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Entrevista com Walter Schilke

Posted in Entrevista with tags , , , , on agosto 19, 2011 by canibuk

Em 1992, quando resolvi filmar meu primeiro longa-metragem, “Lixo Cerebral vindo de outro Espaço”, eu não fazia a mínima idéia de como fazer um filme, era novo demais, só tinha energia de sobra prá tentar fazer. Walter Schilke era um senhor que residia na minha cidade que tinha trabalhado em vários filmes profissionais do cinema brasileiro e fui, com minha pequena equipe de amadores sem noção, perguntar algumas coisinhas. Schilke virou uma espécie de “consultor técnico” prá gente, o que evitou algumas burradas que íamos fazer.

Tempo depois o ator E.B. Toniolli (que trabalhava num jornal) entrevistou o Walter Schilke para o fanzine “Brazilian Trash Cinema” (que Coffin Souza e eu editávamos).

Schilke faleceu em 2009 (mesmo ano que, alguns meses depois, meu pai faleceu, desfalcando a Canibal Filmes de dois ajudantes importantes).

eu com Walter Schilke e nossa amiga Iara em 2008.

Segue a entrevista que o Toniolli realizou com o Schilke lá por 1995:

E.B. Toniolli: Como foi seu ingresso no cinema?

Walter Schilke: Foi por acaso. Passeava por Copacabana (Rio de Janeiro) quando alguém me abordou, perguntando se gostaria de participar de um filme. Recém chegado do interior, jovem, inexperiente, fiquei desconfiado. Depois vi que era em meu tipo físico que estava interessado, pois o filme era alemão. Comecei fazendo uma ponta em “Os Carrascos Estão Entre Nós” (1968) de Adolpho Chadler.

Toniolli: Como era trabalhar, fazer cinema, naquela época?

Schilke: Bom. Muito bom. O cinema resurgindo para uma nova fase. Havia passado o momento da Atlântida com suas chanchadas, que não restou dúvidas, foi uma época romântica e ingênua do cinema nacional. O cinema modernizava-se, acompanhando a revolução social dos anos de 1960, quando valores eram revistos. Depois dos Beatles nada ficaria igual. Época dos cabeludos, dos hippies, do novo. E o cinema acompanhava tudo isto tornando-se mais intelectualizado, nãosendo apenas um veículo de divertimento como também de informação e cultura. Sirgiam os grandes cineastas brasileiros. Era uma verdadeira febre de realizações que parecia não ter fim, isso até o final da década de 1970.

Toniolli: E você, como se sentia participando de um momento tão decisivo dentro da cultura cinematográfica brasileira?

Schilke: Entusiasmado. Tanto quando a força da juventude nos faz sentir quando começamos a descobrir nosso próprio potencial. E o resultado veio em satisfação pessoal e financeira. Eu, praticamente analfabeto, contribuindo de maneira tão efetiva no desenvolvimento de uma arte maior, de um poder de penetração enorme, projetando nossos valores culturais aqui e no exterior.

Toniolli: De quantos filmes participou?

Schilke: Mais de 50. “A Dama da Lotação”, “Bar Esperança”, “Gaijin” e tantos outros.

Toniolli: Qual o filme que lhe deu maior satisfação?

Schilke: Todos me deram retorno e contribuiram prá crescer profissionalmente, mas a filmagem de “Gaijin” foi um marco pela dificuldade. Não havia verba e entrou somente o idealismo de todos, aquilo de fazer pelo prazer de vencer os desafios.

Toniolli: Qual seu melhor desempenho como ator ou diretor de produção?

Schilke: Como diretor de produção foi uma experiência fantástica, dei vazão a minha criatividade e relacionei-me com todas as camadas sociais, adquirindo um incrível conhecimento de tudo. Intelectualizei-me, sem leituras, na prática, levando bordoadas numa luta árdua, pois trabalhavamos até a exaustão, as vezes, muitas vezes, não se tinha tempo nem de dormir, imagine comer!!!

Toniolli: Como de uma pequena participação como ator chegou a diretor de produção?

Schilke: Numa filmagem o diretor executivo descabelava-se porque precisava de certos objetos antigos para uma determinada cena e não conseguiam. Eu que a tudo assistia disse:

“Eu consigo!”

“Você?”

“Sim!”

“Se me trouxer…” e me deu uma lista enorme, “… tudo isto dentro de 3 dias o lugar de assistente de produção é seu. Ganhará o dobro e terá outras vantagens!”

“É prá já!”. Não descansei um minuto. Na manhã seguinte estava tudo no set de filmagem. O diretor ficou perplexo. No final da filmagem já era o titular diretor de produção.

Toniolli: Como explica abandonar o cinema e vir para o campo?

Schilke: É outro tipo de realização. O contato com a natureza nos purifica e liberta nosso ego e assim viver e criar torna-se mais fácil. E nos livramos da poluição, assaltos e tudo mais que os grandes centros nos dão!

Filmografia básica de Schilke como diretor de produção:

1971- Prá quem Fica, Tchau (Reginaldo Farias);

1972- O Judoca (Marcelo Mota);

1973- Banana Mecânica (Braz Chediak);

1974- Ainda Agarro está Vizinha (Pedro Rovai);

1975- Costinha, o Rei da Selva (Alcindo Diniz);

1977- A Dama da Lotação (Neville D’Almeida);

1978- A Batalha dos Guararapes (Paulo Thiago);

1978- Tudo Bem (Arnaldo Jabor);

1980- Os Sete Gatinhos (Neville D’Almeida);

1982- Rio Babilônia (Neville D’Almeida);

1982- Gaijin (Tizuka Yamasaki);

1983- Paraíba Mulher Macho (Tizuka Yamazaki);

1985- Bar Esperança (Hugo Carvana);

2005- Gaijin 2 (Tizuka Yamazaki).

Rajá de Aragão

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , on junho 14, 2011 by canibuk

Com seu jeitão de cachaceiro intelectual, Rajá é um dos mais importantes roteiristas de filmes populares surgido no Brasil. Nascido em 1938 com o nome de batismo de Ido Oraídes Dias da Costa, já aos 16 anos se tornou mochileiro. Na Argentina trabalhou como dublê nos filmes de Hugo Fregonese, chegando à Boca do Lixo por volta de 1970. Ajudou a escrever o roteiro, em parceria com Mazzaropi e Marcos Rey, “O Grande Xerife” de Pio Zamuner. Em seguida roteirizou em poucos dias dois W.I.P., “Presídio de Mulheres Violentadas” e “Internato de Meninas Virgens”, que o produtor A.P. Galante realizou em parceria com o diretor Osvaldo Oliveira e ainda escreveu “Escola Penal de Meninas Violentadas”, primeiro filme dirigido pelo ótimo diretor de fotografia Antônio “Tony Mel” Meliande. Trabalhou e aprendeu muito comTony Vieira, uma lenda do cinema independente brasileiro, guru de vários cineastas, como Afonso Brazza. Após fazer uma adaptação do romance “O Sertanejo” de José de Alencar (uma versão faroeste chamada “Paixão de Sertanejo”, dirigida por Pio Zamuner), o próprio Rajá de Aragão dirige dois filmes convencionais, “O Dia das Profissionais” e “O Cangaceiro do Diabo”, este último creditado à Tião Valadares, e os pornôs “Hospital da Corrupção e dos Prazeres” (que é hilário) e “Gloriosas Trepadas”, uma remontagem de velhos filmes da Danek Produções realizada por Hércules Barbosa e creditada a direção à Rajá de Aragão.

Filmografia como Diretor:

O Dia das Profissionais (1976), Hospital da Corrupção e dos Prazeres (1985) e “Jeitinho à Brasileira” (1988).

Filmografia Selecionada como Roteirista

Kung Fu Contra as Bonecas (1975), Pintando o Sexo (1976), As Amantes de um Canalha (1977), O Matador Sexual (1979), O Último Cão de Guerra (1979), Liliam, a Suja (1981), Karina, Objeto de Prazer (1981) e Tônico do Sexo (1985).

Trailers: