)

Wake Up Right Now” – Leyla Buk Artwork, 2011 (Não use, copie, publique sem autorização)

Chaotic, Almost Erratic” –  Leyla Buk Artwork, 2011 (Não use, copie, publique sem autorização)

Reverie” – Leyla Buk Artwork, 2011 (Não use, copie, publique sem autorização)

Contatos pelo e-mail leylalua@hotmail.com

Camas, banheiros, você e eu.

Posted in Bebidas, Buk & Baiestorf, Literatura with tags , , , , , , , on novembro 22, 2011 by canibuk

pensando nas camas

usadas e reutilizadas

para trepar

para morrer.

nesta terra

alguns de nós trepam mais do que

nós morremos

mas a maioria de nós morre

melhor do que

trepamos,

e morremos

bocado a bocado também –

em parques

tomando sorvete, ou

nos iglus

da demência,

ou em esteiras de palha

ou sobre amores

desembarcados

ou

ou.

camas, camas, camas

banheiros, banheiros, banheiros

o sistema de esgoto humano

é a maior invenção do

mundo.

e você me inventou

e eu inventei você

e é por isso que nós não

damos

mais certo

nesta cama.

você era a maior invenção

do mundo

até que resolveu

me mandar descarga

abaixo.

agora é a sua vez

de esperar que alguém aperte

o botão.

alguém fará isso

com você,

puta,

e se eles não fizerem

você fará –

misturada ao seu próprio

adeus

verde ou amarelo ou branco

ou azul

ou lavanda.

Charles Bukowski.

Aquele gato não enfrentava apenas o buldogue, ele enfrentava a humanidade inteira.

Posted in Conto, Literatura, Livro with tags , , , , , on novembro 10, 2011 by canibuk

Havia um gatinho branco com as costas voltadas para um dos cantos do muro. Não podia subir pelos tijolos nem fugir em qualquer outra direção. Suas costas estavam arqueadas e ele bufava, as garras prontas. Era, no entanto, pequeno demais para dar conta do buldogue de Chuck, Barney, que rosnava e se aproximava mais e mais. Tive impressão de que aquele gato havia sido colocado ali pelos garotos e de que somente depois o buldogue fora levado até ali. Sentia isso intensamente pelo modo que Chuck e Eddie e Gene acompanhavam a cena: o aspecto deles os incriminava.

– Caras, vocês armaram essa – eu disse.

– Não – rebateu Chuck –, a culpa é do gato. Ele veio até aqui.

– Deixe que ele se vire agora para escapar.

– Odeio vocês, seus desgraçados – eu disse.

– Barney vai matar o gato – disse Gene.

– Barney vai fazer picadinho do bichano – disse Eddie. – Ele está com medo das unhas do gato, mas quando avançar estará tudo encerrado.

Barney era um buldogue grande e marrom com as bochechas flácidas e cheias de baba. Ele era gordo e meio abobalhado e tinhas olhos castanhos inexpressivos. Rosnava constantemente e ia avançando devagar, os pelos do pescoço e das costas eriçados. Eu sentia vontade de lhe dar um chute no seu rabo estúpido, mas percebi que ele arrancaria minha perna fora. O cão estava completamente tomado por um espírito assassino. O gato branco sequer tinha terminado de crescer. O bichinho soltava um silvo agudo e esperava, comprimido contra o muro, uma criatura belíssima, tão limpa.

O cachorro avançou lentamente. Por que esses caras precisavam disso? Não era uma questão de coragem, era apenas um jogo sujo. Onde estavam os adultos? Onde estavam as autoridades? Para me acusar de alguma coisa estavam sempre por perto. Onde tinham se enfiado agora?

Pensei em intervir na cena, apanhar o gato e sair correndo, mas eu não tinha forças. Tinha medo de que o buldogue me atacasse. A consciência de que me faltava coragem para fazer o que era necessário fez com que me sentisse péssimo. Comecei a ficar enjoado. Estava fraco. Eu não queria que aquilo acontecesse, ainda que eu não conseguisse encontrar nenhuma maneira de evitar o massacre.

– Chuck – eu disse –, deixe o gato ir, por favor. Chame seu cachorro.

Chuck não respondeu. Continuou apenas observando. Então disse:

– Vai, Barney, pegue ele! Pegue o gato!

Barney avançou e de súbito o gato deu um salto. O bicho se transformara numa furiosa mancha branca, toda silvos, garras e dentes. Barney recuou e o gato voltou novamente para o muro.

– Pegue ele, Barney – disse Chuck novamente.

– Cale a boca, maldito! – gritei para ele.

– Não fale comigo desse jeito – retrucou.

Barney começava a avançar novamente.

– Caras, vocês armaram tudo isso aqui – eu disse.

Ouvi um leve ruído atrás de nós e voltei a cabeça. Vi o velho sr. Gibson a nos observar de trás da janela de seu quarto. Ele também queria que o gato fosse morto, assim como os garotos. Por que?

O velho sr. Gibson era nosso carteiro. Usava dentadura. Tinha uma esposa que passava o tempo inteiro em casa. A sra. Gibson sempre usava uma rede sobre os cabelos e sempre trajava uma camisola, roupão de banho e chinelos.

Então apareceu a sra. Gibson, vestida como de costume, e se postou ao lado do marido, esperando pela carnificina. O velho sr. Gibson era um dos poucos que tinha um emprego, mas ainda assim ele precisava ver o gato morto. Gibson era como Chuck, Eddie e Gene.

Havia muitos deles.

O buldogue se aproximou. Eu não podia ver aquele crime. Senti uma vergonha profunda por abandonar o gato à própria sorte. Havia sempre a chance de que o bichano pudesse escapar, mas eu sabia que os garotos não deixariam isso acontecer. Aquele gato não enfrentava apenas o buldogue, ele enfrentava a humanidade inteira.

Dei meia-volta e me afastei, para fora do quintal, passando pela entrada do carro e chegando ã calçada. Caminhei em direção ao local onde eu morava e lá, no pátio em frente ã sua casa, meu pai estava plantado, me esperando.

– Onde você estava? – ele perguntou.

Não respondi.

– Já pra dentro – ele disse. – E pare de parecer tão infeliz ou lhe darei algo para que você realmente sinta o que é infelicidade!

 Charles Bukowski – do livro Misto Quente.

Uma Mulher Incomum

Posted in Literatura with tags , , , , , on outubro 29, 2011 by canibuk

conheci essa mulher

e ela disse,

você está péssimo,

vamos te limpar,

e ela começou a espremer minhas

espinhas.

ela espremia essas espinhas

em tudo quanto é canto:

no carro, no mercado, na

cama, no parque

(entre uma foda e

outra).

eu fiquei sem espinhas antes de

ficar sem

amor.

o que vamos fazer

agora? ela perguntou.

.

então ela começou a arrancar os pêlos

de minhas orelhas e nariz e ao redor dos olhos

e sobrancelhas, das costas,

com uma pinça. ficamos sem

pêlos antes de eu

ficar sem

amor.

o que vamos fazer

agora? ela perguntou.

.

fiquei sem espinhas e sem pêlos

antes de ficar sem

amor.

agora ela fez as malas e

está se mudando

hoje à noite mas não antes de ela

limpar a cera

dos meus

ouvidos.

.

uma mulher altamente

incomum.

escrito por Charles Bukowski.