Arquivo para cinema brasileiro independente

Ajude a Patrocinar o Segundo Bloco de Filmagens de Zombio 2

Posted in Cinema, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on março 5, 2013 by canibuk

ZOMBIO-2-PEntre os dias 06 e 19 de fevereiro estivemos filmando o longa-metragem gore “Zombio 2”. Este filme está sendo produzido por uma cooperativa informal formada pela Canibal Filmes (Coffin Souza, Leyla Buk, Elio Copini, Airton Bratz, Gisele Ferran, Paulo Cesar Rhoden, Minuano, Douglas Domingues, Adriano Trindade, Carli Bortolanza, E.B. Toniolli, André Luiz, Alan Cassol, Loures Jahnke, Taiz Ferran, Ivandro Godoy, Raimundo Lago, Marisa, Blob, Líbera Oliveira, Marcel Mars, Charles Knaak, Christian F. Schäfer, Juliana Seffrin, Cristian Verardi, Rafael Picolotto), El Reno Fitas (Leo Pyrata, Flávio C. Von Sperling, Sanzio Machado e Gabriel Zumbi), Camarão Filmes & Idéias Caóticas (Alexandre Brunoro e Raphael Araújo) e Bulhorgia Produções (Gurcius Gewdner), que conta com o apoio financeiro das empresas Globalville (escola de inglês), Visual Serigrafia, Hotel Brasil, Shunna e Fábulas Negras Produções Artísticas do maquiador Rodrigo Aragão e investidores particulares (fãs do cinema de horror) que ajudaram com pequenas quantias de dinheiro, como Elio Copini, Mauro Mackedanz, Awildgarden, Diógenes Carvalho, Rubens Mello, Família Ferran, Diogo Cunha, Adnilson Rafael Telles e André Bozzetto Jr. e ainda apoio com material de cenas e serviços da Necrófilos Produções Artísticas (Felipe Guerra) e Projeto Zombilly (Andye Iore).

45747_152951241529669_2091844507_n“Zombio 2” é uma produção que foi crescendo muito e foi se tornando bastante cara para os padrões do atual cinema realmente independente do Brasil. E é uma produção difícil com muito trabalho ainda pela frente. O plano original era ter finalizado a produção no primeiro bloco, mas não conseguimos por conta do clima chuvoso (simplesmente chovia todos os dias e enfrentamos duas tempestades bem violentas), tivemos problema com falta de água potável na locação (algo impensável em se tratando de Ilha redonda, estância hidromineral onde filmamos, mas que aconteceu e nos fez perder praticamente um dia de filmagens indo atrás dos responsáveis pela rede de água do município de Palmitos) e chegamos a filmar 36 horas seguidas sem pausas para descanso algum (sem comer nem dormir por puro amor ao cinema feito com culhões) na tentativa de recuperar algum tempo perdido. Assim, devido a inúmeros probleminhas, um segundo bloco se faz necessário.

Neste segundo bloco teremos que filmar completamente sem dinheiro porque nossos recursos financeiros já se esgotaram. Não há dinheiro nem para a comida do pessoal que está trabalhando nesta produção (ficamos devendo ainda R$ 500,00 para o restaurante que alimentou a equipe no primeiro bloco, depois de ter pago uma parcela de R$ 1.500,00). Alimentar uma equipe que muitas vezes ultrapassou o número de 40 pessoas no Set não é nada fácil, acreditem!

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Para este segundo bloco de filmagens de “Zombio 2” (com mais dez dias filmando é certeza que terminaremos o filme) ainda estamos aceitando doações. Se você quer/puder nos ajudar com qualquer quantia escreva para o e-mail baiestorf@yahoo.com.br para maiores informações sobre como nos ajudar a concluir este filme que está ficando muito divertido e com uma qualidade técnica bem superior aos nossos antigos filmes. Empresas podem comprar espaço publicitário (o nome de seu negócio irá aparecer no início do filme como apoiador) e pessoas físicas que ajudarem com pouco serão relacionadas nos créditos como apoiadores financeiros do filme.

Uma coisa é certa: Finalizar este longa-metragem é uma questão de honra para todos os envolvidos no projeto e, com ou sem comida, vamos dar um jeito de terminar este projeto coletivo e apresentar o filme concluído durante o FantasPoa no início de maio próximo na cidade de Porto Alegre/RS).

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escrito por Petter Baiestorf.

Abaixo confira algumas fotos do primeiro bloco de “Zombio 2”, o resultado final está ficando lindo e queremos entregar aos fãs dos filmes gore um filme muito divertido. Ajude-nos a tornar “Zombio 2” uma realidade!!!

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A Noite do Chupacabras em DVD

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , on abril 11, 2012 by canibuk

Nesta sexta-feira 13 (de abril) será, finalmente, lançado o DVD de “A Noite do Chupacabras” (o atraso todo aconteceu por culpa de um erro de prensagem da fábrica (i)responsável pela produção do DVD). O DVD sairá por R$ 19.90 e pode ser encomendado no site da Fabulas Negras ou pelo e-mail de trabalho da produtora: vendas@fabulasnegras.com, também foram lançadas algumas camisetas do filme, como essa acima com Ivan Carvalho (interpretado por este que vos escreve) que estão com uma qualidade fantástica. Imperdível!!!

A Noite do Chupacabras” (2011) é a segunda parte da trilogia gore de Rodrigo Aragão iniciada em 2008 com o clássico “Mangue Negro” e que será finalizada com “Mar Negro”, que atualmente está em pré-produção (em breve postarei aqui matéria bem completa sobre os fantásticos monstros marinhos que Rodrigo está construindo para este filme).

“A Noite do Chupacabras” (2011, 104 min.) de Rodrigo Aragão. Com: Walderrama dos Santos, Joel Caetano, Petter Baiestorf, Mayra Alarcón, Kika Oliveira, Cristian Verardi, Fonzo Squizo, Reginaldo Secundo, Ricardo Araújo e Markus Konká. Direção de Fotografia: Secundo Rezende. Som: Hermano Pidner. Maquiagens: Rodrigo Aragão e Murillo Ribeiro. Produção: Kika Oliveira e Mayra Alarcón. Produção Executiva: Hermann Pidner.

Kanibaru Sinema

Posted in Anarquismo, Cinema, Livro, Manifesto Canibal with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on fevereiro 22, 2012 by canibuk

(ou métodos para fazer filmes sem dinheiro).

Você não precisa ser mais um capacho do sistema se agora já pode ser um messias do caos com a missão de destruir os valores sagrados do cinema milionário que estão implantando no Brasil!

O fazedor de filmes alucinados, que não está contente com os rumos do cinema brasileiro, lhes dá aqui algumas dicas básicas de como produzir sua obra sem utilizar-se do tal dinheiro:

FIGURINOS: Pegue-os nas campanhas de arrecadação de roupas para pobres (de preferência às campanhas de inverno, quando as roupas são melhores). Peça roupas velhas aos parentes e amigos. Roube uniformes militares nos quartéis (os recrutas costumam negociar apetrechos militares por um precinho bem camarada). Faça seus figurinos exclusivos utilizando-se de lixo, como plástico, latas, restos de tecido, cascas de árvores, lonas, etc. Outra opção ótima é colocar seus atores interpretando pelados.

CENÁRIOS/LOCAÇÕES: Ache coisas velhas no lixo/ferros-velhos e crie artefatos futuristas. Utilize a casa dos amigos. Consiga um porão úmido abandonado e dê vida ao mundo que habita seu cérebro. Filme em locais públicos, como ruas, calçadas, matas, praias, esterqueiras, praças, reservas florestais, botecos, casas destruídas/abandonadas, desertos, prédios públicos, parques de diversão, shoppings, puteiros, desfiles patrióticos, cemitérios, etc (mas se você gostar de alguma propriedade privada, você pode invadir e quando a polícia chegar diga que achou que o local era público ou inicie uma discussão com a polícia dizendo que “Toda Propriedade é um Roubo!”, ser preso ajuda na divulgação de sua obra!).

ILUMINAÇÃO: Filme durante o dia aproveitando a luz solar que é de graça. Se necessitar de cenas internas e/ou noturnas, ilumine com luz normal. Você ainda pode utilizar-se de liquinhos, tochas, velas, luzes de carro, etc… O importante é criar uma fotografia diferente/estranha. Outra saída é pedir iluminações profissionais emprestadas aos amigos cineastas que possuem equipamento, encha o saco deles, geralmente eles emprestarão o material para que você pare de encher.

PESSOAL/ELENCO: Utilize seus amigos e freaks em geral. Punks, putas, aleijados reais e mendigos sempre são uma ótima opção, mas guarde uma parte de seu minguado orçamento para pagar a eles um cachê, mesmo que simbólico. Certifique-se antes de que seus atores improvissados e amigos tenham idéias ideológicas parecidas com as suas, caso contrário eles acabam atrapalhando mais do que ajudam (mas mesmo assim você pode utilizá-los como figurantes).

EQUIPE-TÉCNICA: Faça você mesmo tudo, assim o filme sai do jeito que você quer. Se você precisar de ajuda chame estudantes de cinema que precisam estagiar, são ótimos profissionais que trabalham de graça!

ROTEIRO: Crie sempre histórias originais com críticas sociais, mesmo que suas histórias sejam um tanto excêntricas. Lembre-se sempre que a Igreja, O Governo/Estado, os militares, os religiosos em geral, a classe-média boçal, etc, estão aí para serem esculhambados sem dó nem piedade. Importante, às vezes a criação de um roteiro coletivo, com idéias de todo elenco, pode ser inspirador para interpretações mais viscerais, primitivas e raivosas.

EQUIPAMENTOS: Utilize qualquer tipo de câmera. Se você não tiver uma, arranje emprestado. Nos dias de hoje as câmeras de vídeo são mais comuns do que pessoas de boa índole, então é fácil conseguir uma. Para editar seu filme há várias opções que não envolvem dinheiro, as placas de vídeo estão cada vez mais baratas e acessíveis e os programas de edição por computador podem ser baixados via versões piratas. Provavelmente você tem algum amigo que edita vídeozinhos para postar no youtube, use este potencial dele e torne-o seu sócio. Outra opção é editar na câmera de vídeo mesmo. Se você filmar em VHS pode editar seu filme com a utilização de dois vídeo cassetes, mas essa técnica já está ultrapassada. Sua mensagem é o que importa, qualidade é coisa de cara reprimido!!!

ORÇAMENTO: Produza com o que você tiver a disposição. Poupe seu salário, faça vaquinha entre seus amigos, venda rifas, faça programas sexuais, seja criativo e se surpreenda. Falta de dinheiro nunca foi empecilho na vida artística dos gênios!!!

MAQUIAGENS: Faça seus make-ups se utilizando de alimentos, comida é uma ótima fonte de maquiagem amadora barata. Melado com anilina vermelha vira sangue denso e grosso, farinha e água deformam qualquer rosto e vísceras reais dão uma ótima imagem de choque. Uma opção viável é descobrir produções que finalizaram suas filmagens e ficar pedindo para que o maquiador lhes dê seu lixo, com criatividade você consegue disfarçar essas maquiagens já usadas e reutilizá-las no seu filme como se fossem inéditas.

TRILHA SONORA: Dê preferência a bandas e músicos ainda não cooptados pelo mercado capitalista. Discos velhos podem conter músicas maravilhosas completamente esquecidas. Pegue um instrumento e grave ruídos estranhos com ele e encaixe no seu filme. Músicas estranhas, regionais, experimentais e não comerciais (como gore grind, industrial harsh, noise ou a banda Os Legais) sempre dão um clima ótimo!

DIVULGAÇÃO: Pode e deve ser feita através de fanzines, flyers, revistas e jornais undergrounds e independentes. Use a internet para fazer com que seu filme pareça uma produção maior do que realmente é criando notícias relacionadas às exibições que seu filme tiver. Divulgue tudo sempre e crie seu próprio star system, as pessoas comuns adoram endeusar qualquer coisa mesmo!

DISTRIBUIÇÃO: A distribuição de cópias em DVD (ou qualquer outra sigla que venha a ser criada no futuro) pode ser feita utilizando-se dos serviços dos correios. Coloque o filme para download, acredite, não vai atrapalhar em nada suas vendas e ainda ajudará a divulgar seu trabalho. Coloque-o no youtube (mesmo que seja um vídeo somente para maiores, você vai ser censurado e depois poderá ficar divulgando este fato, é bom prá sua auto-promoção). Você também pode realizar exibições em botecos e shows alternativos de todo o Brasil. Exibições com shows de bandas locais undergrounds é ótimo porque garante público para seus primeiros filmes, já que toda e qualquer banda tem seus fãs que comparecem em qualquer coisa que elas façam.

FESTIVAIS: Cada produtor de filmes pode optar por produzir seu próprio festival de filmes, sempre não competitivos (a competição é um vício da sociedade capitalista que deve ser evitado sempre que possível!), fazendo assim um intercâmbio de produções amadoras/undergrounds/experimentais. Outra opção é a união de vários produtores independentes na realização de mostras não competitivas em paralelo aos grandes festivais de cinema, utilizando locais próximos d’onde acontece as babações d’ovos entre os poderosos e atraindo a atenção da imprensa especializada para seu pequeno festival de filmes paralelo. Não se esqueça que os festivais de “cinema oficial” estão por aí para serem invadidos e avacalhados.

LEMBRETE FINAL: Mas lembre-se sempre que não ter equipamento não é desculpa para fazer filmes bobos e/ou ruins, com o mínimo de recursos você pode fazer bons filmes vagabundos com uma produção miseravelmente bem cuidada e original.

escrito por Petter Baiestorf.

junho de 2002.

José Mojica Marins apóia e aprova o "Manifesto Canibal".

Cinema de Garagem

Posted in Cinema, Literatura, Vídeo Independente with tags , , , , , , , on maio 15, 2011 by canibuk

“Cinema de Garagem” (170 páginas) de Dellani Lima e Marcelo Ikeda, lançado em 2011, faz um inventário afetivo sobre o jovem cinema brasileiro do século XXI. Mais do que necessário, a iniciativa da dupla traça um perfil das produções independentes nacionais que ganharam força com a popularização das filmadoras digitais que baratearam os custos e tornaram o cinema independente uma realidade. Nos dias de hoje só não faz filme quem não quer. Como os próprios autores escrevem sobre a publicação:

“Cinema de Garagem é um mapeamento da produção independente audiovisual brasileira da última década (2001-2010).

(…)

Esta publicação busca as conexões para compreender esta geração, que apresenta conceitos e uma série de pesquisas, geralmente bastante distintas, que na maioria das vezes se opõem às práticas comerciais do mainstream. O mapeamento não pretende abranger todos os artistas, coletivos, obras ou ações do período, mesmo que aborde diversas manifestações do audiovisual. A intenção é abrir novos caminhos, novas indagações.”

“Cinema de Garagem”, assim como os dois volumes do livro “Cinema de Bordas” (Bernadette Lyra e Gelson Santana, 2006) e o “Manifesto Canibal” (Petter Baiestorf e Coffin Souza, 2004), é um daqueles livros necessários para chamar atenção para produções marginalizadas que não encontram espaço nos meios de exibição oficiais. Como o cinema que produzo (que eu chamo de “Kanibaru Sinema” mas que na prática é a mesma coisa que “cinema de bordas” ou “cinema de garagem”) transita entre essas duas novíssimas “escolas estéticas”, eu queria muito ver os cine-bordeiros dialogando com os cine-garageiros e formando parcerias de exibição/divulgação. Parece uma idéia louca misturar cinema de gênero com cinema autoral mas, na minha opinião, é uma ótima forma de apresentar essas produções independentes para um leque maior de espectadores. A riqueza de todos esses filmes está na diferença que existe entre eles.

No “Cinema de Garagem”, Dellani & Ikeda, perguntam (ainda em 2001): “O que significaria ser independente?” e procuram mostrar essa independência tanto econômica, quanto culturalmente:

“No caso econômico seria um cinema que conseguiria prover os meios para se sustentar mesmo sem a megaestrutura dos estúdios. Isto é, com orçamentos reduzidos, equipes mínimas, produção ágil, e atendendo a um público específico, com um interesse especial em projetos que fujam do protótipo do cinemão.

(…)

O lado mais complexo da questão no entanto é o conceito cultural. Um filme independente , nessecaso, seria um filme que abordasse valores, costumes, hábitos que não são abordados pelo cinemão. Enquanto o cinemão pensa exclusivamente nas leis de mercado, como um puro negócio cujo objetivo principal é a geração de lucros, o cinema independente pode exercitar linguagem, questionar a sociedade, as estruturas do poder propor uma espécie de ensaio audiovisual, ser um cinema político, enfim, não ser primordialmente um produto a ser consumido.”

“Cinema de Garagem” é um livro imperdível para um primeiro contato com o cinema independente autoral brasileiro (assim como os livros do “Cinema de Bordas” o são para um primeiro contato com o cinema independente de gênero brasileiro), escrito por dois autores que fazem do cinema sua vida: Marcelo Ikeda é professor de cinema na Universidade Federal do Ceará e já realizou vários curtas, entre eles, “O Posto” (2005), “É Hoje” (2007), “Eu Te Amo” (2007) e “Carta de um Jovem Suicida” (2008). Já Dellani Lima realiza diversos projetos independentes (inclusive musicais), já tive o privilégio de ser ator no seu longa-metragem “O Sonho Segue Sua Boca” (2008) e posso afirmar que foi uma ótima experiência ser dirigido pelo Dellani.

Diz o Dellani que o livro não está disponível para vendas pelo correio (somente na mão, comprado diretamente com eles, em festivais/mostras de cinema), mas se você ficou interessado escreva para ele e tente comprar um exemplar (depositando valor do livro + valores postais) pelo e-mail: dellanilima@gmail.com

O cinema brasileiro independente precisa de mais livros na linha deste “Cinema de Garagem”!!!!!

Marcelo Ikeda & Dellani Lima