Arquivo para cinema transgressor brasileiro

Manifesto Canibal

Posted in Literatura, Livro, Manifesto Canibal with tags , , , , , , , , , , on fevereiro 21, 2012 by canibuk

Uma declaração de guerra dos que nada têm e tudo fazem contra os que tudo têm e nada fazem.

O Cinema brasileiro, neste santo ano do ébrio senhor da Igreja Católica da Santa Roubalheira Consentida, atingiu a ruindade absoluta com suas obras globoticamente acefálicas que custam milhões de dinheiros aos cofres públicos. Ordenamos, então, que a minoria que detém a tecnologia cinematográfica de ponta seja combatida e que a discriminação ao vídeo amador cesse neste momento. Optamos pelo Kanibaru Sinema para, enfim, fazer nossos gritos ecoarem pelos domínios malignos dos cineastas pedantes corruptos. Um Kanibaru Sinema antropofágico, primitivo, selvagem, niilista, ateu e caótico, mas de uma pureza maldita capaz de assustar tanto colonizados quanto os colonizadores.
Eu, o curtidor do avacalho, o mestre da escatologia, o antiintelectual debochado, o escroto alucinado, o videasta das vísceras, PROPONHO:
1) A opção de filmar com equipamentos VHS-C/S-VHS/Digital/S-8/HD (ou qualquer outra sigla a ser criada) filmes amadores de qualquer estilo e qualquer duração;
2) A opção de filmar com equipamentos VHS-C/S-VHS/Digital/S-8/HD utilizando-se do direito de produzir obras-primas com som direto e o equipamento técnico que for possível arranjar;
3) A opção de realizar obras cinematográficas desprezando o poder capitalista do dinheiro criado por qualquer país do planeta Terra e/ou Universo. Leia-se aqui: A opção de filmar sem se utilizar do dinheiro público;
4) A opção de usar atores amadores e/ou amigos pessoais que se coloquem, de livre arbítrio e sem cobrar nada em troca, à sua disposição;
5) A opção de se utilizar do Kanibaru Sinema e sua estética do caos para finalmente poder flertar com a estética da falta de estética. Leia-se aqui: A opção por destruir todos os valores estéticos;
6) A opção pela inclusão das obras produzidas em vídeo amador nos festivais não competitivos de cinema brasileiro para que o povo decida, de livre arbítrio, o que gosta e quer ver;
7) A opção por uma produção/distribuição caseira, de forma independente e artesanal;
8) A opção por exibir os filmes em botecos e outros refúgios para pensadores beberrões;
9) A opção de escolher músicas não-convencionais/esquecidas/obscuras como hino à criatividade do Kanibaru Sinema;
10) A opção de realizar obras com cenários, figurinos, iluminação e maquiagens criados/conseguidos com lixo;
11) A opção de realizar obras com roteiros originais em sua concepção anarco-ateísta;
12) A opção por exercer seu direito de ser um criador artístico livre dos vícios da sociedade cristã castradora;
13) A opção de fazer qualquer filme/música/arte que sua criatividade permitir.

Assim propôs o fazedor de filmes alucinados.
07/06/2002
Petter Baiestorf.

(Primeira edição de “Manifesto Canibal” por Petter Baiestorf em junho de 2002; Segunda edição de “Manifesto Canibal” por Rodrigo Romanin em Outubro de 2002; Terceira edição de “Manifesto Canibal” por E.B. Toniolli no antigo site da Canibal Filmes em dezembro de 2002; Quarta edição de “Manifesto Canibal” por Jack Zombie e Roger Psycho em anexo ao zine “Criaturas Psicotrônicas de Outro Espaço” em janeiro de 2003; Quinta edição de “Manifesto Canibal” por Robson Achiamé e editora Achiamé em julho de 2004).

Baiestorf: Filmes de Sangueira & Mulher Pelada

Posted in Nossa Arte, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , on fevereiro 10, 2011 by canibuk

“Baiestorf: Filmes de Sangueira & Mulher Pelada” (2004, 20 min.) de Cristian Caselli é um documentário de curta duração que fala sobre os filmes vagabundos que faço, desde 1992, com amigos no quintal do meu sítio. As filmagens deste documentário aconteceram durante a edição de 2004 da mostra Cine Esquema Novo que é realizado todos os anos em Porto Alegre e exibe o que de melhor é produzido no cinema experimental brasileiro (Junto da Mostra do Filme Livre, é uma das melhores mostras de cinema independente aqui do Brasil). Foi engraçado! Caselli ficou me pedindo, durante dias, prá dar entrevista prá ele mas eu tava desconfiado que aquele carioca debochado só queria me comer e fiquei fugindo dele, até uma noite que fomos encher a cara num boteco na frente do Hotel que estávamos hospedados e Caselli foi junto. Nesta noite meu pileque foi tão grande que errei o caminho pro hotel (que era só atravessar a rua) e Caselli me alertou disso, acabei dando entrevista prá ele no dia seguinte (aquelas poucas palavras que digo no quarto do hotel, no comecinho do documentário, tivemos que fazer a entrevista na noite seguinte quando eu não tava mais bêbado). Foi uma experiência diferente ser assunto num documentário. O documentário ganhou vários prêmios entre 2004 e 2006 (incluindo prêmio internacional em Portugal) e no Brasil foi lançado na forma de extra no DVD do longa-metragem “A Curtição do Avacalho” (2006, 73 min.) com direção minha.

eu, Caselli, Gurcius Gewdner e Christian Verardi durante o Cine Esquema Novo, 2004.

Abaixo os link para ver o documentário no youtube:

Em breve pretendo fazer postagem sobre os filmes do Cristian Caselli, este cara é um dos melhores cineastas da nova geração (e isso não é babação de ovo porque o cara fez documentário sobre mim).