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La Montagna del Dio Cannibale

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on agosto 1, 2012 by canibuk

“La Montagna del Dio Cannibale” (1978, 103 min.) de Sergio Martino. Com: Ursula Andress, Stacy Keach, Claudio Cassinelli e Franco Fantasia.

“A Montanha dos Canibais” começa com Susan Stevenson (Ursula Andress) tentando encontrar, com ajuda de seu irmão (Antonio Marsina) e do professor Edward Foster (Stacy Keach), seu marido nas selvas da Nova Guiné. Como acreditam que o marido de Susan desapareceu numa montanha amaldiçoada, que ainda abrigaria uma tribo de canibais selvagens, eles só podem contar com a ajuda de outro explorador, Manolo (Claudio Cassinelli), para tentar chegar até a terrível montanha. Enfrentando sucuris, jacarés, tarantulas, cobras, pernilongos, plantas venenosas e outras armadilhas mortais da selva, o grupo chega até a missão do padre Moses (Franco Fantasia, sempre inspirado) onde atrapalham a paz do dia-a-dia da comunidade religiosa comandada pelo padre. São os instintos carnais do homem civilizado batendo de frente com os instintos primitivos de índios domesticados pela mão do cristianismo branco que vê pecado em tudo. Logo o grupo precisa deixar a comunidade religiosa e chega à montanha onde são capturados pelo índios canibais. Finalmente ficamos sabendo que a montanha é constituida de urânio que Ursula Andress deseja mais ardentemente do que seu marido (agora um cadáver com um contador Geiger batendo no lugar de seu coração e adorado pelos selvagens como se fosse um Deus). Manolo é torturado e Susan despida e preparada para ser a Deusa viva da tribo, enquanto os outros viram o ingrediente principal do banquete de sangue para a Deusa branca da montanha dos canibais.

Com uma produção de baixo orçamento, mas bem cuidada, “La Montagna del Dio Cannibale” é mais violento do que “Il Paese del Sesso Selvagio/Man From Deep River/Mundo Canibal” (1972, Ocean Pictures em DVD) de Umberto Lenzi, mas bem comportado se comparado aos sádicos filmes de Ruggero Deodato de mesmo tema como “Ultimo Mondo Cannibale/O Último Mundo dos Canibais” (1977, Omni Vídeo em VHS) ou “Cannibal Holocaust” (1980, Platina Filmes em DVD). É engraçado ver uma atriz com fama, como era o caso de Ursula Andress, no elenco deste filme. Ela fica pelada boa parte das cenas, faz sexo e é vítima de todo tipo de abusos físicos típicos de uma produção italiana deste período. “A Montanha dos Canibais” foi roteirizado pelo diretor Martino e Cesare Frugoni (entre outros trabalhos, ajudou nos roteiros de filmaços como “Cani Arrabbiati” (1974) de Mario Bava; “I Guerrieri Dell’Anno 2072/New Gladiators” (1984) de Lucio Fulci ou “Inferno in Direta/Cut and Run” (1985) de Ruggero Deodato), sempre confrontando o civilizado com o primitivo.

Sergio Martino (1938) nasceu em Roma, Itália. É neto do cineasta Gennaro Righelli (que tem o mérito de ter dirigido o primeiro filme sonoro do cinema italiano, “La Canzone Dell”Amore”, em 1930). Começou realizando documentários no final de 1960. Em 1970 dirigiu o western “Arizona si Scatenò… E li Fuori Tutti/O Retorno de Arizona Colt”, estrelado pelo brasileiro Anthony Steffen. Logo se especializou na produção de Giallos, a maioria escritos pelo roteirista Ernesto Gastaldi e estrelados por sua cunhada Edwige Fenech (que era casada com seu irmão Luciano, também produtor deste “A Montanha dos canibais”), dos quais destaco o maravilhoso “I Corpi Presentano Tracce di Violenza Carnale/Torso” (1973, Continental em DVD). Antes da realização de seu filme de canibais, voltou a realizar um western de destaque: “Mannaja/A Man Called Blade” (1977). Em 1979 escalou a gostosa Barbara Bach para levar alguns sustos no maravilhoso “L’Isola Degli Uomini Pesce/Island of the Fishmen”. No rastro do sucesso de “Escape from New York” (1981, Universal Home Video em DVD) de John Carpenter, realizou a sci-fi de ação “2019 – Dopo la Caduta di New York” (1983), estrelado por George Eastman. Com o cinema italiano entrando em falência, Martino migrou para a televisão onde produz até hoje. A título de curiosidade, para o lançamento de “La Montagna del Dio Cannibale” seu irmão usou o pseudônimo de Darryl F. Zanuch, a picaretagem do cinema italiano tem muito que ensinar ao cinema bom-moço brasileiro.

Nunca fui fã da atriz Ursula Andress (1936), mas neste filme ela está fantástica como a megera branca querendo roubar as riquezas naturais dos povos primatas. Andress é suiça e virou sex symbol depois de ser a primeira Bond girl em “Dr. No/007 Contra o Satânico Dr. No” (1962) de Terence Young. Daí em diante apareceu em inúmeros filmes de Hollywood como “Fun in Acapulco/Seresteiro de Acapulco” (1963) de Richard Thorpe, estrelado por Elvis Presley; “4 for Texas/Os Quatro Heróis do Texas” (1963) de Robert Aldrich, com a lindíssima Anita Ekberg e a dupla de conquistadores baratos Frank Sinatra e Dean Martin; “She” (1965) de Robert Day, uma interessante fantasia sobre uma cidade perdida com produção da Hammer e Peter Cushing batendo ponto no elenco; “What’s New Pussycat/O Que é que Há, Gatinha?” (1965) de Clive Donner com roteiro de Woody Allen e Peter Sellers no elenco; “Soleil Rouge/Sol Vermelho” (1971) de Terence Young, com Charles Bronson e Toshirô Mifune e “Africa Express” (1976) de Michele Lupo até que, acredito eu, deve ter perdido alguma aposta com os irmãos Martino e acabado em “La Montagna del Dio Cannibale”. Depois disso sua carreira de atriz não trouxe nada de relevante (só uma aparição meia boca no engraçado “Clash of the Titans/Fúria de Titãs” (1981) de Desmond Davis, com efeitos de stop motion do mestre Ray Harryhausen.

Já o ator Stacy Keach (1941) saiu do set de “La Montagna del Dio Cannibale” diretamente para o set de “Up in Smoke/Queimando Tudo” (1978) de Lou Adler com a dupla Cheech Marin e Tommy Chong (ele também dá as caras em “Nice Dreams/Altos Sonhos de Cheech e Chong” (1981) de Tommy Chong). Keach apareceu em muito filme bom, como “The Long Riders/Cavalgada dos Proscritos” (1980) de Walter Hill no papel do vilão boa praça Frank James; “Roadgames/Enigma na Estrada” (1981) de Richard Franklin; “Body Bags/Trilogia do Terror” (1993, London Films em DVD) e “Escape From L.A./Fuga de Los Angeles” (1996, Paramount Home Video em DVD), ambos de John Carpenter. Outro ator que merece destaque é Franco Fantasia (1924-2002), que participou de mais de 130 filmes (em “La Montagna del Dio Cannibale” ele, além de atuar, também foi assistente de direção), inúmeras produções que viraram cults nos dias de hoje, como os clássicos “Space Men/Assignment: Outer Space” (1960) de Antonio Margheriti; “Un Dollaro Bucato/O Dólar Furado” (1965) de Giorgio Ferroni; “Justine de Sade” (1972) de Claude Pierson; “Zombie 2” (1979, London Films em DVD); “Mangiati Vivi!/Os Vivos Serão Devorados” (1980) de Umberto Lenzi e “Vendetta del Futuro/Keruak – O Exterminador de Aço” (1986) também de Sergio Martino, em participação não-creditada.

Em tempo, a trilha sonora de “La Montagna del Dio Cannibale” é assinada por Guido e Maurizio de Angelis, os irmãos responsáveis por soundtracks sensacionais para filmaços como “… Continuavano a Chiamarlo Trinità/Trinity Ainda é Meu Nome” (1971, New Line Video em DVD) de Enzo Barboni, estrelado pela genial dupla Bud Spencer e Terence Hill; “Valdez – Il Mezzosangue/Chino” (1973, Studio T Home Video em DVD) de John Sturges e Duilio Coleti, estrelado por Charles Bronson; “Zorro/A Marca do Zorro” (1975) de Duccio Tessari; “Keoma” (1976, USA Filmes em DVD) de Enzo G. Castellari, com Franco Nero; “Killer Fish/O Peixe Assassino” (1979, Abril Video em VHS) de Antonio Margheriti; “Alien 2 – Sulla Terra” (1980) de Ciro Ippolito e “Banana Joe” (1982, Paris Filmes em DVD) de Steno, comédia sobre a burocracia do estado genialmente estrelada por Bud Spencer em grande forma. A dupla trabalhou compondo trilhas para praticamente todos os grandes diretores italianos dos anos 70/80, que iam de Umberto Lenzi, passando por gente como Ruggero Deodato, Sergio Corbucci, Bruno Corbucci, Marino Girolami, Sergio Sollima, até Michele Lupo.

“La Montagna del Dio Cannibale” foi lançado em DVD no Brasil pela Cult Classic em cópia com alguns minutos  a mais de Ursula Andress pelada do que a cópia em VHS da distribuidora Pole Vídeo que circulava por aqui antes. Não é o melhor filme do ciclo de filmes de canibais italianos, mas mesmo assim garante momentos de diversão. Obrigatório!

por Petter Baiestorf.

Assista “La Montagna del Dio Cannibale” aqui:

“La Montagna del Dio Cannibale” pelo mundo:

Carnival of Souls

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , on julho 23, 2012 by canibuk

“Carnival of Souls” (1962, 78 min.) de Herk Harvey. Com: Candace Hilligoss, Frances Feist e Sidney Berger.

Produzido em 1962, “Carnival of Souls” é um destes pequenos tesouros revelados somente em Home Video na década de 1980. Filme barato (U$ 30.000,00) rodado em preto e branco na pequena Lawrence no Kansas, USA, depois de redescoberto foi considerado um dos mais atmosféricos e originais filme de horror da sua época.

Escrito por John Clifford, produzido e dirigido por Herk Harvey, “Carnival” começa como vários filmes vagabundos dos anos 50/60: dois carros lotados de jovens apostam uma corrida em uma estrada qualquer. Sobre uma ponte o carro que conduzia três garotas perde o controle e mergulha nas águas barrentas de um rio. Algum tempo depois, Mary (Candace Hilligoss) emerge como a única sovrevivente do acidente num estranho estado de choque. Sem consciência do que lhe aconteceu ela segue seu caminho e arranja um emprego de organista em uma igreja da cidade. Logo passa a ser perseguida por um homem de aparência cadavérica (o próprio diretor) e se sente atraída por um pavilhão abandonado nos arredores da cidade. Ninguém além dela vê a estranha figura e, além disso, Mary mergulha as vezes numa outra “dimensão” onde ela não é vista nem ouvida pelos outros. Apavorada decide deixar a cidade e se vê num ônibus lotado de passageiros com cara de mortos-vivos. A resposta para seu drama macabro parece estar no velho pavilhão onde vai presenciar um estranho baile fantasmagórico.

Influência confessa de George Romero para seu “The Night of the Living Dead” (1968), “Carnival of Souls” foi pobremente distribuido na época e muito pouco visto. Henk Harvey nunca mais teve chance de dirigir um longa apesar de demonstrar segurança e imaginação em seu debut. Além de uma presença em cena como líder fantasmagórico com rosto pálido, cabelos esbranquiçados, grandes olheiras e roupa preta. Profissionalmente Harvey dirigia curtas industriais e educativos para uma empresa de sua cidade, onde encontrou o roteirista Cliford, seu parceiro na criação deste pequeno clássico. Também merece um destaque especial o diretor de fotografia Maurice Prather com seu trabalho em preto e branco brilhante e com um maravilhoso jogo claro-escuro evocando uma constante atmosfera surreal.

“Carnival of Souls” é a prova de que não basta se fazer algo realmente bom e original para ser descoberto e admirado. Herk Harvey padeceu anos de obscuridade e má distribuição até seu trabalho receber a fama e o reconhecimento que merece. Relançado nos cinemas e depois em vídeo 20 anos depois, passou a ser cult e merecer destaque em encontros e convenções de horror, inclusive com a presença da ilustre e ainda desconhecida equipe. Em 1998 Wes Craven produziu uma refilmagem chinelona à cores e com um palhaço sinistro na trama. Prefira o original ou o fantasma pálido de Herk vai te perseguir…

por Coffin Souza.

Assista “Carnival of Souls” aqui:

A Coisa de Larry Cohen

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on julho 13, 2012 by canibuk

“The Stuff” (“A Coisa”, 1985, 87 min.) de Larry Cohen. Com: Michael Moriarty, Andrea Marcovicci, Garrett Morris, Paul Sorvino, Danny Aiello e Scott Bloom.

O cinema de baixo orçamento é famoso por contornar suas deficiências técnicas com roteiros absurdos, situações ridículas/improváveis e muito bom humor que nos fazem embarcar com o coração nas mais bizarras tramas. “The Stuff”, obra-prima trash de Larry Cohen, se encaixa perfeitamente na categoria destes filmes produzidos sem grana nenhuma e muito amor pela arte de produzir cinema a qualquer custo.

Em “The Stuff” uma empresa da indústria alimentícia comercializa uma estranha substância branca (parecida com iogurte) que jorra do chão, horiunda do interior do planeta Terra. Logo tão delicioso alimento se torna a sobremesa mania nacional e todos que a comem se tornam viciados. Um garoto descobre que o alimento é um organismo vivo e se une ao sabotador industrial que foi contratado pela indústria do sorvete (que agora não vende mais nada) para descobrir do que o estranho alimento é feito. Durante as investigações eles descobrem que os viciados em “Stuff” se tornam zumbis com seus cérebros sendo comandados pela estranha substância que se revela um poderoso parasita. Com a ajuda de um soldado aposentado de extrema direita eles precisam liderar uma verdadeira batalha contra os zumbis viciados em “Stuff” e descobrir um meio de parar as vendas de tão desejada sobremesa.

Com um forte teor crítico à indústria do fast food americano (coca-cola e McDonalds em especial), com ecos da guerra fria, Larry Cohen orquestrou um filmaço de humor negro que previa a nação de gordos que os USA se tornaram. Em seu filme a indústria alimentícia é uma vilã que conta com a proteção do governo e a população somente serve para consumir às cegas. Não pergunte, consuma! Com efeitos especiais econômicos a produção oscila entre momentos inspiradíssimos e momentos onde tudo parece ter sido feito nas coxas (possivelmente por culpa do cronograma apertado das filmagens). Para baratear ainda mais os efeitos especiais, a produção reciclou muita coisa, como por exemplo a cena do motel (onde a gosma branca sai do colchão e ataca um homem contra a parede do quarto), que foi filmada no cenário de “A Nightmare on Elm Street/A Hora do Pesadelo” (1984), de Wes Craven, onde a personagem de Johnny Depp era sugada para dentro de sua cama e o sangue jorrava em direção ao teto. Uma jovem Mira Sorvino, filha do ator Paul Sorvino, foi visitar o pai num dia de filmagens e acabou sendo figurante em uma cena. Nada como aproveitar todos os recursos disponíveis para baratear ainda mais seu filme.

O diretor Larry Cohen nasceu em Kingston, New York, em 1941. Começou sua carreira cinematográfica como roteirista. Estreiou na direção com a comédia “Bone” (1972), mas chamou atenção com seus próximos filmes, “Black Caesar” (1973) e “Hell Up in Harlem/Inferno no Harlem” (1973), dois blaxploitations prá lá de divertidos e, ambos, estrelados pelo lendário Fred Williamson. Na seqüência realizou o sucesso de público “It’s Alive/Nasce um Monstro” (1974) sobre um bebê mutante que faz a festa dos fãs de carnificinas cinematográficas. Com a bola toda, Cohen realizou a seguir o pretencioso suspense de sci-fi “God Told Me To/Foi Deus Quem Mandou” (1976), clássico sobre vários crimes aleatórios cuja única ligação é a frase que todos os criminosos dizem ao final de seus massacres: “Deus quem mandou!”. Depois deste ótimo filme sua carreira como diretor seguiu alternando produções medianas com filmaços como “Special Effects” (1984), “The Stuff/A Coisa” (1985) e “The Ambulance/A Ambulância” (1990). Para os fãs de “It’s Alive”, Larry dirigiu ainda duas seqüências, “It Lives Again” (1978) e “It’s Alive 3 – Island of the Alive” (1987), onde a carnificina continua sendo perpetuada por bebês mutantes. O roteiro de filmes como “Maniac Cop” (1988) de William Lustig, “Body Snatchers/Os Invasores de Corpos” (1993) de Abel Ferrara e “Cellular” (2004) de David R. Ellis, foram escritos por ele.

“The Stuff” foi exibido à exaustão na televisão brasileira. Foi lançado no Brasil em VHS e DVD e é bem fácil de ser encontrado. Continua sendo uma diversão de primeira grandeza, provando que os filmes de baixo orçamento resistem melhor ao tempo.

por Petter Baiestorf.

Dark Star

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on julho 12, 2012 by canibuk

“Dark Star” (1974, 83 min.) de John Carpenter. Roteiro de Dan O’Bannon e John Carpenter. Produção capenga de Jack H. Harris. Com: Dan O’Bannon, Brian Narelle, Cal Kuniholm, Dre Pahich e a voz de John Carpenter.

No século XXII a humanidade está colonizando o Universo e uma espaçonave chamada Dark Star realiza a missão de destruir os planetas instáveis com a utilização de bombas inteligentes chamadas “Thermostellar Triggering Devices”. Como a missão já dura quase 20 anos, a tripulação da Dark Star se encontra mergulhada no tédio. Para piorar a situação, seu comandante foi morto em um bizarro acidente e se encontra congelado. Com a nave cada vez mais cheia de defeitos, os tripulantes ficam inventando distrações para aguentar o marasmo espacial (um gosta de ficar na cúpula de observação da Dark Star vendo o Universo passar diante de seus olhos, outro fica fazendo piadas bestas com o resto da tripulação, outro fuma charutos sem parar e pratica tiro ao alvo com uma arma laser dentro da espaçonave e assim por diante). Logo “Beachball”, um travesso alien em formato de uma bola de praia adotado por Pinback (interpretado pelo roteirista Dan O’Bannon), escapa e começa a aprontar inúmeras confusões com Pinback perseguindo-o pela espaçonave. Perto do final do filme, a Dark Star e sua desinteressada tripulação chega à Veil Nebula onde precisam explodir um planeta instável. Acionam a Bomb #20 que, numa crise existencial, se recusa a executar sua missão obrigando o tripulante Doolittle (Brian Narelle) a ter uma engraçadíssima conversa filosófica com a bomba inteligente com o intuíto de convencê-la a concluir a missão. Como Doolittle se sai mal ao ensinar a dúvida cartesiana à bomba, tudo se explode quando a bomba afirma ser Deus. No final a imagem de Doolittle surfando pelo espaço fica na mente de forma poderosa, deve ser a maior curtição surfar no espaço sideral.

Com o padrão de qualidade Jack Harris, “Dark Star” é uma maravilhosa comédia sci-fi de humor negro que marca a estréia profissional de dois mestres do cinema americano moderno: John Carpenter e Dan O’Bannon. Com um orçamento de apenas 60 mil dólares, a dupla teve que fazer a nave Dark Star do zero. O elevador da espaçonave era um poço de elevador real, os painéis da nave eram bandeijas furadas com luzes coloridas por trás, pedaços de televisores, embalagens styrofoam, papelões, isopor, plataformas de metal, restos de ferro-velho, tudo servia como material para a construção do interior da nave espacial. E o alien do filme realmente é uma grande bola de praia. O tom de farsa dá o ritmo á este belo cult movie que, anos depois, foi re-escrito por Dan O’Bannon e se tornou o clássico “Alien” (1979) de Ridley Scott. Aliás, O’Bannon além de escrever e atuar, ainda foi o grande responsável pela maioria dos efeitos especiais do filme. John Carpenter faz, além da direção e co-roteirização, a voz da personagem Talby e assina a trilha sonora e a produção. Apesar de todas as deficiências técnicas da produção, “Dark Star” é um dos meus filmes preferidos do Carpenter.

Antes de dirigir o longa “Dark Star”, John Carpenter havia dirigido vários curta-metragens de horror e sci-fi como “Revenge of the Colossal Beasts” (1962), “Terror From Space” (1963), “Gorgo Vs. Godzilla” (1969), “Gorgon – The Space Monster” (1969), “Sorceror From Outer Space” (1969), “Warrior and the Demon” (1969), a maioria destes curtas são produções caseiras em super-8 onde Carpenter exercitava sua narrativa e dava vazão a sua criatividade. Ao cursar cinema na USC teve a oportunidade de dirigir “Captain Voyeur” (1969), que possuia vários elementos que reapareceram anos depois em “Halloween”. No ano seguinte escreveu o curta de faroeste “The Resurrection of Broncho Billy”, com direção de James R. Rokos, que ganhou o Oscar de melhor curta-metragem. “Dark Star” foi seu primeiro “grande” filme como diretor, mesmo não tendo sido um sucesso de público abriu inúmeras portas para Carpenter na indústria cinematográfica (e para O’Bannon também, após “Dark Star” ele seria contratado por George Lucas para fazer um trabalho com efeitos para “Star Wars“). Seu próximo longa foi “Assault on Precinct 13/Assalto à Décima Terceira DP” (1976) sobre um grupo de policiais que é atacado em sua própria delegacia por uma gang de marginais; na seqüência fez o mega-sucesso “Halloween” (1978) que detonou a onda de slashers que assombrou a década seguinte e lhe garantiu um lugar de destaque nos grandes estúdios americanos. Imediatamente após “Halloween”, Carpenter ainda fez dois filmes fraquinhos para a televisão americana: “Someone’s Watching Me!/Alguém me Vigia” (1978), um suspense estrelado por Lauren Hutton e “Elvis” (1979), cine-biografia de Elvis Presley que o colocou em contato com o ator Kurt Russell.

A década de 1980 trouxe John Carpenter no auge de sua criatividade e o transformou num mestre do cinema de horror e sci-fi. “The Fog/A Bruma Assassina” (1980) trazia fantasmas-zumbis em busca de vingança numa cidade de pescadores da California e um clima dos quadrinhos da E.C. Comics; “Escape From New York/Fuga de New York” (1981) tinha Kurt Russell na pele de Snake Plissken e contava a história do bandido que é enviado à uma Manhattan transformada em prissão de segurança máxima para resgatar o presidente americano que foi feito refém após seu avião cair lá. Com um elenco de primeira que incluia atores como Lee Van Cleef, Ernest Borgnine e Donald Pleasence, “Escape From New York” logo se tornou um cult movie; Com o sucesso de seu filme anterior Carpenter se viu na privilegiada posição de poder escolher seu novo projeto e legou ao mundo seu melhor trabalho, “The Thing/O Enigma de Outro Mundo” (1982), novamente estrelado por Kurt Russell, que atualizava o clássico da sci-fi “The Thing From Another World/O Monstro do Ártico” (1951) de Christian Nyby. Essa versão de Carpenter era mais fiel ao conto “Who Goes There?” (1938) de John W. Campbell, no qual ambos os filmes são inspirados, foi um banho de sangue e vísceras que pegou a platéia desprevenida e contou com os inovadores efeitos especiais de Rob Bottin em sua melhor forma. Após seu grande clássico sangrento, Carpenter foi pressionado pelos produtores a ser mais suave e fez quatro filmes menores: “Christine/O Carro Assassino” (1983), baseado em Stephen King, um suspense sem grandes momentos; “Starman/O Homem das Estrelas” (1984), chatice sobre um alien perdido no planeta Terra; “Big Trouble in Little China/Os Aventureiros do Bairro Proibido” (1986), deliciosa aventura com Kurt Russell na pele de um camioneiro resolvendo um conflito místico em Chinatown; e “Prince of Darkness/O Príncipe das Sombras” (1987), divertido suspense com o roqueiro Alice Cooper fazendo uma participação especial. Após estes filmes medianos, Carpenter fechou a década com chave de ouro. “They Live/Eles Vivem” (1988) contava a história de uma invasão alienígena silenciosa e criticava o modo de vida americana, sugerindo que muito dos ricos e endinheirados eram aliens.

Nos anos de 1990 Carpenter começou o declínio de sua carreira. “Memoirs of a Invisible Man/Memórias de um Homem Invisível” (1992) era um tropeço imperdoável estrelado por Chevy Chase, antes desta bomba sem graça era preferível que ele tivesse dirigido seu roteiro “El Diablo” (1990), divertido western com John Glover que tinha sido dirigido por Peter Markle dois anos antes; “Body Bags/Trilogia do Terror” (1993) era uma produção para a televisão que ele dirigiu (e estrelou) em parceria com Tobe Hooper, mas é um filme em episódios que só empolga no segmento final; “In the Mouth of Madness/À Beira da Loucura” (1994) mostrava que Carpenter ainda podia fazer filmaços; “Village of the Madness/A Cidade dos Amaldiçoados” (1995) era uma refilmagem do clássico homônimo de 1960 dirigido por Wolf Rilla que não chegava nem aos pés do original; “Escape From L.A./Fuga de Los Angeles” (1996), com Russell revivendo sua personagem Snake Plissken, era divertido, mas um péssimo filme quando comparado ao original; e “Vampires/Vampiros” (1998), sobre um grupo de caçadores de vampiros patrocinados pelo Vaticano, tinha um bom ponto de partida e decepcionava com seu final fraquinho.

Se a década de 1990 dava mostras de que a carreira de Carpenter não era mais genial, o novo século tirou as dúvidas. “Ghosts of Mars/Fantasmas de Marte” (2001) foi uma bomba completa mal conduzida e com elenco desperdiçado em correrias histéricas prá lugar nenhum, na minha opinião o pior filme disparado de Carpenter, e “The Ward/Aterrorizada” (2010) é uma chatice sem fim que nem parece ter sido dirigido pelo fenomenal cineasta de “The Thing”. Mas em 2005, para a série “Masters of Horror”, Carpenter realizou o maravilhoso episódio “Cigarette Burns” que é digno do grande cineatsa que ele é. “Pro-Life” (2006), que ele realizou para a segunda temporada de “Masters of Terror” nao chegou a ser tão empolgante quanto sua primeira contribuição para a série.

Dan O’Bannon (1946-2009) começou sua carreira como ator, roteirista e técnico de efeitos especiais e logo, em decisão acertada, passou a se dedicar à construção de roteiros que deram origem à grandes clássicos do horror e sci-fi dos anos 80/90. Após “Dark Star” esteve por alguns anos envolvido no projeto “Duna” de Alejandro Jodorowsky. Seus melhores trabalhos são os roteiros para filmes como “Alien” (1979) de Ridley Scott, que desenvolve de maneira mais séria idéias de “Dark Star”; “Lifeforce” (1985) de Tobe Hooper, um banho de sangue gostoso e quentinho que misturava sci-fi e horror de maneira sublime; “Total Recall/O Vingador do Futuro” (1990) de Paul Verhoeven e “Screamers” (1995) de Christian Duguay, ambos inspirados em contos de Philip K. Dick; e “Bleeders” (1997) de Peter Svatek, sobre uns monstrengos. Em 1985 Dan escreveu e dirigiu um dos maiores clássicos cults da filmografia zumbi, “The Return of the Living Dead/A Volta dos Mortos-Vivos”, onde contava uma alucinada história de punks enfrentando zumbis que gerou, até agora, quatro seqüências. Na época do lançamento o filme foi um grande sucesso de público que se maravilhou com seu ritmo non stop e senso de humor negro cretino. Em 1992 Dan voltou a dirigir uma produção, “The Resurrected”, suspense apenas correto que se baseava em conto de H.P. Lovecraft e que teve vários problemas enquanto era feito.

O produtor executivo de “Dark Star” foi o lendário Jack H. Harris, famoso por produções de baixo orçamento. Na verdade Harris viu “Dark Star” com 45 minutos (inicialmente o filme era uma produção de estudantes de cinema) e comprou os direitos de distribuição e ficou enchendo o saco de Carpenter e O’Bannon para que o transformassem em um longa. O texto que se vê numa tela de computador no decorrer do filme, onde se lê “Fuck You Harris”, foi uma vingança de Carpenter pelas aporrinhações do produtor. Sua carreira começou com o cult movie “The Blob/A Bolha” (1958) de Irvin S. Yeaworth Jr. estrelado por Steve McQueen. Na seqüência manteve a parceria com Yeaworth e escreveu e produziu “4D Man” (1959) e “Dinosaurus!” (1960). Paralelo a parceria com o diretor de “The Blob”, distribuiu os filmes “Obras Maestras del Terror” (1960) e “Master of Horror” (1965), ambos filmes de Henrique Carreras baseados em contos de Edgar Allan Poe. Se achando apto para dirigir, Harris escreve, produz e conduz “Unkissed Bride” (1966), comédia tosca sobre um psiquiatra que usa LSD no tratamento de uma noiva com fobia do casamento. Na década de 1970 produz “Equinox” (1970), horror dirigido por Jack Woods e dá aos fãs do trash a maravilhosa continuação ultra vagabunda de “The Blob”, intitulada agora de “Beware! The Blob” (1972) e dirigida pelo ator Larry Hagman. Nesta mesma década aposta em filmes de jovens talentos como “Schlock” (1973) de John Landis, o já citado “Dark Star” e “Eyes of Laura Mars” (1978) de Irvin Kershner. Nos anos 80 produziu “Prison Ship” (1986) de Fred Olen Ray, a refilmagem de “The Blob” (1988) de Chuck Russell e a comédia “Blobermouth” (1991) de Kent Skov.

Assista aqui “Dark Star”:

“Dark Star” foi lançado no Brasil em VHS pela distribuidora Polevídeo e deve ter irritado muitos fãs de ficção com suas deficiências técnicas. Nunca conheci fanáticos por este filme, mas na minha opinião essa produção já dava sinais do brilhante cineasta que John carpenter viria à se tornar. “Dark Star” é imperdível por seu valor histórico.

por Petter baiestorf.

La Bestia Nello Spazio

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on junho 4, 2012 by canibuk

“La Bestia Nello Spazio” (“The Beast in Space”, 1980, 92 min.) de Alfonso Brescia. Com: Sirpa Lane, Vassili Karis, Lucio Rosato, Maria D’Alessandro e Marina Lotar.

“La Bête” (1975), dirigido pelo mestre do erotismo Walerian Borowczyk, sobre um casamento arranjado entre duas famílias burguesas onde a noiva, para que possa receber a herança de seu falecido pai, precisa se casar com um homem deformado que cria cavalos, foi um marco do cinema erótico com suas ousadas cenas de sexo entre uma mulher (Sirpa Lane) e um monstro (a título de curiosidade: A seqüência do sonho onde o monstro estupra/é estuprado pela mulher foi filmado para ser um dos seis episódios do filme “Contes Immoraux/Contos Imorais” (1974), obra anterior de Borowczyk, mas na edição ele e outro episódio ficaram no chão da sala de montagem e o diretor resolveu usa-lo em seu grande clássico). “La Bête” e a tradição da bela sendo estuprada pela fera, que vem do inconsciente branco-cristão europeu antes mesmo da invenção do cinema, serviram de inspiração para a produção de “La Bestia Nello Spazio” de Alfonso Brescia (não confundir com a dupla de diretores Brescia do Brasil).

“La Bestia Nello Spazio” é uma mistura entre “Star Wars” (apesar que produções sci-fi européias sempre ficam mais prá “Barbarella” do que para “Star Wars”) e “La Bête” que conta a história de um grupo de soldados espaciais que recebem a missão de ir ao planeta Lorigon obter Antalium (o elemento chave para a construção da bomba de neutron). Assim que a equipe começa a missão, Sondra (Sirpa Lane, do elenco de “La Bête”) começa a ter sonhos envolvendo sexo violento. Logo chegam ao seu destino e pousam no planeta (o pouso da espaçonave lembra os filme de sci-fi de 30 anos antes, de tão tosco e mal executado). Para poupar dinheiro com cenários, logo o grupo de corajosos desbravadores encontra um bosque igualzinho à qualquer bosque aqui do planeta terra e sua primeira visão perturbadora em Lorigon é ver dois cavalos fazendo sexo (em cenas de stock footage, outra referência explícita à “La Bête”), visão essa que deixa as mulheres do grupo excitadas. Depois desta cena gratuita de sexo animal, encontram uma casa de design alienígena onde seu moderno equipamento detecta Antalium. Em uma entrada triunfal ficam conhecendo Onaph, o anfitrião do planeta, que lhes conta a história de Lorigon e do super computador Zocor. No banquete que é servido de boas-vindas, todos comem, bebem e ficam tarados, vítimas de uma alucinação sexual coletiva, e a pegação entre a tripulação tem início. Onaph se revela um fauno bestial movido a sexo e torna os pesadelos de Sondra reais com cenas de sexo onde as penetrações explícitas foram enxertadas (casualmente todos os closes de penetrações nas vaginas foram feitos na mesma buceta, reconhecível pelo pentelhos pavorosos). Assim que todos conseguem sair da alucinação, escapam da casa e travam uma batalha com robôs lorigonianos, culminando numa cena de absoluta cara de pau onde sacam seus sabres de luz a la “Star Wars”. No meio desta batalha nossos heróis encontram tempo para destruir Zocor, o super computador que se alimenta de Antalium, e até o próprio planeta (a explosão mal feita do planeta fecha o filme com chave de ouro).

Os cenários e figurinos são pobres, mas de cores chamativas como todo bom filme barato que se preze deve ter. As armas são um achado com seus canos montados sobre lanternas, a cada tiro a ponta da arma se acende e os inimigos caem mortos. Os efeitos especiais parecem ter sido feitos para um filme dos anos 60 de tão precários. O roteiro escrito por Brescia, com uma ajudinha de Aldo Crudo, é uma grande bobagem com a missão de mostrar cenas de sexo que são bem filmadas (a versão que assisti tem 92 minutos e mais 3 minutos adicionais de cenas de sexo explícito que acabaram ficando de fora da versão final, mas cuidado, há versões deste filme rodando por aí com duração variando entre 73 e 86 minutos). O super computador é uma caixa gigante colorida com luzes vermelhas que piscam, nada melhor para um filme que não se leva a sério em nenhum momento, dá prá notar que os atores estão se divertindo. A trilha sonora do filme foi composta por Marcello Giombini (sob pseudônimo de Pluto Kennedy).

Alfonso Brescia (nascido em 1930 e falecido em 2001) é mais conhecido pelo pseudônimo de Al Bradley (ou Bradly Al) e se tornou famoso por seus filmes de sci-fi de baixo orçamento (na linha dos filmes de Antonio Margheriti como “Assignment: Outer Space/Destino: Espaço Sideral” (1960) ou “Il Pianeta Degli Uomini Spenti/Battle of the Worlds/O Planeta dos Desaparecidos” (1961), ambos lançados em DVD double feature pela London Films) que valem a pena serem conhecidos. Filmes como “Battaglie Negli Spazi Stellari” (1977), “Anno Zero – Guerra Nello Spazio” (1977), “La Guerra dei Robot” (1978) e “Sette Oumini D’Oro Nello Spazio” (1979) foram todos produzidos para lucrar em cima do sucesso de “Star Wars”, mas são muito mais divertidos, com aquele sabor especial que somente os filmes vagabundos tem. Exploitation man por natureza, começou dirigindo peplum movies. “La Rivolta dei Pretoriani” (1964) e “Il Magnifico Gladiatore” (1964) são sua visão do império romano que, nos anos 60, estavam na moda. Versátil como todos os diretores de exploitations, foi mudando de gênero conforme o gosto do consumidor mudava. Já em 1966 abandonou a produção de peplum para se dedicar ao western e realizou “La Ley del Colt”, na cola do sucesso dos filmes de Sergio Leone. Seu melhor filme no gênero western foi “Killer Calibro 32” (1967). Quando os filmes de faroeste começaram a dar sinais de cansaço, fez o drama “Nel Labirinto de Sesso” (1969) e o filme de guerra “Uccidete Rommel” (1969), para ver qual caminho seguir. Nenhum, nem outro! No início dos anos 70 era o horror que começava a chamar atenção do público, assim fez “Il Tuo Dolce Corpo da Uccidere” (1970), estrelado por Eduardo Fajardo (figurinha fácil dos spaghetti westerns) e “Ragazza Tutta Nuda Assassinata nel Parco” (1972). Depois de algumas comédias onde destaco “Superuomini, Superdonne e Superbotte” (1975), que zoava com o mundo dos super-heróis, e de seus filmes de sci-fi já citados, Brescia teve problemas com Joe D’Amato ao lançar “Ator 3: Iron Warrior” (1986) sem autorização de D’Amato, verdadeiro dono da série. No final dos anos 80 lançou uma imitação barata de “Rambo” chamada “Fuoco Incrociato/Cross Mission/Missão Mortífera” (1988) que tentava lucrar com o gênero ação. Brescia é um diretor pouco citado por trashmaníacos, mas merece destaque por sua carreira cheia de obras muito bagaceiras com alto grau de diversão.

No elenco de “La Bestia Nello Spazio” temos atores/atrizes que topavam tudo que é tipo de filme para pagar o aluguel. Sirpa Lane foi lançada no cinema por Roger Vadim com o filme “La Jeune Fille Assassinée” (1974), thriller erótico que destacou a beleza da jovem e fez com que Borowczyk a chamasse para viver Romilda de L’Esperance, sua personagem mais famosa no cinema, em “La Bête”. Em 1978 Joe D’Amato realizou “Papaya dei Caraibi/Papaya – Love Goddess of the Cannibals” e lhe deu o papel de Sara. Nos anos 80 trabalhou em mais dois filmes que merecem destaque, “Le Notti Segrete di Lucrezia Borgia” (1982) de Roberto Bianchi Montero e “Giochi Carnali” (1983), dirigido por Andrea Bianchi, mesmo diretor dos cults “Malabimba” (1979) e “Le Notti del Terrore/Burial Ground” (1981). Vassili Karis já havia trabalhado com Brescia em “Battaglie Negli Spazi Stellari” e “Anno Zero – Guerra Nello Spazio” antes deste “Bestia”. Outros filmes onde Karis dá as caras são “È Tornato Sabata… Hai Chiuso Un’Altra Volta/O Retorno de Sabata” (1971, disponível em DVD pela MGM Vídeo) de Gianfranco Parolini, um divertido western estrelado por Lee Van Cleef; “Casa Privata per le SS/SS Girls” (1977), asneira nazixploitation de Bruno Mattei; “Le Porno Killers” (1980), comédia de humor negro de Roberto Mauro e “Scalps” (1987) da dupla Claudio Fragasso e Bruno Mattei, um western gore chato, mas lindo. Outro ator de “Battaglie Negli Spazi Stellari” que aparece nesta produção é Lucio Rosato que, como todos os atores italianos em atividade nos anos 60, 70 e 80, teve a oportunidade de trabalhar em muitos filmes divertidos. Não deixe de ver Rosato em ação nos filmes “Gli Specialisti” (1969), western do mestre Sergio Corbucci; “Carcerato” (1981), um drama musical onde foi novamente dirigido por Brescia e “The Barbarian” (1987), um adorável lixo cinematográfico de Ruggero Deodato.

Atentem ainda para a presença da pornostar sueca Marina Hedman Bellis (também conhecida pelos nomes Marina Frajese, Marina Lotar ou Marina Lothar) no elenco. Marina era modelo quando Lucio Fulci lhe deu um pequeno papel (não creditado) na comédia “La Pretora” (1976), estrelado por Edwige Fenech. Logo em seguida apareceu já em sua primeira cena de sexo hardcore no cult movie “Emanuelle in America” (1977) do esperto Joe D’Amato, que com este filme chamou atenção por usar algumas cenas que seriam de torturas reais (mas que sob olhar atento percebemos que são trucagens). Ainda com D’Amato ela fez outros filmes, como a comédia “Il Ginecologo Della Mutua” (1977) e “Immagini di un Convento” (1979), nunsploitation com seqüências de sexo explícito. Depois de trabalhar com D’Amato foi descoberta pelos diretores italianos e trabalhou com vários caras bons. “Pasquale Festa Companile a contratou para “Gegè Bellavista” (1978) e “Come Perdere una Moglie e Trovare un’Amante” (1978); com Dino Risi fez o drama “Primo Amore” (1978); o atento Jesus Franco a chamou para um papel na comédia “Elles Font Tout” (1979), estrelado por sua musa Lina Romay, lógico; e Federico Fellini a chamou para sua obra-prima “La Città Delle Donne/Cidade das Mulheres” (1980), divertido clássico estrelado por Marcello Mastroianni e Anna Prucnal (que faz a personagem Anna Planeta no cult absoluto “Sweet Movie” (1974) de Dusan Makavejev). Fazer cinema na Europa dos anos 70/80 era algo realmente mágico. Depois deste começo de carreira promissor, Marina Hedman resolveu seguir o caminho dos filmes de horror e hardcore e fez o terror adulto “Orgasmo Esotico” (1982) de Mario Siciliano, “La Bimba di Satana/Satan’s Baby Doll” (1972) de Mario Bianchi, “La Bionda e La Bestia” (1985) de Arduino Sacco, “The Devil in Mr. Holmes” (1987) de Giorgio Grand, entre muitos outros pornôs europeus.

Dificilmente “La Bestia Nello Spazio” será lançado em DVD no Brasil, mas deixo aqui a dica para quem quiser conhecer essa pequena peça do selvagem cinema italiano que, quando faliu, deixou saudades. O estilo de filmar dos cineastas italianos sempre foi uma grande bagunça que no fim dava certo e rendia ótimos filmes.

por Petter Baiestorf.

“La Bestia Nello Spazio” copiando a arte de “Zardoz” descaradamente.

A Milhões de Quilômetros da Terra

Posted in Fotonovela, Museu Coffin Souza with tags , , , , , , , , , on janeiro 18, 2012 by canibuk

Nas décadas de 1950, 60 e 70 as fotonovelas eram extremamente populares, algumas delas eram montadas com frames de filmes, como essa “A Milhões de Quilômetros da Terra” que foi publicada aqui no Brasil pela “Cosmos Aventura” (número 9), baseada no filme “20 Million Miles to Earth” (1957) de Nathan Juran, com efeitos de stop motion do mestre Ray Harryhausen. Canibuk, através do “Museu Coffin Souza”, disponibiliza agora (digitalizada) essa fotonovela para as novas gerações se divertirem com essa arte (quase) extinta. Estamos com mais umas 20 fotonovelas de filmes (todos clássicos sci-fi ou de horror) para digitalizar (mas não digitalizarei mais nenhuma na íntegra porque são revistas antigas demais e a capa desta “A Milhões de Quilômetros da Terra” soltou os grampos enquanto eu realizava o trabalho de digitalização, as próximas vou digitalizar apenas as capas e algumas páginas internas mais empolgantes).