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O Caos de um Videasta

Posted in Nossa Arte, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , on maio 22, 2011 by canibuk

Bem que eu disse para todos que o fim dos tempos seria o Caos. No meu caso, o Caos já teve seu início com o estranho “Super Chacrinha e seu Amigo Ultra-Shit em Crise Vs. Deus e o Diabo na Terra de Glauber Rocha (ou Ainda bem que Jimi Hendrix Morreu)” e sua estética da falta de estética caótica anti-globalizada, onde mostro 118 minutos de Caos que se apossou (ou decidiu por se libertar) de meu cérebro.

Caos e estranheza para meus poucos amigos, já que considero-o meu filme mais pessoal e com uma narrativa boçal que não se permite o luxo de ser compreendida e apreciada pela pessoas de bom gosto (e senso) cinematográfico/videorgiástico.

Um filme único para meu público invisível.

Carli Bortolanza, o indivíduo que me acompanhou de perto nessa viagem repleta de estranhezas, que o diga. Filma!!! Filma!!! Filma!!! Menos teoria e mais Filmes!!! Mais quantidade e menos qualidade!!! Shitsu Yori Ryou!!!… Ou algo nesta linha!!! Mas só quis mostrar o Caos que se esboçava no mundo dos anos 90 e lançar a discussão na forma de um filme insuportável que discutia sobre os insuportáveis conglomerados indústriais do neo-mondo-global.

Apesar de nunca ter sentido atração pelo folclore sertanejo, o fim dos tempos fez com que eu sentisse atração pela estética sertaneja. Pela ignorância dos sertanejos. Pela burrice dos sertanejos e suas modas violas. Super Viola – o Violeiro – e Marcírio fizeram eu compreender um pouquinho as coisas sertanejas, junto daquela canção do disco-voador, antiguinha, carregada com toda a ingenuidade dos sertanejos. Ritmo sertanejo alojado em minhas velhas obsessões. Todas as variantes da chamada cultura alternativa underground, udigrudi, onde tive meu nascimento. Ou ainda, o vigor dos sertanejos perdido entre as perversidades que os curtas da Caos mostram. Ou seja na magnitude intelectual de “Deus – O Matador de Sementinhas” ou ainda nas bolhas cerebrais derretidas dos tempos de lisergia pesada de “O Homem-Cu Comedor de Bolinhas Coloridas” e também, só para finalizar essa punhetagem ególatra, na selvageria primitivista de “Boi Bom”, minha visão sobre os humanos superiores que parasitam no planeta Terra, carnívoros pela comodidade!!!

Mas nada como não precisar (ou sofrer pressões para) explicar minha nova obra de 14 anos atrás. Minha mente finalmente liberta depois deste alegre filme ruim. Quem conseguiu me acompanhar está sentado no chão bebericando de suas vidas gulosas por novidades e viagens (desta vez não lisérgicas) cada vez mais estranhas, mas nunca iguais a nada antes já explorado. Ou não. Ou sim. Quem não acompanhou, simplesmente não perdeu nada. Ou não. Ou sim.

Trilha sonora mais densa, extinção do profissionalismo, fidelidade à liberdade individual e cá (ou lá) deslizamos rumo ao esquecimento na saleta dos malditos felizes livres, algo que vocês poderão experimentar com uma picadinha de leve nas agulhas do “Super Chacrinha e seu Amigo Ultra-Shit em Crise Vs. Deus e o Diabo na Terra de Glauber Rocha” (1997, 118 min.), disponível pelo e-mail baiestorf@yahoo.com.br pela ridícula importância de R$ 10 reais (já com correio incluído).

Petter Baiestorf, noite de neve no mês maio de 2011.